Um breve olhar sobre o plantel do Sporting. Deverá Jesus atacar em força o mercado de inverno?

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Nas últimas semanas, tenho lido por aí, tanto nas redes sociais, como na blogosfera e na imprensa especializada diferentes perspectivas sobre o plantel do Sporting, sobre as exibições e a evolução trilhada por alguns jogadores nas diversas dimensões do jogo, tomando sempre como ponto de partida para a discussão o modelo de jogo e as ideias de Jorge Jesus, bem como algumas opiniões em relação às necessidades ou carências mais urgentes que são ditadas pelas exibições, pela evolução dos jogadores (em especial, pelo grau de assimilação destes aos princípios e ideias do teinador) e pelas lesões que recentemente abalaram algumas das peças-chave deste plantel, muito por culpa de dois factores que devem ser imputados a Jorge Jesus: a gestão do plantel e a exigência do seu modelo de jogo.

Demolhados alguns dos argumentos lidos por aí e devidamente contrapostos com a minha análise do “estado das coisas” defendi no início da época e continuo a defender que o Sporting terá forçosamente que procurar, interna ou externamente, quatro reforços, fulcrais, para consolidar o leque de opções à disposição do seu treinador em quatro posições do terreno: para a posição de central, para a esquerda da defesa,  para as alas e para a posição de ponta-de-lança. Continuar a ler “Um breve olhar sobre o plantel do Sporting. Deverá Jesus atacar em força o mercado de inverno?”

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Machado, o destruidor

machado

Toda a gente já sabe como é que esta história vai terminar. No final do campeonato o Moreirense vai descer de divisão e Manuel Machado, qual Pôncio Pilatos, aparecerá em público, de mãos lavadas, a dizer (no fundo, a mentir descaradamente) que “nunca desceu qualquer equipa de divisão” (quando de facto apenas não as consumou; contudo creio é mais coveiro aquele que as enterra por falta de engenho no início de qualquer temporada, porque a base é o princípio de tudo, do que aquele que fica de pá em riste à frente do buraco à espera da saída das carpideiras para finalmente poder fechar em paz a cova) e que as coisas só correram mal porque a direcção não lhe deu os devidos ouvidos no início da temporada – e aí é que está o centro desta questão: Machado é aquele clássico e conservador treinador de retranca “à antiga” que só consegue conceber um futebol\modelo de jogo para as suas equipas com jogadores escolhidos a dedo no qual 9 defendem (desorganizadamente; transformando um jogo esteticamente bonito numa verdadeira recriação da batalha de Arras) atrás da linha de bola e 2 (Tozé e Peña, os únicos jogadores cujos pés tratam bem a bolinha) correm desalmadamente na frente à procura de qualquer coisa, do pontito. O futebol das equipas de Machado continua imutável no tempo. Este era o futebol praticado pelo seu Guimarães, este era o futebol praticado pela sua “miserável” Académica, este era o futebol praticado pelo Nacional. Quando Machado não tem a matéria-prima que deseja no início de cada temporada, o resultado é catastrófico. Quando a coisa começa a correr mal, Machado arranja sempre forma de escudar a pequenez do seu trabalho nos argumentos patéticos que lhe conhecemos: a diferença de orçamentos, existente entre clubes grandes e pequenos, a diferença das receitas angariadas com os contratos de cedência de direitos televisivos existentes entre grandes e pequenos e bla bla bla do costume, bla bla bla de cordel que tem vindo a ser paulatinamente desmontado pelo fenomenal trabalho que vários treinadores (Miguel Cardoso, Nuno Manta Soares, Jorge Simão, Ricardo Soares, Daniel Ramos, Luís Castro, José Couceiro) têm vindo a realizar noutros clubes de semelhante dimensão e de semelhante grandeza de recursos financeiros.

Rio Ave vs Sporting – Um conjunto de situações que ajudam a compreender a partida

Nota prévia: Perdõem-me a utilização de caps lock nas palavras com acentos circunflexos. Tais erros devem-se aos caprichos estranhos do meu teclado nesta harmoniosa noite de sábado.

1- A verticalidade dos processos de jogo do Rio Ave de Miguel Cardoso. 

Logo no minuto inaugural, o Rio Ave “mostrou ao que vinha”, aplicando um dos processos de jogo que compoem o modelo de jogo (a identidade colectiva da equipa) que está a ser idealizada, trabalhada e operacionalizada pelo seu treinador desde o primeiro dia desta temporada. Como já referi noutras ocasiões, a palavra Fidelidade (À identidade que está a ser construída) é a palavra de ordem no seio do grupo de trabalho vilacondense. Cardoso (vale a pena ler esta apresentação do próprio no slideshare e convido-vos se tiverem tempo a ler as outras que o próprio disponibilizou sobre outros temas) é, como também já pude referir neste espaço, um treinador que trabalha a equipa de forma a que esta possa jogar À Imagem do modelo de jogo por si idealizado.

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Miguel Cardoso, slides 12 e 13, “A Construção de uma Dinâmica” – Curso de treinadores UEFA B – Braga 2010

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O lance inicia-se com a tradicional disposição dos vilacondenses no terreno de jogo neste capítulo. Pelé recua até aos centrais para ali poder exercer o seu magistério sobre trÊs situações muito específicas: o trinco auxilia a saída de jogo (jogando o esférico preferencialmente para o meio-campo, onde Tarantini sai da marcação para vir receber o jogo, aproveitando a distÂncia de 20 metros existente entre a linha ofensiva e a linha defensiva leonina), permite a projecção dos dois laterais no terreno e confere estabilidade defensiva À equipa caso exista uma perda de bola.

Tarantini destaca-se de William para receber e logo que recebe procura rodar para tentar perceber o posicionamento das referÊncias criativas da equipa. Ao perceber a desmarcação de Barreto pelo meio de Mathieu e de Coentrão, o experiente médio apercebe-se que tem a possibilidade de matar as duas linhas do Sporting de uma só cajadada, isolando o colega.

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Eis a verticalidade pretendida por Cardoso. Em poucos toques\acções a equipa consegue transformar uma saída de jogo num lance de perigo.

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3 muito breves sobre a vitória do Sporting em Vila do Conde (1ª parte)

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Nota prévia: a análise ao jogo de ontem será dividida em duas partes por manifesta falta de tempo: uma mais teórica e outra mais prática que será publicada mais logo, a seguir à partida entre o Boavista e o FC Porto 

1 – As novas exigências que são ditadas aos clubes grandes na visita aos pequenos emblemas do futebol português. 

Nos últimos 20 anos o futebol português mudou. Em alguns aspectos, pode dizer-se que mudou para melhor, ou seja, o futebol português trilhou, vertiginosamente, um enorme caminho de evolução. Noutras pequenas questiúnculas, aquelas que irracionalmente são discutidas diariamente na nossa praça de pura desinformação e fanatismo clubista exacerbado, nos últimos 20 anos, o futebol português retrocedeu para níveis profundamente anacrónicos, repletos de atitudes e comportamentos facciosos, para um nível de pensamento quase tribal que em nada o benefícia. O que é que quero com isto dizer? Quero dizer que em alguns departamentos do jogo (na sua vertente técnico-metodológica) o futebol português melhorou imenso nos últimos 20 anos. O estado de evolução a que actualmente chegou o futebol português permite-nos dizer que globalmente somos um país que forma melhores treinadores (de acordo com as mais modernas concepções metodológicas) e que estes treinadores não trabalham apenas nos clubes grandes – os clubes pequenos também já possuem nos seus quadros técnicos, em ambos os departamentos, sénior e de formação, treinadores de enorme valia (de igual ou superior valia em relação aos que trabalham nos grandes), autênticos estudiosos do jogo, que aplicam diariamente, no trabalho que realizam com os jogadores que formam (jovens) ou desenvolvem, as fabulosas percepções hermenêuticas fenomenológicas e o rigoroso conhecimento validado que vão adquirindo, aprendendo e apreendendo nas suas sessões de estudo. A aplicação prática desse mesmo conhecimento redundou obviamente no aumento da qualidade dos jogadores portugueses nas diversas dimensões do jogo – o jogador português é hoje, sem qualquer ponta de dúvida, um jogador muito mais completo do que era há 20 anos atrás; é um jogador com um conhecimento muito mais profundo sobre o jogo, conhecimento que se traduz num melhor rendimento táctico e psico-cognitivo; é um jogador tecnicamente mais apurado; é um jogador mentalmente mais forte – Por outro lado, a formulação de alternativas ideias de jogo que vingaram (outras não vingaram, mas o treinador é um agente que está constantemente sujeito à experimentação, ao erro e às consequências do erro experimental!), e a constituição de equipas corajosas que são capazes de enfrentar os grandes olhos nos olhos, valorizaram a nossa competição interna e o nosso futebol e permitiram ao jogador português sonhar com outros palcos. Há 20 anos atrás seria impensável a possibilidade de um jogador do Marítimo ou do Estrela da Amadora, equipas que habitualmente lutavam ano após ano por um lugar nas 5 primeiras posições do campeonato, se transferir desses clubes para uma das melhores equipas das principais ligas. Essa possibilidade é, hoje uma realidade. As melhores equipas procuram talento. O talento que alimenta esta industria, o talento que arrasta as massas para os campos de futebol. Esse talento tanto se pode esconder numa equipa sénior como numa equipa de iniciados de uma equipa como o Anadia, formação que nos últimos anos tem conseguido chegar às fases finais dos campeonatos nacional de iniciados, e que tem exportado camiões cheios de talentos para os maiores emblemas do futebol português. O talento vale ouro porque é neste momento a ignição que confere sustentabilidade ao negócio.  Continuar a ler “3 muito breves sobre a vitória do Sporting em Vila do Conde (1ª parte)”

Até parece provocação!

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No mesmo dia em que o presidente da Federação Portuguesa de Futebol Fernando Gomes foi à Assembleia da República prestar-se novamente ao rídiculo papel de defensor da causa à qual parece também estar completamente preso pelo pescoço (da boca do presidente da Federação voltámos a não ouvir uma única palavra em relação ao esquema de corrupção e tráfico de influências que está a ser investigado pela Polícia Judiciária\Ministério Público; também não escutámos qualquer palavra de condenação em relação à morte que aconteceu às portas do Estádio da Luz ou qualquer condenação às declarações de incitação ao ódio e à violência destiladas por Luís Filipe Vieira na zona mista do Estádio de Alvalade; não ouvimos também qualquer palavra de condenação em relação ao esquema interno de espionagem, de que estava ou provavelmente ainda está a ser alvo no seio da instituição que dirige, a mando de um clube; não ouvimos qualquer palavra de repúdio em relação aquela verdadeira golpada, como descreveu e bem o Míster do Café, que os funcionários que o clube encarnado dispõe naquele hemiciclo tentaram realizar no Verão em prol dos interesses do seu amo Vieira) e apresentar um conjunto de soluções de algibeira que não fazem, no meu humilde entendimento, o mínimo sentido quando o Estado tem as ferramentas, as instituições e a legislação adequada, clara, concisa e cristalina como a água para actuar em conformidade com os casos concretos que são apresentados (ainda hoje estamos para perceber como é que e em que circunstâncias é que aquele regulamento de segurança do Estádio da Luz foi aprovado pelo IPDJ; ainda hoje estamos para saber como é que o Benfica não foi punido em virtude do apoio directo e expresso que dá às suas claques), o Conselho de Arbitragem da FPF, órgão onde um tal de Fontelas Gomes, dirigente que age a trote das indicações que lhe são dadas pela Luz (eles bem tentaram utilizar a presença do filho na Academia de Alcochete para o conotar com o Sporting; não nos esquecemos porém da ameaça de greve dos árbitros que um dia Fontelas ameaçou vir a realizar na sequência das revelações realizadas por Bruno de Carvalho em 2015) decidiu nomear a Santíssima Trindade das Ordenações Ministeriais de Vieira para as deslocações que o Sporting e o Porto terão que realizar, respectivamente, aos difíceis terrenos do Rio Ave e do Boavista. Continuar a ler “Até parece provocação!”

Um interessante exemplo de transição defensiva, espírito de equipa e solidariedade colectiva por Moussa Marega

Na minha ronda diária pelo Youtube à procura de “momentos, situações, palavreado do bom, palavreado do mal do xenófobo e boifiquista do André Ventura e cenas” (como perguntam agora os putos e também alguns graúdos: “ó João, viste aquela cena no Youtube?” – Como é que um gajo que raramente vê televisão, porque a televisão não lhe acrescenta nada de especial pode dizer que não viu se a cena ou que foi o último a ver a cena quando a cena de tão propagandeada que está, nas redes sociais, na imprensa escrita, na rádio praticamente entra pelos nossos olhos a dentro, devorando-nos as pálpebras, a retina, o lobo fontral e o Sulco de Rolando por esta ordem sequêncial e não por outra; claro que vi a cena, pá; quando não vi, finjo que vi e sigo em frente, já a pensar noutra cena qualquer com mais propósito para os meus interesses) apanhei esta, captada e muito bem esgalhada porque quem é de Olhão.  Continuar a ler “Um interessante exemplo de transição defensiva, espírito de equipa e solidariedade colectiva por Moussa Marega”

Os casos de Casillas e Maxi – uma oportunidade de ouro para reforçar o plantel de Janeiro?

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Isolemos o que se passou em Leipzig. Isolemos mesmo o que se passou em Leipzig porque a imprensa extrapolou para além do aceitável (dos limites do bom senso) a falha de José Sá no lance do primeiro golo da formação alemã. O lance é inequívoco, não deixando margem para dúvidas: qualquer guarda-redes corre o risco de sofrer aquele golo. Não é preciso ver o lance duas vezes para o compreender: em primeiro lugar, naquele lance concreto, não passaria pela cabeça de qualquer jogador do FC Porto (muito menos pela cabeça do guarda-redes) a possibilidade da bola vir a ser rematada naquelas circunstâncias específicas (na sequência de um canto batido de maneira curta, no qual dois jogadores do FC Porto fizeram a aproximação para dificultar as acções dos três jogadores do Leipzig; o remate sai de uma zona altamente desfavorável para o rematador, com um emaranhado de pernas à sua frente – qual era efectivamente a probabilidade daquela bola não ser desviada a meio do percurso por um jogador? Estou certo que era bastante diminuta; a decisão mais provável para o desfecho daquele lance, seria, em virtude da presença de vários jogadores alemães na área portista, o cruzamento e nunca o remate). Em segundo lugar creio que a muralha que está à frente do guarda-redes portista impede-o de ver a bola partir, diminuindo-lhe claramente o tempo de reacção. Em terceiro lugar, o ressalto do esférico no relvado (molhado) aumenta significativamente a sua velocidade. José Sá só poderia efectivamente ter resolvido com eficácia aquele lance se tivesse optado por desviar a bola para o lado, fazendo-a ultrapassar a linha final. O guarda-redes confia na possibilidade de vir a agarrar aquela bola.  A partir do momento em que não a agarra e a bola bate caprichosamente no rosto, saltando para a sua frente, abre-se outra equação: a corrida ao ressalto. Sá ainda emenda o erro com um toque para frente. O guarda-redes errou porque confiou nas suas capacidades. Mas a defesa também errou no momento do ressalto porque ninguém fez questão de atacar devidamente o ressalto. Continuar a ler “Os casos de Casillas e Maxi – uma oportunidade de ouro para reforçar o plantel de Janeiro?”