Nadal e Federer no mesmo court? Foi possível!

Na Laver Cup, evento de exibição que juntou, na O2 Arena de Praga, em duas equipas (a da Europa e a do Resto do Mundo) alguns dos melhores tenistas mundiais. O evento, de carácter exibição, acabou por ser muito mais que isso. Pelo que pude espreitar no canal de Youtube criado pela organização, houve ténis de enorme qualidade em algumas das partidas disputadas.

Anúncios

Delpo volta ao local do crime

À procura de ser novamente feliz, na meca do seu jogo, o hard court do Arthur Ashe Stadium, decorridos 8 anos desde a sua única vitória em Grand Slams, uma chicana infindável de lesões, e um sinuoso caminho que o conduziu em tantas viagens até à sala de operações para debelar as sistemáticas lesões nos pulsos, nos punhos e no túnel do carpo, Juan Martin Del Potro volta ao lugar do crime. O argentino volta ao seu hygge, ao maior centro de conforto da sua penosa carreira com uma extraordinária vitória sobre um dos grandes cicerones da grande maça americana: Roger Federer.

Continuar a ler “Delpo volta ao local do crime”

500 gramas de Dor de Corno à Portuguesa

Não pude deixar de observar no meu feed de facebook, as declarações proferidas por Gastão Elias em relação a Denis Shapovalov no final do jogo que ditou a sua eliminação na 2ª ronda do qualifying do US Open frente ao tenista canadiano. No final de uma partida em que o português cometeu, sublinhe-se, demasiados erros, Elias foi peremptório na observação ao ténis do adversário.

gastão elias 2.PNG

Créditos para o Bola Amarela. 

Gastão deve ter sentido uma amiúde dor de corno por ter perdido contra um jogador que, à semelhança do que sucedeu no passado no início da sua carreira, também é considerado um prodígio. O “normalzinho” ganhou ao antigo prodígio, à “vedeta” (ao antigo pino, perdão, colega, de treinos de Roger Federer, ao geniozinho da estratégia de jogo que nunca saiu do armário; ao prodigiozinho que Nick Bolletieri alegadamente treinava para ser top 10) que nunca o chegou realmente a ser. Ou será que foi Gastão quem, ao longo destes últimos anos se tornou “normalzinho” e o “normalzinho fogo de vista” para Gastão tem efectivamente todo o ténis para se tornar a vedeta que Gastão nunca foi e nunca será?

A humildade. Esta é a subtil diferença entre um miúdo talentoso e humilde que cavalga entre os grandes nos Masters 1000 e nos Grand Slams (caem todos aqueles backhands a uma mão e aquele serviço de esquerda; já caíram na presente temporada Nadal, Juan Martin del Potro, Jo Wilfried Tsonga, Kyle Edmund) e um atleta que, aos 26 anos, está 84 lugares abaixo no ranking e nunca ganhou a qualquer jogador de top 20 quanto mais de top 10 mundial.

P.S: Elias foi eliminado nos quartos-de-final de um Torneio Challenger no mesmo dia em que Denis Shapovalov fez história no US Open. 

O algodão não engana

Denis Shapovalov. Memorizem o nome. Dentro 2 ou 3 anos começaremos a ver o jovem talento de 18 anos (actual 143º do ranking ATP) na crista da onda do ténis mundial. A carinha laroca até pode indicar à primeira vista a ingenuidade própria da idade. A qualidade do ténis praticado, não. O ténis do miúdo canadiano (nascido em Israel; filho de pais russos) indica maturidade, técnica, estratégia, compromisso, profissionalismo e acima de qualquer outro atributo, frieza. Muita frieza.  Continuar a ler “O algodão não engana”

Bernard Tomic: um exemplo a não seguir no desporto profissional

A honesta e sincera entrevista concedida pelo tenista australiano à jornalista Melissa Doyle, apresentadora do carismático Sunday Night do canal de televisão australiano Channel 7 deixou-me por um lado completamente perplexo (como é que um atleta profissional com o potencial do tenista australiano chega a este profundo estado de depressão e de manifesta falta de prazer naquilo que faz?) mas, por outro lado,  respondeu a várias interrogações que bailavam na minha cabeça há uns anos sobre os efeitos negativos que o comportamento dos pais podem suscitar na “vida desportiva” dos filhos. O caso de Tomic apresenta algumas semelhanças com o caso vivido aqui bem perto de nós de Vanessa Fernandes. O quadro de factores que levaram a triatleta a desistir da alta competição em 2009 são muito semelhantes aos que estão a conduzir Bernard Tomic para um abismo mental que poderá ser irreversível. Continuar a ler “Bernard Tomic: um exemplo a não seguir no desporto profissional”

Inacreditável

Não tenho palavras para descrever o imponente nível das exibições de Roger Federer durante a presente temporada. O suíço parece estar disposto a finar-se (para o ténis profissional) pela porta grande, ou seja, a desafiar e a superar todos os seus limites. E os seus limites são, como se sabe, altos. Em Wimbledon, o suíço voltou a fazer um verdadeiro compêndio do do seu percurso enquanto atleta de alto rendimento: todas as oportunidades, por mais pequenas que sejam, são caminhos válidos para se chegar ao topo. Sem perder um set, o suíço vulgarizou praticamente todos os adversários no seu caminho para a final, partida em que Marin Cilic não teve muitas oportunidades para contrariar os poderosos winners da fabulosa esquerda de Federer bem como os seus vitoriosos forehands.  Continuar a ler “Inacreditável”