Hoje Escreve o Mister #8

Por Pedro Sousa. 

Por muita qualidade colectiva que uma equipa tenha, sem individualidades que tragam a qualidade desejada para criar desequilíbrios ofensivos numa estrutura, as dinâmicas colectivas ficam demasiado limitadas do seu jogo, faltando a alternância na forma como resolve muitos momentos de jogo seja na construção, definição, ou na criatividade do seu colectivo!!

Cada jogador traz dinâmicas diferentes ao jogo, mas uns aumentam consideravelmente a qualidade colectiva de uma equipa com a sua qualidade individual, enquanto outros não acrescentam nada ao colectivo porque a sua qualidade individual não trás variação e imprevisibilidade no jogar da mesma ordem de ideias colectivas, que uma equipa em muitos momentos de jogo necessita no modelo adoptado.

Sem jogadores como Podence, Gelson, Salvio, Jonas, um Brahimi ou Corona, entre muitos outros com determinadas características numa equipa, a sua capacidade criativa num determinado padrão de jogo fica muito mais debilitada e torna-a regular na forma de jogar e muito mais fácil para os adversários anularem, afastando-a mais, por conseguinte, do sucesso desejado!
Por muita qualidade ao nível da organização que se tenha… fica como uma salada sem o tempero certo, e por muito bom cozinheiro que a tenha confeccionado, nunca integrará os melhores cardápios.

Hoje Escreves Tu #11

Por Eduardo Barroco de Melo

Se matematicamente ainda é possível, o campeonato acabou hoje. Claro que foi mais um jogo em que o árbitro deixou os cartões em casa e parece incapaz de ver faltas na área, mas que o “jogo externo” está contra o Porto já nós sabemos. Isso não apaga, contudo, as culpas próprias de um clube que anda perdido há muito. Esqueçam lá o “Somos Porto” e o “Só perdes quando desistes de lutar”, isso é bom para enganar tolos. É certo que este clube foi forjado na capacidade de trabalho para ultrapassar os obstáculos que lhe foram colocados no caminho sucessivamente. Mas as frases feitas não fazem nenhuma organização, e se há coisa que define o sucesso é a competência. O Porto foi o clube mais competente no futebol português nos últimos 40 anos, mas andamos há quatro anos (mais?) à deriva.

Acreditei que era possível ganhar apesar do Nuno Espírito Santo, mas o jogo de hoje é prova de que isso não é possível. Tenho imenso respeito pelo que deu como jogador e pela forma como sente o clube, mas a total desorganização em campo não são desculpáveis por isso. Nuno não soube fazer a transição para um clube grande e é confrangedor ver esta equipa a jogar como uma equipa pequena. Jogar a defender com muitos e a despejar bolas na frente de forma absolutamente aleatória tem sido a norma e contra uma equipa que jogou com 11 dentro de área é um suicídio. Ser obrigado a ver como se desvalorizam jogadores como Rúben Neves, Óliver Torres, Otávio, Brahimi e André Silva e ter de ver Maxi, André André ou Soares (que não tem qualidade nem para fazer parte do plantel) é inqualificável.

Há pouco tempo comemoraram-se 35 anos da presidência de Pinto da Costa e estamos todos eternamente gratos pelo que fez pelo clube. Mas, no fim desta época, deixa de haver condições para que mantenha o cargo. Quem não sabe sair por si, tem de sair empurrado. E não há ninguém maior do que o clube, nem mesmo Pinto da Costa.

Hoje Escreves tu #6

Por João Sardo

Sim, estou suficientemente satisfeito com o empate em Lisboa.

Apesar de tudo, valeu a pena deixar-me seviciar pela Benfica Tv, só para ver Brahimi jogar: está em ponto de rebuçado. Só lamento que o resto da equipa não tenha capacidade para o acompanhar. Tendo em conta o que aí vem para ambos os clubes e, se não acontecer nada de anormal, é provável que o pouco entusiasmante Futebol Clube Porto se sagre campeão nacional.

Um empate que sabe a pouco quando foi feito tanto

Tudo na mesma depois do jogo do título: o empate acaba por ter um sabor agridoce para ambas as equipas. O ponto não satisfaz os interesses traçados pelo Benfica para esta jornada nem reflectiu o que os encarnados fizeram ao longo dos 90 minutos. Há que dizê-lo abertamente: o Benfica fez por merecer a vitória apesar do empate também se justificar pelo excelente arranque de segunda parte que a equipa de Nuno Espírito Santo realizou e pelos problemas que causou à construção de jogo dos encarnados. Por outro lado, um empate na Luz foi um mal menor para os portistas. Estou certo que se vendessem aos adeptos do Porto um empate, 80 a 90% compravam-no antes da partida começar. Como referiu e bem Rui Vitória, o campeonato será disputado até às últimas jornadas. Restará ao Porto continuar a marcar os 3 pontos e ao Benfica ultrapassar o jogo de Alvalade.

Com um início demolidor de jogo (mesmo apesar da pressão no osso que os jogadores do Porto fizeram a meio-campo) principalmente dos jogadores que compõem o seu flanco direito (nos primeiros minutos foi essencialmente Nelson Semedo quem foi carregando a equipa para a frente com as suas fintas e progressões com bola no flanco direito) os encarnados, tal como eu previ neste post de antevisão, tomaram as rédeas do jogo, alcançando o primeiro tento numa grande penalidade que não existe. Jonas cria o desequilíbrio, tirando a bola do raio de acção de Felipe para depois dar aquele impulso enganador a Carlos Xistra porque precisamente teve a noção que poderia não chegar novamente ao esférico. No entanto, acredito que à velocidade a que se disputou o lance, Carlos Xistra tenha sido iludido pela ilusão que o brasileiro criou com o seu movimento. Felipe tenta pisar o pé de Jonas (é notória essa tentativa do central brasileiro nas imagens televisivas que a BTV cedeu) mas creio que acaba por não acertar no pé do brasileiro. Valeu-lhe a experiência para sacar a grande penalidade e convertê-la com muita classe, deixando Casillas cair para um lado antes de rematar para o meio da baliza.

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O que esperar do jogo do título?

Benfica e Porto jogam hoje no Estádio da Luz o 236º clássico da sua história. Cada clássico conta uma história e este não será diferente se atendermos ao contexto específico actual da liga portuguesa e até do panorama de crispação existente entre os dois clubes: apesar dos dois clubes ainda precisarem de vencer muitas batalhas até ao final do campeonato, a existir vencedor no jogo de hoje, essa equipa poderá conseguir encarreirar na Luz a conquista da Liga 2016\2017. Em primeiro lugar, depois do clima de guerrilha (mútua) que se verificou nas últimas semanas, crispação que chegou a meter a “selecção nacional” pelo meio deseja-se que a partida traga o necessário espectáculo e que tudo (dentro ou fora das 4 linhas) possa decorrer sem qualquer tipo de problemas. Isso é efectivamente o valor mais importante. O clima de crispação não pode passar por osmose para os adeptos que hoje se deslocarem ao Estádio da Luz para celebrar a festa do futebol.

Em segundo lugar, pede-se à equipa de arbitragem de Carlos Xistra a mais imaculada exibição possível para bem do futebol, da verdade desportiva e do fim do intolerável clima de desconfiança que se criou nas últimas semanas. Uma exibição agradável da equipa de arbitragem na partida não irá terminar com o clima de desconfiança existente mas irá aliviar a pressão sobre a arbitragem nas próximas semanas.

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A importância do título nacional

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O estado das finanças portistas é por demais conhecido do público em geral: o último Relatório e Contas emitido pela SAD azul branca a 27 de Fevereiro deste ano, portanto, o resultado operacional relativo à gestão do 1º semestre do exercício da actual temporada demonstra que a gestão do clube avança a passos largo para o abismo.

O resultado negativo de 29,58 milhões de euros (mais 15 milhões que os resultados já de si obtidos em período homólogo; se somarmos os resultados negativos na ordem dos 58 milhões de euros da gestão do exercício 2015\2016, o prejuízo do último ano e meio fixa-se nos 78 milhões de euros) “adensado” pelo facto do FC Porto não ter realizado receitas de maior com a venda de jogadores, aliado ao prejuízo (na ordem dos 5 milhões) no primeiro semestre, o que efectivamente não prevê que os administradores da SAD azul e branca não consigam inverter no 2º mas antes agravar a conta, mais a compra do passe de Oliver Torres (na ordem dos 20 milhões no final do ano; pelos vistos o FC Porto mentiu à CMVM) levaram a UEFA a as contas do FC Porto sobre vigilância devido às regras do fairplay financeiro. Os dragões precisam portanto de realizar no Verão pelo menos 110 milhões em vendas para poderem sair desse estado vigilante que é realizado pelo organismo de forma a evitarem a possibilidade (cada vez mais provável) de serem excluídos da participação nas competições europeias.

As contas do Porto e a necessidade que os dirigentes do clube tem de vender como “se não existisse amanhã” está intimamente ligada à conquista do título nacional. A conquista do título nacional por parte dos portistas é fulcral, não pelo facto do clube já não vencer há 4 anos mas pela própria sustentabilidade futura do clube. O futebol mudou.

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Duas expulsões imaturas que condicionaram uma eliminatória

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Se os dois lances que motivaram a expulsão de Alex Telles na 1ª mão, o lance que motivou a expulsão de Maxi Pereira no jogo desta noite tirou ao Porto a possibilidade de discutir o resultado com a turma italiana e quiçá tirar algo de proveitoso do jogo: o dinheiro em disputa. No lance em questão aceito o argumento de muitos: “ah e tal são lances em que o jogador lança-se com o instintivo intuito de encher o corpo” – sim, é verdade, milhares de jogadores fariam o mesmo, mas, sem ir com o braço à frente na tentativa de ver o remate adversário embater noutra parte do corpo.

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