Mathieu, Piccini, Bruno e Bruno César ultrapassaram o labirinto grego!

Bruno César 3

Já se sabe que o homem na Champions é fera! Bruno César transcende-se por completo nos jogos grandes. A voracidade com que o brasileiro atacou o homem a que coube o azar de receber o ressalto do seu remate foi, na minha opinião, a melhor acção individual praticada no tapete de Alvalade. A reacção à perda do esférico é cada vez mais importante nos dias que correm. Como pudemos constatar no lance do 2º golo, obra do brasileiro, uma boa reacção à perda não só mata por completo uma eventual transição que possa criar problemas defensivos à equipa, como garante, conforme a posição do terreno em que a recuperação é efectuada, um precioso matchpoint, que devidamente aproveitado, pode ajudar a decidir um jogo. A reacção de Bruno decidiu uma partida oferecendo à equipa 45 minutos para descansar com bola.

O bem organizado bloco baixo defensivo dos gregos não foi a tormenta criada por Dédalo para encurralar o minotauro mas foi quase. Não fosse aquele passe longo de Jeremy Mathieu a descobrir Cristiano Piccini bem projectado na ala direita, acção que foi deveras rara no lateral italiano até aquele preciso momento do jogo, em virtude das necessidades ditadas pelo adversário nas suas rápidas saídas em contra-ataque pelos corredores, necessidades que obrigaram Jorge Jesus mais uma vez a pedir muita contenção nas subidas aos laterais, para não serem apanhados em falso no lançamento do contra-ataque adversário, em especial nos momentos em que o adversário recuperava a bola, e a história do jogo poderia ser um verdadeiro cabo do Bojador para a formação leonina.

Na primeira meia hora eu compreendi a necessidade sentida pelo técnico do Sporting, mas por outro lado também deduzi que Jesus queria o melhor de dois mundos: a estabilidade defensiva da equipa e a criação de lances de perigo através da exploração do jogo interior. O problema é que que o adversário teve o mérito de congestionar o corredor central com a colocação de muitas unidades e de ser ali, naquela zona do terreno, extraordinariamente pressionante às investidas leoninas, não obstante a presença dos extremos, a sua mobilidade (tentando baralhar as marcações) e a sua procura pela posse do esférico. O único lance de perigo dos gregos, surgido precisamente numa transição em contra-ataque montada pelos corredores, surge de uma falha na abordagem ao adversário de Fábio Coentrão.

Embora as imagens não mostrem a jogada completa e o momento ao qual queria dar enfase, este lance surge na sequência de uma recuperação de bola efectuada pelos gregos no seu meio-campo seguida de um rápido lançamento para Felipe Pardo. Coentrão adiantou-se para tentar roubar a bola ao colombiano sendo surpreendido com um toque do colombiano para a sua rectaguarda, toque que permitiu a Diogo Figueiras, mais rápido que Bruno César, aquela enorme avenida para correr.

Fora este lance, foram 40 minutos de boa organização defensiva do Olympiacos e nada mais. A ideias de jogo do treinador grego pass única e exclusivamente, à falta de um homem na área (embora Kostas Fortunis tenha em um ou dois momentos ajudado a ligar o jogo entre o centro e as alas) por explorar, em acções de contra-ataque, as poderosas e eficazes acções 1×1 de Felipe Pardo e uma ou outra situação de overlaping que pudesse ser criada nos corredores. Foram no fundo essas as situações que motivaram Jorge Jesus a pedir aos laterais para se conterem nas subidas. Imaginem o que é que poderia ter acontecido em meia dúzia de lances se Piccini e Coentrão se tivessem aventurado no terreno.

Até aos 40″ o bem montado bloco recuado montado em 4x1x4x1 pelo novo treinador da formação grega, Takis Lemonis, organização defensiva totalmente antagónica aquela que vimos na primeira jornada com o anterior técnico dos gregos, o albanês Besnik Hasi, teve o condão de dificultar a penetração leonina. Estando os espaços centrais completamente congestionados e preenchidos por 3 médios de cobertura (Romao, Gillet e Tachsidis; este último tinha a missão de vigiar as entradas de jogadores entre linhas) com o auxílio directo de Fortunis, a estratégia de jogo teria obrigatoriamente que passar pela retirada do esférico das zonas de pressão adversária, circulando rapidamente para as alas de forma a chamar os laterais ao jogo para obrigar a equipa grega a esticar a toda a largura do terreno, dificultando-lhes as acções de cobertura e obrigando-os a ter se deslocar para as alas para abrir mais espaços para jogar no corredor central. Caso os laterais continuassem descidos, só haveriam três ou quatro situações capazes de cumprir os propósitos do jogo: uma ou outra combinação que se pudesse fazer pelo meio, um lance de bola parada (André Pinto e Dost foram profundamente infelizes logo aos 2″ na finalização aquele sublime lance de laboratório) ou um remate de meia distância. Até ao primeiro golo, o Sporting só conseguiu penetrar no interior do bloco adversário uma vez naquela combinação realizada por Bruno e Battaglia na qual Bruno colocou o argentino em zona de finalização. Pelo meio há aquela fantástica acção de Dost na sequência de um lançamento lateral na esquerda, acção que deverá certamente ter agradado a Jesus porque é efectivamente isso que Jesus pede ao seu ponta-de-lança naquela situação específica.

O jogo pedia portanto menos rendinhas de bilros a meio, e mais circulação directa, dos centrais para os flancos, devendo os laterais subir mais no terreno (preferencialmente por fora, bem abertos juntos às laterais) para magicar mais combinações com os alas, ancorados por dentro, pelo interior do terreno.

Quando os laterais sobem no terreno, o futebol do Sporting ganha outra dimensão.

Com aquele passe longo para Piccini, Mathieu abriu a arca de pandora, fazendo jus às qualidades de organizador que lhe reconhecemos. O francês viu a subida no italiano no terreno, numa fase em que Gelson tinha regressado a terrenos exteriores, meteu aquele esbelto pé esquerdo a funcionar, e o italiano, criou o desequilíbrio quando passou por 2 opositores para servir a desmarcação de Gelson, calando todos aqueles (eu inclusive) que duvidaram do seu potencial ofensivo. Com aquela espantosa rotação, o extremo serviu a entrada de Bas Dost. Mais uma vez, à killer, vindo de gazão pela rectaguarda do central, antecipou-se e enfiou a bolinha lá dentro.

Se Piccini, Gelson e Dost fizeram o meu dia, Bruno César completou o dia do meu gato. A euforia foi tanta que o pobre Cocas, decidiu no momento do golo do brasileiro, passar a sua pata por cima do comando da televisão, desligando-a por momentos. Ambos corremos pela casa: eu de felicidade e o Senhor Cocas com algum receio, não fosse o dono fazer-lhe aquilo que faz regularmente com as setas ao esgaçado poster do plantel do Benfica 2004\2005.

O recital de Bruno, de Bruno César, de Battaglia e dos laterais – um cheirinho a bom futebol

Com os 2 golos, os gregos amoleceram por completo e viram-se impotentes para ir lá à frente criar lances de perigo, não obstante as modificações realizadas pelo seu treinador. A desintensificação da pressão efectuada no corredor central e a maior pendente ofensiva demonstrada pelos laterais, aparecendo mais vezes inseridos nos processos ofensivos, pontuadas com alguns movimentos divergentes de Bruno Fernandes para as alas, em especial para a direita para esticar o jogo quando a bola saia pela direita por Piccini ofereceram-nos jogadas de alguma beleza que certamente terão empolgado muitos sportinguistas. Este é o futebol que Jesus quer certamente praticar com esta equipa. Um futebol combinativo, enleante, bem trabalhado (no qual até Dost é de vez em quando chamado pelos médios para ceder apoios frontais que, por força dos arrastamentos promovidos pelo holandês abrem linhas de passe para a colocação da bola em profundidade nas costas da defesa para a corrida dos homens dos corredores, como veio acontecer num lance na 2ª parte).

Não posso de forma alguma terminar este post com três curtíssimas notas:

  • A primeira está relacionada com o exímio posicionamento de Battaglia nos momentos de transiçãoSs defensiva. O argentino é um verdadeiro olho de falcão desta equipa, o homem que tudo adivinha, que tudo sabe da intenção adversária. O homem que sabe quando é que tem de sair para pressionar, quando e para onde é que tem de correr para ganhar aquela segunda bola. O homem que sabe quando é que tem que cair para uma ala para impedir que aquele lançamento longo chegue ao destinatário. O homem que sabe que linhas tem de fechar, que movimento tem de seguir, que zona é que precisa da sua preciosa ajuda, do seu precioso músculo. Batta foi sem dúvida alguma a melhor aquisição desta época. Eu gosto muito de o ter por Alvalade e já referi noutra ocasião em tom de brincadeira que se Azeredo Lopes tivesse Batta a vigiar o paiol de tancos, muito dificilmente lhe roubavam o armamento.
  • As ganas de Bruno. Bruno foi o jogador que mais correu em campo num total de 12 km. Bruno construiu, Bruno veio atrás quando a equipa precisava do seu esforço de construção, Bruno avançou quando sentiu que a equipa precisava da sua presença mais próximo da área. Bruno serviu em zona interior, Bruno combinou, Bruno conduziu, Bruno estendeu para a ala, Bruno pensou sempre em dar profundidade à ala quando viu os laterais a subir que nem galgos, Bruno cruzou, Bruno colocou a bola na cabecinha de Dost e está no lance do golo de Bruno César e na 2ª parte mereceu o golo. Bruno é no fundo os valores que consubstanciam o Sporting. Obrigado Bruno!
  • Sinal negativo mais uma vez para o mestre da Alta Definição: com o resultado mais que controlado, Jesus tardou imenso a mexer na partida para dar descanso aos homens que tem sentido limitações físicas. Esperemos que os minutos a mais que deu a Mathieu, a William e a Coentrão não lhe tragam dissabores em Paços de Ferreira.
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Um breve olhar sobre o plantel do Sporting. Deverá Jesus atacar em força o mercado de inverno?

battaglia 3

Nas últimas semanas, tenho lido por aí, tanto nas redes sociais, como na blogosfera e na imprensa especializada diferentes perspectivas sobre o plantel do Sporting, sobre as exibições e a evolução trilhada por alguns jogadores nas diversas dimensões do jogo, tomando sempre como ponto de partida para a discussão o modelo de jogo e as ideias de Jorge Jesus, bem como algumas opiniões em relação às necessidades ou carências mais urgentes que são ditadas pelas exibições, pela evolução dos jogadores (em especial, pelo grau de assimilação destes aos princípios e ideias do teinador) e pelas lesões que recentemente abalaram algumas das peças-chave deste plantel, muito por culpa de dois factores que devem ser imputados a Jorge Jesus: a gestão do plantel e a exigência do seu modelo de jogo.

Demolhados alguns dos argumentos lidos por aí e devidamente contrapostos com a minha análise do “estado das coisas” defendi no início da época e continuo a defender que o Sporting terá forçosamente que procurar, interna ou externamente, quatro reforços, fulcrais, para consolidar o leque de opções à disposição do seu treinador em quatro posições do terreno: para a posição de central, para a esquerda da defesa,  para as alas e para a posição de ponta-de-lança. Continuar a ler “Um breve olhar sobre o plantel do Sporting. Deverá Jesus atacar em força o mercado de inverno?”

O pré-Gelson e o pré-Bruno, o pós-Gelson e o pós-Bruno.

bruno fernandes 4

Houve um jogo antes da entrada de Gelson (um futebol completamente amorfo, acabrunhado, sem ligação entre sectores) e um jogo ligeiramente diferente após a entrada na partida de Gelson, pesem no entanto as dificuldades sentidas até à entrada de Bruno Fernandes aos 59″, pela dupla de centrais e de médios (Battaglia e Petrovic no capítulo da saída de jogo e da primeira fase de construção, dificuldades essas que naturalmente foram agudizadas pela disposição compacta e pela agressividade demonstrada no capítulo da pressão (montada à entrada do meio-campo) pelos jogadores da formação minhota (há que dar mérito à organização defensiva exemplar demonstrada pelos comandados de Dito), pela inserção forçada de Bruno César nos flancos face à ausência de Acuña (esperemos que Ruiz venha com vontade para colmatar essa lacuna de plantel), pela falta de velocidade, de mobilidade de algumas unidades (não se desmarcando convenientemente para abrir linhas de passe), de paciência na circulação e até de inteligência por parte de Petrovic, dificuldades que por outro lado foram amenizadas com as constantes (e habituais) entradas do extremo em zonas interiores para vir buscar jogo atrás, de forma a auxiliar a ligação do jogo entre sectores, em especial a ligação e a parceria com Daniel Podence.

Jorge Jesus continua na sua onda experimental, naquela onda experimental que só traz desgraças aos clubes que vai orientando. Casar no meio-campo um médio de cariz mais defensivo (Petrovic) que sente efectivamente muitas dificuldades para discernir o que é que deve fazer com a bola em cada lance concreto (se deve passar, se deve arriscar um passe para um jogador entre linhas, se deve procurar os laterais, se deve progredir com a bola para o espaço livre que lhe é oferecido pelo adversário para atrair jogadores para libertar outros espaços para jogar nos corredores; chegou a existir ali um período em que os jogadores famalicenses ignoraram-no por completo, deixando de pressionar o sérvio, quando Dito apercebeu-se  da natureza inofensiva de Petrovic ou seja, da sua evidente incapacidade em gerar progressão à equipa através do transporte de bola) com outro, Rodrigo Battaglia, que, embora tendo registado melhorias neste aspecto desde que entrou pela Porta 10A, continua a ter muitas dificuldades no capítulo do passe e na partida de hoje decidiu, para cúmulo das dificuldades criadas pelo adversário, assumir menos o esférico no momento de construção para realizar movimentações completamente distintos que lhe são habituais (procurando entrar muitas vezes entre linhas ou até mesmo nas costas da defesa contrária), foi uma decisão de génio. Na minha opinião, Bruno Fernandes deveria ter entrado de início para resolver este jogo cedo, fazendo-o descansar quando o jogo (e o próprio adversário) estivesse totalmente dominado.

Nos primeiros 20 minutos assistimos a um Sporting com muitas dificuldades para construir. Frente a uma equipa que se organizou num bloco compacto bastante bem organizado, e bastante producente, com uma 1ª linha de pressão efectiva à entrada do meio-campo e um sistema de coberturas muito bem montado no qual todos os jogadores demonstraram o mínimo de intensidade e agressividade nas disputas, era preciso abordar esta partida de outra forma completamente diferente. O que vimos foi uma mão cheia de jogadores verdadeiramente impacientes na saída de jogo, de processos lentos, tentando despachar o jogo rapidamente para as costas da linha média famalicense, ao invés de tentar circular pacientemente e em velocidade entre flancos e\ou de ter um jogador capaz de romper coma bola pelo centro para obrigar a estrutura defensiva famalicense a dançar, ou seja, a ter que deslocar mais unidades para o miolo quando um jogador entrasse com o esférico em condução pelo meio (atraindo jogadores para abrir naturalmente espaços para jogar nas alas; o que até poderia resultar numa 2ª fase na entrada da bola no jogo interior em Podence ou em Dost) ou a ser atraída para um flanco para rapidamente se executar uma variação para o outro de forma a criar espaço para os jogadores da ala esquerda progredir.

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A maturidade vista à solta por aí num jogo de iniciados

Como consumidor diário de futebol, fui adquirindo ao longo das últimas 3 décadas, uma certeza absoluta: toda a gente gosta de acções individuais! O jogo é na sua génese e na sua essência um jogo de âmbito e de pensamento colectivo, um jogo em que, supostamente, e esta é efectivamente a hipocrisia da coisa, deveriam ganhar as equipas que apresentam o melhor colectivo ou pelo menos o colectivo mais bem trabalhado e mais solidário, ou seja, o colectivo mais bem preparado, nas várias dimensões do jogo, para fechar espaços espaços ao adversário, contrariar as suas estratégias de jogo, executar estratégias que permitam invadir os seus espaços e visar com eficácia a sua baliza. No futebol nem sempre vence o melhor colectivo podendo-se dizer que muitas vezes vence a equipa que possuir no seu seio as maiores individualidades ou, as individualidades mais eficazes. Para além de colectivo, o jogo também é, na sua essênca, um jogo de eficácia. Nos últimos anos pudemos assistir ao desenvolvimento de exemplos profundamente antagónicos: na minha modesta opinião, publicada aqui, o Real Madrid de Zidane funciona mal como colectivo (grassando uma organização defensiva que deixa a desejar e que acima de tudo revela pouco trabalho por parte do seu treinador) mas conquista troféus à conta das fenomenais exibições e da qualidade das suas enormes individualides. O Leicester de Claudio Ranieri poucas ou até mesmo nenhumas individualidades de topo tinha quando conquistou a Premier mas possuia um colectivo fantástico, solidário até à medula, eficaz na protecção da sua baliza, em suma, para me exprimir de forma correcta, bem orientado em 3 das 4 fases de jogo: na transição e na organização defensiva e na transição para o ataque. Continuar a ler “A maturidade vista à solta por aí num jogo de iniciados”

Liga dos Campeões de Andebol – Sporting 34-27 Besiktas – O sonho comanda a vida

aljosa cudic

As várias intervenções directas (defesas) e indirectas (o ror de bolas que os turcos enviaram aos postes ou para fora provocadas pelos seus fantásticos deslocamentos; deslocamentos que tiveram o condão de fechar ângulos e de retirar opções de remate aos jogadores da formação turca) que o croata Aljosa Cudic realizou ao longo da partida, levaram-me a elegê-lo como a melhor exibição individual da fantástica exibição colectiva realizada pela formação leonina no jogo deste final de tarde frente aos turcos do Besiktas. 

A intemporal e imortal frase escrita por António Gedeão no seu mítico poema “Pedra Filosofal” resume aquele que será o sentimento dominante em todo o universo que tem acompanhado esta equipa de Andebol do Sporting. Se Hugo Canela referiu e bem, no flash interview realizado logo após o final dos 60 minutos que em virtude deste triunfo (o 3º em 7 jornadas) “o nosso sonho continua vivo” (o sonho do apuramento para os oitavos-de-final da prova) e que o “sonho só depende de nós, graças a Deus”, nós, adeptos incondicionais desta formação campeã, só temos que afirmar de viva voz que continuamos a acreditar na exequibilidade deste nosso sonho, sonho que, a concretizar-se, será um feito inédito na história do clube. Resta-vos a vós, jogadores, treinadores, equipa médica, direcção da secção, direcção do clube trabalhar afincadamente nas próximas semanas para transformar esse sonho em realidade. Sabemos que os dois jogos que viremos a disputar no leste, na Rússia e na Ucrânia serão jogos de um enorme grau de complexidade em virtude da qualidade dos jogadores do Medvedi e do Motor e que a recepção ao Metalurg só terá certamente uma pequena “vantagem” do nosso lado: a natureza efusiva e apaixonada dos nossos adeptos. No entanto também sabemos, e é isso que nos dá um certo fundo de garantia, que para além de amarem o clube como nós o amamos, os nossos jogadores tem uma inexcedível entrega ao jogo. Qual coração de leão de Ricardo, atirem-se sem piedade ao pescoço dos gajos. Transformem cada defesa num contra-ataque vitorioso, aproveitem cada deslocamento em falso do adversário para entrar aos 6 metros, sejam agressivos nos controlos e atentos nas mudanças de marcações ou nas entradas dos pontas aos 6 metros. Acreditem, malta!

Perante o incrível ambiente de festa e de apoio que foi proporcionado pelos 1114 adeptos que se deslocaram ao Pavilhão João Rocha para ver a partida da 7ª jornada do Grupo D, a formação leonina atingiu a sua 3ª vitória na presente fase de grupos, vitória que colocou o Sporting na 3ª posição do grupo, a 2 pontos (uma vitória) da formação ucraniana do Motor. Continuar a ler “Liga dos Campeões de Andebol – Sporting 34-27 Besiktas – O sonho comanda a vida”

Como é que alguém pode tomar Paulo Pereira Cristóvão como uma pessoa séria?

paulo cristóvão

Se compararmos esta frase com a que hoje foi proferida pelo próprio neste comunicado – “É unicamente nessa circunstância que publicamente dou resposta aquele empregado do meu clube do coração de há mais de quatro décadas e meia e sempre com quotas pagas, ao contrário do citado azevedo de carvalho.” facilmente depreendemos que a coerência não faz parte da arte da retórica deste assumido e perigoso facho. 

Em que é que ficamos? O Sporting é um clube de “virgens ofendidas” ou é o clube do coração? É que cá na minha ideia, quem ama intensamente um clube, tem dois dedinhos de testa e um palmo de coração para fazer a devida separação entre a Instituição e os dirigentes que por lá passam… Paulo Pereira Cristóvão continua fiel ao seu estilo: uma cavalgadura!

Quem é que é capaz de atestar a veracidade, a idoneidade, a honra e até a dignidade deste senhor:

  • Sabendo que o dito, revestido de legitimidade conferida pelos sócios do clube (pessoas honestas e honradas, que na sua boa fé, durante o acto eleitoral, acreditaram na honestidade do seu carácter e na franqueza e seriedade do projecto defendido pela sua escumalha, projecto que viria a arruinar com o clube desportiva e financeiramente 2 anos mais tarde) manchou irreversivelmente a honra e a dignidade de uma Instituição secular de utilidade pública, histórica e mundialmente famosa (tida como um exemplo a seguir ao nível do respeito pelos mais basilares princípios e valores que norteiam a actividade desportiva) quando auto denunciou a prática de um crime (o suborno de um “árbitro”) que viola de forma grosseira (e dolosa) todos esses princípios e valores.
  • Sabendo que em virtude dos crimes cometidos (foram provados em tribunal dois crimes de peculato, um de acesso ilegítimo e um de denúncia caluniosa) Paulo Pereira Cristóvão foi efectivamente condenado a uma pena suspensa de 4 anos e meio de prisão, acrescida do pagamento de uma indemnização a favor do estado (no fundo, da sociedade) no valor de 40 mil euros, indemnização entretanto reduzida pelo bondoso juiz encarregue do processo para 25 mil.
  • Sabendo que Paulo Pereira Cristóvão instituiu, em benefício próprio, através de uma das suas múltiplas empresas de inteligência e espionagem, uma prática de espionagem junto de vários elementos da estrutura do futebol profissional, prática ilegal que violou reiteradamente e com dolo, alguns dos direitos, liberdades e garantias constitucionalmente garantidos a todos os cidadãos nacionais ou estrangeiros que residam em solo português.
  • Sabendo que Paulo Pereira Cristóvão foi acusado de instituir esse mesmo sistema junto de dirigentes de outros clubes e árbitros para lhes poder sacar informações do seu foro privado, sistema pelo qual terá que pagar uma indeminizaçao de 17500 euros a 35 cidadãos a título de reparação de danos não-patrimoniais por devassa da vida privada.
  • Sabendo que noutro processo actualmente em curso na justiça, Paulo Pereira Cristóvão foi constituído arguido pelo Ministério Público por alegadamente se ter constituído como o cabecilha de um esquema criminoso que visava o assalto à mão armada de residências nos concelhos de Cascais e Sintra.
  • Sabendo que segundo as conclusões a auditoria forense que foi realizada a pedido da actual direcção do Sporting, Paulo Pereira Cristóvão está directamente indiciado da prática de gestão danosa em vários dossiers.
  • Sabendo que, Paulo Pereira Cristóvão anuiu por escrito a aquisição de três jogadores (Alberto Rodriguez, Jeffren Suárez, Luís Aguiar) sem que estes tenham feito os habituais exames médicos prévios.
  • Sabendo que, Paulo Pereira Cristóvão autorizou, enquanto vice-presidente do clube responsável pela pasta do Património e das Infraestruturas do Clube, a colocação (em pleno corredor de acesso aos balneários do Estádio José de Alvalade) de imagens nas quais se puderam ver cruzes suásticas tatuadas nos braços de membros de um grupo organizado ligado a movimentos de ideologia neo-nazi, movimentos cuja constituição é, desde 1974, expressamente proibida pela Constituição da República Portuguesa. A esse respeito ficam aqui as palavras proferidas por Vicente de Moura no dia em que viu a dita “obra de arte” de cariz político-ideológico:  “Tenho dificuldade em acreditar que as fotografias que me enviou tenham sido colocadas nos corredores de acesso aos balneários onde se equipam os clubes visitantes no estádio do Sporting. O clube sempre pautou a sua conduta pela hospitalidade e confraternização com equipas adversárias, não confundindo a saudável rivalidade desportiva com guerras entre facções de adeptos”
  • Sabendo que, Paulo Pereira Cristóvão, é um antigo inspector da Polícia Judiciária afastado do cargo devido ao facto de ter espancado sem dó nem piedade uma detida preventiva, facto que violou todas as convenções relativas aos Direitos do Homem.
  • Sabendo que, no exercício das suas funções enquanto inspector de uma força de segurança pertencente à coisa pública, paga com o dinheiro de todos nós, Paulo Pereira Cristóvão foi acusado de violação. 
  • Sabendo que, no exercício das mesmas funções no Departamento de Crime Económico Paulo Pereira Cristóvão foi acusado de desvio de dinheiro apreendido numa rusga policial.

Posto isto, volto a perguntar: quem é que acredita numa palavra que saia da boca deste senhor? Quem é que acredita na idoneidade deste cavalheiro? Vou mais longe: como é que, face à quantidade abismal de crimes pelos quais já foi condenado ao longo da vida, este senhor continua a pavonear-se livremente pelas ruas de Lisboa qual justiceiro da moral e dos bons costumes? Como é que este gajo, depois do mal que fez ao clube, ainda tem lata (é preciso realmente ter muita falta de vergonha na cara) de cirandar na Rua Fernando da Fonseca? Como é que um canalha destes, um psicopata puro, ainda não foi preso ou encerrado compulsivamente numa dependência psiquiátrica?

Euforia, apogeu, modificação, retracção e declínio em 15 minutos – a crítica travessa a uma espinha entalada na garganta

bas dost 6

No capítulo da gestão de uma vantagem magra (de um golo, suponhamos), um treinador pode optar (e trabalhar; porque efectivamente estas situações tem forçosamente que ser bem trabalhadas, bem operacionalizadas) por 3 caminhos estratégicos:

  • A manutenção da estrutura táctica e da “exibição ofensiva” exibida até aquele momento pela equipa, pedindo portanto aos jogadores para não travar o ímpeto ofensivo e defensivo verificado até ao momento para poderem ampliar rapidamente a vantagem. Esta opção deve ser tomada quando as pernas dos jogadores ainda se encontram frescas. É portanto uma opção suicída para os minutos finais de uma partida.
  • A manutenção ou alteração da estrutura da equipa através da realização de uma ou mais substituições que possam conferir pernas frescas ao jogo que não contenha qualquer mudança de índole estrutural de ordem táctic (posicionamento das linhas de pressão, intensidade na reacção à perda) desde que a equipa seja capaz de efectuar correctamente a gestão do ritmo de jogo, baixando-o, enquanto executa em simultâneo uma rigorosa e segura gestão de posse de bola, preferencialmente no meio-campo adversário, de maneira a, inteligentemente, retirar essa mesma posse ao adversário nos minutos seguintes à obtenção da vantagem (reduzindo portanto o grau de exposição à mais que previsível reacção adversária), factor que obviamente o impedirá de ter posse e aproximar-se da sua baliza.
  • A alteração drástica da estrutura táctica da equipa, modificando a atitude até aí exibida pelos jogadores, os posicionamentos, as funções, a organização defensiva e por aí adiante.

A segunda opção é na minha opinião a opção mais efectiva (se os jogadores tiverem a noção perfeita de como baixar o ritmo de jogo e controlar a posse; evitando ter que se submeter ao tempo e à pressão da iniciativa adversária, pressão que naturalmente tenderá a ser maior após a concessão de um golo), a opção que comporta menos riscos (se os jogadores procurarem fazer circular a bola entre si com segurança, privilegiando em primeiro lugar opções seguras de passe que lhes são oferecidas pelos companheiros em detrimento de opções de passe mais tentadoras ao nível de progressão e ataque ao espaço\baliza adversária, mas ao mesmo tempo, de maior susceptibilidade de vir a provocar risco defensivo em caso de perda do esférico) e a mais correcta para gerir vantagens porque cria na psíque do adversário um conjunto de efeitos perversos que são benéficos para a equipa que está a gerir a vantagem. Entre alguns desses efeitos perversos criados pela gestão do jogo através de controlo do ritmo de jogo e da posse de bola está por exemplo o aumento dos índices de nervosismo nos jogadores adversários, aumento que se reflecte obviamente no nível da impetuosidade com que procuram recuperar a bola (cometendo mais faltas, faltas essas que consequentemente quebram o ritmo de jogo, fazendo, como se diz na gíria futebolística “fazendo correr o marfim” para a equipa que está em vantagem) e na diminuição do discernimento com que os seus jogadores constroem jogo, subfactor que advém obviamente da maior limitação íntrinseca ao próprio jogo: o factor tempo. Quando uma equipa cheira a bola, enerva-se. Quando uma equipa passa minutos a cheirar a bola, a reacção mais natural que se dá ao nível da psique dos jogadores é o que eu chamo de fenómeno de 1 contra todos – ou seja, acções nas quais, o jogador, limitado pelo tempo e pela pressão, tenta resolver individualmente acabando por perder a bola.

Jorge Jesus não partilha da mesma opinião. Para Jorge Jesus, a gestão de uma vantagem magra realiza-se, através de uma alteração drástica da estrutura táctica da equipa e da sua atitude, oferecendo a posse ao adversário ao mesmo tempo em que o bloco defensivo recua drasticamente até às imediações da área (deixando portanto de pressionar em terrenos adiantados; a verdade é que um dos méritos alcançados pela formação leonina residiu na voracidade com que esta pressionou o Braga em terrenos adiantados nos momentos de saída ou recuperação do esférico) e os jogadores revelam comportamentos estranhíssimos (quase que como se desligando do jogo) estratégia que só não resultou numa sequência de dissabores nos minutos finais das partidas contra o Feirense e Estoril porque a formação leonina foi literalmente salva pelo gongo (pelo videoárbitro, no caso do jogo contra o Estoril) mas, que por outro lado, foi efectivamente uma das razões que ajudou a explicar os “desaires” sofridos nos minutos finais frente à Juventus.

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