Bloco de Notas da História #10 – O 45º aniversário de Rui Costa

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Jornalismo de sarjeta

A roçar o nível da sarjeta. Ou não viram pura e simplesmente, ou viram aspectos positivos que eu não vi da exibição do jogador. Não podendo afirmar nenhuma das duas, vou só simplesmente concluir que o artigo bem como a pontuação gentilmente oferecida ao jogador pelo referido órgão de comunicação social é parte integrante da mesma estratégia (paga para escrever bem) que lhe tem granjeado todo o hype e que o conseguiu vender pelo preço que foi vendido. Mas este tipo de situação não é nova no jornalismo português.

Denota-se desde há uns meses a esta parte uma estratégia bem montada por parte de alguém para levar os jornais a colocar na berlinda jogadores como Renato Sanches (todas as semanas vemos as notícias que a imprensa portuguesa planta sobre o jogador; quando as procuramos em alguns órgãos de comunicação alemães percebemos que as declarações que são atribuídas a jogadores, treinador e dirigentes do Bayern nunca foram proferidas), João Cancelo (que está a fazer uma época horrível) Bernardo Silva, Hélder Costa, Ivan Cavaleiro, André Silva, André Gomes, Pizzi, Gonçalo Guedes, Nélson Semedo, Ederson, Wallace, Nélson Oliveira, Soares. O que é que todos tem em comum? Sim. Isso. Precisamente. Sim. Está a seguir a linha de raciocínio correcta: todos eles são jogadores da Gestifute de Jorge Mendes. Até o “desaparecido” Fábio Coentrão, jogador que não é tido nem achado (literalmente no bolso de trás das calças de Zidane) tem vindo à baila nos últimos dias porque naturalmente, o Jorginho Mendes ainda precisa de facturar mais umas comissões com a eventual transferência do jogador para outro clube no final da época.

Como Gelson Martins não é um jogador agenciado por Jorge Mendes, de nada lhe valeu a fabulosa assistência de trivela para Cristiano Ronaldo – “comeu” com a mesma nota de um jogador que mal se sabe posicionar em campo e calou.

Já sabia que a Gestifute é uma das principais mecenas do jornalismo português. Contudo, fiquei a saber nos últimos anos que a Gestifute vai patrocinando os jornais desportivos portugueses e espanhóis à medida das suas necessidades. Trata-se de um jornalismo à la carta: ora escreves bem deste agora, ora escreves bem de outro depois e por aí adiante até que sejam todos despachados.

Passaporte para a final!

Créditos: Fairplay (Francisco Isaac)

A obra prima de Manuel Cardoso Pinto! Um ensaio brilhante capaz de catapultar qualquer exibição individual ou colectiva! O jovem fullback da Agronomia, primo do histórico abertura da selecção de 2007 Duarte Cardoso Pinto, jamais se esquecerá deste momento! Perdoem-me a linguagem mas a este nível é “preciso ter os tomates no sítio” para se atacar aquela bola naquela situação (pressionado por vários jogadores romenos) e conseguir transformar aquela bola num ensaio de campo a campo.

Maravilhoso! Os nossos sub-20 atingiram hoje a final do Campeonato Europeu depois de baterem a selecção anfitriã do torneio, a Roménia, por 21-16 num jogo em que a atitude defensiva roçou a perfeição durante toda a partida. Nos últimos 20 minutos, quando os romenos carregaram forte e feio nos 22 metros portugueses com o seu habitual jogo de avançados, foi inacreditável a forma em como os bravos lusitanos conseguiram travar dezenas de iniciativas, algumas delas até a 1\2 metros de área de validação.

No domingo os nossos meninos jogarão a final. Em disputa estará não só a vitória no torneio como o apuramento directo para o Mundial. Para apimentar a coisa, iremos jogar o nosso tudo ou nada contra a selecção espanhola num clássico que promete!

Vamos a eles

selecção portuguesa de rugby 20
Mais logo pelas 15 horas, em Bucareste, os nossos sub-20 tentarão o apuramento para a final do Campeonato Europeu, prova que se está a disputar na capital romena. Depois de ter batido a selecção holandesa nos quartos por 42-5, os “lobinhos” de Luís Pissarra tentarão o acesso chegar à tão final que permitirá lutar pela vitória no troféu e pela qualificação para o Mundial do escalão em caso de vitória nessa mesma final.

O jogo pode ser visto em directo aqui no site da Rugby Europe.

Qué bien juega tu equipo, Julen! Pero no és tuya!

Os jogadores criam os treinadores. Qué bien juega la Roja com Julen Lopetegui. As sobreposições interiores que os alas e médios (no caso de Iniesta) fazem para oferecer as linhas de passe que acrescentam verticalidade e desequilibram qualquer defesa. A pressão que é feita assim que a equipa perde a bola. A velocidade de execução. As roletas que são executadas pelos jogadores menos técnicos da equipa para suplantar a primeira linha de pressão adversária de forma a tornar uma situação complicada num contragolpe coroado com o êxito. A tabelinha entre David Silva e Jordi Alba, tabelinha que rachou por completo o lateral adversário e permitiu ao lateral do Barça servir sem oposição a entrada na área do companheiro.

Pergunta-se: foi Julen quem trabalhou tudo isto? A resposta é óbvia, não, não foi Julen Lopetegui. E isso é prova mais que significativa do currículo de Julen nas selecções espanholas. É muito fácil pegar numa selecção quando se tem a magia dos jogadores do Barça, a velocidade de execução dos jogadores do Real Madrid, a intensidade com que jogam os jogadores do Atlético. Os jogadores chegam “feitinhos”. Construir equipas de raiz? Isso é mais difícil. A construção de equipas de raiz implica em primeiro lugar conhecer todos os jogadores no plano técnico, táctico, mental e perceber se o lote de jogadores satisfaz o modelo de jogo que se pretende implementar. Se não satisfaz, o treinador precisa de saber quem é que satisfaz esses critérios e pedir a contratação desses jogadores. Em segundo lugar, já com o plantel formado, o treinador precisa de construir esse modelo de jogo, ou seja, construir as dinâmicas de circulação de jogo, as dinâmicas que cada jogador terá que fazer para que essa circulação seja eficaz e proveitosa para a equipa, a atitude defensiva da equipa, o comportamento da equipa nas bolas paradas, o sistema de marcações, o sistema de pressão, entre outros aspectos. Quando o treinador consegue construir as chamadas rotinas da equipa, deverá ter em conta sempre a existência de planos B que possam suplantar eventuais lesões de peças-chave e adequação da sua equipa aos adversários que esta vai defrontar, preparando devidamente a equipa para se adequar ao jogo desse mesmo adversário.

Na passagem do técnico espanhol no Porto, provou-se, principalmente no primeiro ano que o técnico teve muitas dificuldades para cumprir esta necessária checklist. A prova disso mesmo? A rotatividade promovida pelo espanhol nos primeiros meses dessa temporada, sinal indicador que o trabalho que o espanhol deveria estar a fazer para construir minimamente aquela equipa não estava a ser feito. O espanhol tentou resultados a curto prazo, utilizando para o efeito em cada semana, literalmente, os “onze” que lhe davam mais garantias de sucesso ao invés de trabalhar um “onze” a longo prazo.

A falta de cultura desportiva que grassa no nosso país

No verão passado, quando os nossos atletas (das modalidades) amadoras que participaram nas olimpíadas do Rio, “defraudaram” (no fundo, conscientemente, o único que defraudou as “normais” expectativas em virtude do seu potencial foi Fernando Pimenta) as falsas expectativas que foram depositadas pelo povo português circularam pelas redes sociais longos textos, alguns com uma análise correcta, de indivíduos que consideravam que o país, “excessivamente futeboleiro” não poderia pedir grandes resultados internacionais a atletas a quem não eram dadas as condições materiais e de treino suficientes para poderem alcançar esses mesmos objectivos.

O estado de euforia provocado pelas vitórias das nossas selecções de futebol e hóquei em patins nos europeus realizados no ano passado provocaram um perigoso aumento da fasquia de exigência aos nossos atletas. O povo exige agora que as nossas selecções e que os nossos mais prestigiados atletas sejam capazes de vencer “de letra” todas as competições em que venham a participar, sem saber que, exceptuando o futebol, o país está muito longe de proporcionar a muitas modalidades o clima propício para a formação de atletas capazes de vingar no cenário internacional. Muitas modalidades não possuem no nosso país infraestruturas e material de treino de ponta para a prática, técnicos altamente qualificados que consigam trazer experiência, qualidade e inovação para o treino, capacidade financeira para conseguir que os seus melhores atletas possam competir no estrangeiro ou condições para “trazer os melhores do estrangeiro” a competir contra os melhores atletas portugueses. Muitos dos nossos melhores atletas são por outro lado votados a um amadorismo profundo quando deveriam exercer livremente a sua prática num regime profissional. Quando um atleta é obrigado a pedir dinheiro aos pais para poder aprender ou competir no estrangeiro, como foram os casos do tenista João Sousa ou de Rui Bragança, o nosso melhor atleta no Taekwondo, creio que está tudo dito em relação a esta questão. Continuar a ler “A falta de cultura desportiva que grassa no nosso país”

Hoje escreve o Mister #5

Por Pedro Sousa, Treinador de Futebol

Bernardo tem classe em cada toque de bola, Renato tem de perceber os espaços onde se movimenta e os ritmos de jogo da própria equipa mas tem potencial enorme!
O futuro com estes e outros está assegurado!
Saiba quem gere potenciar as suas características sem olhar a cores ou outros interesses, e teremos o presente e o futuro da nossa selecção para mais uns anos no top!
Muitos não conseguem perceber, que por muito potencial que um jovem tenha, a sua inexperiência em determinados momentos num colectivo faz a diferença, ainda mais quando existem adaptações necessárias para realizar um ajuste na equipa.
Muitos perguntam: mas o que é se deve fazer nesses casos?
A Integração gradual dos mais jovens num determinado contexto colectivo, sem perder a essência ao nível da maturidade do Todo!
Quem não entender isto, tem dificuldade de perceber futebol na sua profundidade e nos pequenos pormenores..