Algumas notas sobre a saída de Nelson Semedo para Barcelona

Faço já a minha declaração de interesses antes de escrever uma única linha sobre o lateral direito: confesso-me um grande fã de Nélson Semedo. A minha opinião sobre o jogador não se alterou em virtude da transferência que hoje foi confirmada pelos dois clubes. A minha opinião sobre o lateral mantém-se intacta desde que Semedo foi lançado por Rui Vitória na equipa principal do Benfica. Eu adoro laterais raçudos que passam a vida no último terço adversário. Adoro laterais despachados e esclarecidos, capazes de desequilibrar através do drible, de acções de 1×2, de entradas pelo interior ou pelo exterior. Adoro laterais que sabem entrar nos espaços deixados em vazio. Adoro laterais que não utilizam o cruzamento como único recurso quando a bola chega aos pés. Adoro laterais que sabem jogar para o meio. Odeio profundamente todos os laterais que só sabem correr em linha recta quando recebem a bola no meio-campo adversário. Adoro laterais atrevidos que saibam inflectir para o interior para rematar ou para procurar uma linha de passe para as desmarcações dos avançados.  Continuar a ler “Algumas notas sobre a saída de Nelson Semedo para Barcelona”

Vamos a isso! Marco Ferreira deverá ser o primeiro a falar

Vamos a isso!

Para que não hajam dúvidas em relação ao que vou escrever neste post, sinto a necessidade de deixar uma nota prévia: ao longo do último ano passei a respeitar Marco Ferreira. Já o respeitava enquanto árbitro porque sempre me pareceu competente e imparcial. Não tenho também qualquer pejo em afirmar que o antigo árbitro madeirense foi um dos melhores da sua geração. Não me devo também sentir acanhado para dizer que Marco Ferreira foi obviamente prejudicado (na sua descida de categoria) pelo sistema montado por Luís Filipe Vieira. Há umas semanas atrás percebemos que as notas negativas do madeirense na temporada em que desceu de categoria foram manipuladas através do modus operandi que foi aqui revelado.

No preciso momento em Marco Ferreira afirmou que o antigo presidente do CA\FPF Vítor Pereira lhe ligava nos dias anteriores aos jogos do Benfica (que o madeirense ia apitar) para lhe dar a dica de que “tudo teria que correr bem” (um autêntico crime de coacção) o meu nível de respeito pelo madeirense subiu, para descer quase imediatamente quando, no dia seguinte, decidiu dar o dito por não dito. Mesmo assim, mantive-lhe a minha admiração e consideração porque sei que Marco Ferreira é uma pessoa íntegra, recta, sincera e… (para muitas pessoas é um defeito, para outros é a linha pela quais se cosem os homens que vivem de espinha direita) de coração na boca. Nos últimos meses, o madeirense tem sido uma das vozes mais assertivas em relação à podridão que é a arbitragem no futebol português. Naturalmente. Marco conhece na perfeição todas as esquinas dos jogos de bastidores que se passaram nos últimos anos na arbitragem portuguesa.

Neste post em concreto, Marco Ferreira criticou (na mouche) o carácter mercenário de toda uma classe (uma autêntica vergonha; pessoas sem o mínimo pingo de dignidade), deixando ao mesmo tempo um apelo revelador que nada tem de enigmático: os árbitros estão mesmo protegidos sobre um manto e tem muito para contar sobre esse manto protector. Contudo, tenho obrigatoriamente que lavrar uma crítica ao madeirense.

Em relação às acusações proferidas contra Vítor Pereira, não ficámos suficientemente esclarecidos. Existiam ou não existiam pressões directas para que o madeirense beneficiasse o Benfica nos jogos em que apitava o clube da Luz? As pressões eram realizadas da forma descrita com a linguagem descrita ou iam para além da forma descrita? Antes de incitar quem quer que seja a por a boca no trombone, creio que Marco Ferreira deve à sociedade esse esclarecimento . Assim como também deve à sociedade (pela via das autoridades competentes; é um verdadeiro dever de cidadania) todos os esclarecimentos (plausíveis) que possam ser úteis à investigação que está em curso.

O dia em que o Mister acertou novamente na mouche

via Mister do Café

Ao longo dos últimos dias tenho vindo a evitar o inevitável tema da ordem do futebol português. Tenho vindo a evitar escrever sobre o mega (creio que já temos todas as provas que necessitamos para o escrever, sem correr o risco de virmos a ter que nos defender futuramente das acusações lavradas) escândalo de corrupção e tráfico de influências protagonizado pelos dirigentes e colaboradores Benfica e por alguns dos principais (e secundários) dirigentes do futebol português, não porque não tenha uma opinião formulada sobre o assunto porque tenho, não porque não tenha total conhecimento do assunto porque vou seguindo a novela a par e passo e vou dando, diariamente, junto das pessoas que me são próximas, a minha opinião sobre o assunto, mas porque, ao longo destes 4 meses, sempre tentei primar a diferença neste blog através de uma estratégia orientada para escrever (narrar, criticar, demonstrar, mostrar) sobre tudo aquilo que “se vai passando dentro das 4 linhas”, deixando todo o conteúdo que é rastilhado fora destas para quem de direito. Esta não é a minha forma de estar no desporto. Ponto.

Contudo, isso não quer dizer que não seja capaz de respeitar a forma de estar de outros bloggers quando têm, literalmente, os tomates no sítio para nos brindar com este tipo de pérolas. O Mister do Café é à semelhança de outros blogues como a leonina Tasca do Cherba (blogue no qual já vi um texto publicado) ou o Artista do Dia, blogue que também sigo diariamente, são blogues que tem prestado um evidente e louvável serviço público ao nosso país na luta contra o verdadeiro cancro (aquartelado na Luz e metastizado na Cidade do Futebol) que ameaça matar com o nosso futebol, e, como se veio a saber, nos últimos dias (depois da cena protagonizada no Hóquei em Patins) com o nosso desporto. Por outro lado, Francisco J Marques também tem prestado um digno e assinalável serviço público à Nação. Continuar a ler “O dia em que o Mister acertou novamente na mouche”

Quando a melhor e a única defesa possível, é o ataque

Se o “Benfica está forte, unido e coeso”, e “tem total abertura para facilitar acesso a toda a informação, tem as portas abertas e está tranquilo, quer que se investigue a fundo” (Luis Bernardo, Benfica TV, 16-06-2017) interrogo-me se realmente existe a necessidade de contra-atacar através da abertura de reabertura de processos do passado\novos processos na justiça desportiva e na justiça civil contra os rivais, quando uma bem preparada e executada defesa é um dos elementos basilares de um processo justo, e uma enorme garantia de transparência e idoneidade dos acusados se a acusação for dada analisada (ou até julgada) como desprovida de fundamento ou de provas que a justifiquem.

Continuar a ler “Quando a melhor e a única defesa possível, é o ataque”

Conteúdo repugnante

via Mister do Café

Ouvi com muita atenção tudo o que foi dito por Francisco J Marques no Porto Canal ao longo das últimas semanas. Se na semana passada ainda coloquei aqui neste espaço um leque de interrogações acerca da veracidade e da legalidade dos conteúdos reproduzidos, porque cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém e, porque, por outro lado sempre acreditei que o Benfica seria capaz de mexer a sua eficaz máquina de contra-informação para colocar o assunto rapidamente em banho maria, hoje começo a ter poucas duvidas: se o director de comunicação do Porto continua a drenar o imenso e nauseabundo pus que brota da cavernosa cavidade encarnada, é porque está absolutamente ciente que o pode fazer. Ultrapassadas as dúvidas quanto à legalidade do acto, resta-nos tentar perceber o que é a FPF e a Liga vão fazer com este abjecto dossier. A confirmar-se como verdadeiro o conteúdo deste email, não restará à Federação outra solução de actuação diferente daquela que está prevista no artigo 65 do seu regulamento disciplinar. Continuar a ler “Conteúdo repugnante”

Até da própria lei

“Não faz sentido falar em corrupção ou no que Pedro Guerra fez. Temos de estar unidos, pois só assim poderemos continuar a ganhar. O Benfica tem de estar acima de tudo” Luis Filipe Vieira, Assembleia Geral do Benfica, 09-06-2017

O clássico discurso moralizador e aglutinador do presidente do Benfica. A coisa parece estar realmente muito feia e muito grave.

O medo do video árbitro segundo Rui Vitória

“Creo que puede haber una tendencia para que el juego cambie. Los jugadores van a tener de ser más fuertes psicológicamente, van a tener que pasar muchas veces de la frustración al éxito y al revés. Va a ser muy natural ver a un jugador celebrar un gol que podría decidir un partido y que luego, pasados 15 ó 20 segundos, se dé marcha atrás y se anule la jugada. Por ello va a haber que trabajar la mentalidad de los futbolistas. Se van a tener que acostumbrar a que las decisiones cambien. A nivel defensivo también deberá haber cambios. Será normal que un árbitro asistente deje seguir jugadas que, después, puedan ser analizadas a través del vídeo. De ahí que una defensa acostumbrada a jugar adelantada para intentar dejar en fuera de juego a los contrarios vaya a tener que acostumbrarse a seguir la jugada hasta el final.”Rui Vitória, Jornal A Marca, 09-06-2017 – entrevista realizada por Nuno Luz.

Na entrevista concedida ao Jornal A Marca através do conhecido correspondente Nuno Luz, o treinador do Benfica concedeu-nos mais uma pérola vinda do fundo do escuro poço de sonsice e hipocrisia. A fonte de hipocrisia deste poço jorra abundantemente sem cessar. Serão realmente estes os motivos que levam o treinador do Benfica a ficar assustado com a introdução do video árbitro na próxima temporada? Queiram-me perdoar todos os ingénuos, mas, todos percebemos que esta é uma pergunta de retórica. Continuar a ler “O medo do video árbitro segundo Rui Vitória”