Competência

Fico muito feliz em saber que o meu Sporting não está interessado em deixar pontos por esses campos deste Portugal. A exibição na primeira parte foi de pura competência. Esperemos porém que a armadilha de Guimarães, não esteja novamente escondida nos últimos minutos da 2ª parte, à imagem daquilo que aconteceu na época passada.

Sem delongas e sem demoras, porque o intervalo é curto, realço alguns dos pontos de observação que me pareceram mais importantes para esta autêntica lição de sobriedade que o Sporting deu em Guimarães nos primeiros 45 minutos:

  • Construção apoiada nos primeiros 10 minutos, com os centrais a chamar a equipa adversária à pressão, e os médios (principalmente Adrien e Bruno Fernandes; a funcionar em diversas saídas como um terceiro médio, colocando-se mais à frente quando a equipa estava instalada no meio-campo adversário) escondidos por detrás dos homens de 2ª linha de pressão da formação vitoriana para virem receber o jogo.
  • Fábio Coentrão muito aberto pela esquerda. Com a bola a ser jogada para o interior, e a pressão a sair na direcção de Acuña e Gelson, o lateral teve um oásis durante a primeira parte.
  • Um golo madrugador, fruto da soberba inteligência de um jogador, a tornar fácil uma missão que poderia complicar-se com o decurso do jogo.
  • Pressão à construção adversária vs controlo da profundidade – O Sporting tentou encurtar os espaços entre as suas linhas, com uma linha defensiva ligeiramente subida quando o Guimarães saía a jogar. Em pressão alta ou em pressão média\alta, a equipa leonina complicou sempre a saída de jogo dos vitorianos. Adrien foi um galgo em cima de Zungu e Celis (para roubar e não deixar jogar ou para limitar o tempo para pensar e executar na 1ª fase de construção; Zungu e Celis já são algo limitados a construir) e Battaglia fez uma vigilância muito apertada a Hurtado. A diminuição do tempo disponível para construir nos primeiros 25 minutos castrou os planos (de jogo em profundidade) de Pedro Martins e obrigou a ter que alterar o posicionamento do extremo esquerdo Hélder Ferreira, passando-o para o centro por troca com Hurtado.
  • Extremos do vitória a terem que receber o jogo à saída do seu meio-campo (onde naturalmente são menos perigosos) com os laterais leoninos a sair na pressão “no osso”, ou seja a não dar espaço para criar. Foi assim que Coentrão conseguiu controlar Raphinha durante grande parte do primeiro tempo.
  • Excelente reacção de toda a equipa à perda da bola. Num lance de contra-ataque no qual Gelson (mais adiantado no terreno que Bas Dost) não conseguiu passar João Aurélio, vimos Dost a fechar imediatamente na direita. O 3º golo nasce de uma recuperação de bola de Battaglia (afinal, quando o argentino quer, tem passe) seguida de um extraordinário lançamento para a projecção de Coentrão pela esquerda.
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A vitória do Benfica na Supertaça em 5 breves notas

benfica 6

Uma entrada fortíssima dos encarnados na partida contrastou com uma entrada “de gatas” dos vimaranenses – Assente no seu habitual 4x4x2 (com Jonas a assumir quase sempre uma posição entre as linhas mais recuadas dos vimaranenses) a equipa de Rui Vitória entrou na partida com o intuito de diabolizar por completo a equipa de Pedro Martins. Nos primeiros 15 minutos, as saídas a partir de trás dos vitorianos chegaram até a ser constrangedoras pela quantidade de bolas perdidas na transição para o meio-campo contrário. Com linhas muito subidas e dispositivo de pressão altíssimo, muito efectivo e, onde todas as unidades caiam rapidamente em cima dos seus adversários directos,  a formação benfiquista conseguiu condicionar as saídas (a partir de trás) dos vimaranenses. A formação de Guimarães viu portanto como último recurso a possibilidade de tentar sair com segurança pelos corredores à falta de disponibilidade dos seus médios centros para assumir a 100% a tarefa. A estratégia adoptada foi um enorme fracasso mas Pedro Martins foi corajoso quando voltou a pedir à equipa que fizesse um esforço para contrariar a pressão alta dos encarnados.

Ao 2º passe, a bola ou saía fora ou era recuperada por um jogador da formação lisboeta. Sempre que Rafael Celis participava nas transições, o jogador colombiano demonstrava alguma lentidão de processos face a uma pressão intensa que era automaticamente realizada por 2 ou 3 adversários. O segundo golo surgiu precisamente numa enorme falha do outro médio (Zungu) na transição.
As ofertas permitiram aos encarnados colocar pragmáticos acções de contra-ataque nas quais Pizzi foi Rei e Senhor. Apanhando a defesa contrária em contra pé, tanto no golo que ofereceu a Seferovic como no golo que ofereceu a Jimenez (nova falha infantil dos vitorianos na transição para o ataque) o médio internacional português só teve que acelerar a acção de contra-ataque e servir os seus avançados no timing correcto.

A constante variação entre flancos (com a especial entreajuda sempre fornecida, entre as linhas adversárias, por Jonas) Continuar a ler “A vitória do Benfica na Supertaça em 5 breves notas”