Tudo errado! – Uma dúzia de pensamentos soltos e factos sobre o empate do Sporting em Moreira de Cónegos

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Estava profundamente enganado. Quando há algumas semanas atrás escrevi neste preciso espaço a ideia de que Jorge Jesus estaria, na presente temporada, mais consciente e mais criterioso na gestão que faz do seu plantel, escolhendo com prudência e mestria as soluções ideais para cada “tipo de adversário” estava profundamente enganado: os erros básicos de percepção e análise dos pontos fortes e fracos do adversário e a incapacidade evidente que o treinador do Sporting possui para “pensar um jogo de cada vez”, leva-o a cometer erros desnecessários (dados os objectivos traçados para a temporada e ao contexto do grupo de Champions no qual está inserido) que custam pontos e que custam, acima de tudo, títulos ao clube. Sempre que Jesus inventa, o Sporting perde pontos. Sempre que a equipa vem de um jogo contra um grande europeu, a equipa perde pontos. Só um treinador com uma enorme (inabalável) fé na(s) (falta de) qualidades de um jogador cuja prática (ou falta dela), perdoem-me a expressão, mete, a cada dia que passa, os adeptos leoninos à beira de um ataque de nervos, leva o treinador leonino a prescindir (num jogo em que era mais que “certo e sabido” que o adversário iria tentar complicar ao máximo a circulação leonina com uma boa prestação defensiva, com um enorme espírito de combate e com processos de jogo essencialmente formatados para a saída em contra-ataque) de um jogador de combate, colocando no seu lugar um jogador que não acrescenta nada a esta equipa. Nada. Volto a repetir. Nada.  Continuar a ler “Tudo errado! – Uma dúzia de pensamentos soltos e factos sobre o empate do Sporting em Moreira de Cónegos”

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À lei da bomba – 5 breves notas sobre a vitória do Sporting

1 – Os problemas criados pela boa organização defensiva do adversário – O Tondela de Pepa sabia muito bem o que vinha buscar a Alvalade e estava ciente do estilo de jogo que tinha que realizar para alcançar o resultado pretendido: o empate. A estratégia de jogo executada pelos tondelenses desde cedo revelou a carta de intenções para o jogo de Alvalade.

Com um bloco recuado no seu meio-campo em 4x4x2, sistema desdobrável no plano ofensivo para um 4x2x3x1 com Tomané solto na frente de ataque (a estratégia ofensiva delineada pecou em parte por falta de apoio ao avançado; por outro lado, sempre que recuperava a bola, a equipa não conseguiu ter algum critério na construção de jogadas), Pepa montou um bloco recuado e compacto com 3 linhas de pressão bastante activas e funcionais que visavam sobretudo contrariar a 1ª fase de construção do Sporting e anular o jogo interior entre as suas linhas.

Deixando os centrais de fora, a pressão de Pedro Nuno e Tomané activou-se sempre que William pegou no jogo. A equipa tondelense recusou portanto o convite que habitualmente é feito pelos centrais do Sporting quando saem a jogar a partir de trás. Tanto Coates como Mathieu tentaram em várias saídas chamar a equipa contraria à pressão, processo que visa abrir, a partir do adiantamento das linhas adversárias, espaço para Bruno Fernandes e William construir jogo com espaço e sem grande pressão adversária.

Com linhas muito próximas, pensadas para encurtar espaços e para ter sempre jogadores próximos para intervir (para pressionar e roubar para depois poder ter bola nos pés de forma a lançar o contra-ataque) em todas as zonas do terreno, muito bem orientadas e coordenadas pelos dois médios de cariz mais defensivo, sem saídas precipitadas de qualquer jogador para pressionar à toa (qualquer falha poderia libertar o espaço necessário para os leões praticarem outro tipo de futebol) a equipa tondelense esforçou-se para tentar limitar a construção de Bruno Fernandes (impedindo o médio de se virar de frente para o jogo) e para impedir que Alan Ruiz pudesse receber entre a linha média e a linha defensiva.  Continuar a ler “À lei da bomba – 5 breves notas sobre a vitória do Sporting”

Calma meus amigos benfiquistas: a narrativa anda a ser mal contada

a bola

O título é bastante enganador. Não, não venho escrever meia dúzia de “linhitas” sobre a fastidiosa entrevista dada (? depois daquilo que um gajo ouviu da boca do Marques, temos sempre de ter o chip formatado para a desconfiança neste tipo de questiúnculas, não é?) Luís Bernardo. Nem venho tão pouco a terreiro para contestar a viril mentira que foi contada por José Manuel Antunes naquele pequeno bordel de prostituição barata, nos quais os ventrilocos, devidamente encartilhados por um analfabeto encartado (se bem que eu continuo a não atestar os 5 aferidos ao Janela para escrever aquilo, mas antes ao Pedro Guerra; aquela cartilha soa por todos os poros a mentira) usam e abusam, a troco de um coice no rabo no momento da verdade, da reles arte só acessível aqueles que pouco usam da testa para manipular a opinião pública. A verdade, como vimos, vem sempre ao de cima. Noutras querelas, estou certo que também teremos, mais tarde ou mais cedo, a verdade. Pura, crua e com as devidas e justas consequências.

Tenho visto por aí, quer entre os meus amigos benfiquistas quer nos blogs afectos ao nosso rival, uma enorme reacção anafilática à narrativa que é apelidada (e corroborada pela edição de hoje da Bola) como a “sportinguização” do Benfica. Descansem meus queridos. Por mais Domingos Soares de Oliveira (o homem cuja eleição para o órgão europeu do futebol da murranhanha foi tida por um acéfalo mentiroso como apenas comparável às de Guterres e Barroso para a ONU e CE), Diogos Matos, Simãozinhos vendedores de azeite e Mil Homens do passado da formação de Alcochete que sejam contratados, o Benfica nunca será “sportinguizado”! E nunca será sportinguizado porquê? Por 4 razões muito simples:

  1. Porque os tecnocratas como Domingos Soares de Oliveira são, segundo a lógica uma vez descrita por Ricardo Salgado, amorais. Os amorais não tem o cheiro intenso de leão, não tem alma, não tem um farfalhudo e espesso pelo, não tem juba. Tem somente em cima da mesa uma máquina calculadora preparada para fazer contas de somar e fazer contas de sumir (quando a coisa der para o estoiro).

2. Porque os vendedores de tremoços como o Simãozinho são cães sem dono cuja vida lhes ensinou que um dia “comes das palminhas de um” para no outro dia “lhe ferrares de forma a ires comer nas palminhas” de outro dono.

3. Quem é mesmo o Diogo Matos? Ah, já sei, aquele gajo possante que uma vez fomos buscar ao Alverca para pendurar à porta 10A tal foi o pouco uso que o Boloni lhe deu.

4. E os Mil Homens? Os Mil Homens do passado e do presente da formação do Sporting, malta que gosta de trabalhar no Sporting, que sente o Sporting, que ama o Sporting, que quer tornar o Sporting o melhor clube possível,  não andam por aí a exigir contratos por objectivos nos quais obrigam o Sporting a pagar x de prémios por cada jogador que sai da Academia por um valor igual ou superior a y.

Portanto, peço-vos para ter calma. Vocês não estão a contratar sportinguistas. Estão a contratar pura e simplesmente um conjunto de mercenários. Mercenários do nível da janela que a vida vos ofereceu.

Estamos no Olimpo

Só me apetece escrever: é histórico. Foram os melhores 45 minutos da história do Sporting na Champions League. Jesus (e os jogadores) exploraram ao pormenor todos os erros em cascata do adversário. O comportamento defensivo que o Olympiacos adoptou nestes primeiros 45 minutos lembra-me o comportamento defensivo errático do Sporting na temporada passada. Alguns dos comportamentos (falta de pressão quando a equipa perde posse\tempo e espaço para lançar em profundidade para as costas da defesa) foram os “tendões de Aquiles” que nos fizeram perder bastantes pontos na temporada transacta:

  1. O enorme espaçamento entre linhas que o adversário oferece. Este Olympiacos é uma equipa que se estende de área a área, deixando muito espaços para lançar entre a linha média e a linha defensiva.
  2. A pressão alta errática (individual; sempre que um jogador é suplantado, a equipa não tem mecanismos para o compensar) que é feita no meio-campo com vários jogadores a correr desalmadamente para tentar roubar a bola sem que outro por trás feche as linhas de passe ao portador de forma a obrigá-lo a errar.
  3. O enorme espaçamento entre linhas e a pressão errática que é feita, leva a que a defesa grega se sinta algo confusa. Não existindo pressão, Bruno Fernandes, William ou até mesmo Battaglia tem tempo e espaço para lançar Doumbia ou Gelson (mais próximo de Doumbia, funcionando quase como um 2º avançado)  em profundidade nas costas da defesa grega. Isso faz com que o quarteto defensivo grego, em particular os centrais, se sintam algo confusos no controlo à profundidade. Se não existe pressão à sua frente para limitar o lançamento adversário, não conseguem sair no timing ideal para colocar os avançados do Sporting em fora-de-jogo porque nunca sabem quando é que vai sair o passe.

Por outro lado, o Sporting tem vindo a demonstrar grande competência defensiva. Tanto William como Battaglia tem revelado uma enorme competência na forma em como na primeira fase de construção grega caem em cima dos médios interiores do Olympiacos (não os deixando virar de frente para o jogo; ou até desautorizando a construção, conseguindo portanto recuperações importantíssimas para lançar ataques rápidos) como numa segunda fase caem rapidamente nas alas ou no corredor central para evitar situações de sobreposição\superioridade numérica (são nítidos os triângulos que são formados nas alas entre os laterais, extremos e interiores; ), triangulações ou a possibilidade de Marin realizar o último passe para as desmarcações de Djurdjevic para as costas dos centrais.

Jonathan Silva tem sido o elo mais fraco da defensiva leonina. O argentino não cai em cima de Mehdi Carcela para impedir que este possa receber e criar nas suas costas.

Outro dos erros que o Sporting não deve cometer reside na subida das linhas quando, a construir a partir de trás, o Olympiacos tenta chamar a pressão. Sempre que o Sporting sobe as suas linhas para pressionar mais alto, os gregos conseguem fazer chegar a bola com mais facilidade (quase sempre de frente para o jogo) aos seus construtores Odidja e Marko Marin.

Muito desconforto e muito nervosismo na Feira

Fortíssimos nas transições e pouco mais. Ao dar apoio à acção de Gelson Martins, Alan Ruiz (jogador que finalmente começou a movimentar-se mais para as alas na 2ª parte, contrariando o estaticismo que enunciei no post anterior desde o momento em que entrou para dentro do terreno de jogo) permitiu a continuidade da acção a Gelson (no momento em que o argentino faz o movimento divergente para o lado direito para oferecer apoio ao companheiro, o jogador que o acompanha decide parar a sua acção para eventualmente esperar o 1×1 de Gelson; o jogador da Feira não acreditava na possibilidade do extremo colocar um cruzamento daquele sector do terreno).

O corte de Bas Dost é importantíssimo. Ao dar a entender ao central que tenciona atacar aquela bola, o ponta-de-lança do Sporting prende por completo o central, ou seja, não permite que este recue para estorvar a acção de quem vai realmente receber: Bruno Fernandes.

Inteligência do médio no timing de entrada nas costas, aproveitando a ausência do lateral direito Jean Sony.

O meu coração não aguenta. Depois do frenético final frente ao Setúbal, daquela cardíaca ponta final de partida frente ao Estoril (na qual esta equipa deu os primeiros indícios daquilo que viemos a confirmar na 2ª parte do jogo desta noite: uma equipa que tem muita dificuldade para gerir vantagens) e de uma salutar pausa de 2 semanas para recarregar baterias, na Feira, o alívio só veio mesmo no último minuto e veio porque um dos centrais da dupla de “paus-de-virar tripa” de Nuno Manta, o elo mais fraco desta galharda formação da Feira, cometeu um daqueles erros que vulgarmente designo como “erro provocado por desgaste e fadiga”

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Desconforto e até algum nervosismo na Feira

Três breves notas em relação aos primeiros 45 minutos do Feirense vs Sporting.

  1. Primeiro teste pós-Adrien com Battaglia na posição 8, frente a uma equipa que está a ser muito inteligente no preenchimento dos espaços e a toda a largura do terreno ao longo destes 45 minutos. Se a coisa, nos primeiros 20 minutos, já estava complicada em função da desorientação de Battaglia e do encurtamento entre as linhas realizada pela formação da Feira, facto que obrigava Bruno Fernandes a ter que procurar espaços para jogar fora da órbita do corredor central (fora do raio de acção de Babanco e Cris), a lesão de Piccini (ele que estava conjuntamente com Gelson um dos mais dinamizadores) veio complicar tanto a fase de construção como a fase de criação do Sporting em função das mudanças que Jorge Jesus foi obrigado a realizar. Ao ter passado Battaglia para a posição de defesa direito e Bruno para o lugar do argentino ao lado de William, o Sporting perdeu claramente fase de criação porque Alan Ruiz não acrescenta nada ao jogo ofensivo dos leões: não é móvel (raramente procura cair nas alas para criar superioridade numérica), não é expedito a decidir quando recebe a bola, raramente  consegue acrescentar progressão com o passe. A única nota positiva do argentino foi quando este foi ao flanco esquerdo executar uma triangulação para colocar Acuña na linha sem oposição para cruzar.
  2. Uma equipa nervosa a construir a partir de trás. Uma gaffe de Mathieu poderia ter oferecido um golo a Edson Farias e dois passes de William em zona proibida permitiram ao Feirense colocar dois ataques prometedores no último terço.
  3. Perda do controlo do meio-campo. Tiago Silva está a fazer o que quer e o que não quer deste meio-campo do Sporting. Sem Adrien e com Battaglia na direita, o Sporting perde claramente capacidade de pressão quando a equipa perde a bola no meio-campo ou no meio-campo adversário. Muitas vezes tem que ser Gelson a vir rapidamente ao meio pressionar para estancar a iniciativa adversária. Tiago Silva é um jogador com uma enorme inteligência a construir, visto que é um jogador que sabe medir muito bem os tempos de jogo, consegue facilmente retirar a bola das zonas de pressão e acrescenta verticalidade ao jogo da equipa de Nuno Manta.

Queriam o quê? Parte da perna esquerda de William? Um tecido da pele do antebraço? Ou queriam o Jubas?

william carvalho 2

Uma presunção. Só posso tomar isto, divulgado pela Sky Sports, como uma presunção. Uns presunção à inglesa. Os ingleses olharam para o histórico de transferências do Sporting e como viram que “uns patos” que por lá andavam no passado acharam que 12,5 milhões (se Ronaldo fosse vendido hoje, às cegas, sem se conhecer o percurso que o craque construiu na última década, inflaccionado que está o mercado, e ávidos que estão certos clubes em dar tudo o que for preciso por talento, valeria seguramente 100 milhões de euros) era o valor justo a pagar por um colosso cheio de notas pela transferência de um jovem que tinha na noite anterior humilhado uma série de veteranos de 1ª liga mundial, presumiram que os dirigentes do Sporting, mais concretamente o seu presidente e administrador da SAD era um patinho de igual estirpe.

Como se a proposta por um dos médios mais completos do futebol mundial, campeão europeu, jogador que é fantástico a desarmar, a interceptar, a jogar de cabeça levantada, a definir na construção, a queimar linhas com a bola, a lançar o ataque, a lançar em profundidade, a procurar o jogo interior com o seu passe vertical, não fosse per se suficientemente ridícula em virtude ao valor de mercado do jogador e ao valor pedido (eu até acho que os 40 milhões pedidos estão bem abaixo daquilo que o jogador vale actualmente) pelo Sporting (ah e tal, é a nossa maior contratação; vamos colocá-lo sempre em jogo não é? Não não é. Basta que o jogador falhe por opção estratégica meia dúzia de jogos para as Taças para os ingleses se reservarem a não pagar mais um chavo em variáveis) os inglezinhos ainda acharam que seria, de bom tom, para persuadir a direcção do Sporting a decidir-se rapidamente pela oferta (perdão, pela caridadezinha que eles estavam ali a prestar ao clube de 3º mundo; pensam eles! eu resolvia a coisa à inglesa com um convite para um duelo em Alvalade, a valer uma aposta de 10 milhões de euros, a pronto!) com uma chantagem barata (ou nos dão rapidamente o Rei William ou então vamos ali buscar um gajo qualquer às reservas do PSG porque à equipa principal não temos poderio para). Não deixa de ser engraçado. Se este email foi alegadamente enviado a 11 de Agosto para a SAD leonina, o West Ham teve 20 dias para ir buscar o tal jogador ao PSG…

Não meus amigos! O Sporting já não é dirigido por Patos, não tem neste momento qualquer protocolo com a Zara (não entra em saldos assim que o produto se acumula em stock) e tanto o presidente do Sporting como os seus administradores tem demonstrado ao longo dos últimos anos um domínio perfeito dos pilares da negociação (principalmente o factor tempo), domínio que lhes permite agora liderar os processos negocial. A proposta, muito sinceramente, até fica bastante mal aos pergaminhos históricos operários do vosso clube. Quer dizer, por um lado, os vossos adeptos andam embrenhados nos sindicatos a pressionar o patronato para obter melhores salários, melhores condições de trabalho, a redução da carga laboral, mais regalias ao nível de saúde, enquanto os dirigentes andam a tentar explorar (a exploração do homem pelo homem) os mais fracos com propostas, bem, com propostas que na melhor das hipóteses conseguiam persuadir a direcção do Sporting a deixar sair (com sorte, se nós os adeptos deixássemos) o Jubas para jogar ao lado do Kouyaté no meio-campo.