Inacreditável

Não tenho palavras para descrever o imponente nível das exibições de Roger Federer durante a presente temporada. O suíço parece estar disposto a finar-se (para o ténis profissional) pela porta grande, ou seja, a desafiar e a superar todos os seus limites. E os seus limites são, como se sabe, altos. Em Wimbledon, o suíço voltou a fazer um verdadeiro compêndio do do seu percurso enquanto atleta de alto rendimento: todas as oportunidades, por mais pequenas que sejam, são caminhos válidos para se chegar ao topo. Sem perder um set, o suíço vulgarizou praticamente todos os adversários no seu caminho para a final, partida em que Marin Cilic não teve muitas oportunidades para contrariar os poderosos winners da fabulosa esquerda de Federer bem como os seus vitoriosos forehands.  Continuar a ler “Inacreditável”

A vitória da escola espanhola de ténis

A vitória de Garbiñe Muguruza sobre Vénus (a vingança à derrota sofrida na final de 2015 frente à irmã Serena) foi, de facto, na minha opinião, o verdadeiro consumar de todos os ensinamentos que a tenista hispano-venezuelana colheu da escola espanhola.

Muguruza representa na plenitude grande parte dos pontos-chave que caracterizam a escola de nuestros hermanos.  Continuar a ler “A vitória da escola espanhola de ténis”

Eis o verdadeiro rolo compressor de Wimbledon

Na semana passada escrevi algumas linhas sobre o falso rolo compressor apresentado por Rafa Nadal nas primeiras eliminatórias do Grand Slam londrino. As falsas indicações dadas pelos espanhol nas primeiras rondas de Wimbledon frente a adversários de menor potencial, levaram-me, nesse post, a prever o futuro do espanhol no torneio. O meu chapéu de feiticeiro destas lides materializou-se aqui, quando o espanhol foi eliminado na ronda seguinte pelo belga Gilles Muller.

Roger Federer fez o seu caminho para a final. Como podemos ver nos highlights acima postados relativos à partida dos quartos-de-final, o suíço não deu qualquer hipótese a Milos Raonic. Raonic não é um atleta qualquer. Em condições normais, o tenista canadiano seria um dos vários candidatos a um lugar nas meias-finais do evento. Continuar a ler “Eis o verdadeiro rolo compressor de Wimbledon”

Só me falta acertar nos números do euromilhões

Lembram-se das previsões que fiz na semana passada sobre Rafael Nadal? No sábado, escrevi aqui

“Os vários comentários que tenho lido quer nas redes sociais quer nas barras de comentário dos órgãos de imprensa espanhóis em relação à prestação tem sido autênticos atestados de burrice. Dizem grande parte dos espanholitos que “a jogar assim”, Nadal não terá quem o pare até à final. Apostemos então: quem é que aposta que Nadal vai para casa na primeira eliminatória em que um adversário consiga contrariar o seu serviço e comece a baixar a bola  (e a velocidade da troca de bolas) através da execução de pancadas em slice?”

À primeira. Na mouche. Gilles Muller nem teve que abusar das pancadas cortadas, embora tenha realizado mais durante esta partida do que aquelas que foram utilizadas por todos os adversários nas rondas anteriores. O belga contrariou e bem o serviço do espanhol (3 break points; 35 pontos conquistados no serviço do espanhol contra os 33 conquistados pelo espanhol no serviço de Muller), baixou consideravelmente o ritmo das trocas de bolas se compararmos o ritmo desta partida com o ritmo que o espanhol colocou nos jogos das rondas anteriores, e obrigou quase sempre o espanhol a ter que correr de um lado para o outro, não o deixando colocar os seus mortíferos passing shots e forehands inside out. Por outro lado, o belga foi em diversos momentos de jogo fortíssimo na aplicação de sequências de “esquerdas” inside in seguidas de direitas inside out.

O falso rolo compressor de Nadal!

Eis a razão pela qual a “histórica” armada espanhola sempre teve algumas dificuldades para perceber o relvado de Wimbledon em particular e a superfície de relva em geral, exceptuando os anos em que Nadal venceu Wimbledon (2008 e 2010) “por falta de comparência” de Roger Federer no sensível momento em que o suíço teve que recuperar da mononucleose sofrida em Janeiro de 2008. Continuar a ler “O falso rolo compressor de Nadal!”

As jogadas do dia – Dustin Brown

Confesso que nos últimos dias tenho dedicado pouca atenção ao Torneio de Wimbledon. À noite, com calma, na minha ronda informativa, vou vendo alguns resumos de algumas partidas. Exceptuando os jogos disputados entre Rafael Nadal e o australiano  John Millman (1ª ronda), e a partida também de 1ª ronda entre Milos Raonic e o alemão Jan Lennard-Struff (cujo jogo vi apenas parcialmente), ainda não pude assistir a uma partida com verdadeiros olhos de ver. Contudo, os resumos vão-me chegando e sobrando para tirar algumas ilacções sobre o momento de forma de alguns tenistas. Foi nessa série de resumos que encontrei as pancadas de sonho de Dustin Brown, o jogador que eliminou o português João Sousa na primeira ronda do Grand Slam londrino.

Ao longo dos anos já tinha visto algumas das acrobáticas pancadas com que o alemão (de ascendência jamaicana) nos tem brindado. No torneio londrino, o jogador de 32 anos jogou (frente a João Sousa e Andy Murray) com os seus níveis de confiança a bater no topo do Evereste! É certo que o seu ranking mundial actual (97º) permite-lhe a veleidade de jogar Grand Slams sem qualquer tipo de pressão…

A esquerda de Federer não é uma Instituição do ténis; é património cultural imaterial da humanidade

E a perfeita descontracção (num clima de total concentração e total confiança) com que o suíço jogou contra um dos tenistas em maior ascensão no cenário mundial na presente temporada (Alexander Zverev) é absolutamente divinal.