Quem é Luis Henrique, a “grande promessa do futebol mundial” anunciada pelo Feirense?

O post de apresentação publicado pelo Billas na sua página de facebook e no seu site oficial a propósito da contratação do avançado brasileiro Luís Henrique apanhou toda a gente de surpresa. O clube de Santa Maria da Feira não fez por menos quando vendeu o jogador como uma das maiores promessas “do futebol brasileiro e mundial”, antes de narrar a verdadeira novela que foi o percurso do jogador  – fomos ao Youtube seguir o rasto do jovem avançado brasileiro que chega a Santa Maria da Feira vindo do Atlético Paranaense.  Continuar a ler “Quem é Luis Henrique, a “grande promessa do futebol mundial” anunciada pelo Feirense?”

Uma excelente venda

Não quero debater de forma alguma a comissão gigantesca que Jorge Mendes irá obter por parte do seu novo parceiro financeiro. Sabemos que ao certo, André Silva poderá render entre 28 a 30 milhões directos para os cofres do necessitado FC Porto. Poderá estar afastada a hipótese do FC Porto não vir a participar nas competições europeias nos próximos anos, cenário que poderia ser uma profunda machadada no futuro do clube portista. Não discuto o potencial (presente e futuro) do jogador porque é enorme. Não discuto o clube para o qual foi vendido o jogador porque parece-me claro que o destino foi uma imposição do seu empresário. Nem discuto a verba porque creio que os 38 milhões pagos pelo jogador equivalem ao percurso que foi feito, ao seu potencial no presente e ao seu potencial futuro.

Contudo não posso deixar de tecer um breve comentário relativo à regressão que foi trilhada com o jogador por Nuno Espírito Santo na temporada que agora finda. Podemos valorizar ainda mais a venda se ponderarmos que Nuno Espírito Santo desistiu da evolução do jogador a meio da temporada, por motivos técnicos e tácticos. As mudanças tácticas “desenhadas” aquando da chegada de Soares (o bizarro 4x4x2 sem referência de área, obrigando André Silva a ter que jogar muito longe do seu habitat natural), a obsessão pelo equilíbrio defensivo e a própria preferência do treinador pelas características do brasileiro, moldando de certa forma a equipa às suas características, não ajudaram em nada à evolução natural de André Silva. Estes são os factores que naturalmente explicam a sua queda de rendimento na 2ª metade da temporada. Senti que em muitos jogos, o jogador andava completamente confuso, estranhando as funções (de exterior à área) que lhe foram incutidas pelo treinador. Nesta valorização não está preso um único fio de cabelo do antigo treinador dos dragões. Arrisco-me até a dizer que o treinador fez o possível e o impossível para desvalorizar o jogador.

Tiro ao lado?

As missas, os padres, a relação do primeiro-ministro com o poder (himself) e um intermediário sindicalista têxtil de Ronfe, ex-árbitro de baixa qualidade, observador tecnicamente inapto, que já foi do PCP mas agora está mais ligado ao Bloco. Eis a salsada marinada em massa pimentão que compõe a nova pratada de Carne de Porco à Alentejana que está a ser cozinhada no futebol português! A silly season elevada ao expoente. O conteúdo indicia uma suspeita que é amplamente generalizada e debatida mas, no fundo, a confirmar-se como uma informação verídica, não prova absolutamente nada. Temos pena. Eu sou um daqueles que crê convictamente que nos últimos anos passaram-se um conjunto de evidências claras que demonstram que não existe de todo uma actividade lícita nas conquistas do clube encarnado, mas, infelizmente, não tenho provas que sustentem tais actividades. Neste tipo de situações temos que ser racionais.

O que é que as declarações do director de comunicação do Porto provam? Nada. De boca pouco ou nada se prova neste país. O que é que os emails trocados entre Adão Mendes e Pedro Guerra provam relativamente à existência de um esquema de corrupção montado pelo Benfica? Nada. A provar-se como verídica, a licitude da prova conta. Como a prova não deverá ter sido obtida de forma lícita, Francisco Marques até pode ser vítima dos bagos de chumbo da bala que atirou contra os responsáveis do clube encarnado e contra os árbitros em questão se não conseguir justificar convenientemente a veracidade e a origem do email que leu, a veracidade das relações existentes entre agentes, as metáforas existentes no texto, o simbolismo escondido por detrás das alcunhas dadas às personagens. Se o director de comunicação do Porto não conseguir provar todos estes pontos, poderá obviamente incorrer num crime de difamação, devassa da vida privada e espionagem, morrendo imediatamente o assunto por aqui.

Ambições completamente surreais para a realidade do clube

O arraial foi montado no Calhabé. Com toda a pujança e irreverência coimbrã, um presidente à procura da sua sobrevivência política foi buscar um treinador (Ivo Vieira) com um currículo bastante engraçado nas últimas 3 temporadas. Uma passagem bastante razoável pelo seu clube do coração, o Marítimo, e uma subida à 1ª Liga pelo Desportivo das Aves na temporada que agora tem o seu fim, fizeram pular os corações de todos os adeptos da Briosa: “é para subir, vamos subir, porque nós temos de estar na 1ª liga” – não sei qual foi o projecto vendido ao treinador que, segundo as palavras do presidente, foi, em virtude do feito alcançado, foi o “mais cobiçado do defeso” (vide a notícia na edição de hoje do Diário de Coimbra) – mas sei que para já, existem uma série de condicionantes internas que devem ser observadas por quem tem o dever de papar a informação que nos é dada, para que não se gerem ambições e expectativas completamente surreais para a realidade da Académica. As mesmas que foram depositadas no ano passado aquando da contratação de Costinha.
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C´est le monde du foot, Waldemar!

“Não entendo isto, não entendo. Ele está a abandonar-me. Organizámos tudo à volta dele para a próxima temporada” Waldemar Kita, presidente do Nantes, quando inquirido sobre o facto de Sérgio Conceição estar a forçar a saída do clubes francês para poder assinar pelo FC Porto.

O mundo do futebol é assim Waldemar. Quando determinados agentes tem a sua cotação em baixa e vêem as portas dos clubes a fechar-se de par em par, são capazes, de literalmente, humilhar-se para terem uma oportunidade. Assim que conseguem reerguer-se, os mesmos que outrora se venderam por uma uva mijona para poderem ter uma oportunidade, sentem-se demasiado confortáveis para poderem passar por cima de todas as pessoas que apostaram neles quando estavam na mó de baixo. No futebol moderno, uma grossa parte dos agentes estão-se a marimbar para os símbolos, para o futuro dos clubes, para as expectativas ou para os esforços financeiros realizados pelos dirigentes. O que interessa no fundo é o dinheiro, em primeiro lugar, e a glória, em segundo lugar. Se eventualmente conseguir forçar a saída para assinar pelo Porto, Sérgio Conceição irá marimbar-se para o futuro do clube. Quer lá ele saber se vais descer de divisão ou se o teu clube vai à falência. Um dia, quando ele voltar a ser despedido, ainda utilizará o ano que passou no vosso clube como cartão de visita para o trabalho dele. Sê portanto bem vindo à era do mercenarismo.

Falamos de um guarda-redes de 51 milhões ou de 51 tostões?

Acredito piamente que para se vender um guardião por 51,6 milhões de euros, mais 2 do que o valor pago pelo Bayern há uns anos pelo melhor guarda-redes da actualidade, Manuel Neuer, e menos 1,4 milhões que o melhor guardião da História do Futebol, é preciso, em primeiro lugar, a presença na negociata um super negociador como Jorge Mendes. Dar o corpo ao manifesto (as chamadas defesas de instinto; providas de muita fé e de alguma rapidez na leitura da jogada e no tempo de reacção mas muito escassas ao nível de verdadeira técnica de guarda-redes quando analisamos ao nível de agilidade e flexibilidade; Não é que a técnica seja algo muito importante num remate à queima roupa, porque nesse tipo de remates, o mais importante é efectivamente conseguir anular um golo, mas a sua existência ajuda por vezes a distinguir um guarda-redes mediano, aquele que dá o corpo, de um guardião ágil a erguer-se aos pés do rematador) e realizar uns chutões largos lá para a frente são “duas características” que ainda não vendem guarda-redes por 51,6 milhões de euros. Os guarda-redes podem efectivamente ajudar a fazer a diferença (ofensiva) com um ou dois pontapés longos para a frente, mas convenhamos que neste momento, a sua função no futebol ainda não é, por enquanto “viver para as assistências”, apesar de já termos visto alguns exemplos históricos de keepers que batiam prodigiosamente as bolas paradas.

Olhe-se o golo do Vitória. O guardião viu a falha de marcação do central. Para além da falha de comunicação para com o defesa (um grande guarda-redes tem de ser em primeiro lugar um excelente comunicador) e de ter sido lento a fazer a leitura da situação em causa, Ederson também falhou redondamente em dois itens técnicos naquele lance: não foi ao esférico com determinação e coragem. Qualquer guarda-redes que valha 51 milhões tem que demonstrar determinação e coragem na abordagem ao lance, saindo imediatamente com todo o vigor possível com os punhos à frente. A pequena área protege a sua acção e tem de ser, em qualquer situação de bola parada, sua. O que vimos foi uma péssima abordagem do guardião encarnado ao lance, ficando completamente nas covas.

Desculpem lá meus amigos, mas um guarda-redes com este tipo de falhas, demonstra num só lance a razão que me leva a defender que não vale os 51,6 milhões. Nem 20.

O videoárbitro que salvou Emílio Peixe

Questões de volumetria na utilização dos braços (em remates à queima roupa) que puderam salvar o emprego (e o salário chorudo auferido sem fazer ponta, a bom da verdade; aquele golo do Irão exemplifica mais uma vez o que tentei explicar aqui em relação à falta de trabalho deste seleccionador) de um treinador em apuros. Se passou a fase-de-grupos, está safo. Pode continuar a aldrabar à vontade. Os críticos à utilização do VA ainda continuam por aí? Teremos que voltar a explicar os benefícios da sua utilização ou estamos finalmente convencidos, dado o facto desta decisão ter sido justamente a nosso favor? Ou só serão capazes de criticar quando as decisões forem desfavoráveis aos seus clubes? Quem sabe se amanhã poderemos ter a resposta (por acção ou por omissão) a estas perguntas!