Matheus Pereira – o retorno em Janeiro parece-me impreterível


“Joga como treinas!” (instrução de Jorge Jesus para Matheus na primeira parte do Tondela vs Sporting – 11\03\2017)

“Jorge Jesus disse-me para fazer o meu trabalho, para jogar como tenho jogado na equipa B. Disse-me para fazer o que melhor sei: ir para cima, driblar, fazer golo, dar passe…” (Matheus Pereira – Abril de 2017)

Na breve análise que realizei na passada terça-feira ao plantel do Sporting, frisei a ideia que a equipa leonina precisa de 4 jogadores para 4 posições em que se tem denotado recentemente um pequeno “estado de carência”, por força das lesões que se tem abatido sobre algumas peças chave nas últimas semanas, ou por mero défice de opções, défice que poderá redundar, na 2ª metade da temporada, na ocorrência de mais lesões se a condição física de alguns atletas não for bem gerida. Para o efeito, indiquei, a título meramente opinativo (estou convicto que Jorge Jesus conhecerá melhor os jogadores com quem trabalha e terá mais informações do que as que possuímos em relação à condição física dos atletas e às suas próprias limitações, pese embora, na minha modesta opinião, a gestão da condição física dos atletas não seja, de todo, um dos seus fortes) a possibilidade do Sporting se vir a reforçar internamente na reabertura do mercado, quer através da inclusão regular nos trabalhos da equipa sénior de alguns atletas da equipa B (Merih Demiral, Rafael Leão) quer através do retorno de alguns jogadores cedidos por empréstimo no ínicio da temporada, casos de Domingos Duarte e Matheus Pereira. A posição de lateral esquerdo parece-me ser, por ora, a única para a qual o clube não possui internamente uma solução credível a curto prazo.

A “joga” que Matheus Pereira realizou no Restelo frente ao Belenenses fez-me concluir que o seu regresso à casa-mãe em Janeiro é impreterível. Eu confesso que não sou, por várias razões, afecto ao regresso de jogadores emprestados a meio da temporada, mas, por outro lado, acredito que os clubes devem-no fazem sempre que existam situações de excepção. Em primeiro lugar, tento colocar-me na pele do clube que recebeu o jogador e na pele do treinador que face a sucessivas situações de insucesso, conseguiu finalmente potenciar o seu rendimento e polir duas ou três arestas fulcrais para a obtenção de um rendimento aceitável. Um empréstimo de um jogador a um clube pequeno não deve ser encarado como um frete prestado a esse clube, mas sim como a concessão de um benefício (a curto prazo) que acarreta uma obrigação. Se por um lado, o clube receptor recebe um jogador para uma eventual posição de carência no plantel com uma qualidade superior aquela que normalmente obtém no mercado, por outro lado, o clube que empresta espera que esse clube, e que o seu treinador, possam potenciar o atleta durante o período de empréstimo, para que este possa voltar no final da temporada com outro andamento e com um nível distinto de competências, de atributos e até de maturidade. Quando um clube empresta um jogador a outro por uma temporada, os responsáveis do clube receptor acreditam que esse jogador não faz parte das escolhas a curto-prazo do técnico que orienta a formação do clube de origem. Logo, não obstante a existência de mecanismos contratuais estabelecidos entre partes para um eventual regresso antecipado, o clube receptor poderá ficar, como se diz na gíria, com uma mão atrás e outra à frente. No ano passado, tivemos o exemplo do Moreirense. Sem Podence e sem Geraldes, o desempenho da formação de Moreira de Cónegos caiu a pique na 2ª volta. Nenhum dirigente gosta portanto de soluções para 3 meses, porque tais soluções não lhe dão a necessária estabilidade, e nenhum treinador gosta de ficar sem opções a meio da temporada, visto que por vezes, a saída de um jogador obriga-o a ter que reformular todo um trabalho. Como a cedência de jogadores é, como referi, a constituição de uma espécie de “contrato social” estabelecido entre partes, não convém ao clube que empresta fechar portas porque poderá necessitar dessas portas para potenciar no futuro outros jogadores.

No entanto, como também já pude referir nos parágrafos anteriores, o Sporting vive nas alas um estado excepcional de carência que não será a meu ver amenizado com a reinseração de Bryan Ruiz no plantel porque infelizmente há uma questão particular que deverá merecer a máxima atenção: a sobrecarga que Marcos Acuña já tem nas pernas no presente ano. Entre os compromissos realizados ao serviço no Racing de Avellaneda (16), no Sporting (17) e na selecção argentina (7) Acuña já leva 40 jogos em 2017. A sua condição física terá que ser gerida com pinças quando o jogador regressar de lesão. Embora Bruno César também possa realizar com sucesso as duas posições posições porque tem características para o efeito (a capacidade de cruzamento é uma delas), eu gosto mais do brasileiro a jogar no corredor central. A minha concepção é porém, muito pessoal. Eu não gosto de alas\extremos que não encarem defesas em acções 1×1, nem tão pouco gosto de alas\extremos que vivam do clássico “finta, vai à linha e cruza” – Gelson precisa de concorrência para não se acomodar e para não sentir que é intocável, precisa do seu descanso para não rebentar na 2ª metade da temporada, Iuri Medeiros precisará de rodar novamente por empréstimo porque ainda não me parece capaz de se constituir como uma alternativa credível para a posição, e o Sporting precisa de Matheus porque o brasileiro vem com ritmo, vem com fé (Jorge gosta dele e Matheus gosta de Jesus), e vem, como podemos ver nos 2 lances postados em epígrafe, com um conjunto de dinâmicas, aperfeiçoadas por Luís Castro, que podem ajudar o conjunto leonino a ter um maior grau de sucesso contra equipas que se organizam defensivamente em bloco baixo (pela qualidade dos desequilíbrios criados pelo jogador em acções 1×1; com aqueles vistosos cortes para dentro, activando todo o jogo interior) e que podem trazer outra dimensão (de índole combinativa) ao futebol do Sporting pela envolvência criada pelo próprio jogador com os laterais, com os segundos avançados e com o outro ala visto que de vez em quando vemos um dos alas a cruzar todo o terreno para criar superioridade no outro flanco. O segundo vídeo demonstra por exemplo uma situação de apoio frontal criado pelo extremo com o ponta-de-lança Jefferson que poderá muito bem ser recriada em Alvalade com Dost, Podence, Gelson ou Bruno Fernandes.

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