Encaixar que nem uma luva no modelo de um treinador

Contratado ao Torino no último dia de mercado, Davide Zappacosta tem actualmente menos de uma semana de trabalho com Antonio Conte, em virtude das sua presença nos trabalhos da selecção italiana no início do presente mês de Setembro. No curtíssimo período de uma semana de trabalho com o seu novo treinador e com um conjunto de jogadores que já absorveram grande parte das ideias do modelo do seu treinador, executando-as com um relativo grau de facilidade, sou obrigado a qualificar como admirável (face ao desempenho do jogador no jogo da noite de ontem) o conhecimento detido e assimilado pelo jogador em relação aos processos de jogo da equipa e às dinâmicas e movimentações que são pedidas pelo treinador para aquela posição.

Poucos são, por vários motivos (de índole física, táctica ou cognitiva), os jogadores que se conseguem entrosar tão bem numa equipa num curtíssimo período de dias. Raros são, pelos mesmos motivos os que, contratados nos últimos dias de mercado ou até a meio da pré-temporada conseguem encaixar tão bem (a curto prazo) no modelo de jogo dos seus treinadores. É certo e sabido que o grau de assimilação de um jogador ao modelo, aos princípios do modelo do seu treinador e aos processos de jogo realizados pela equipa estão intimamente ligados às suas funções cognitivas, em particular, à sua capacidade de atenção (assistir a um jogo e perceber os processos daquela equipa; assistir a uma palestra do treinador e perceber o que é que o treinador pretende do seu desempenho; manter o foco da sua observação sob cenários hostis) memorização (memorizar os imputs que são recolhidos) linguagem (compreender a linguagem que é utilizada), percepção e posteriormente de execução.

Ao observar a sua primeira partida como titular, fiquei com a impressão que Zappacosta “já trabalha com Conte há vários anos” quando de facto trabalha há vários dias, tal foi o grau de entrosamento do jogador na mecânica ofensiva da equipa. Vejamos:

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Ngolo Kanté: a sua bomba de 400cv de potência e a sua inteligência na definição de jogadas

Receber, acelerar, aguentar a pressão e a carga adversária, acelerar ainda mais (dificultando a transição defensiva do adversário; criando problemas na intervenção à defesa; veja-se o comportamento “saio ou não saio à pressão?” dos jogadores do Tottenham) e definição do último passe no melhor timing possível…

kante

  1. Se demorasse mais uma infima fracção de segundo a soltar, o médio do Chelsea ficaria sem a bola ou sofreria uma falta cirúrgica que poderia trazer poucos proveitos à equipa.
  2. Linha de passe aberta.
  3. Batshuayi já ganhou a frente do lance com a sua desmarcação. O passe isola o colega.

O tendão de aquiles dos sistemas de pressão alta

Na primeira parte do jogo disputado ontem entre Arsenal e Chelsea (Community Shield) houve um momento bem interessante no qual os Gunners conseguiram contornar (com bastante estilo e eficácia) a pressão alta realizada pelos homens da formação orientada por António Conte.  Continuar a ler “O tendão de aquiles dos sistemas de pressão alta”

O golo do dia

Do que tenho visto da participação do Inter na International Champions Cup, ou muito me engano ou Luciano Spaletti está a alimentar um verdadeiro, produto e proficiente “cavalão de corrida” para o contra-ataque. Continuar a ler “O golo do dia”

O golo do dia

O trabalho em drible de Franck Ribèry sobre o defesa para a linha de fundo foi mais uma amostra daquele movimento patenteado a que o francês nos habituou na última década. Aos 34 anos, o veterano jogador gaulês aparece com um enorme fulgor físico nesta pré-temporada.  A acção técnica de cruzamento foi deslumbrante.

Bom ataque à bola de James ao primeiro poste. Com o seu movimento de antecipação, o colombiano (jogador que ao longo da pré-temporada tem ganho outra dimensão neste Bayern; aparece mais vezes em zona de finalização) bloqueou a acção de Gary Cahill (poderia ter saído para interceptar o cruzamento) e criou a oportunidade para Muller finalizar a jogada.

 

 

 

Antonio Rudiger

Confesso que quando vi pela primeira vez o central alemão a jogar pela Roma (15\16) foi um jogador que me demorou muito a convencer. A impetuosidade, a extrema agressividade aplicada sobre o adversário e as fifias que o central alemão cometia esporadicamente levavam-me a pensar que estavam perante um daqueles cepos extremos que não chegariam a lugar algum. Com o tempo, fui-me apercebendo que o jogador foi melhorado nos aspectos em que deveria ter sido melhorado: é menos impetuoso e menos agressivo por dá aquela palha (confesso que odeio aqueles centrais que só sabem bater, não revelando qualquer inteligência na abordagem aos lances), mais assertivo no desarme (impõe o físico e desarma sempre com o intuito de jogar a bola), mais ágil do que aquilo que era, mais esclarecido na saída a jogar (chegando até a cometer alguns loucuras para um central quando se aventura com bola em velocidade pelo meio-campo da equipa adversária; na equipa para onde vai jogar, pode ser uma característica muito positiva porque os centrais de Antonio Conte são centrais muito ofensivos; tomemos o exemplo de Cesar Azpilicueta; o espanhol está sempre subido no terreno a apoiar as acções dos corredores e executa vários remates de meia distância por jogo) pese embora o facto de continuar a ser um jogador tecnicamente modesto, e um jogador que usa e abusa do passe longo nas saídas de jogo.  Continuar a ler “Antonio Rudiger”

Análise – Final da FA Cup – Arsenal 2-1 Chelsea

2 anos depois da última conquista da competição, Arséne Wenger volta a conquistar a Taça de Inglaterra. No maravilhoso palco de Wembley, as duas equipas de Londres ofereceram-nos um daqueles espectáculos de encher o olho. O Arsenal finalizou uma temporada muito difícil da melhor forma, realizando uma extraordinária exibição contra o campeão em título, o Chelsea de Antonio Conte. O resultado de 2-1 acabou por não espelhar a predominância dos Gunners numa partida em que a formação de Antonio Conte cometeu muitos erros defensivos e foi-se deixando enredar na fabulosa teia estratégica tecida pelo treinador gaulês do Arsenal.

Olivier Giroud e Aaron Ramsey acabaram por ser os heróis da partida, num desafio em que sinceramente foi-me bastante difícil atribuir uma menção honrosa em virtude da prestação incrível de várias unidades do Arsenal. Num dos primeiros toques na bola após a sua entrada para o lugar do desequilibrador Danny Welbeck, o francês assistiu o galês para o golo da vitória, quebrando por completo um ligeiro ascendente do Chelsea (reduzido a 10 por expulsão de Victor Moses) no jogo.

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