Muito desconforto e muito nervosismo na Feira

Fortíssimos nas transições e pouco mais. Ao dar apoio à acção de Gelson Martins, Alan Ruiz (jogador que finalmente começou a movimentar-se mais para as alas na 2ª parte, contrariando o estaticismo que enunciei no post anterior desde o momento em que entrou para dentro do terreno de jogo) permitiu a continuidade da acção a Gelson (no momento em que o argentino faz o movimento divergente para o lado direito para oferecer apoio ao companheiro, o jogador que o acompanha decide parar a sua acção para eventualmente esperar o 1×1 de Gelson; o jogador da Feira não acreditava na possibilidade do extremo colocar um cruzamento daquele sector do terreno).

O corte de Bas Dost é importantíssimo. Ao dar a entender ao central que tenciona atacar aquela bola, o ponta-de-lança do Sporting prende por completo o central, ou seja, não permite que este recue para estorvar a acção de quem vai realmente receber: Bruno Fernandes.

Inteligência do médio no timing de entrada nas costas, aproveitando a ausência do lateral direito Jean Sony.

O meu coração não aguenta. Depois do frenético final frente ao Setúbal, daquela cardíaca ponta final de partida frente ao Estoril (na qual esta equipa deu os primeiros indícios daquilo que viemos a confirmar na 2ª parte do jogo desta noite: uma equipa que tem muita dificuldade para gerir vantagens) e de uma salutar pausa de 2 semanas para recarregar baterias, na Feira, o alívio só veio mesmo no último minuto e veio porque um dos centrais da dupla de “paus-de-virar tripa” de Nuno Manta, o elo mais fraco desta galharda formação da Feira, cometeu um daqueles erros que vulgarmente designo como “erro provocado por desgaste e fadiga”

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A Amália já morreu e a Rainha Santa já não dá pontos em troca de rosas

Yankuba Jallow, Xiu Chen Yuan, Yuan Xiuqi, Malick Kujabi, Ousman Sanneh, Remi Mendy, Femi Balogun e Pa Omar Badjas. Se a Académica não carregasse consigo 130 anos de história e glória, diria que estaríamos perante um novo entreposto de comércio de escravos.

Estes foram os melhores reforços que um projecto de agente de jogadores de 27 anos, contratado (?) por Pedro Roxo para o cargo de director desportivo da Académica (depois de ter prestado um péssimo serviço à Olhanense nas últimas 3 temporadas; como será do conhecimento de muitos, os jogadores que este fedelho transportou para o clube de Olhão na temporada transacta conduziram o clube para um verdadeiro estado de ruína que culminou com a descida de divisão) trouxe no último dia de mercado para Ivo Vieira, um treinador cada vez mais ciente da miserável realidade actual do clube. Segundo a informação de fonte não-oficial que vai circulando nas últimas horas nas redes sociais, os jogadores africanos, jogadores cujo registo ou percurso é totalmente desconhecido do público (ao longo desta tarde tentei rastrear o seu percurso, não tendo obtido qualquer informação sobre o seu passado futebolístico) irão rodar na formação da Secção de Futebol. Os chineses, bem, os chineses é outra história. Mais à frente, irei dedicar-lhes um breve trecho de texto.  Continuar a ler “A Amália já morreu e a Rainha Santa já não dá pontos em troca de rosas”

A confirmação do meu maior receio em relação à introdução do videoárbitro

Na sequência deste post. Em boa hora pude ir aos meus arquivos resgatar um dos meus escritos sobre esta questão, para realçar que um dos maiores receios que tinha a 6 de Maio, dia em que se soube que a Federação Portuguesa iria introduzir a partir da presente temporada a nova figura do videoárbitro e a nova tecnologia ao seu dispor, residia precisamente na possibilidade dos novos agentes poderem vir a enviesar as decisões que tomam em virtude do recurso a interpretações extensivas ou restritivas (muito subjectivas; enviesadas por motivos de outra índole) da lei. No caso de Eliseu, Vasco Santos usou uma interpretação muito restritiva da lei.

Bastaram portanto 4 semanas para perceber o esquema pelo qual se vai processar ao longo da presente temporada a aplicação da tecnologia nos jogos do Benfica. Sim, o videoárbitro terá uma legislação e um guião de conduta completamente diferente para os jogos do Benfica. Sempre que o objectivo de análise for contra ou favor do Benfica (exemplo: o penalty marcado sobre Jonas) o videoárbitro deve dizer prontamente afirmar ou omitir:

  • Nos lances contra os encarnados  – “não vi”, “não me pareceu”, “não havia motivos para avisar”, “não valia a pena rever”
  • Nos lances a favor – “sim”, “há puxão\agarrão\rasteira”, “não tem intenção de jogar a bola”, “impediu” ou simplesmente tomar uma atitude passiva sempre que o árbitro principal seja pronto a marcar a infracção.

Os golos do dia

Começo este post pela Liga Ledman. É verdade que desde o início deste blog em Março não tenho dado o maior dos destaques à nossa 2ª liga. Não tenho o dom da ubiquidade nem consigo, no turbilhão de provas, jogos, notícias, rumores que acontecem ou saem cá para fora todos os dias, ter disponibilidade para acompanhar a fundo a prova. Para já tenho tentado acompanhar ao máximo o percurso da Académica, pelas razões sentimentais que me ligam ao clube e à bela cidade de Coimbra.

Pude ver, durante o dia de hoje uma generosa parte do jogo entre a equipa B do Sporting e o Cova da Piedade. Do que vi gostei de algumas prestações. A que mais me encantou foi a de Rafael Barbosa. Cada vez mais acredito que face aquela que considero ser para já a única pecha no plantel principal (um substituto à altura de Adrien; considerando que Battaglia pode ser, caso William não venha a sair, um jogador capaz de fazer com alguma eficiência o papel de Adrien; pelo menos nos aspectos defensivos, o argentino tem capacidade para poder substituir o capitão; nos aspectos ofensivos, creio que o jogador tem evidentes lacunas que tem necessariamente de ser trabalhadas, com a sua técnica de passe à cabeça) se o médio mantiver este rendimento (é agressivo na disputa da bola, pressiona bem, recupera imensas bolas, é rápido e efectivo a lançar o ataque ou a criar em terrenos mais adiantados) poderá ser o primeiro jogador a saltar da equipa B para a equipa principal.  Continuar a ler “Os golos do dia”

De Lisboa a Londres: mais de duas semanas de viagem.

william carvalho

Deveremos ter regressado ao Século XIX. A notícia de uma venda está a demorar mais de 2 semanas a sair e o jogador, cá para mim, foi para Londres montado num burro. Só assim se explica o facto de ter saído de Portugal há 2 semanas e ainda não ter chegado a Londres.

Sai, não sai. Sim, não. Já tem acordo, não tem acordo. Já assinou um pré-acordo, afinal, não assinou nada. O Sporting começou por pedir 45 milhões. Agora pede 38. Ainda pode descer aos 35. Se o West Ham continuar o braço de ferro, talvez o dê de borla. Mas o West Ham não quer passar dos 30. Perdão, dos 35. E ainda querem levar Adrien e Palhinha num pack por 30 milhões de euros. Não, afinal são 22 e eles ainda dão o Cheikhou Kouyaté. à troca. Com um bocadinho de sorte também levam 3 ou 4 putos da formação e a fazer jus às mentiras publicadas pelos 3 diários desportivos no mês de Junho, Jorge Jesus vai pro PSG e o Slaven Bilic vem para Alvalade treinar os Juvenis (a verdade é que não tem talento para mais que os Juvenis!). Contudo, os mesmos mentirosos também têm semeado aos sete ventos a existência de um fundo que está a tentar vender o Adrien por 18. Irra. Há 2 semanas que não se escreve noutra coisa na imprensa portuguesa senão na “saída” de William Carvalho para Inglaterra. Como disse uma vez o outro, o que morreu de velho,  “qual é a pressa sentida pela “jornaleiragem” lusa (Carlos Dolbeth; em tudo o que escrevo ou digo, faço sempre questão de mencionar as fontes, Carlos; continuo-te a pedir para teres a coragem de citar as fontes das ideias que aproprias deste blog) para despachar William?”

Cedo de borla a resposta a essa pergunta. Os comandos vermelhos que pairam pelos excitados diários desportivos da capital (os que mais tem apregoado a venda do jogador) querem ver Jorge Jesus num mar de problemas. Tenham calma e relaxem. Jesus antecipou-se à possível saída do jogador. Rodrigo Battaglia não está a entrar à toa no 11 às custas de William. O Sporting já está a precaver a eventual saída do médio. Tudo ficará decidido na quarta-feira: se sai ou se renova contrato como o jogador mais bem pago do plantel leonino.

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Mas o que é isto?

Para além de ter sido pouco ético e de ter prestado um péssimo exemplo a todos aqueles que actualmente se iniciam na arbitragem, a linguagem utilizada por Jorge Sousa no episódio protagonizado pelo árbitro no jogo desta manhã entre a formação do Real Massamá e a equipa B do Sporting violou alguns dos preceitos de conduta plasmados (e devidamente sancionáveis) em vários dos regulamentos da FPF e da Liga. A começar pelo próprio regulamento da arbitragem, no seu artigo 17º.

O Regulamento Disciplinar das provas organizadas pela Liga de Clubes também é muito claro quanto Às sanções que devem ser aplicadas aos árbitros que adoptem o uso de expressões grosseiras perante qualquer outro agente do jogo.

3 a 15 jogos. Faça-se justiça nesta questão.

A atitude do árbitro da AF Porto ganha outra dimensão se atentarmos ao facto de ter sido cometida por um árbitro experiente, detentor das insígnias da FIFA e da UEFA. Não estamos a falar de um erro cometido por um maçarico qualquer que acabou de sair do curso de arbitragem. Estamos a falar de um erro de condução grosseiro cometido por um árbitro cuja experiência acumulada na condução de jogos de alto nível já lhe deveria ter fornecido as ferramentas necessárias para conseguir lidar com todas as incidências de um jogo de futebol. Com calma e alguma contenção verbal. Por outro lado, o exemplo prestado para a toda a comunidade foi péssimo. Com que imagem de Jorge Sousa ficaram todos aqueles que viram a sua conduta? Que moral tem a APAF para vir pedir respeito de toda a comunidade perante os seus associados quando são os seus associados os primeiros a faltar a esse mesmo respeito? Um árbitro deve, acima de qualquer outra atitude, pautar a sua intervenção no jogo com base numa postura correcta, educada e pedagógica, postura que Jorge Sousa não teve.

Má fé ou provocação? Não podemos ignorar os ódios de estimação sentidos por alguns árbitros contra determinados clubes. Esses ódios de estimação, provocados por clubite, por influencia de terceiros ou por pura inimizade com um agente de uma das equipas, leva alguns árbitros a assumirem verdadeiras posturas de provocação quando são nomeados para apitar em determinados campos. Quando Hugo Miguel vai a Alvalade, por exemplo, várias as situações em que o já vi dirigir-se aos jogadores do Sporting com a mesma arrogância, altivez e rispidez com que Jorge Sousa se dirigiu ao guarda-redes da equipa B do Sporting. Claro que a adopção deste tipo de comportamentos e condutas visa condicionar o rendimento dos atletas.

Bruno Fernandes: o diabo à solta em Guimarães

No futebol português dos anos 30, 3 jogadores do Porto ficariam imortalizados na história como o “Trio dos Diabos do Meio Dia” – o madeirense Pinga e os seus colegas Acácio Mesquita e Waldemar Mota poderão ter sido os percursores do técnico bailado que se constituiu ao longo de décadas como a facilmente identificável “forma de jogar” do jogador lusitano. Hábeis no trato da bola, velozes e portadores de uma destreza física de cariz superior para a “normalidade” dos jogadores da sua era, reza a lenda que estes jogadores tinham o transcendente dom de resolver jogos de enorme complexidade com uma ou várias jogadas de génio.

De todos, Pinga era o mais amado na cidade invicta. O madeirense, jogador que aperfeiçoou a sua técnica individual (como tantos outros jogadores, naquela e nas décadas que se seguiram) a jogar na rua, na sua meninice, com recurso às bolas improvisadas que a “canalhada” manufacturava com recurso a meias velhas ou a bocados de borracha inutilizável para outros fins, era, segundo os antigos, um jogador formidável que aliava um pouco de tudo no seu jogo: era rápido a pensar, era gingão a driblar e era clínico a rematar ou a finalizar.

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