O expoente da grandeza

Do discurso emocionado e repleto de orgulho do neto de Jesus Correia, retive uma fase: “O meu avô, no fundo, representa o início do Sporting e a grandeza do Sporting” – Pedro, não poderias ter sido mais certeiro na tua afirmação, porque eu e outras tantas dezenas, senão tantas centenas de milhares ou até mesmo milhões, somos o produto da grandeza que o teu avô edificou. A grandeza do teu avô não se poderá apenas medir, pelos títulos que conquistou ou pelas distinções individuais e homenagens de que foi alvo em vida. A grandeza construída pelo teu avô e pelos outros 4 Violinos, foi o sportinguismo que ele fez florescer no coração de tantos homens da sua geração, sportinguismo que foi transmitido hereditariamente de geração em geração até chegar à minha. Se hoje sou sportinguista em muito o devo ao teu avô visto que foi ele quem cultivou a paixão pelo clube do meu há 70 anos. O meu fez 80 anos ontem. Tenho que te dizer que me custa imenso vê-lo envelhecer e que ainda não estou de todo preparado para a sua partida. Tenho que admitir que nos últimos tempos não o tenho visitado com a regularidade que seria desejável. Essa deverá ser talvez a minha maior falha. Se alguém lhe perguntar quem foi o melhor jogador que ele alguma vez viu jogar ele dir-te-à que foi o Travassos, o Zé da Europa. Mas se lhe perguntarem quem foi o maior desportista da história desta Nação, ele responderá que foi o Jesus Correia porque até ao berlinde “O Jesus Correia seria certamente o campeão do mundo”.

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Felizmente não perdemos 2 pontos, mas poderíamos ter perdido

ruiz

Foi bonito ver o brilho do teu sorriso pepsodente, Bryancito!

Pela primeira vez em alguns anos (5, 6; creio que a última vez que não vi o Sporting foi na fatídica temporada 12\13) não vi o jogo do Sporting em directo. Para muitos sportinguistas, tal pecado pode-se considerar como um pecado capital, um pecado tão grave como o pecado cometido por um Católico que não aproveita a sua presença em Roma para dar um pequeno salto até à Cidade do Vaticano para ver o Papa ou de um Muçulmano, que, estando na Arábia Saudita no último mês do calendário islâmico não aproveita a ocasião para cumprir um dos 5 mandamentos da sua religião: a visita aos lugares sagrados de Meca e Medina. Aos que aqui vieram à espera de encontrar as minhas habituais ilacções ou análises sobre a partida, tenho que pedir as minhas mais sinceras desculpas. O sol da tarde de ontem, foi, aproveitado para “distritalar um pouco” por Nogueira do Cravo, concelho de Oliveira do Hospital, terra à qual me desloquei para assistir ao magnífico toque de bola e dar um abraço sincero ao nosso Puskas Samuel. A conversa pós-jogo no bar do clube, com um grupo de novos amigos, retirou-me a necessária concentração que normalmente preciso para ver a coisa como deve ser, não obstante o facto de ter visto durante o dia de hoje a segunda parte da partida à hora de almoço no café. Como não gosto de executar a minha análise sem ter um profundo conhecimento de causa, remeto-vos para a interessante análise que foi realizada que foi escrita aqui pelo José Duarte do A Norte de Alvalade e para as notas muito oportunas  que foram escritas nos últimos posts publicados pelo nosso amigo e Parceiro O Artista do Dia, amigo a quem devemos muitas (mais concretamente 28 mil) das centenas de milhares de visualizações que obtivémos desde o dia 10 de Março de 2017.

No entanto, não pensem que olhei para aqueles minutos finais com um olho aberto e outro fechado. Não, não olhei. Um dos problemas basilares desta equipa (a gestão da vantagem) mantém-se e está para durar enquanto Jorge Jesus não activar um conjunto de soluções que priviligiem o controlo do adversário através da gestão da posse e do ritmo de jogo, e enquanto alguns jogadores não interiorizarem que uma partida só termina aos 90 e picos quando o árbitro der três apitadelas bem assentes. Quero com isto dizer que alcançada uma vantagem, a equipa leonina tende a descurar praticamente tudo: posicionamentos, marcações (Jonathan esta é para ti), organizações sectoriais, qualidade na saída de bola (frente ao Braga foi uma perda na saída que ditou a recuperação que os bracarenses transformaram em golo) entre outros aspectos já aqui mencionados noutras ocasiões.

O golo dos Paços de Ferreira não fez mossa na tendência do resultado mas voltou a ser um exemplo paradigmático do grau de relaxamento a que se dá esta equipa quando se apanha a gerir uma vantagem confortável. Embora a coisa não tenha descarrilado, à semelhança do que aconteceu em Turim e em Alvalade frente ao Braga (nesse jogo temos que dar algum crédito às mexidas efectuadas por Abel na sequência do golo sofrido, porque as mudanças efectuadas na estrutura da equipa baralharam por completo a formação leonina, pese embora, como tenha escrito nessa noite, o Sporting não soube pura e simplesmente fazer a gestão mais adequada da vantagem) e do que poderia ter acontecido nos minutos finais dos jogos do Pireu, da Feira e da recepção ao Estoril.

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Matheus Pereira – o retorno em Janeiro parece-me impreterível

“Joga como treinas!” (instrução de Jorge Jesus para Matheus na primeira parte do Tondela vs Sporting – 11\03\2017)

“Jorge Jesus disse-me para fazer o meu trabalho, para jogar como tenho jogado na equipa B. Disse-me para fazer o que melhor sei: ir para cima, driblar, fazer golo, dar passe…” (Matheus Pereira – Abril de 2017)

Na breve análise que realizei na passada terça-feira ao plantel do Sporting, frisei a ideia que a equipa leonina precisa de 4 jogadores para 4 posições em que se tem denotado recentemente um pequeno “estado de carência”, por força das lesões que se tem abatido sobre algumas peças chave nas últimas semanas, ou por mero défice de opções, défice que poderá redundar, na 2ª metade da temporada, na ocorrência de mais lesões se a condição física de alguns atletas não for bem gerida. Para o efeito, indiquei, a título meramente opinativo (estou convicto que Jorge Jesus conhecerá melhor os jogadores com quem trabalha e terá mais informações do que as que possuímos em relação à condição física dos atletas e às suas próprias limitações, pese embora, na minha modesta opinião, a gestão da condição física dos atletas não seja, de todo, um dos seus fortes) a possibilidade do Sporting se vir a reforçar internamente na reabertura do mercado, quer através da inclusão regular nos trabalhos da equipa sénior de alguns atletas da equipa B (Merih Demiral, Rafael Leão) quer através do retorno de alguns jogadores cedidos por empréstimo no ínicio da temporada, casos de Domingos Duarte e Matheus Pereira. A posição de lateral esquerdo parece-me ser, por ora, a única para a qual o clube não possui internamente uma solução credível a curto prazo.

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Contra-pressing – o exemplo do lance do 2º golo do Sporting frente ao Olympiacos

via O Artista do Dia

Um momento de contra-pressing considera-se um momento do jogo no qual toda a equipa ou um conjunto de jogadores de determinadas linhas sectoriais da equipa (por exemplo: os jogadores da linha avançada; os jogadores da linha avançada mais os jogadores da linha média) ou de linhas intersectoriais (por exemplo: os laterais, os médios alas e os médios interiores, jogadores que embora fazendo parte de linhas sectoriais distintas – os laterais fazem parte da linha defensiva; os médios alas e os médios interiores fazem parte da linha média – podem ser chamados a ter que se organizar para poderem efectuar pressão sobre uma saída de jogo adversária para os corredores, p.e) organizam-se especificamente no terreno de jogo para poderem reagir à perda do esférico de forma a recuperá-lo. Para o efeito, os jogadores devem agrupar-se em torno do jogador que efectuou a recuperação…

Bruno César 4

Assim que vê o seu remate desviado pelo defensor grego, a primeira coisa que Bruno César faz é acercar-se do portador de forma a:

  • Impedir que este pudesse iniciar a transição para o contra-ataque.
  • Tentar roubar-lhe o esférico para eventualmente poder criar uma situação privilegiada de ataque à baliza adversária.

e dos apoios que este tem disponíveis (por perto, “inseridos” no centro do jogo, ou seja na zona onde se está a disputar o esférico; ou mais distantes; fora do centro do jogo) para dar sequência ao lance, de forma a pressionar o portador (cortando-lhe tempo e espaço para pensar e executar, ou seja para tomar uma decisão) e fechar-lhe o maior número de linhas de passe, para o conduzir ao erro (passe para fora, passe para os pés de um jogador da equipa que está a realizar o contra-pressing) ou à tomada de uma decisão que facilite a recuperação da bola (o passe para um jogador que esteja marcado por um adversário, situação que poderá permitir ao jogador da equipa que está a realizar o contra-pressing a recuperação da bola em virtude de um movimento de antecipação ou de um tackle).

bruno césar

Battaglia pressiona o portador enquanto Bruno César tenta fechar a linha de passe para o apoio que Fortunis tem disponível de forma a poder recuperar o esférico com um movimento de antecipação. 

O contra-pressing é por defeito um momento de organização da pressão na qual as equipas ao invés de recuar, tentam avançar no terreno de forma a pressionar imediatamente o portador no sentido de o obrigar a cometer erros. A pressão deve imediata, deve ser feita preferencialmente em superioridade numérica e jamais deve descurar a marcação ao jogador-referência que a outra equipa utiliza para sair para o contra-ataque porque há grandes probabilidades do portador vir a procurar esse jogador. No caso dos gregos do Olympicos, as referências eram o falso 9 Fortunis e os extremos Pardo e Carcela.

Vantagens de um bom contra-pressing:

  • A formação que o realiza estanca a saída adversária para o ataque, ataque rápido (supondo que nas suas linhas atrasadas, a equipa esteja bem organizada) ou contra-ataque.
  • A recuperação da bola em sectores adiantados do terreno poderá permitir a criação de uma plataforma de ataque à baliza adversária, podendo ou não apanhá-la descompensada no momento da recuperação.

Riscos decorrentes do uso ou abuso da estratégia de contra-pressing:

  • Se a equipa ultrapassar a pressão, poderá ter espaço para jogar entre a linha ou as linhas que pressionam e a linha que não está a pressionar (espaço nas costas do meio-campo; espaço nas costas da defesa).
  • Se a equipa ultrapassar a pressão, pode iniciar um contra-ataque em superioridade numérica sobre o adversário.
  • Uma maior sobrecarga física sobre os jogadores.

Resta-me agradecer todo o apoio e carinho. Se ainda não segue o Meu Caderno Desportivo nas redes sociais está na hora de seguir aqui.

 

Mathieu, Piccini, Bruno e Bruno César ultrapassaram o labirinto grego!

Bruno César 3

Já se sabe que o homem na Champions é fera! Bruno César transcende-se por completo nos jogos grandes. A voracidade com que o brasileiro atacou o homem a que coube o azar de receber o ressalto do seu remate foi, na minha opinião, a melhor acção individual praticada no tapete de Alvalade. A reacção à perda do esférico é cada vez mais importante nos dias que correm. Como pudemos constatar no lance do 2º golo, obra do brasileiro, uma boa reacção à perda não só mata por completo uma eventual transição que possa criar problemas defensivos à equipa, como garante, conforme a posição do terreno em que a recuperação é efectuada, um precioso matchpoint, que devidamente aproveitado, pode ajudar a decidir um jogo. A reacção de Bruno decidiu uma partida oferecendo à equipa 45 minutos para descansar com bola.

O bem organizado bloco baixo defensivo dos gregos não foi a tormenta criada por Dédalo para encurralar o minotauro mas foi quase. Não fosse aquele passe longo de Jeremy Mathieu a descobrir Cristiano Piccini bem projectado na ala direita, acção que foi deveras rara no lateral italiano até aquele preciso momento do jogo, em virtude das necessidades ditadas pelo adversário nas suas rápidas saídas em contra-ataque pelos corredores, necessidades que obrigaram Jorge Jesus mais uma vez a pedir muita contenção nas subidas aos laterais, para não serem apanhados em falso no lançamento do contra-ataque adversário, em especial nos momentos em que o adversário recuperava a bola, e a história do jogo poderia ser um verdadeiro cabo do Bojador para a formação leonina.

Na primeira meia hora eu compreendi a necessidade sentida pelo técnico do Sporting, mas por outro lado também deduzi que Jesus queria o melhor de dois mundos: a estabilidade defensiva da equipa e a criação de lances de perigo através da exploração do jogo interior. O problema é que que o adversário teve o mérito de congestionar o corredor central com a colocação de muitas unidades e de ser ali, naquela zona do terreno, extraordinariamente pressionante às investidas leoninas, não obstante a presença dos extremos, a sua mobilidade (tentando baralhar as marcações) e a sua procura pela posse do esférico. O único lance de perigo dos gregos, surgido precisamente numa transição em contra-ataque montada pelos corredores, surge de uma falha na abordagem ao adversário de Fábio Coentrão.

Embora as imagens não mostrem a jogada completa e o momento ao qual queria dar enfase, este lance surge na sequência de uma recuperação de bola efectuada pelos gregos no seu meio-campo seguida de um rápido lançamento para Felipe Pardo. Coentrão adiantou-se para tentar roubar a bola ao colombiano sendo surpreendido com um toque do colombiano para a sua rectaguarda, toque que permitiu a Diogo Figueiras, mais rápido que Bruno César, aquela enorme avenida para correr.

Fora este lance, foram 40 minutos de boa organização defensiva do Olympiacos e nada mais. A ideias de jogo do treinador grego pass única e exclusivamente, à falta de um homem na área (embora Kostas Fortunis tenha em um ou dois momentos ajudado a ligar o jogo entre o centro e as alas) por explorar, em acções de contra-ataque, as poderosas e eficazes acções 1×1 de Felipe Pardo e uma ou outra situação de overlaping que pudesse ser criada nos corredores. Foram no fundo essas as situações que motivaram Jorge Jesus a pedir aos laterais para se conterem nas subidas. Imaginem o que é que poderia ter acontecido em meia dúzia de lances se Piccini e Coentrão se tivessem aventurado no terreno.

Até aos 40″ o bem montado bloco recuado montado em 4x1x4x1 pelo novo treinador da formação grega, Takis Lemonis, organização defensiva totalmente antagónica aquela que vimos na primeira jornada com o anterior técnico dos gregos, o albanês Besnik Hasi, teve o condão de dificultar a penetração leonina. Estando os espaços centrais completamente congestionados e preenchidos por 3 médios de cobertura (Romao, Gillet e Tachsidis; este último tinha a missão de vigiar as entradas de jogadores entre linhas) com o auxílio directo de Fortunis, a estratégia de jogo teria obrigatoriamente que passar pela retirada do esférico das zonas de pressão adversária, circulando rapidamente para as alas de forma a chamar os laterais ao jogo para obrigar a equipa grega a esticar a toda a largura do terreno, dificultando-lhes as acções de cobertura e obrigando-os a ter se deslocar para as alas para abrir mais espaços para jogar no corredor central. Caso os laterais continuassem descidos, só haveriam três ou quatro situações capazes de cumprir os propósitos do jogo: uma ou outra combinação que se pudesse fazer pelo meio, um lance de bola parada (André Pinto e Dost foram profundamente infelizes logo aos 2″ na finalização aquele sublime lance de laboratório) ou um remate de meia distância. Até ao primeiro golo, o Sporting só conseguiu penetrar no interior do bloco adversário uma vez naquela combinação realizada por Bruno e Battaglia na qual Bruno colocou o argentino em zona de finalização. Pelo meio há aquela fantástica acção de Dost na sequência de um lançamento lateral na esquerda, acção que deverá certamente ter agradado a Jesus porque é efectivamente isso que Jesus pede ao seu ponta-de-lança naquela situação específica.

O jogo pedia portanto menos rendinhas de bilros a meio, e mais circulação directa, dos centrais para os flancos, devendo os laterais subir mais no terreno (preferencialmente por fora, bem abertos juntos às laterais) para magicar mais combinações com os alas, ancorados por dentro, pelo interior do terreno.

Quando os laterais sobem no terreno, o futebol do Sporting ganha outra dimensão.

Com aquele passe longo para Piccini, Mathieu abriu a arca de pandora, fazendo jus às qualidades de organizador que lhe reconhecemos. O francês viu a subida no italiano no terreno, numa fase em que Gelson tinha regressado a terrenos exteriores, meteu aquele esbelto pé esquerdo a funcionar, e o italiano, criou o desequilíbrio quando passou por 2 opositores para servir a desmarcação de Gelson, calando todos aqueles (eu inclusive) que duvidaram do seu potencial ofensivo. Com aquela espantosa rotação, o extremo serviu a entrada de Bas Dost. Mais uma vez, à killer, vindo de gazão pela rectaguarda do central, antecipou-se e enfiou a bolinha lá dentro.

Se Piccini, Gelson e Dost fizeram o meu dia, Bruno César completou o dia do meu gato. A euforia foi tanta que o pobre Cocas, decidiu no momento do golo do brasileiro, passar a sua pata por cima do comando da televisão, desligando-a por momentos. Ambos corremos pela casa: eu de felicidade e o Senhor Cocas com algum receio, não fosse o dono fazer-lhe aquilo que faz regularmente com as setas ao esgaçado poster do plantel do Benfica 2004\2005.

O recital de Bruno, de Bruno César, de Battaglia e dos laterais – um cheirinho a bom futebol

Com os 2 golos, os gregos amoleceram por completo e viram-se impotentes para ir lá à frente criar lances de perigo, não obstante as modificações realizadas pelo seu treinador. A desintensificação da pressão efectuada no corredor central e a maior pendente ofensiva demonstrada pelos laterais, aparecendo mais vezes inseridos nos processos ofensivos, pontuadas com alguns movimentos divergentes de Bruno Fernandes para as alas, em especial para a direita para esticar o jogo quando a bola saia pela direita por Piccini ofereceram-nos jogadas de alguma beleza que certamente terão empolgado muitos sportinguistas. Este é o futebol que Jesus quer certamente praticar com esta equipa. Um futebol combinativo, enleante, bem trabalhado (no qual até Dost é de vez em quando chamado pelos médios para ceder apoios frontais que, por força dos arrastamentos promovidos pelo holandês abrem linhas de passe para a colocação da bola em profundidade nas costas da defesa para a corrida dos homens dos corredores, como veio acontecer num lance na 2ª parte).

Não posso de forma alguma terminar este post com três curtíssimas notas:

  • A primeira está relacionada com o exímio posicionamento de Battaglia nos momentos de transiçãoSs defensiva. O argentino é um verdadeiro olho de falcão desta equipa, o homem que tudo adivinha, que tudo sabe da intenção adversária. O homem que sabe quando é que tem de sair para pressionar, quando e para onde é que tem de correr para ganhar aquela segunda bola. O homem que sabe quando é que tem que cair para uma ala para impedir que aquele lançamento longo chegue ao destinatário. O homem que sabe que linhas tem de fechar, que movimento tem de seguir, que zona é que precisa da sua preciosa ajuda, do seu precioso músculo. Batta foi sem dúvida alguma a melhor aquisição desta época. Eu gosto muito de o ter por Alvalade e já referi noutra ocasião em tom de brincadeira que se Azeredo Lopes tivesse Batta a vigiar o paiol de tancos, muito dificilmente lhe roubavam o armamento.
  • As ganas de Bruno. Bruno foi o jogador que mais correu em campo num total de 12 km. Bruno construiu, Bruno veio atrás quando a equipa precisava do seu esforço de construção, Bruno avançou quando sentiu que a equipa precisava da sua presença mais próximo da área. Bruno serviu em zona interior, Bruno combinou, Bruno conduziu, Bruno estendeu para a ala, Bruno pensou sempre em dar profundidade à ala quando viu os laterais a subir que nem galgos, Bruno cruzou, Bruno colocou a bola na cabecinha de Dost e está no lance do golo de Bruno César e na 2ª parte mereceu o golo. Bruno é no fundo os valores que consubstanciam o Sporting. Obrigado Bruno!
  • Sinal negativo mais uma vez para o mestre da Alta Definição: com o resultado mais que controlado, Jesus tardou imenso a mexer na partida para dar descanso aos homens que tem sentido limitações físicas. Esperemos que os minutos a mais que deu a Mathieu, a William e a Coentrão não lhe tragam dissabores em Paços de Ferreira.

Um breve olhar sobre o plantel do Sporting. Deverá Jesus atacar em força o mercado de inverno?

battaglia 3

Nas últimas semanas, tenho lido por aí, tanto nas redes sociais, como na blogosfera e na imprensa especializada diferentes perspectivas sobre o plantel do Sporting, sobre as exibições e a evolução trilhada por alguns jogadores nas diversas dimensões do jogo, tomando sempre como ponto de partida para a discussão o modelo de jogo e as ideias de Jorge Jesus, bem como algumas opiniões em relação às necessidades ou carências mais urgentes que são ditadas pelas exibições, pela evolução dos jogadores (em especial, pelo grau de assimilação destes aos princípios e ideias do teinador) e pelas lesões que recentemente abalaram algumas das peças-chave deste plantel, muito por culpa de dois factores que devem ser imputados a Jorge Jesus: a gestão do plantel e a exigência do seu modelo de jogo.

Demolhados alguns dos argumentos lidos por aí e devidamente contrapostos com a minha análise do “estado das coisas” defendi no início da época e continuo a defender que o Sporting terá forçosamente que procurar, interna ou externamente, quatro reforços, fulcrais, para consolidar o leque de opções à disposição do seu treinador em quatro posições do terreno: para a posição de central, para a esquerda da defesa,  para as alas e para a posição de ponta-de-lança. Continuar a ler “Um breve olhar sobre o plantel do Sporting. Deverá Jesus atacar em força o mercado de inverno?”

O pré-Gelson e o pré-Bruno, o pós-Gelson e o pós-Bruno.

bruno fernandes 4

Houve um jogo antes da entrada de Gelson (um futebol completamente amorfo, acabrunhado, sem ligação entre sectores) e um jogo ligeiramente diferente após a entrada na partida de Gelson, pesem no entanto as dificuldades sentidas até à entrada de Bruno Fernandes aos 59″, pela dupla de centrais e de médios (Battaglia e Petrovic no capítulo da saída de jogo e da primeira fase de construção, dificuldades essas que naturalmente foram agudizadas pela disposição compacta e pela agressividade demonstrada no capítulo da pressão (montada à entrada do meio-campo) pelos jogadores da formação minhota (há que dar mérito à organização defensiva exemplar demonstrada pelos comandados de Dito), pela inserção forçada de Bruno César nos flancos face à ausência de Acuña (esperemos que Ruiz venha com vontade para colmatar essa lacuna de plantel), pela falta de velocidade, de mobilidade de algumas unidades (não se desmarcando convenientemente para abrir linhas de passe), de paciência na circulação e até de inteligência por parte de Petrovic, dificuldades que por outro lado foram amenizadas com as constantes (e habituais) entradas do extremo em zonas interiores para vir buscar jogo atrás, de forma a auxiliar a ligação do jogo entre sectores, em especial a ligação e a parceria com Daniel Podence.

Jorge Jesus continua na sua onda experimental, naquela onda experimental que só traz desgraças aos clubes que vai orientando. Casar no meio-campo um médio de cariz mais defensivo (Petrovic) que sente efectivamente muitas dificuldades para discernir o que é que deve fazer com a bola em cada lance concreto (se deve passar, se deve arriscar um passe para um jogador entre linhas, se deve procurar os laterais, se deve progredir com a bola para o espaço livre que lhe é oferecido pelo adversário para atrair jogadores para libertar outros espaços para jogar nos corredores; chegou a existir ali um período em que os jogadores famalicenses ignoraram-no por completo, deixando de pressionar o sérvio, quando Dito apercebeu-se  da natureza inofensiva de Petrovic ou seja, da sua evidente incapacidade em gerar progressão à equipa através do transporte de bola) com outro, Rodrigo Battaglia, que, embora tendo registado melhorias neste aspecto desde que entrou pela Porta 10A, continua a ter muitas dificuldades no capítulo do passe e na partida de hoje decidiu, para cúmulo das dificuldades criadas pelo adversário, assumir menos o esférico no momento de construção para realizar movimentações completamente distintos que lhe são habituais (procurando entrar muitas vezes entre linhas ou até mesmo nas costas da defesa contrária), foi uma decisão de génio. Na minha opinião, Bruno Fernandes deveria ter entrado de início para resolver este jogo cedo, fazendo-o descansar quando o jogo (e o próprio adversário) estivesse totalmente dominado.

Nos primeiros 20 minutos assistimos a um Sporting com muitas dificuldades para construir. Frente a uma equipa que se organizou num bloco compacto bastante bem organizado, e bastante producente, com uma 1ª linha de pressão efectiva à entrada do meio-campo e um sistema de coberturas muito bem montado no qual todos os jogadores demonstraram o mínimo de intensidade e agressividade nas disputas, era preciso abordar esta partida de outra forma completamente diferente. O que vimos foi uma mão cheia de jogadores verdadeiramente impacientes na saída de jogo, de processos lentos, tentando despachar o jogo rapidamente para as costas da linha média famalicense, ao invés de tentar circular pacientemente e em velocidade entre flancos e\ou de ter um jogador capaz de romper coma bola pelo centro para obrigar a estrutura defensiva famalicense a dançar, ou seja, a ter que deslocar mais unidades para o miolo quando um jogador entrasse com o esférico em condução pelo meio (atraindo jogadores para abrir naturalmente espaços para jogar nas alas; o que até poderia resultar numa 2ª fase na entrada da bola no jogo interior em Podence ou em Dost) ou a ser atraída para um flanco para rapidamente se executar uma variação para o outro de forma a criar espaço para os jogadores da ala esquerda progredir.

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