Coincidências

Duas pequenas notas para uma fogueira para a qual não gosto de contribuir:

  1. Pago para ver, muito sinceramente, quantas mais quebras de comunicação entre os árbitros e o videoárbitro existirão até ao final da provas em curso. Se até ao final da temporada verificarmos uma ou duas situações idênticas será, a meu ver, muito. “Ele há cada coisa”, cada uma e cada qual mais estranha e recambolesca que a anterior, sempre em benefício do mesmo clube, nos mais precisos timings, ou seja, em momentos nos quais o Benfica está em desvantagem ou está a ter muitas dificuldades para segurar uma vantagem.
  2. A ameaça deixada no ar durante o dia de hoje pelo presidente da APAF Luciano Gonçalves não passa de um fait divers que tem como objectivo desconversar em relação ao tema que tem marcado a actualidade do futebol português: as buscas realizadas pela Polícia Judiciária ao Benfica e a 6 dos dirigentes envolvidos no escândalo dos emails. Alguém acredita mesmo que os árbitros irão marcar falta de comparência às partidas do troféu que é disputado anualmente em honra do primeiro árbitro que deu a primeira vitória do Benfica na dita competição? Agora a sério: o que é teme o presidente do sindicato da classe? Porque é que só agora veio manifestar-se em relação a uma suspeita que já dura de facto há 4 meses? Terá sido “apanhada” pela Judiciária qualquer coisa que comprometa seria e directamente algum dos seus associados? tudo é possível! –  face aos erros grosseiros que são cometidos jornada após jornada nas últimas 4 temporadas (como ainda ontem pudemos constatar quer na partida realizada na Vila das Aves, quer na partida de Alvalade) erros que se dão sempre em benefício de um clube e em prejuízo de todos os restantes, e face à gravidade das revelações que tem visto a luz do dia nos últimos meses, poderá o douto presidente da APAF (agente que está preso ao Benfica pelo pescoço desde aquele célebre episódio no qual foi catado a pedir bilhetes ao clube encarnado para os utentes da instituição particular de solidariedade social na qual era na altura dirigente) explicar como é que nós, consumidores regulares do espectáculo, podemos confiar na honestidade dos seus associados? Como podemos nós confiar na seriedade e na honestidade de um conjunto de profissionais escolhidos a dedo por um sistema de filtração comandado por dois (Adão Mendes, Paulo Gonçalves) dos implicados no caso que está a ser investigado pelas autoridades? Como é que poderemos confiar num sistema de profissionais que comunica diariamente com um delegado da Liga ao serviço do Benfica, também ele implicado no referido caso?
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A confirmação do meu maior receio em relação à introdução do videoárbitro

Na sequência deste post. Em boa hora pude ir aos meus arquivos resgatar um dos meus escritos sobre esta questão, para realçar que um dos maiores receios que tinha a 6 de Maio, dia em que se soube que a Federação Portuguesa iria introduzir a partir da presente temporada a nova figura do videoárbitro e a nova tecnologia ao seu dispor, residia precisamente na possibilidade dos novos agentes poderem vir a enviesar as decisões que tomam em virtude do recurso a interpretações extensivas ou restritivas (muito subjectivas; enviesadas por motivos de outra índole) da lei. No caso de Eliseu, Vasco Santos usou uma interpretação muito restritiva da lei.

Bastaram portanto 4 semanas para perceber o esquema pelo qual se vai processar ao longo da presente temporada a aplicação da tecnologia nos jogos do Benfica. Sim, o videoárbitro terá uma legislação e um guião de conduta completamente diferente para os jogos do Benfica. Sempre que o objectivo de análise for contra ou favor do Benfica (exemplo: o penalty marcado sobre Jonas) o videoárbitro deve dizer prontamente afirmar ou omitir:

  • Nos lances contra os encarnados  – “não vi”, “não me pareceu”, “não havia motivos para avisar”, “não valia a pena rever”
  • Nos lances a favor – “sim”, “há puxão\agarrão\rasteira”, “não tem intenção de jogar a bola”, “impediu” ou simplesmente tomar uma atitude passiva sempre que o árbitro principal seja pronto a marcar a infracção.

O futebol português precisa claramente de um upgrade digital

A manifesta insuficiência das novas tecnologias (manipuladas à la carte) à disposição da arbitragem nos jogos em casa do Benfica, leva-me a defender a necessidade urgente da criação de um novo agente fiscalizador na cabine da régie: o fiscal de linha de realização.

O fiscal de linha de realização deverá ter um protocolo de actuação bem definido no qual lhe serão atribuídas competências fiscalizadoras sobre todo o trabalho de manipulação de imagem que se pode realizar numa régie bem como à aplicação de sanções imediatas sobre qualquer infractor. Para o efeito, a federação não poderá enviar para as cabines de régie um maçarico qualquer. Muito menos serão admitidos “bons meninos”. Os candidatos terão que preencher uma série de requisitos mínimos:

  • Os candidatos não podem ser sócios ou simpatizantes do Benfica.
  • Os candidatos não podem ser familiares ou amigos de sócios ou simpatizantes do Benfica que tenham na sua posse um redpass.
  • Os candidatos não devem ser clientes habituais do Museu da Cerveja. (factor de exclusão).
  • Os candidatos não podem ser amigos de Luís Filipe Vieira, Domingos Soares de Oliveira, João Correia, Jorge Mendes, Sílvio Cervan, Paulo Gonçalves, Álvaro Batista, Nuno Cabral, Vitor Pereira, António Rola, António Figueiredo, Armando Nhaga, Rui Gomes da Silva, José Calado, Nuno Farinha, Leonor Pinhão, Vitor Serpa, José Fanha Vieira, Carlos Janela, Pedro Guerra, David Borges, Jorge Baptista, Ribeiro Cristóvão, João Gobern ou André Ventura.
  • Qualquer candidato será excluído nas fases preliminares do concurso se aos 15 anos não tiver sofrido uma intoxicação de marisco no restaurante do Barbas na Costa.
  • Os candidatos devem saber distinguir cartões amarelos de cartões vermelhos. Qualquer candidato deverá saber que os cartões vermelhos não estão na lapela apenas para enfeitar.
  •  Os candidatos devem possuir conhecimento e experiência na fiscalização de acções de instalação de softwares de edição de imagens.
  • Deverão possuir a agilidade necessária para, em curtíssimos espaços de tempo, retirar qualquer dispositivo de entrada aos realizadores e assistentes de realização.
  • Deverão estar preparados para a possibilidade poderem vir a ser alvo de atropelamento nas imediações do Estádio da Luz por qualquer ultra das claques ilegais do Benfica ao volante de um Renault 19.
  • Deverão ser pessoas capazes de pronunciar correctamente a palavra “Benfica” – não se admitindo portanto qualquer candidato que pronuncie o termo “Boifica” ou “Banfica”.

Ainda existem dúvidas?

Saúdo a Federação Portuguesa de Futebol! Para além do indispensável arrojo que foi tomado em prol da verdade desportiva no nosso futebol, os responsáveis da Federação tem feito todos os esforços para regulamentar a introdução do videoárbitro e tem manifestado todo o interesse em prestar e explicar toda a informação disponível sobre o assunto. Quem continuar a apostar numa atitude de resistência ou até mesmo de aversão verá, em breve, a sua opinião completamente descredibilizada.

Não tenhamos a mínima dúvida: sem a nova tecnologia, em condições normais, este golo teria sido validado. Teria sido validado com as consequências que todos bem conhecemos para as equipas que os sofrem. Estes são os golos que podem vir a ser decisivos para separar sucesso do fracasso, o primeiro do segundo lugar, a presença numa Liga dos Campeões de uma presença na Liga Europa, a manutenção da despromoção, a opinião positiva sobre o trabalho de determinado treinador da opinião negativa sobre o trabalho do mesmo treinador…

Situações que não podem de todo acontecer com o novo sistema de videoárbitro apesar da decisão disciplinar ter sido a correcta

No jogo desta tarde entre a Alemanha e os Camarões, uma entrada duríssima cometida pelo lateral direito da selecção Ernest Mabouka sobre o médio alemão Emre Can suscitou um pedido de revisão da jogada (num primeiro momento pelo videoárbitro nomeado pela FIFA para a partida, e nos 2 momentos subsequentes pelo árbitro em virtude do erro que veio a cometer) por parte do árbitro colombiano Wilmer Roldán.

Apesar de considerar que o árbitro da partida poderia estar melhor colocado no lance em questão para analisar e decidir sobre o critério disciplinar a aplicar sem a ajuda de terceiros, e que o fiscal-de-linha daquele lado estava em condições de ajudar o seu colega de equipa, a nova tecnologia foi introduzida precisamente para auxiliar a decisão do árbitro neste tipo de situações em que o contexto não é favorável a uma tomada de decisão assertiva e, acima de tudo, justa. Compreendo perfeitamente todas as limitações que podem eventualmente surgir no decurso de uma partida para um árbitro: para além deste ter que estar com atenção a multiplicidade de factores intrínsecos ao jogo (a visualização das acções rápidas, frenéticas, de 22 actores num cenário de oposição; o controlo permanente dos episódios que vão sendo criados pelos agentes que estão no banco de suplentes, entre outros) nem sempre o posicionamento que este adopta é o melhor para poder observar com clareza determinado lance de forma a poder ajuizá-lo correctamente, assim como, tendo em conta o mesmo objectivo (a ambicionada imparcialidade e justiça na actuação) nem sempre o cérebro humano consegue acompanhar com a mesma rapidez uma acção (real) que se desenvolve ali à frente dos nossos olhos. Quantas vezes é que ao longo das nossas vezes vimos algo bem real a acontecer à nossa frente e não conseguimos tomar, numa curta fracção de tempo, a decisão mais acertada naquele caso concreto? Centenas, se não milhares de vezes. Continuar a ler “Situações que não podem de todo acontecer com o novo sistema de videoárbitro apesar da decisão disciplinar ter sido a correcta”

O videoárbitro que salvou Emílio Peixe

Questões de volumetria na utilização dos braços (em remates à queima roupa) que puderam salvar o emprego (e o salário chorudo auferido sem fazer ponta, a bom da verdade; aquele golo do Irão exemplifica mais uma vez o que tentei explicar aqui em relação à falta de trabalho deste seleccionador) de um treinador em apuros. Se passou a fase-de-grupos, está safo. Pode continuar a aldrabar à vontade. Os críticos à utilização do VA ainda continuam por aí? Teremos que voltar a explicar os benefícios da sua utilização ou estamos finalmente convencidos, dado o facto desta decisão ter sido justamente a nosso favor? Ou só serão capazes de criticar quando as decisões forem desfavoráveis aos seus clubes? Quem sabe se amanhã poderemos ter a resposta (por acção ou por omissão) a estas perguntas!

Uma questão pertinente sobre a introdução do Videoárbitro que continua sem ser explicada

Na decisão de validação ou invalidação de um golo num determinado lance, o VA está autorizado a poder recuar as imagens até quantas jogadas?