Mendes volta a carregar forte no acelerador

Enquanto Diogo Jota foi dar mais uma voltinha no carrossel das comissões de Jorge Mendes, surge em Portugal uma interessante notícia…

O Rio Ave anuncia, com algum élan, a contratação, com recurso a capitais próprios de Gabrielzinho, jogador de 21 anos que actuava na 4ª divisão brasileira ao serviço do Linense, um modesto clube dos arredores de São Paulo que este ano actuou na primeira divisão do campeonato estadual paulista? Sim, vindo do Linense, um daqueles clubes onde os empresários portugueses costumam ir comprar jogadores a granel para distribuir pelos seus afiliados na 2ª Liga e no Campeonato Nacional de Séniores  

Quem é o agente do jogador quem é? Jorge Mendes, claro! Não poderia ser mais ninguém senão Jorge Mendes. Em teoria, os vilacondenses receberão 15 milhões de euros dos encarnados relativos às transferências de Ederson para o City e de Kronovic. Ou pelo menos, os seus dirigentes acreditam piamente que podem vir a receber esses tais 15 milhões de euros. Por isso é que já o estão literalmente a gastar, sob conselho do empresário em jogadores por si agenciados para que o circuito do dinheiro termine invariavelmente nas suas mãos. Quando o Benfica começar a apresentar as facturinhas relativas aos empréstimos de Yuri Ribeiro, Nuno Santos, Pelé e daqueles que ainda estarão para chegar por empréstimo nos próximos anos, o valor a receber dos encarnados diminuirá drasticamente. Jorge Mendes salvaguardará, como é óbvio o seu porque irá, com toda a certeza, facturar o seu nos jogadores que vai trazer para Vila do Conde. O resto da história já a conhecemos. Se os vilacondenses levantarem muito a garimpa, terão que recorrer aos mesmos serviços aos quais recorreu o Vasteras para receber as verbas que eram devidas (pelos encarnados) relativas à transferência de Lindelof. E serão, obviamente, punidos. Porque no futebol português só o Benfica tem, como vimos nas últimas semanas, recursos para punir “quem lhes faz frente”. Nem o Benfica nem Jorge Mendes entram nos clubes pequenos para lhes oferecer o euromilhões. O empresário quer sacar os seus euromendilhões.

Os 800 mil euros relativos a esta transferência estarão portanto a ter a devida cobertura nas provisões de capitais que os vilacondenses esperam vir a receber dos encarnados. Esta transferência traz gato. Sendo o jogador agenciado por Mendes e transferido de um modesto clube da 4ª divisão brasileira, não me espantará se desta operação resultarem operações idênticas aquelas que o empresário tem realizado, com o devido apoio de Carlos Osório de Castro, Julio Senn e Luis Correia, nas empresas que possui na Irlanda. Trocando por miúdos: o Rio Ave paga 800 mil euros ao Linense. No Brasil, Jorge Mendes levanta o cheque. O valor é facturado nas empresas de Mendes na Irlanda e segue o seu habitual percurso por vários paraísos fiscais até chegar ao seu destino nas Ilhas Virgens Britânicas.

Rúben Neves: uma venda que rendeu 20 mendilhões

Ao contrário do que aqui escrevi a propósito da transferência de André Silva para o AC Milan, tenciono discutir o valor da transferência de Rúben Neves bem como o seu potencial. Na minha modesta opinião, acho que o valor da transferência é elevadíssimo para o mediano potencial futuro que Rúben Neves apresenta. Quero entrar portanto por caminhos sinuosos que levam, invariavelmente, a discussões apaixonadas.

É preciso dizê-lo com franqueza e abertura: Continuar a ler “Rúben Neves: uma venda que rendeu 20 mendilhões”

Jorge Mendes pode não mandar mas decide

Ainda há bem pouco tempo, o antigo director desportivo do Valência Roberto Ayala fez umas declarações bastante pertinentes sobre este assunto. Nestas declarações, o antigo futebolista argentino, agente que foi incumbido de ser o director desportivo do clube ché na viragem para a “gerência” do singapurenho Peter Lim, contou-nos o esquema que Jorge Mendes “monta” nos clubes com os quais tem boas relações:

“De repente vi que havia coisas que não estavam bem. Havia um triângulo perigoso entre o dono [Peter Lim], o treinador [Nuno Espírito Santo] e Mendes, o agente. Um triângulo que não ia ajudar o clube. O plano inicial era perfeito: uma secretaria técnica que avaliava todo o mercado à procura do que melhor se adaptava ao clube, o corpo técnico para potencial o jogador e o representante mais hábil do mundo para depois negociar esse produto. Mas não entenderam assim. Compraram com preços altos e eu não podia compartilhar esse tipo de gestão”

Roberto Ayala a 13 de Fevereiro de 2017

Eis o esquema com que Mendes fez escola no futebol mundial. Continuar a ler “Jorge Mendes pode não mandar mas decide”