Uma questão de justiça

1 ano decorrido sobre o inigualável feito, penso que ninguém deu o devido valor ao guarda-redes do Sporting. Se Patrício não tivesse feito as espectaculares defesas que fez contra a Croácia (se não figurar um dia no apanhado das 10 melhores defesas da história dos europeus, creio que é uma tremenda injustiça), contra a Polónia…

(…)e frente à França…

o herói improvável não teria sequer entrado para fazer o golo mais improvável da história do futebol deste país.

Momentos da jornada europeia de qualificação para o Mundial

O fantástico momento individual do extremo bielorusso Pavel Savitskyi na vitória de Bielorussia frente à Bulgária por 2-1 no jogo a contar para o grupo A. Jogada de processos simples dos bielorussos. Passe muito bem calculado em profundidade do centrocampista Stanislav Dragun para a corrida do seu avançado frente ao central búlgaro Vasil Bozhikov. Com um drible para o interior, o avançado bielorusso do modesto Neman Grodno da liga bielorussa, tirou o seu oponente directo do caminho antes de realizar a preciosidade técnica que só parou no fundo das redes de Nikolai Mihaylov. Continuar a ler “Momentos da jornada europeia de qualificação para o Mundial”

A diferença entre os cretinos e um vintém no futebol – a existência de um certo valor chamado gratidão

O poluto e mercenário futebol moderno precisa claramente de mais exemplos como os de Antoine Griezmann – “sair do Atlético?” – “C’est un moment dur pour le club, pour les coéquipiers. Ça serait un sale coup de partir.”

O avançado mostra respeito, gratidão e fraternidade para com o clube que nele apostou quando era um simples “vistão” de chapeletas, movimentações e dribles curtinhos na Real Sociedad. O avançado mostra respeito para com o trabalho dos colegas. Respeito para com o trabalho que tem sido desenvolvido pelo treinador que o guiou à ribalta do futebol mundial. Gratidão para com os adeptos do clube. O francês pode sair (e sairá um dia, quando o período de turbulência que é vivido no clube for ultrapassado) para quem quiser, a ganhar literalmente o que quiser. Se o clube não permitisse a sua saída, poderíamos estar a assistir a uma das intermináveis novelas dos nossos tempos. Uma daquelas em que o jogador, um sanguessuga que dá pelo nome de agente e um habilidoso advogado montam um ardiloso e recambolesco guião para forçar a saída do atleta. Na sua situação, 99% dos futebolistas actuais não hesitariam em virar costas a quem lhes deu tudo a ganhar para assinar por um projecto milionário como é do Manchester United. Pisar um símbolo quando os benefícios que se tiram são inferiores aos que outros oferecem, tornou-se um fenómeno algo banal na era do futebol indústria, mas ainda exista alguém que conheça as palavras gratidão, reconhecimento, retribuição e recompensa. Esta é efectivamente uma atitude que faz toda a diferença no mundo do futebol.

Análise: Real 3-0 Atlético – Uma orgia de futebol do Real

Hat-trick feito. Eliminatória que nunca o chegou a ser. Orgia de futebol colectivo, a essência do futebol, polvilhada com a frieza do suspeito do costume na hora de atirar à baliza. Uma equipa que chega às meias-finais de uma competição como a Champions, a jogar fora perante a equipa que está em melhor forma no cenário europeu, sem qualquer intensidade (nos momentos de pressão, nos momentos de construção), sem ideias para contrariar o sistema defensivo montado pelo adversário, incapaz de se reinventar face aos problemas colocados pelo adversário, inoperante e cheia de problemas no sector defensivo e na sala de máquinas do meio-campo, jamais poderá sonhar com o quer que seja. Essa equipa, completamente descaracterizada face aos moldes trabalhados e apresentados (com distinção) nos últimos anos foi a equipa de Diego Simeone. A extraordinária equipa que conhecemos nos últimos anos pela sua enorme capacidade de subir e baixar linhas conforme o momento do jogo, de rapidamente de se organizar defensivamente num intransponível bloco baixo, intensa na pressão, agressiva no capítulo de recuperação da bola, assertiva nos duelos na área, eficaz no alívio, e muito criativa e eficaz na transição para o contra-ataque com recurso a poucas unidades nesse processo, já não existe.

O caso ficou completamente sentenciado na 1ª mão.  Continuar a ler “Análise: Real 3-0 Atlético – Uma orgia de futebol do Real”

Quem? Ele mesmo! Sim. Antoine Griezmann!

Por motivos inesperados perdi grande parte da partida. Vi com olhinhos de ver a classe de Jan Oblak (mais uma vez!!) e vi finalmente o crescimento de Casemiro “como recuperador de bolas” nesta equipa do Real – o brasileiro continua contudo a ser um perfeito desastre no capítulo do passe e na forma pouco inteligente em como aborda alguns lances no plano ofensivo. Ainda bem que o joga com aquela dupla de médios ao lado. A equipa do Real pareceu-me mais pressionante, mais rápida sobre a bola no momento de perda, mais veloz nas transições, mais dinâmica (Benzema e Ronaldo foram um quebra cabeças para a defensiva colchonera) e mais criativa. Mas não foi uma equipa 100% segura. A amostra disso foi a falha clamorosa no golo do avançado colchonero. Como é possível no meio de tantos jogadores do Real naquela zona ninguém tapar a linha de passe para Angel Correa e dar-lhe todo o espaço e tempo para o argentino decidir a jogada?

O golo do dia

Para mim é desde 2013 o melhor lateral esquerdo do mundo. E isso pode-se medir pela preponderância capital que o lateral esquerdo brasileiro possui nos processos de jogo do Atlético de Madrid. 50% das transições ofensivas dos colchoneros fazem-se através do seu lateral. 75% do jogo colchonero cai nos seus pés para que o brasileiro possa armar os seus fantásticos cruzamentos. Vemos vezes e vezes sem conta o brasileiro a palmilhar terreno “campo fora” com a bola nos pés, sendo um dos elementos mais desequilibradores (só não é o mais desequilibrador porque joga com Koke e Antoine Griezmann) da equipa.
Fantástico trabalho do lateral com os seus avançados. Duas tabelas que destruíram por completo uma defesa e denotam que Diego Simeone tem vindo a realizar trabalho de casa.

O árbitro de video resulta ou não resulta?

Claro que resulta! Claro que acrescenta “limpeza”, transparência e verdade desportiva ao jogo!

Se ainda existissem dúvidas, creio que essas dúvidas ficaram hoje dissipadas pela actuação do árbitro de video no jogo entre a França e a Espanha. A existência da figura é extremamente necessária para benefício da verdade desportiva precisamente por causa deste tipo de lances, ou seja, por causa de lances em que o posicionamento de determinado jogador em determinado contexto ditado pela rapidez com que se desenrola a jogada, coloca em dúvida a análise dos 3 árbitros que estão a acompanhar a jogo. Continuo a considerar que 3 árbitros não conseguem ver tudo o que se passa em campo. A multiplicidade de acções que são executadas a alta velocidade pelos jogadores não permitem que a equipa de arbitragem consiga focar-se correctamente em todos os acontecimentos contidos na jogada e decidir com a racionalidade que se exige. Quer queiramos quer não, a rapidez das movimentações dos jogadores criam efectivamente situações de ilusão de óptica.

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