Stoke City vs Chelsea – 2 erros, vida descansada para a formação de Conte

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Bastaram 2 minutos e um erro partilhado a meias por Glen Johnson e Martins Indi na cobertura ao avançado espanhol para a formação londrina tomar o controlo total de uma partida, aborrecida, diga-se em abono da verdade, na qual, a formação de Antonio Conte, confortável no seu meio-campo vai dando mais iniciativa ofensiva aos homens da casa.

De uma bola recuperada por Bakoyoko no seu meio-campo, acelerada por Kanté com uma variação para Cesar Azpilicueta, nasceu o primeiro golo dos Blues. Os franceses tiveram o mérito de tirar a bola da zona de maior concentração de adversários para lançar o ataque e o defesa espanhol (jogador que tem procurado constantemente a ligação com o avançado através do lançamento em profundidade; nem sempre bem, despejando bolas para a frente que não são pedidas pelo avançado espanhol) tratou de procurar o seu compatriota com um passe longo para as costas da defesa. Bem vivo no meio de Martins Indi e Glen Johnson, Morata só teve que ir na peugada do passe de Azpilicueta para abrir o marcador.

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Bloco de Notas da História #30

A propósito do post anterior e da animada conversa que se gerou na barra de comentários minha página de facebook, alguém teve o bom gosto de relembrar Gianfranco Zola, artista de cabelo desgrenhado “à italiana” (recebe, olha, penteia, remata por cima do guarda-redes; grande chapelada; grande arco na bola), estrela dos tempos em que o melhor futebol do mundo passava em canal aberto (sem ser necessário, para o efeito, o pagamento de uma taxa adicional na conta da luz) e em que tudo para nós, mais concretamente para mim e para a minha geração, pré-adolescente, era o nosso guilty pleasure semanal (a Premier na 2 ao sábado; a Bundesliga na SIC durante os dias da semana; La Liga e Serie A ao domingo, uma a seguir à outra, em diferido ou em directo, com um direito a uma pizza ou a um geladinho da Family Frost pelo meio, ao intervalo) que dava que falar durante toda a  semana. Muitos eram aqueles que aproveitavam estas ocasiões para preparar as vhs para apanhar as habituais e inocentes calinadas de Gabriel Alves.  Continuar a ler “Bloco de Notas da História #30”

A perfeição

54 toques, 2 minutos e meio com a posse de bola e um golo a abrir, sem que o adversário tivesse oportunidade para acariciar a redondinha. Quem não gostaria de ter na sua equipa estes processos de circulação? Quem não gostaria de ter uma equipa com jogadores com este nível de mobilidade, abrindo sempre linhas de passe a quem tem bola, e entregando a bola a quem se desmarca para receber? Quem é que não gostaria de ter uma equipa capaz de abrir o posicionamento defensivo adversário uma, duas e três vezes por cada jogada? Isto é ter controlo absoluto sobre tudo – sobre a bola, sobre o adversário, sobre o tempo, sobre a vantagem (alcançada), sobre tudo! Simplesmente magnífico. Vem do génio de guardiola e de um elenco que finalmente dá todas as garantias ao treinador catalão.

A arte de um bom médio

Receber o esférico, levantar a cabeça para ler o cenário de jogo na sua totalidade (o posicionamento adversário e o mar de movimentações dos seus companheiros na abertura de linhas de passe) e procurar sempre a melhor solução de passe (a que acrescente progressão no terreno, criação de situações de desequilíbrio ou a que permita à equipa continuar a ter a posse de bola) nem que para o efeito tenha que contemporizar, guardando a bola nos seus pés (mesmo que a pressão adversária chegue, Matic tem mecanismos para a suplantar) até ao momento em que um companheiro oferece a solução ideal, ou seja, a solução que proporciona ganhos à equipa.

O sérvio cumpre as mais elementares regras da “boa definição de lances” quando tem a bola nos seus pés. A circulação de bola do United ganhou imenso com a chegada do sérvio. É ele que liga o jogo entre sectores, que faz a bola circular de flanco a flanco (processo tão necessário contra equipas bem organizadas num bloco recuado; caso do Everton na primeira meia-hora do jogo de domingo) e que liberta todos os jogadores que jogam à sua frente para funções mais criativas, sem nunca, se expor muito no terreno para não prejudicar o equilíbrio defensivo da equipa de Mourinho. Se a equipa perde o esférico (mesmo nas situações em que o sérvio falha um passe) Matic está lá rapidamente para tentar matar a transição adversária.

Queriam o quê? Parte da perna esquerda de William? Um tecido da pele do antebraço? Ou queriam o Jubas?

william carvalho 2

Uma presunção. Só posso tomar isto, divulgado pela Sky Sports, como uma presunção. Uns presunção à inglesa. Os ingleses olharam para o histórico de transferências do Sporting e como viram que “uns patos” que por lá andavam no passado acharam que 12,5 milhões (se Ronaldo fosse vendido hoje, às cegas, sem se conhecer o percurso que o craque construiu na última década, inflaccionado que está o mercado, e ávidos que estão certos clubes em dar tudo o que for preciso por talento, valeria seguramente 100 milhões de euros) era o valor justo a pagar por um colosso cheio de notas pela transferência de um jovem que tinha na noite anterior humilhado uma série de veteranos de 1ª liga mundial, presumiram que os dirigentes do Sporting, mais concretamente o seu presidente e administrador da SAD era um patinho de igual estirpe.

Como se a proposta por um dos médios mais completos do futebol mundial, campeão europeu, jogador que é fantástico a desarmar, a interceptar, a jogar de cabeça levantada, a definir na construção, a queimar linhas com a bola, a lançar o ataque, a lançar em profundidade, a procurar o jogo interior com o seu passe vertical, não fosse per se suficientemente ridícula em virtude ao valor de mercado do jogador e ao valor pedido (eu até acho que os 40 milhões pedidos estão bem abaixo daquilo que o jogador vale actualmente) pelo Sporting (ah e tal, é a nossa maior contratação; vamos colocá-lo sempre em jogo não é? Não não é. Basta que o jogador falhe por opção estratégica meia dúzia de jogos para as Taças para os ingleses se reservarem a não pagar mais um chavo em variáveis) os inglezinhos ainda acharam que seria, de bom tom, para persuadir a direcção do Sporting a decidir-se rapidamente pela oferta (perdão, pela caridadezinha que eles estavam ali a prestar ao clube de 3º mundo; pensam eles! eu resolvia a coisa à inglesa com um convite para um duelo em Alvalade, a valer uma aposta de 10 milhões de euros, a pronto!) com uma chantagem barata (ou nos dão rapidamente o Rei William ou então vamos ali buscar um gajo qualquer às reservas do PSG porque à equipa principal não temos poderio para). Não deixa de ser engraçado. Se este email foi alegadamente enviado a 11 de Agosto para a SAD leonina, o West Ham teve 20 dias para ir buscar o tal jogador ao PSG…

Não meus amigos! O Sporting já não é dirigido por Patos, não tem neste momento qualquer protocolo com a Zara (não entra em saldos assim que o produto se acumula em stock) e tanto o presidente do Sporting como os seus administradores tem demonstrado ao longo dos últimos anos um domínio perfeito dos pilares da negociação (principalmente o factor tempo), domínio que lhes permite agora liderar os processos negocial. A proposta, muito sinceramente, até fica bastante mal aos pergaminhos históricos operários do vosso clube. Quer dizer, por um lado, os vossos adeptos andam embrenhados nos sindicatos a pressionar o patronato para obter melhores salários, melhores condições de trabalho, a redução da carga laboral, mais regalias ao nível de saúde, enquanto os dirigentes andam a tentar explorar (a exploração do homem pelo homem) os mais fracos com propostas, bem, com propostas que na melhor das hipóteses conseguiam persuadir a direcção do Sporting a deixar sair (com sorte, se nós os adeptos deixássemos) o Jubas para jogar ao lado do Kouyaté no meio-campo.

Sadio Mane

Jogada-espelho do que aconteceu em toda a primeira parte, sempre que o Liverpool conseguiu recuperar a bola à entrada da sua área ou até mesmo no seu interior (nesse aspecto, Emre Can e Georgínio Wijnaldum tiveram um comportamento irreprensível): lançamento do contra-ataque, através de processos simples, pragmáticos e verticais, procurando imediatamente a linha de passe para Roberto Firmino, com Sadio Mané a sair disparado pelo corredor esquerdo sem o devido acompanhamento de Oxlade-Chamberlain para evitar a criação de situações de igualdade ou até mesmo superioridade numérica. Outros dos processos muito utilizados pela formação de Klopp quando sai para o contragolpe é o lançamento em profundidade para o flanco direito para a velocidade de Mohammed Salah.

liverpool 2

Nos dias que correm, o senegales está de pé quente. Sempre que a bola lhe cai nos pés no último terço adversário, sai sempre uma jogada de perigo para a baliza adversária. Ou corta para dentro e remata, ou corta para dentro e contemporiza (fixando o central e o lateral nas suas acções) à espera que Can, Moreno ou Firmino apareçam a dar apoio (a fazer o overlaping) por fora, ou procura até a entrada nas costas da defesa de Salah, quando o extremo egípcio procura entrar junto à defesa adversária para se constituir como mais uma opção para o último passe e para a finalização da jogada.

Em ataque posicional também tenho gostado deste Liverpool. É uma equipa muito paciente na circulação capaz de colocar muito gelo no jogo (entre os 25 e os 39 minutos, a formação de Anfield teve uns estrondosos 82% de posse de bola) ou esperar que o adversário se farte de ver a bola a passar de pé para pé e tente assumir mais riscos para pressionar e roubar.

Os golos do dia

Começo pelo quentinho clássico disputado no Olímpico entre a Roma e o Inter (1-3) mais concretamente pelo lance do golo que deu vantagem aos romanos numa partida em que a formação de Eusébio Di Francesco mandou 3 bolas aos ferros da baliza de Samir Handanovic.

Bom trabalho de Grégoire Defrel a encontrar a linha de passe para Naingollan perante a desvantagem que possuia frente aos 2 jogadores do Inter que estavam a realizar a cobertura. O cruzamento do belga é soberbo assim como também é a desmarcação do ponta-de-lança bósnio no meio dos dois centrais da formação de Spalletti. Aproveitando a falha de marcação, o bósnio pede atempadamente a bola para as costas, posiciona-se no limite da linha defensiva, entra nas costas dos centrais, mata a bola no peito e coloca um daqueles remate secos dignos do killer instinct que só os grandes pontas-de-lança conseguem ter no momento de finalizar.

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