Notas soltas sobre a goleada do City ao Real Madrid

Manchester City

  • Pressão alta eficaz no meio-campo adversário. Regra de ouro da filosofia de jogo de Guardiola. Pressionar para recuperar. Pressionar e recuperar para conter, controlar, dominar ou até asfixiar o adversário.
  • Processos de jogo ofensivos altamente verticalizados. Assim que a equipa recupera a bola, o jogador que recupera procura passar a bola imediatamente para o acelerador de jogo que estiver em campo (neste jogo foi Kevin DeBruyne) para que este possa acelerar rapidamente o jogo ou criar progressão através do passe. Assim que o belga recebia, os avançados procuram imediatamente desmarcar-se para o espaço vazio.
  • Outro dos processos de jogo verticalizados consiste na colocação de bolas nas antecipações aos centrais dos avançados. Tanto Gabriel Jesus como Aguero descem para vir buscar jogo. Quando um desce para vir buscar o jogo entre a linha média e a linha defensiva, o outro inicia automaticamente a desmarcação para a área. Se o avançado não ceder imediatamente a desmarcação, ambos os jogadores dispõem de uma útil ferramenta: o seu remate de meia distância. A recepção longe dos centrais permite-lhes a preparação do remate sem muita pressão.
  • Excelente dinâmica nas bolas paradas para libertar o (os) jogador(es)-alvo. Os jogadores-alvo deste City nas bolas paradas são por norma os centrais.
  • Facilidade na retirada da bola de zonas de pressão. Veja-se por exemplo, o lance exibido ao minuto 9:15 do vídeo. A bola não só é retirada com facilidade da zona de pressão por Kyle Walker, Sterling e DeBruyne como até culminará (através do passe do belga e da desmarcação do extremo pelo meio de dois adversários) numa situação de muito perigo para a baliza de Navas.
  • Dois avançados muito dinâmicos, muito laboriosos e muito empreendedores, com carta branca para atirar de qualquer distância, lado ou feitio.

Real Madrid

  • A ausência da principal referência de ataque, Cristiano Ronaldo, torna a equipa menos objectiva e mais errática. Benzema é naturalmente mais individualista do que costuma ser com o português em campo
  • Falta de intensidade na pressão.
  • Indefinição das zonas de pressão (já era um dos defeitos da equipa na temporada passada) de cada jogador a meio-campo. Nos momentos defensivos, os jogadores não assumem o mesmo posicionamento do princípio ao fim do jogo nem fazem uma ocupação inteligente e direccionada de todos os espaços necessários para pressionar e roubar a bola ao adversário.
  • Algum espaço entre a linha média e a linha defensiva para o adversário colocar a bola (os movimentos de antecipação do City foram frutos desse espaço).
  • Linha defensiva algo errática ao longo da partida.

Talento ou fogo de vista?

Não tenho palavras. É uma dádiva. Há muito que não via nada assim…” – Guardiola sobre Phil Foden, o miúdo de 17 anos que deslumbrou no amigável realizado contra o Manchester United.

Já vimos e até o próprio Guardiola já viu este filme vezes sem conta. Não quero de todo ir novamente contra as suas declarações, porque obviamente não sou nada nem ninguém no mundo do futebol para criticar os ímpetos de paixão de um treinador consagrado sobre um jogador cuja informação disponível é neste momento diminuta. O técnico espanhol trabalha diariamente com o jogador. Reconheçamos portanto ao treinador esse conhecimento de causa que não possuímos. Continuar a ler “Talento ou fogo de vista?”

Por falar em grandes laterais direitos

Na sequência do post anterior sobre Nélson Semedo. Pep Guardiola também foi buscar uma das melhores opções “oferecidas pelo mercado”, se considerarmos que o Arsenal não está disposto a vender Hector Bellerin. Kyle Walker, o verdadeiro Kubota dos laterais direitos, jogará em Manchester nos próximos anos. O City contratou um extraordinário lateral direito de altíssima rotação e altíssima influência no futebol de qualquer equipa.

O miúdo que tinha que nascer 9 vezes para Jesus lhe dar uma oportunidade na equipa principal do Benfica

… acaba de render 60 milhões aos cofres do Mónaco. Não há como não adorar o seu adocicado pé esquerdo, a vertigem que coloca no jogo com as suas acelerações no drible, a inteligência com que pensa todas as suas acções e a sua capacidade de finalização. Continuar a ler “O miúdo que tinha que nascer 9 vezes para Jesus lhe dar uma oportunidade na equipa principal do Benfica”

Voltas Trocadas

Com a sanção hoje aplicada ao Manchester City por parte da direcção da Premier League, de nada valeu a William Carvalho ter trocado recentemente de empresário, passando precisamente para a carteira de Pere Guardiola, o irmão de Pep. Não querendo ser sarcástico, William arrisca-se a ser “o Adrien” que está a ser o “novo Beto” (não confundir “o sempre reforço dos merengues para a próxima temporada Roberto Severo com Beto Pimparel) Patrício. Prometem que saem e depois não saem. Uma espécie de finge que chuta mas não chuta. Nada contra. Assinava imediatamente se para as mãos me dessem já um contrato cuja única cláusula previsse a permanência ad-eternum do trio campeão europeu em Alvalade.

Análise: Manchester City 0-0 Manchester United

Ao 3º encontro, o empate! Mourinho jogou para o empate e a equipa deu-lhe o empate. Depois de 2 jogos em que cada um dos treinadores pode sorrir, ao 3º, veio um empate que deixa tudo na mesma no que respeita à luta directa pelos lugares de qualificação directa e indirecta para a Champions League. O empate foi o resultado que mais castigou a única equipa que quis vencer a partida, o Manchester City de Pep Guardiola.

Com baixas de vulto registadas em ambas as equipas (Zlatan, Rojo e Pogba no lado do United; John Stones, David Silva e Nolito na equipa de Guardiola) ambas as equipas apresentaram-se com os melhores onzes disponíveis para atacar ester derby. Para colmatar a ausência do avançado sueco, José Mourinho decidiu fazer ascender ao onze titular para a esquerda do ataque Anthony Martial, movendo Marcus Rashford para a frente de ataque. Foram precisamente estas as duas unidades que conseguiram trabalhar os raros lances que a equipa dispôs no último terço do City. Com um começo de jogo muito agitado, tanto Martial como Rashford deram muita água pela barba aos seus marcadores directos (Pablo Zabaleta e Nicolás Otamendi) nos lances em que conseguiram isoladamente (muito isoladamente em contra-ataque) criar desequilíbrios através do seu fortíssimo drible e da sua velocidade. Em alguns dos lances, os dois homens mais adiantados do United obrigaram os seus marcadores directos a ter que cometer algumas faltas para os travar bem como Vincent Kompany a ter que fazer dobras aos seus companheiros para travar as suas incursões. Fora isso, o United criou apenas 2 ocasiões de perigo no jogo, uma delas flagrante quando Ander Herrera não conseguiu bater Cláudio Bravo com um cabeceamento ao 2º poste no final da primeira parte. Estas linhas resumem o parco comportamento ofensivo do United em toda a partida, numa partida em que os médios e avançados serviram essencialmente para defender e “perder bolas atrás de bolas na transição”.

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Os paradoxos de Pep Guardiola

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“Com a eliminação de quarta-feira podemos aprender muitas lições. Temos vários jogadores que jogaram a Champions pela primeira vez e só fomos eliminados pelos golos marcados fora… Defender o resultado era a única coisa que eu não queria. É claro que temos de defender melhor mas, por exemplo, no Mónaco criámos cinco ou seis ocasiões de golo em quinze minutos. Quantas equipas fazem isso? Quantas oportunidades teve o adversário na segunda parte? Zero! Temos muito espaço para melhorar na próxima época e os títulos não mudam o meu estilo de jogo”

Não sei se o espanhol pensa mesmo isto ou se é um mero paradoxo na sua cabeça para justificar a derrota numa eliminatória em que se esperava muito mais do City. É preciso recortar estas declarações em várias partes para as contrastar com a realidade dos factos:

1. Quantos jogadores do City é que jogaram pela primeira vez a Champions? Continuar a ler “Os paradoxos de Pep Guardiola”