Bons apontamentos deixados pelo Portimonense de Vítor Oliveira no Estádio do Dragão

Costumo dizer em tom de brincadeira (não quero que subentendam este termo pelo seu sentido pejorativo mas sim pelo seu sentido panegírico) que Vítor Oliveira é uma das verdadeiras “mulas do futebol português” pela competência que tem demonstrado na operacionalização do seu modelo de jogo e no desenvolvimento de jogadores que  em função do estatuto alcançado junto das direcções dos clubes que orienta por força dos bons resultadospela sabedoria e conhecimento profundo sobre o jogo que ostenta e carrega para os clubes que o contratam e pela gestão exímia da sua carreira nos últimos 10 anos, retirando-se estrategicamente para a 2ª Liga, não porque não lhe tenham, na última década, chovido convites de clubes de 1ª porque efectivamente choveram como o técnico veio a confirmar há uns meses nas entrevistas que concedeu a vários órgãos de comunicação social, mas porque o técnico viu no estandardizado futebol de chutão para a frente e de batalha praticado naquele escalão, uma porta de sucesso para a afirmação do seu antagónico modelo de jogo e para a sua própria afirmação profissional depois de anos em que o seu trabalho na 1ª Liga não foi amplamente reconhecido; as primeiras subidas alcançadas em Arouca e Moreira de Cónegos tornaram-no uma referência para todos os clubes que quisessem investir para subir de divisão; a partir das primeiras subidas e da relação de confiança e fiabilidade estabelecida no universo da 2ª liga, ao treinador foi concedida a rara oportunidade de optar em cada defeso pela assumpção dos projectos “mais qualificados e mais endinheirados” e não pelas soluções de recurso que lhe foram apresentadas.

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A anatomia de um golo – Timo Werner

Um dissabor numa fase de natural ajustamento em relação às mudanças estruturais executadas ao intervalo por Raplh Hasenhuttl

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Como fiz questão de assinalar no post anterior, escrito de gazão durante o intervalo da partida, um dos méritos alcançados pelo Porto na primeira parte do Dragão residiu no comportamento defensivo apresentado pela equipa. Sérgio Conceição alicerçou o comportamento defensivo da equipa num bloco médio no qual, os portistas montaram à entrada do meio-campo adversário uma zona de maior intensidade na procura pelo esférico (nunca caíndo na tentação de exercer uma pressão mais alta no terreno de maneira a não abrirem muito espaço nas costas, espaço que seria letal em função da criatividade que é empregue por Forsberg sempre que o internacional consegue receber entre linhas) através de um triangulo invertido, no qual os dois médios (André André e Herrera) mais subidos no terreno tentaram encaixar nos dois médios do Leipzig (Keita e Kampl) de forma a condicionar as suas acções, e Danilo, ligeiramente atrás, tinha a missão de encerrar as linhas de passe para as entradas de Forsberg no corredor central. Os portistas conseguiram encurtaram o distanciamento entre as três linhas, fazendo subir a defesa, o que à primeira vista parecia ser um convite à profundidade que o Leipzig nunca aceitou verdadeiramente. Apesar de André André não ter sido excessivamente pressionante sobre Keita, os portistas nunca permitiram a Forsberg ter jogo e espaço para criar entre linhas, e nas alas, a pressão à ponta exercida pelos laterais sobre os extremos adversárias e o povoamento das alas nas jogadas em os alemães colocavam, em especial, no corredor esquerdo, 3 jogadores para ali criar situações que lhes permitissem chegar à área portista, foi a receita utilizada pelos portistas para manter a sua baliza inviolada.

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FC Porto vs Leipzig – 5 breves notas sobre os primeiros 45 minutos

A exibição do Porto nos primeiros 45 minutos foi assente, na minha opinião, em 5 aspectos muito positivos e noutro negativo.

  1. O primeiro aspecto positivo resulta do lance do golo, lance em que Sérgio Conceição voltou a explorar as evidentes deficiÊncias dos alemães neste departamento do jogo, colocando muitas unidades dispersas na área para dificultar o trabalho defensivo dos alemães. Danilo aparece muito bem para colher aquela segunda bola.
  2. O segundo aspecto positivo foi o comportamento defensivo da equipa na primeira parte. Se por um lado, a saída de Marega acarretou a perda de qualidade na saída de jogo (em profundidade, pelos corredores) frente a uma equipa que pressiona organizadamente em terrenos adiantados e que consegue executar um efectivo e até por vezes asfixiante contra-pressing nas zonas onde perde o esférico (em especial, no corredor central), por outro a entrada de André André e a alteração táctica promovida por Conceição deu na minha opinião uma maior robustez ao meio-campo (o Leipzig tem pouco espaço para jogar entre linhas; a execução de uma defesa subida na qual os centrais controlam bem a profundidade) porque tanto André André como Herrera encaixaram bem nos dois médios do Leipzig (Keita e Kampl) embora André André tenha necessariamente que pressionar mais o guineense quando este recebe para lhe condicionar a decisão. No entanto por outro lado percebo que o médio não se queira expor tanto no terreno para não abrir nas suas costas um enorme fosso onde Forsberg pode receber com espaço para criar.
  3. Nas alas, Alex Telles não está a dar um palmo para Bruma receber na direita (levando inclusive o internacional sub-21 a ter que procurar outros canais, mais centrais, para participar no jogo) e Ricardo está a lidar bem com as ameaças que pendem sobre o seu flanco. Quando o Leipzig tenta criar pelo corredor esquerdo (Haltzenberg aparece sempre projectado no último terço) costumam aparecer, para além de Forsberg, Augustin e até por vezes Sabitzer. A formação portista tem conseguido, nessas circunstÂncias colocar muitas unidades para impedir que os alemães procurem levantar bolas para a área ou penetrar na área através de combinações.
  4. O único aspecto negativo que assinalei no primeiro tempo foi a dificuldade que o FC Porto teve para sair a jogar no momento da recuperação do esférico. Danilo, Herrera e André André estão a ter muitas dificuldades para retirar a bola da zona que é pressionada de forma mais intensa pelos alemães (no corredor central). Isto deve-se sobretudo porque Ricardo e Corona nem sempre são rápidos a esticar no flanco direito para oferecerem referÊncias a quem recupera. No outro flanco, Brahimi tem sido mais expedito a abrir para receber mas sempre tem sido alvo de uma marcação impiedosa por parte de Bernardo.
  5. A mobilidade de Aboubakar nos momentos em que a equipa recupera a posse do esférico, oferecendo-se sempre como referÊncia para a equipa esticar o jogo em profundidade. O avançado tem lutado imenso contra Upamecano, batalha que lhe tem permitido a conquista de muitas faltas e por conseguinte a colocação de bolas para a área.

Um interessante exemplo de transição defensiva, espírito de equipa e solidariedade colectiva por Moussa Marega

Na minha ronda diária pelo Youtube à procura de “momentos, situações, palavreado do bom, palavreado do mal do xenófobo e boifiquista do André Ventura e cenas” (como perguntam agora os putos e também alguns graúdos: “ó João, viste aquela cena no Youtube?” – Como é que um gajo que raramente vê televisão, porque a televisão não lhe acrescenta nada de especial pode dizer que não viu se a cena ou que foi o último a ver a cena quando a cena de tão propagandeada que está, nas redes sociais, na imprensa escrita, na rádio praticamente entra pelos nossos olhos a dentro, devorando-nos as pálpebras, a retina, o lobo fontral e o Sulco de Rolando por esta ordem sequêncial e não por outra; claro que vi a cena, pá; quando não vi, finjo que vi e sigo em frente, já a pensar noutra cena qualquer com mais propósito para os meus interesses) apanhei esta, captada e muito bem esgalhada porque quem é de Olhão.  Continuar a ler “Um interessante exemplo de transição defensiva, espírito de equipa e solidariedade colectiva por Moussa Marega”

Keita e Forsberg – as chaves do sucesso do Leipzig. Um conjunto de notas sobre a derrota do FC Porto na Alemanha

forsberg

A deslocação do FC Porto ao reduto do Leipzig antevia-se naturalmente difícil, não obstantes as boas (e sólidas) exibições protagonizadas pelos portistas nos dois anteriores testes de exigência máxima realizados frente ao Mónaco e Sporting, partidas nas quais Sérgio Conceição conseguiu arranjar uma forma de suplantar o descarrilamento verificado frente ao Besiktas no Dragão, com uma profícua mudança no onze (a colocação de Herrera perto de Aboubakar) que tem permitido à formação da Invicta uma maior acutilância no capítulo da pressão à saída de jogo adversária e uma maior eficácia defensiva a meio-campo. A deslocação dos portistas ao terreno do 2º classificado da Bundesliga 2016\2017 e actual 3º classificado (a 3 pontos da liderança) da actual edição do principal escalão do futebol alemão, antevia-se difícil por várias razões: a primeira e mais destacável reside na qualidade dos processos de jogo da equipa orientada pelo austríaco Ralph Hasenhuttl. A segunda e não menos importante era ditada pela necessidade de somar pontos. As duas derrotas somadas frente ao Mónaco e ao Besiktas, obrigavam os alemães a vencer para acalentar o sonho de ainda poderem vir a discutir o apuramento para os oitavos-de-final. A terceira e também não menos importante, reside na qualidade individual de alguns dos seus artistas.  Continuar a ler “Keita e Forsberg – as chaves do sucesso do Leipzig. Um conjunto de notas sobre a derrota do FC Porto na Alemanha”

Miguel Cardoso, o perfeccionista que procura competência e eficácia em todos os jogos

miguel cardoso

Descrito por grande parte dos colegas de profissão e dos jogadores que orientou até ao momento enquanto adjunto de vários outros treinadores de nomeada da praça portuguesa (na última década, antes de se estrear como treinador principal no Rio Ave, Miguel Cardoso foi adjunto de Domingos Paciência, Paulo Fonseca e Carlos Carvalhal) como um grande treinador (um enorme conhecedor\interprete do jogo) que procura trabalhar as suas ideias de jogo com minudência e rigor, até à exaustão, ou melhor, até à “perfeita operacionalização” destas, Miguel Cardoso tem sido um dos treinadores que se tem destacado nas primeiras jornadas da Liga Portuguesa. O 6º lugar actualmente ocupado pelo Rio Ave na tabela classificativa da Liga Portuguesa (com 14 pontos somados em 24 possíveis; a 3 pontos do Benfica, o actual 3º classificado) não tem expressado por ora o nível de competência com que a equipa aborda todas as partidas e todas as situações de jogo, nem tão pouco tem feito justiça à qualidade do futebol praticado pela formação de Vila do Conde. O nível de excelência que a equipa tem exibido no primeiro quartel da Liga merecia indiscutivelmente uma posição mais adiantada da tabela (o 3º lugar a meu ver seria neste momento a posição mais justa para a formação vilacondense) pese embora, como temos vindo a observar nas últimas partidas, o competente Marítimo de Daniel Ramos também tem vindo “a fazer pela vida” para realizar um campeonato que permita aos madeirenses o acesso às competições europeias da próxima temporada e a um resultado histórico nunca alcançado (4º lugar) pelo emblema do Funchal nos seus 107 anos de existência.  Continuar a ler “Miguel Cardoso, o perfeccionista que procura competência e eficácia em todos os jogos”

Frente a uma equipa extremamente competente, o empate foi um mal menor

gelson

Confesso que estive aqui meia hora a sistematizar o jogo na minha cabeça para que nenhum pormenor me pudesse escraver na altura de escrever este post. O meu exercício acarreta porém, quase sempre uma inevitabilidade. Por mais que a tente fintar, o meu exercício acaba sempre gorado: a multiplicidade quase milionária de acções, posicionamentos, processos, situações, frames muito específicos nos quais virtudes e forças, erros e fraquezas, impedem-me de conseguir escarrapachar tudo no teclado.  A minha sistematização ajudou-me porém a compreender que o Sporting não fez contra o Porto um jogo tão bom quanto o que foi realizado contra o Barcelona. Já o FC Porto fez um jogo tão bom quanto o que fez no Mónaco, claudicando apenas na hora de finalizar. Muito mais fortes e mais competentes que os leões no primeiro tempo (no segundo tempo padeceram do estado físico que acompanhou a formação leonina durante os 90 minutos), a exibição do onze portista faz-me lembrar aquelas partidas de bilhar nas quais, em 7 tacadas, um jogador limpa o bolo de uma assentada mas não consegue finalizar a partida por falta de engenho para meter a bola preta à tabela.

Ao contrário do que aconteceu na partida realizada na quarta-feira frente aos culés, o Sporting não se exibiu a um nível tão eficiente no quadro da fase de organização defensiva (razão que explica em parte as 3 ou 4 situações de golo que os portistas tiveram no primeiro tempo) e ofensivamente voltou a padecer de vários males, males que de resto têm atormentado as exibições da equipa nos últimos jogos: os erros cometidos na transição ofensiva (uma amálgama de passes falhados e de decisões mal tomadas na hora de sair a jogar), indefinição na criação ofensiva (mais uma vez, o Sporting criou poucos lances de perigo real junto à área adversária) e dois matchpoints capitais desperdiçados por falta de engenho dos respectivos intervenientes. Se Bruno Fernandes… Se Bas Dost… Se William… se se se – uma equipa que quer praticar um futebol mais cínico nos jogos contra equipas grandes não se pode dar ao luxo de perder oferta que seja nem pode viver do se nos poucos lances que constrói. Tem que ser eficaz, segura e mais ousada do que aquilo que foi.

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