Tudo errado! – Uma dúzia de pensamentos soltos e factos sobre o empate do Sporting em Moreira de Cónegos

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Estava profundamente enganado. Quando há algumas semanas atrás escrevi neste preciso espaço a ideia de que Jorge Jesus estaria, na presente temporada, mais consciente e mais criterioso na gestão que faz do seu plantel, escolhendo com prudência e mestria as soluções ideais para cada “tipo de adversário” estava profundamente enganado: os erros básicos de percepção e análise dos pontos fortes e fracos do adversário e a incapacidade evidente que o treinador do Sporting possui para “pensar um jogo de cada vez”, leva-o a cometer erros desnecessários (dados os objectivos traçados para a temporada e ao contexto do grupo de Champions no qual está inserido) que custam pontos e que custam, acima de tudo, títulos ao clube. Sempre que Jesus inventa, o Sporting perde pontos. Sempre que a equipa vem de um jogo contra um grande europeu, a equipa perde pontos. Só um treinador com uma enorme (inabalável) fé na(s) (falta de) qualidades de um jogador cuja prática (ou falta dela), perdoem-me a expressão, mete, a cada dia que passa, os adeptos leoninos à beira de um ataque de nervos, leva o treinador leonino a prescindir (num jogo em que era mais que “certo e sabido” que o adversário iria tentar complicar ao máximo a circulação leonina com uma boa prestação defensiva, com um enorme espírito de combate e com processos de jogo essencialmente formatados para a saída em contra-ataque) de um jogador de combate, colocando no seu lugar um jogador que não acrescenta nada a esta equipa. Nada. Volto a repetir. Nada.  Continuar a ler “Tudo errado! – Uma dúzia de pensamentos soltos e factos sobre o empate do Sporting em Moreira de Cónegos”

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Mais uma vez a gestão da vantagem

olympiacos

Rodrigo Battaglia não foi o melhor em campo por um triz. O argentino fez uma partida maravilhosa, bem ao nível daquilo a que nos tem vindo a habituar neste início de temporada. Com um raio de acção e intervenção enorme a toda a largura do terreno, o argentino voltou a cair em cima dos adversários directos que nem um galgo no corredor central (acções que lhe valeram várias recuperações). No entanto, ao nível individual, a exibição que me encheu o olho foi a de William Carvalho. William foi titânico nos duelos corpo-a-corpo no meio-campo, lançando o ataque com a clarividência que lhe é reconhecida. Na 2ª parte, o médio foi o único jogador que compreendeu que o Sporting tinha de subir linhas para afastar o jogo da sua baliza e dominar o adversário pela posse, preferencialmente pausada e dentro do meio-campo adversário. Numa equipa de “aceleras”, William é o único jogador que sabe medir o pulso ao jogo, colocando o “critério rítmico” que a equipa tem de colocar para gerir as suas vantagens através da posse no meio-campo adversário. 

Estádio Giorgios Karaiskakis, Pireu, coração da capital helénica. Com uma estratégia de jogo extremamente bem planeada (fruto de uma boa observação à disposição do adversário e aos erros já identificados no post anterior ao nível das suas fases defensivas) e bem executada pelos onze que Jorge Jesus colocou em campo, os primeiros 45 minutos da partida foram “olímpicos” para a formação do Sporting. Os 3 golos alcançados até souberam a pouco se considerarmos que o Sporting dispôs de 7 oportunidades de golo, 2 das quais negadas pelos ferros da baliza de Kapinos.

A 2ª parte foi, porém, à semelhança do que acontecido noutros rosários (Estoril em Alvalade; Santa Maria da Feira), um imenso e penoso calvário de erros que me leva a interrogar se Jorge Jesus não tem o crematório de velas do Santuário de Fátima por sua conta, acrescidas de uma dúzia de missas encomendadas ao padre local na Igreja da Charneca da Caparica para o Sporting em troca de uma certa protecção divina à equipa nos últimos minutos.

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Estamos no Olimpo

Só me apetece escrever: é histórico. Foram os melhores 45 minutos da história do Sporting na Champions League. Jesus (e os jogadores) exploraram ao pormenor todos os erros em cascata do adversário. O comportamento defensivo que o Olympiacos adoptou nestes primeiros 45 minutos lembra-me o comportamento defensivo errático do Sporting na temporada passada. Alguns dos comportamentos (falta de pressão quando a equipa perde posse\tempo e espaço para lançar em profundidade para as costas da defesa) foram os “tendões de Aquiles” que nos fizeram perder bastantes pontos na temporada transacta:

  1. O enorme espaçamento entre linhas que o adversário oferece. Este Olympiacos é uma equipa que se estende de área a área, deixando muito espaços para lançar entre a linha média e a linha defensiva.
  2. A pressão alta errática (individual; sempre que um jogador é suplantado, a equipa não tem mecanismos para o compensar) que é feita no meio-campo com vários jogadores a correr desalmadamente para tentar roubar a bola sem que outro por trás feche as linhas de passe ao portador de forma a obrigá-lo a errar.
  3. O enorme espaçamento entre linhas e a pressão errática que é feita, leva a que a defesa grega se sinta algo confusa. Não existindo pressão, Bruno Fernandes, William ou até mesmo Battaglia tem tempo e espaço para lançar Doumbia ou Gelson (mais próximo de Doumbia, funcionando quase como um 2º avançado)  em profundidade nas costas da defesa grega. Isso faz com que o quarteto defensivo grego, em particular os centrais, se sintam algo confusos no controlo à profundidade. Se não existe pressão à sua frente para limitar o lançamento adversário, não conseguem sair no timing ideal para colocar os avançados do Sporting em fora-de-jogo porque nunca sabem quando é que vai sair o passe.

Por outro lado, o Sporting tem vindo a demonstrar grande competência defensiva. Tanto William como Battaglia tem revelado uma enorme competência na forma em como na primeira fase de construção grega caem em cima dos médios interiores do Olympiacos (não os deixando virar de frente para o jogo; ou até desautorizando a construção, conseguindo portanto recuperações importantíssimas para lançar ataques rápidos) como numa segunda fase caem rapidamente nas alas ou no corredor central para evitar situações de sobreposição\superioridade numérica (são nítidos os triângulos que são formados nas alas entre os laterais, extremos e interiores; ), triangulações ou a possibilidade de Marin realizar o último passe para as desmarcações de Djurdjevic para as costas dos centrais.

Jonathan Silva tem sido o elo mais fraco da defensiva leonina. O argentino não cai em cima de Mehdi Carcela para impedir que este possa receber e criar nas suas costas.

Outro dos erros que o Sporting não deve cometer reside na subida das linhas quando, a construir a partir de trás, o Olympiacos tenta chamar a pressão. Sempre que o Sporting sobe as suas linhas para pressionar mais alto, os gregos conseguem fazer chegar a bola com mais facilidade (quase sempre de frente para o jogo) aos seus construtores Odidja e Marko Marin.

Muito desconforto e muito nervosismo na Feira

Fortíssimos nas transições e pouco mais. Ao dar apoio à acção de Gelson Martins, Alan Ruiz (jogador que finalmente começou a movimentar-se mais para as alas na 2ª parte, contrariando o estaticismo que enunciei no post anterior desde o momento em que entrou para dentro do terreno de jogo) permitiu a continuidade da acção a Gelson (no momento em que o argentino faz o movimento divergente para o lado direito para oferecer apoio ao companheiro, o jogador que o acompanha decide parar a sua acção para eventualmente esperar o 1×1 de Gelson; o jogador da Feira não acreditava na possibilidade do extremo colocar um cruzamento daquele sector do terreno).

O corte de Bas Dost é importantíssimo. Ao dar a entender ao central que tenciona atacar aquela bola, o ponta-de-lança do Sporting prende por completo o central, ou seja, não permite que este recue para estorvar a acção de quem vai realmente receber: Bruno Fernandes.

Inteligência do médio no timing de entrada nas costas, aproveitando a ausência do lateral direito Jean Sony.

O meu coração não aguenta. Depois do frenético final frente ao Setúbal, daquela cardíaca ponta final de partida frente ao Estoril (na qual esta equipa deu os primeiros indícios daquilo que viemos a confirmar na 2ª parte do jogo desta noite: uma equipa que tem muita dificuldade para gerir vantagens) e de uma salutar pausa de 2 semanas para recarregar baterias, na Feira, o alívio só veio mesmo no último minuto e veio porque um dos centrais da dupla de “paus-de-virar tripa” de Nuno Manta, o elo mais fraco desta galharda formação da Feira, cometeu um daqueles erros que vulgarmente designo como “erro provocado por desgaste e fadiga”

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Queriam o quê? Parte da perna esquerda de William? Um tecido da pele do antebraço? Ou queriam o Jubas?

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Uma presunção. Só posso tomar isto, divulgado pela Sky Sports, como uma presunção. Uns presunção à inglesa. Os ingleses olharam para o histórico de transferências do Sporting e como viram que “uns patos” que por lá andavam no passado acharam que 12,5 milhões (se Ronaldo fosse vendido hoje, às cegas, sem se conhecer o percurso que o craque construiu na última década, inflaccionado que está o mercado, e ávidos que estão certos clubes em dar tudo o que for preciso por talento, valeria seguramente 100 milhões de euros) era o valor justo a pagar por um colosso cheio de notas pela transferência de um jovem que tinha na noite anterior humilhado uma série de veteranos de 1ª liga mundial, presumiram que os dirigentes do Sporting, mais concretamente o seu presidente e administrador da SAD era um patinho de igual estirpe.

Como se a proposta por um dos médios mais completos do futebol mundial, campeão europeu, jogador que é fantástico a desarmar, a interceptar, a jogar de cabeça levantada, a definir na construção, a queimar linhas com a bola, a lançar o ataque, a lançar em profundidade, a procurar o jogo interior com o seu passe vertical, não fosse per se suficientemente ridícula em virtude ao valor de mercado do jogador e ao valor pedido (eu até acho que os 40 milhões pedidos estão bem abaixo daquilo que o jogador vale actualmente) pelo Sporting (ah e tal, é a nossa maior contratação; vamos colocá-lo sempre em jogo não é? Não não é. Basta que o jogador falhe por opção estratégica meia dúzia de jogos para as Taças para os ingleses se reservarem a não pagar mais um chavo em variáveis) os inglezinhos ainda acharam que seria, de bom tom, para persuadir a direcção do Sporting a decidir-se rapidamente pela oferta (perdão, pela caridadezinha que eles estavam ali a prestar ao clube de 3º mundo; pensam eles! eu resolvia a coisa à inglesa com um convite para um duelo em Alvalade, a valer uma aposta de 10 milhões de euros, a pronto!) com uma chantagem barata (ou nos dão rapidamente o Rei William ou então vamos ali buscar um gajo qualquer às reservas do PSG porque à equipa principal não temos poderio para). Não deixa de ser engraçado. Se este email foi alegadamente enviado a 11 de Agosto para a SAD leonina, o West Ham teve 20 dias para ir buscar o tal jogador ao PSG…

Não meus amigos! O Sporting já não é dirigido por Patos, não tem neste momento qualquer protocolo com a Zara (não entra em saldos assim que o produto se acumula em stock) e tanto o presidente do Sporting como os seus administradores tem demonstrado ao longo dos últimos anos um domínio perfeito dos pilares da negociação (principalmente o factor tempo), domínio que lhes permite agora liderar os processos negocial. A proposta, muito sinceramente, até fica bastante mal aos pergaminhos históricos operários do vosso clube. Quer dizer, por um lado, os vossos adeptos andam embrenhados nos sindicatos a pressionar o patronato para obter melhores salários, melhores condições de trabalho, a redução da carga laboral, mais regalias ao nível de saúde, enquanto os dirigentes andam a tentar explorar (a exploração do homem pelo homem) os mais fracos com propostas, bem, com propostas que na melhor das hipóteses conseguiam persuadir a direcção do Sporting a deixar sair (com sorte, se nós os adeptos deixássemos) o Jubas para jogar ao lado do Kouyaté no meio-campo.

De Lisboa a Londres: mais de duas semanas de viagem.

william carvalho

Deveremos ter regressado ao Século XIX. A notícia de uma venda está a demorar mais de 2 semanas a sair e o jogador, cá para mim, foi para Londres montado num burro. Só assim se explica o facto de ter saído de Portugal há 2 semanas e ainda não ter chegado a Londres.

Sai, não sai. Sim, não. Já tem acordo, não tem acordo. Já assinou um pré-acordo, afinal, não assinou nada. O Sporting começou por pedir 45 milhões. Agora pede 38. Ainda pode descer aos 35. Se o West Ham continuar o braço de ferro, talvez o dê de borla. Mas o West Ham não quer passar dos 30. Perdão, dos 35. E ainda querem levar Adrien e Palhinha num pack por 30 milhões de euros. Não, afinal são 22 e eles ainda dão o Cheikhou Kouyaté. à troca. Com um bocadinho de sorte também levam 3 ou 4 putos da formação e a fazer jus às mentiras publicadas pelos 3 diários desportivos no mês de Junho, Jorge Jesus vai pro PSG e o Slaven Bilic vem para Alvalade treinar os Juvenis (a verdade é que não tem talento para mais que os Juvenis!). Contudo, os mesmos mentirosos também têm semeado aos sete ventos a existência de um fundo que está a tentar vender o Adrien por 18. Irra. Há 2 semanas que não se escreve noutra coisa na imprensa portuguesa senão na “saída” de William Carvalho para Inglaterra. Como disse uma vez o outro, o que morreu de velho,  “qual é a pressa sentida pela “jornaleiragem” lusa (Carlos Dolbeth; em tudo o que escrevo ou digo, faço sempre questão de mencionar as fontes, Carlos; continuo-te a pedir para teres a coragem de citar as fontes das ideias que aproprias deste blog) para despachar William?”

Cedo de borla a resposta a essa pergunta. Os comandos vermelhos que pairam pelos excitados diários desportivos da capital (os que mais tem apregoado a venda do jogador) querem ver Jorge Jesus num mar de problemas. Tenham calma e relaxem. Jesus antecipou-se à possível saída do jogador. Rodrigo Battaglia não está a entrar à toa no 11 às custas de William. O Sporting já está a precaver a eventual saída do médio. Tudo ficará decidido na quarta-feira: se sai ou se renova contrato como o jogador mais bem pago do plantel leonino.

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Jorge Jesus ensandeceu de vez

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Não sei se neste atestado de estupidez passado a todos os sócios e simpatizantes do Sporting, o técnico se referiu à actual equipa do Steaua ou às mega competitivas equipas que os romenos apresentavam nas provas europeias há 30 anos. Se eventualmente se referiu a ambas nas declarações que proferiu na sala de imprensa do Estádio José de Alvalade, não posso dar-lhe razão por diferentes motivos. O Steaua de Emerich Jenei, campeão europeu em 1986 e de Anghel Iordanescu (bicampeão romeno) era uma equipa mágica que fazia da agressividade, e da elegância de algumas unidades (como Hagi, Petrescu, Boloni, Belodedic, Lacatus, Barbulescu, Stoica, Balint ou Piturca) os seus pontos fortes. O Sporting de 1985\1986 estava vários furos abaixo dessa consagrada formação do futebol romeno. Se Jesus eventualmente apenas se referiu à equipa que ontem pisou o relvado do Estádio José de Alvalade, sou obrigado a concluir que a sua avaliação do potencial do adversário está tão errada quanto anacrónico está o futebol praticado pela equipa que comanda. Esta equipa romena é uma equipa que luta com todas as (limitadas) armas que possui. É uma equipa cheia de limitações (nas várias dimensões do jogo) mas tem vontade e quer realizar feitos. A equipa do Sporting é uma equipa cheia de potencialidades em sub rendimento. Pior que não ter cão para ir à caça é ter um cão manco, que nos dá a aparente sensação que podíamos andar pelo “ground” a apanhar coelhos, quando no fundo nem de casa consegue sair.  Continuar a ler “Jorge Jesus ensandeceu de vez”