Situações que não podem de todo acontecer com o novo sistema de videoárbitro apesar da decisão disciplinar ter sido a correcta

No jogo desta tarde entre a Alemanha e os Camarões, uma entrada duríssima cometida pelo lateral direito da selecção Ernest Mabouka sobre o médio alemão Emre Can suscitou um pedido de revisão da jogada (num primeiro momento pelo videoárbitro nomeado pela FIFA para a partida, e nos 2 momentos subsequentes pelo árbitro em virtude do erro que veio a cometer) por parte do árbitro colombiano Wilmer Roldán.

Apesar de considerar que o árbitro da partida poderia estar melhor colocado no lance em questão para analisar e decidir sobre o critério disciplinar a aplicar sem a ajuda de terceiros, e que o fiscal-de-linha daquele lado estava em condições de ajudar o seu colega de equipa, a nova tecnologia foi introduzida precisamente para auxiliar a decisão do árbitro neste tipo de situações em que o contexto não é favorável a uma tomada de decisão assertiva e, acima de tudo, justa. Compreendo perfeitamente todas as limitações que podem eventualmente surgir no decurso de uma partida para um árbitro: para além deste ter que estar com atenção a multiplicidade de factores intrínsecos ao jogo (a visualização das acções rápidas, frenéticas, de 22 actores num cenário de oposição; o controlo permanente dos episódios que vão sendo criados pelos agentes que estão no banco de suplentes, entre outros) nem sempre o posicionamento que este adopta é o melhor para poder observar com clareza determinado lance de forma a poder ajuizá-lo correctamente, assim como, tendo em conta o mesmo objectivo (a ambicionada imparcialidade e justiça na actuação) nem sempre o cérebro humano consegue acompanhar com a mesma rapidez uma acção (real) que se desenvolve ali à frente dos nossos olhos. Quantas vezes é que ao longo das nossas vezes vimos algo bem real a acontecer à nossa frente e não conseguimos tomar, numa curta fracção de tempo, a decisão mais acertada naquele caso concreto? Centenas, se não milhares de vezes. Continuar a ler “Situações que não podem de todo acontecer com o novo sistema de videoárbitro apesar da decisão disciplinar ter sido a correcta”

O videoárbitro que salvou Emílio Peixe

Questões de volumetria na utilização dos braços (em remates à queima roupa) que puderam salvar o emprego (e o salário chorudo auferido sem fazer ponta, a bom da verdade; aquele golo do Irão exemplifica mais uma vez o que tentei explicar aqui em relação à falta de trabalho deste seleccionador) de um treinador em apuros. Se passou a fase-de-grupos, está safo. Pode continuar a aldrabar à vontade. Os críticos à utilização do VA ainda continuam por aí? Teremos que voltar a explicar os benefícios da sua utilização ou estamos finalmente convencidos, dado o facto desta decisão ter sido justamente a nosso favor? Ou só serão capazes de criticar quando as decisões forem desfavoráveis aos seus clubes? Quem sabe se amanhã poderemos ter a resposta (por acção ou por omissão) a estas perguntas!

Uma questão pertinente sobre a introdução do Videoárbitro que continua sem ser explicada

Na decisão de validação ou invalidação de um golo num determinado lance, o VA está autorizado a poder recuar as imagens até quantas jogadas?

Fazem as declarações de Luis Filipe Vieira sentido?

«Independentemente de saber que num ou outro caso vai sempre haver contestação, há todas as condições para que o vídeo-árbitro acabe com a contestação aos árbitros. Todas as pessoas que estão ligadas ao fenómeno desportivo devem ter uma postura positiva e saber que o vídeo-árbitro vai ajudar mas que ninguém pense que não vai haver erros. Com essa postura positiva irão acabar as polémicas constantes todos os domingos, que têm prejudicado o futebol, por vezes tentando encobrir os erros dos outros em prol de atacar o árbitro» – ín Zerozero.pt

É o que dá ter que falar sem cartilha. Quando o presidente do Benfica é obrigado a falar sem recurso ao encomendado discurso, por norma sai sempre asneira.
As declarações são francamente contrasensuais. Ou então, são o sinal percursor daquilo que se passará quando o VA for introduzido. Estaremos perante uma caldeirada de aldrabice ou perante um momento de futurologia? Quero acreditar que estamos perante um daqueles discursos típicos do presidente do Benfica, apesar de termos considerado há tempos, o nosso wishful thinking em relação à coisa, aqui e aqui. Continuar a ler “Fazem as declarações de Luis Filipe Vieira sentido?”

Uma aliança estratégica

Não sejamos cegos nem queiramos absorver qualquer tipo de informação sem lhe passar uma de mão de primário de racionalidade: toda a gente se apercebeu que a “reunião” realizada ontem pelos responsáveis de comunicação de Sporting e FC Porto visou essencialmente o estabelecimento “às claras” de contactos prévios entre os dois clubes no sentido de alinhavarem estratégias para o futuro no que concerne à destruição da influência que o Benfica tem sobre os decisores dos órgãos que compõem a Federação Portuguesa de Futebol. Continuar a ler “Uma aliança estratégica”

Ainda sobre a questão da introdução do videoárbitro

Um dos principais celeumas discutidos nos últimos dias nos programas de comentário desportivo, nas redes sociais e na blogosfera relativamente à introdução da figura do videoárbitro na liga 2017\2018 prende-se com a passível existência de situações-limite de carácter ambíguo que terão de ser analisadas pelo videoárbitro com recurso à repetição de imagem. O exemplo que tem sido utilizado por todos aqueles que duvidam do sucesso desta tecnologia assemelha-se a este: Continuar a ler “Ainda sobre a questão da introdução do videoárbitro”

Alvíssaras para o futebol português

Saúda-se naturalmente a intenção da Federação Portuguesa de Futebol em introduzir o video-árbitro nos 306 jogos de 1ª liga da próxima temporada. Pela primeira vez, o futebol português “adianta-se” em relação às grandes ligas quando se previa que o futebol português só adoptasse esta nova tecnologia depois desta ser carimbada como benéfica e eficaz noutros redutos. Ganha a verdade desportiva. Ganha o futebol. Ganha o espectáculo. Ganha o consumidor. Poderemos finalmente ultrapassar a fase dos espectáculos viciados e estou certo que se esta medida for aplicada correctamente e com justeza de intenções por parte dos agentes que vierem a participar, a mesma terá o condão de finalmente colocar em estado terminal o enviesado, deprimente e insano comentário televisivo que se faz neste país semana após semana bem como as suspeições em relação à arbitragem que são lançadas diariamente por jogadores, treinadores, dirigentes e comentadores televisivos.

Contudo, nesta fase experimental ainda será preciso ter alguma cautela. Em primeiro lugar deveremos perceber a declaração de intenções dos agentes que se tornarão os principais decisores para perceber se teremos finalmente alguma paz neste capítulo. Tal declaração de intenções só poderá ser garantida quando observarmos os factos da prática. Não é por nada, mas, a confirmar-se que muitos dos auxiliares de vídeo nesta primeira fase (experimental) poderão ser antigos árbitros, aqueles que curiosamente andam por aí a comentar as arbitragens nos programas de comentário desportivo, não saberemos até que ponto é que esses agentes poderão continuar (mesmo com recurso a suportes factuais) a manipular o jogo com o habitual recurso a interpretações restritivas e extensivas das leis do jogo.