O golo do dia

Muitos deverão ter sido aqueles que ao ver estas imagens deverão ter pensado nos benefícios que o novo modelo de Conceição ganharia com André Silva na área. Muitos. Inimagináveis benefícios. Com Óliver muito próximo da área ou até a entrar dentro da área nos espaços livres que constrói com movimentos que provocam situações de ruptura nas defesas adversárias, seja através de movimentos divergentes ou verticais conforme aqui pudemos ver contra o Estoril, com o intuito expresso de criar situações para os pontas-de-lança, ou até para as entradas (de trás) de um jogador como Brahimi, com um Aboubakar que sai muito bem da área para participar no momento de construção (promovendo os arrastamentos que permitem a um avançado mais de área entrar nos espaços deixados em vazio pelo arrastamento promovido), podendo porém vir a ter outro papel, o de municiador do ponta-de-lança (bastará receber, tentar rodar sobre o defesa e procurar servir a desmarcação para as costas) e com dois laterais que cruzam extraordinariamente bem, André Silva teria muito a ganhar e o próprio Porto poderia ter ganho mais do que o valor que ganhou com transferência.

P.S: Pelos vistos, o jogador perdeu em Itália alguns dos vícios adquiridos no Porto. Se este lance se passasse em Portugal, André Silva jamais teria marcado o golo. Teria caído ao chão e teria ficado a pedir grande penalidade ao árbitro. 

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Portugal 0-0 Chile (0-3 gp) – A sorte não dura para sempre, Engenheiro

Foi correcto. Correctíssimo. O resultado final. Ao fim de dois anos, e um Europeu conquistado com base no critério “sabe-se-lá como”, ainda ninguém percebeu (dou um pacote de gomas a quem me explicar) qual é o futebol desta equipa. Por vezes assistimos ao chutão para a frente à procura do Ronaldo, noutras, na sua esmagadora maioria, assistimos a um processo básico de abertura para as alas para que os extremos cruzem à procura do Ronaldo.

Foram pelo menos 90 minutos de abordagem tinhosa ao jogo, escolhas que não fazem o mínimo sentido (André Gomes, p.e), precipitação nos momentos de recuperação de bola, falta de critério na construção ofensiva,falta de criatividade no último terço, substituições realizadas tarde e a más horas, falta de paciência na construção ofensiva, unidades a jogar longe uma das outras, dois avançados a sair fora da área (falta de presença na área), incapacidade em ganhar as 2ªas bolas, um jogador que pede licença à perna esquerda para fuzilar com a direita (sempre por cima) quando consegue aparecer bem a ganhar a 2ª bola à entrada da área, um defesa esquerdo que permitiu constantemente ao lateral contrário a colocação de cruzamentos porque, vá-se lá imaginar, cola-se aos centrais, um falso esquerdo que raramente acompanha o opositor contrário, Um central de bota e bira (britânico) sem ponta de classe. Salvou-se o William pela capacidade que teve em retirar a bola das zonas de pressão para lançar o ataque.

Este é o resumo crítico mais lato de uma eliminação em que podemos dizer sem qualquer pejo que ficou muito por fazer face a uma selecção que apresentou processos de jogo bem mais vincados que os nossos, bem mais trabalhados que os nossos, mais intensidade nos momentos de pressão (infernal, a meio-campo; daí o facto de ter salientado a exibição de William Carvalho), mais organização defensiva (muito mais) e mais perigosa no capítulo ofensivo. Continuar a ler “Portugal 0-0 Chile (0-3 gp) – A sorte não dura para sempre, Engenheiro”

Portugal 4-0 Nova Zelândia – Passeata em São Petersburgo

15 minutos finais de aceitável futebol permitiram à selecção confirmar o apuramento na primeira posição do grupo num jogo em que os restantes 75 não foram verdadeiramente aceitáveis face ao adversário que defrontámos em São Petersburgo. Perante um adversário tão inofensivo que só construiu 2 situações de golo em 2 lances oferecidos pelos centrais e pelo guarda-redes português, e tão débil do ponto de vista defensivo, o jogo contra os neozelandeses deveria ter sido facilmente solucionado no primeiro tempo com uma goleada se não tivessem existido alguns dos erros a que este elenco nos tem habituado. Continuar a ler “Portugal 4-0 Nova Zelândia – Passeata em São Petersburgo”

As evidentes diferenças

Fernando Santos acertou finalmente agulhas com a fórmula que nos poderá “dar qualquer coisita” nesta Taça das Confederações. Não foi tão bonito vermos um jogo em que a nossa selecção conseguiu finalmente praticar (a espaços) um futebol estético, pensado e criterioso a partir de trás ao invés do longo chutão para a frente praticado contra os mexicanos? Não foi tão vistoso vermos uma equipa capaz de manietar (a espaços) o adversário através da circulação de jogo, com dois jogadores no meio-campo (Adrien e William) que jogam de olhos fechados? Bernardo Silva dá ou não dá outra criatividade a esta equipa e outra velocidade nas situações de contragolpe? Pode-se dizer que com Bernardo Silva, Cedric parecia outro jogador completamente diferente. André Silva é um não é um jogador que garante, através da sua presença na área, outro sentido ao jogo, libertando Cristiano Ronaldo para as funções em que este é efectivo? Aquela parte de final de sofrimento era escusada se atendermos ao número de oportunidades que tivemos no início da 2ª parte para matar o jogo!
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Análise – Taça das Confederações – Portugal 2-2 México

Ao longo dos 90 minutos, as bolas paradas foram um problema para a nossa selecção. Não quero com isto dizer que os mexicanos tenham criado perigo de maior neste departamento específico do jogo, porque não criaram, mas, a abordagem aos lances, não foi positiva. Vários foram os livres e cantos que não foram devidamente atacados. Aos 91″, num lance em que creio que Rui Patrício deveria ter sido o corajoso guarda-redes que é, José Fonte perdeu o duelo aéreo para o seu congénere mexicano Hector Moreno. A cabeçada do central que actualmente representa o PSV Eindhoven deu justiça ao resultado de uma partida medíocre em que pudemos ver dois estilos completamente diferentes na estética mais iguais ao nível de objectividade: zero. De um lado tivemos o tosco chutão em profundidade dos campeões europeus frente ao dinâmico teste que os mexicanos colocaram em campo ao treino analítico de circulação de bola que foi ministrado nos últimos meses pelo seleccionador mexicano Juan Carlos Osório

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Foi vendido, está no banco!

Durante o último ano, Fernando Santos testou em vários jogos (oficiais e amigáveis) o seu sistema de 2 avançados com Cristiano Ronaldo e André Silva. O jogador do AC Milan provou em diversos jogos que a sua presença na área dá um duplo benefício ao jogo da selecção: para além de se constituir como uma mortífera referência de área quando a equipa opta por tentar chegar à área através de cruzamentos (7 golos em 8 internacionalizações), o avançado do Milan beneficia o “jogo particular” de Ronaldo com as suas movimentações. Ao arrastar um ou até mesmo os  dois centrais adversários com as suas movimentações, o jogador cria o espaço necessário para Ronaldo entrar em zona de finalização à vontade, sem oposição, como tanto gosta.

Contra o México, André Silva começará a partida no banco. O que é que mudou em poucos dias nas ideias do seleccionador nacional? Ah, já percebemos. Foi vendido. Jorge Mendes já recebeu a sua comissãozinha de 10% do valor da transferência. O jogador já não precisa de ser valorizado na Taça das Confederações. E isso reforça novamente a ideia que se tem vindo a acentuar nos últimos anos no que respeita à influência de Jorge Mendes nas selecções nacionais.

Breve análise – Letónia 0-3 Portugal

Descer à terra. A fantasia (perdão, a sorte) do Euro acabou. É preciso jogar mais. Muito mais.

O golo de André Silva disse muito sobre o adversário que a selecção portuguesa encontrou esta noite em Riga: um adversário fraquinho, de péssima qualidade técnica, com alguma qualidade táctica nos processos defensivos, em especial na intensidade que é colocada a meio-campo por Juris Laizans, o jogador mais credenciado desta selecção (esta Letónia já tinha vendido muito cara a derrota na Suiça mas dificil era não fazer pior contra uma equipa que apresentou muita falta de criatividade para além dos problemas revelados no capítulo da construção ofensiva) e com dois ou três processos de jogo ofensivos devidamente ensaiados que nos dificultaram a vida nos primeiros 10 minutos porque as nossas primeiras linhas de pressão falharam como as notas de mil. Só não ganha a esta Letónia quem não quer. A qualquer momento, a selecção letã perde por completo a compostura como já havia perdido no 2º tempo da partida realizada contra a Suiça. Há sempre um central que falha um corte ou que sai a jogar a partir de trás “com toda a confiança” pelo sítio onde 99% dos treinadores vão à loucura quando existe um erro transformado em golo, ou um lateral que cede perante a maior velocidade de um extremo. Difícil é não ganhar. Portugal demonstrou-o com o seu futebol estático e medíocre digno dos anos 80.  Continuar a ler “Breve análise – Letónia 0-3 Portugal”