Bloco de Notas da História #22 – O dia em que a Croácia gelou Wembley

21 de Novembro de 2007. A selecção inglesa de Steve McClaren, treinador que se tinha destacado nos anos anteriores ao serviço do Middlesbrough, do Manchester United (treinador de campo de Alex Ferguson entre 1999 e 2001), recebia em Wembley a já apurada selecção croata num jogo decisivo para as contas da Old Albion no grupo E de uma “fase de qualificação desastrosa” para o Euro 2008. Numa qualificação em que a Inglaterra somou dois empates comprometedores frente à Macedónia em casa e frente a Israel fora, e duas derrotas nos jogos realizados na Rússia e na Croácia (quem não se lembra da monumental fífia concedida pelo então guarda-redes do Tottenham, no jogo de Zagreb?), o jogo de Wembley frente aos croatas revestia-se de especial importância para uma selecção que nos últimos 24 anos só tinha falhado em 2 ocasiões o apuramento para as grandes competições internacionais por selecções. A selecção inglesa estava obrigada a vencer para poder terminar no 2º lugar do grupo à frente da Rússia, selecção que naquele dia tinha a vida bastante mais facilitada em Andorra no jogo que iria disputar frente à frágil selecção local. Continuar a ler “Bloco de Notas da História #22 – O dia em que a Croácia gelou Wembley”

Análise – Final da Champions – Juventus 1-4 Real Madrid – Que vendaval foi aquele que passou em Cardiff?

Que espécie de vendaval passou por Cardiff na noite de hoje? Que espécie de apagão, que autêntico reset foi aquele que se verificou na máquina de Massimiliano Allegri? Como é que se explica o facto de uma equipa experiente e cínica como a Juve, capaz de se adequar a todos os adversários sem abdicar dos seus princípios e da sua identidade, tenha tombado daquela forma em 45 minutos? Como é que se explica o facto desta equipa ter cometido mais erros defensivos em 45 minutos do que aqueles que tinha cometido em 12 partidas? Foi a pressão do momento? Foi o cansaço? Foi um enorme bloqueio emocional? Foi a maior frescura física das unidades adversárias? Foi o incansável trabalho dos médios merengues? Foi o maior dinamismo de todas as unidades do Real Madrid? Aqueles que viram o jogo com um mínimo de atenção conseguirão facilmente encontrar as pistas que ajudam a explicar a 12ª vitória na competição do bicampeão europeu Real Madrid.

Os merengues foram efectivamente mais fortes. Foram mais fortes e mais rígidos no plano defensivo. Foram mais fortes nas batalhas a meio-campo vencendo praticamente todos os duelos individuais. Foram mais fortes no capítulo da marcação ao adversário. Foram mais dinâmicos, fazendo da sua dinâmica posicional a sua melhor arma para destruir por completo o rígido bloco defensivo bianconeri. Foram também mais criativos, mais interventivos, mais cientes daquilo que pretendiam fazer com o jogo. Criaram mais oportunidades de ouro e voltaram a beneficiar do poder de finalização da sua grande máquina, do seu grande Deus do futebol. Aproveitaram as segundas bolas como se de oportunidades de ouro, de vida ou morte, se tratassem. Pudemos verificá-lo nos 2 golos que mudaram por completo uma partida que até teve uma primeira parte minimamente encaixada dentro das expectativas iniciais de equilíbrio. Os bianconeri fizeram um percurso perfeito na competição. Os madridistas não realizaram um percurso tão perfeito na competição. Pode-se até mesmo dizer que em determinadas ocasiões (contra o Sporting, contra o Bayern, contra o Atlético) a equipa foi conseguindo chegar ao seu objectivo final através de uma estrada cheia de solavancos, pedras e ressaltos. Mas, ao fim de 9 meses, pode-se dizer que foram a formação mais competente, revalidando o seu domínio quase completo do futebol europeu na presente década.

Claro que tenho pena que Gigi Buffon não tenha ganho o seu merecido troféu de campeão europeu. Por tudo o que deu ao futebol, o veterano merecia ter vencido a final de hoje. A formação de Turim voltou nos últimos anos a afirmar-se de acordo com os pergaminhos da sua imensa história. Allegri devolveu o orgulho europeu à Velha Senhora. O treinador italiano voltou a fazer da Juve um crónico candidato ao título europeu. O importante agora é não desistir. Se voltar a arrepiar caminho, os bianconeri terão o seu momento.

Cristiano Ronaldo volta, por outro lado, a fazer história. 600 golos como profissional. 12 golos na edição da Champions deste ano, voltando a coroar-se como o melhor marcados da história da competição. 4ª champions no bolso e a 5ª bola de ouro a caminho, numa temporada que promete voltar a ser inesquecível para o internacional português se aos quatro títulos conquistados na presente temporada (ao qual escapou apenas a Copa del Rey), o português puder novamente assinalar no seu palmarés a conquista da Taça das Confederações ao serviço da selecção portuguesa.
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5 pontos sobre a partida do Vicente Calderón

1. Entusiasmo. A esperança, o veículo transportador de sonhos, natureza viva na mente de todos os adeptos de futebol. O Vicente Calderón mostrou o seu orgulho, acreditou, vibrou, cantou e no final aplaudiu o esforço dos seus guerreiros. Para os adeptos colchoneros pouco interessou o resultado da primeira mão ou a insuficiente exibição realizada pela equipa no jogo disputado no outro lado da capital espanhola. A alegria romântica típica dos adeptos motivou-os a irem ao Calderón declarar o amor eterno que sentem pelo clube, galvanizando a equipa para 20 minutos diabólicos que me fizeram lembrar aquele jogo mítico realizado frente ao Barcelona nos quartos-de-final da Champions 2013\2014. Por momentos, acreditámos todos que a remontada era possível. Diego Simeone e os adeptos do Atlético de Madrid terão obrigatoriamente que estar orgulhosos da prestação dos seus atletas na partida de hoje A péssima imagem deixada na primeira-mão no Bernabéu foi emendada no Calderón com uma primeira parte de pura voracidade. Continuar a ler “5 pontos sobre a partida do Vicente Calderón”

Análise: Real 3-0 Atlético – Uma orgia de futebol do Real

Hat-trick feito. Eliminatória que nunca o chegou a ser. Orgia de futebol colectivo, a essência do futebol, polvilhada com a frieza do suspeito do costume na hora de atirar à baliza. Uma equipa que chega às meias-finais de uma competição como a Champions, a jogar fora perante a equipa que está em melhor forma no cenário europeu, sem qualquer intensidade (nos momentos de pressão, nos momentos de construção), sem ideias para contrariar o sistema defensivo montado pelo adversário, incapaz de se reinventar face aos problemas colocados pelo adversário, inoperante e cheia de problemas no sector defensivo e na sala de máquinas do meio-campo, jamais poderá sonhar com o quer que seja. Essa equipa, completamente descaracterizada face aos moldes trabalhados e apresentados (com distinção) nos últimos anos foi a equipa de Diego Simeone. A extraordinária equipa que conhecemos nos últimos anos pela sua enorme capacidade de subir e baixar linhas conforme o momento do jogo, de rapidamente de se organizar defensivamente num intransponível bloco baixo, intensa na pressão, agressiva no capítulo de recuperação da bola, assertiva nos duelos na área, eficaz no alívio, e muito criativa e eficaz na transição para o contra-ataque com recurso a poucas unidades nesse processo, já não existe.

O caso ficou completamente sentenciado na 1ª mão.  Continuar a ler “Análise: Real 3-0 Atlético – Uma orgia de futebol do Real”

A arte de defender mal os flancos – Real Madrid 2-1 Valência

Os chés até fizeram uma exibição agradável no plano ofensivo com a constante procura de criar situações de finalização para os seus avançados em profundidade ou através de um profícuo jogo de tabelas, mas, mais uma vez, a equipa valenciana confirmou a razão pela qual está a realizar uma péssima temporada tendo em conta a qualidade dos jogadores que compõem o seu plantel. Continuar a ler “A arte de defender mal os flancos – Real Madrid 2-1 Valência”

Messi gelou o Bernabéu e reabriu a luta pela Liga Espanhola

Recebeu, fintou, criou o desequilíbrio a meio-campo, deu a progressão a André Gomes (hala!), Jordi Alba assistiu e La Pulga apareceu precisamente onde gosta de finalizar para enviar a bola para o canto inferior esquerdo da baliza de Keylor Navas. Vez, outra vez, na última jogada do encontro, ao 2º minuto de compensação dado por Hernandez Hernandez, o argentino decidiu o superclássico, chegando ao seu golo 500 com a camisola blaugrana. Com um toque de classe e de clara superioridade moral perante um silencioso Bernabeu (que gélido balde de água que foi despejado naquele minuto final) o argentino foi à linha de fundo, tirou a camisola e exibiu-a ao público madrileno para que nunca se esqueçam dele. Apesar do facto do Real Madrid ainda ter um jogo em atraso para cumprir frente ao Celta de Vigo (uma das equipas em melhor forma no futebol de nuestros hermanos) com o golpe de teatro perpetrado, o argentino salvou o Barça do abismo, espantou alguns dos fantasmas que tem vindo a atormentar a equipa nas últimas semanas e devolveu a equipa à luta pelo título.

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Análise: Real Madrid 4-2 Bayern – Um hino ao futebol ferido de morte pela arbitragem

Podia ter começado este post com a habitual adjectivação que é utilizada para qualificar os grandes jogos de Champions. Desta vez não o farei. Não o farei por respeito ao futebol transparente que sempre defendi e defendo. Direi apenas que foi um grande jogo de futebol jogado por duas grandes equipas, muito emotivo nos 210 minutos jogados, até porque o Bayern fez das tripas coração para virar o resultado desfavorável somado na primeira-mão em casa, mas, na verdade, só uma delas estava autorizada a passar às meias-finais da prova: o Real Madrid. A arbitragem da equipa comandada pelo húngaro Viktor Kassai assim o provou no Bernabeu, perdoando em 3 ocasiões a expulsão a Casemiro, expulsando Artur Vidal num lance completamente limpo no qual o chileno só joga a bola e validando um golo completamente irregular a Cristiano Ronaldo.

Ir contra a corrente do pensamento trigueiro de alguns portugueses é uma tarefa hercúlea. Num país maioritariamente assente em três tendências dominantes (Benfica, Cristiano Ronaldo e Renato Sanches) ai de quem ouse sequer questioná-las. Questionar esta vitória do Real Madrid e até a própria prestação de Ronaldo na partida (tirando os golos contra 10, onde é que esteve o internacional português durante 75 minutos e o que é que realmente fez na partida?) é correr o risco de ter que passar uma noite inteira a responder aos habituais comentários de trolls que só medem exibições pelo número de golos que tal jogador marca. Uns chamam-lhe legado. Eu chamo-lhe somente eficácia nos momentos decisivos. Porque da exibição de Ronaldo, só vieram os golos no momento certo. Exibições fizeram sim Carvajal, Marcelo, Luka Modric, Phillip Lahm, Arjen Robben, Arturo Vidal, Franck Ribèry, David Alaba, Manuel Neuer, Sérgio Ramos. Esses sim fizeram grandes exibições!
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