A perfeição

54 toques, 2 minutos e meio com a posse de bola e um golo a abrir, sem que o adversário tivesse oportunidade para acariciar a redondinha. Quem não gostaria de ter na sua equipa estes processos de circulação? Quem não gostaria de ter uma equipa com jogadores com este nível de mobilidade, abrindo sempre linhas de passe a quem tem bola, e entregando a bola a quem se desmarca para receber? Quem é que não gostaria de ter uma equipa capaz de abrir o posicionamento defensivo adversário uma, duas e três vezes por cada jogada? Isto é ter controlo absoluto sobre tudo – sobre a bola, sobre o adversário, sobre o tempo, sobre a vantagem (alcançada), sobre tudo! Simplesmente magnífico. Vem do génio de guardiola e de um elenco que finalmente dá todas as garantias ao treinador catalão.

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A 3 razões pelas quais Guardiola continua a ser extremamente revolucionário no futebol actual

guardiola

Depois de uma temporada de estreia em que o modelo de jogo clássico de verticalidade e controlo do adversário pela posse de bola do treinador catalão não foi totalmente assimilado e operacionalizado pelos jogadores do City em função das dificuldades sentidas pelo mesmo na modelação dos seus laterais (Clichy, Kolarov, Sagna; todos saíram do clube no final da temporada, dando lugar às entradas de Danilo, Kyle Walker e Benjamin Mendy) e dos próprios centrais à saída de jogo apoiada pretendida (basta recordar que o City é eliminado da Champions pelo Mónaco em duas partidas nas quais a equipa deu imensa barraca na saída de jogo, oferecendo um conjunto de bolas ao fortíssimo contragolpe da formação de Leonardo Jardim) Guardiola regressa na presente temporada às suas vestes de revolucionário do futebol, detendo para efeito no plantel os jogadores que necessita para operacionalizar o seu revolucionário modelo de jogo. Este post visa conceder algumas pistas para compreender o modelo de jogo do City, a visão revolucionária do treinador sobre o jogo, e as mais-valias que os 3 laterais recentemente contratados oferecem à equipa.

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The Kevin De Bruyne show

Três dos vários aspectos que me saltaram à vista desarmada na goleada do City frente ao Liverpool foram a péssima transição defensiva dos reds (nada habitual para uma equipa que foi trabalhada ao longo dos últimos meses para reagir rápido ao momento da perda), a facilidade com que os jogadores da linha média de Guardiola conquistaram rapidamente o controlo do meio-campo frente a um trio que faz da cobertura posicional uma das suas “forças” quando é obrigado a ter que defender no seu meio-campo (a cobertura posicional dos médios do Liverpool é o móbil que garante a recuperação e o lançamento apoiado do contra-ataque, com o auxílio de Firmino a ligar o jogo às alas, ou em profundidade, directamente para a velocidade de Salah ou Mané; nos primeiros 20 minuitos, os reds ainda conseguiram por em prática algum do seu “jogar”) e falta de agressividade aliada à última lacuna descrita em vários momentos do jogo. Os três maiores défices da formação de Liverpool permitiram um final de manhã\início da tarde idílico quer para Fernandinho quer para Kevin DeBruyne visto que tanto um como o outro tiveram várias oportunidades para colocar o seu passe vertical entre as linhas do adversário.

Nesta análise irei cingir-me apenas aos melhores momentos do belga no jogo:

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A hipocrisia de Javier Tebas

javier tebas

Fonte: Mais Futebol. 

A toque de caixa de Josep Maria Bartomeu, dirigente que poderá ter comprometido no caso Neymar a sua sobrevivência na presidência do Barcelona em virtude do vexame popular a que foi exposto no último mês, Javier Tebas, presidente da Liga Espanhola de Futebol continua, a abrir fogo sobre o PSG e sobre o Manchester City. A base argumentativa que é utilizada junto da UEFA pelo principal dirigente de La Liga no que concerne à base que sustenta as sistemáticas violações de ambos os clubes às regras do fairplay financeiro da UEFA é válida (os dois clubes fazem efectivamente concorrência desleal a grande parte dos clubes de europeu visto que são suportados informalmente nos bastidores pelos fundos soberanos dos Emirados Árabes Unidos e Qatar) é muito válida mas soa a alguma hipocrisia se atentarmos ao histórico dos clubes espanhóis na última década e a um caso particular ocorrido no presente verão no futebol espanhol. Continuar a ler “A hipocrisia de Javier Tebas”

Os golos do dia

Começo pelo quentinho clássico disputado no Olímpico entre a Roma e o Inter (1-3) mais concretamente pelo lance do golo que deu vantagem aos romanos numa partida em que a formação de Eusébio Di Francesco mandou 3 bolas aos ferros da baliza de Samir Handanovic.

Bom trabalho de Grégoire Defrel a encontrar a linha de passe para Naingollan perante a desvantagem que possuia frente aos 2 jogadores do Inter que estavam a realizar a cobertura. O cruzamento do belga é soberbo assim como também é a desmarcação do ponta-de-lança bósnio no meio dos dois centrais da formação de Spalletti. Aproveitando a falha de marcação, o bósnio pede atempadamente a bola para as costas, posiciona-se no limite da linha defensiva, entra nas costas dos centrais, mata a bola no peito e coloca um daqueles remate secos dignos do killer instinct que só os grandes pontas-de-lança conseguem ter no momento de finalizar.

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Notas soltas sobre a goleada do City ao Real Madrid

Manchester City

  • Pressão alta eficaz no meio-campo adversário. Regra de ouro da filosofia de jogo de Guardiola. Pressionar para recuperar. Pressionar e recuperar para conter, controlar, dominar ou até asfixiar o adversário.
  • Processos de jogo ofensivos altamente verticalizados. Assim que a equipa recupera a bola, o jogador que recupera procura passar a bola imediatamente para o acelerador de jogo que estiver em campo (neste jogo foi Kevin DeBruyne) para que este possa acelerar rapidamente o jogo ou criar progressão através do passe. Assim que o belga recebia, os avançados procuram imediatamente desmarcar-se para o espaço vazio.
  • Outro dos processos de jogo verticalizados consiste na colocação de bolas nas antecipações aos centrais dos avançados. Tanto Gabriel Jesus como Aguero descem para vir buscar jogo. Quando um desce para vir buscar o jogo entre a linha média e a linha defensiva, o outro inicia automaticamente a desmarcação para a área. Se o avançado não ceder imediatamente a desmarcação, ambos os jogadores dispõem de uma útil ferramenta: o seu remate de meia distância. A recepção longe dos centrais permite-lhes a preparação do remate sem muita pressão.
  • Excelente dinâmica nas bolas paradas para libertar o (os) jogador(es)-alvo. Os jogadores-alvo deste City nas bolas paradas são por norma os centrais.
  • Facilidade na retirada da bola de zonas de pressão. Veja-se por exemplo, o lance exibido ao minuto 9:15 do vídeo. A bola não só é retirada com facilidade da zona de pressão por Kyle Walker, Sterling e DeBruyne como até culminará (através do passe do belga e da desmarcação do extremo pelo meio de dois adversários) numa situação de muito perigo para a baliza de Navas.
  • Dois avançados muito dinâmicos, muito laboriosos e muito empreendedores, com carta branca para atirar de qualquer distância, lado ou feitio.

Real Madrid

  • A ausência da principal referência de ataque, Cristiano Ronaldo, torna a equipa menos objectiva e mais errática. Benzema é naturalmente mais individualista do que costuma ser com o português em campo
  • Falta de intensidade na pressão.
  • Indefinição das zonas de pressão (já era um dos defeitos da equipa na temporada passada) de cada jogador a meio-campo. Nos momentos defensivos, os jogadores não assumem o mesmo posicionamento do princípio ao fim do jogo nem fazem uma ocupação inteligente e direccionada de todos os espaços necessários para pressionar e roubar a bola ao adversário.
  • Algum espaço entre a linha média e a linha defensiva para o adversário colocar a bola (os movimentos de antecipação do City foram frutos desse espaço).
  • Linha defensiva algo errática ao longo da partida.

Talento ou fogo de vista?

Não tenho palavras. É uma dádiva. Há muito que não via nada assim…” – Guardiola sobre Phil Foden, o miúdo de 17 anos que deslumbrou no amigável realizado contra o Manchester United.

Já vimos e até o próprio Guardiola já viu este filme vezes sem conta. Não quero de todo ir novamente contra as suas declarações, porque obviamente não sou nada nem ninguém no mundo do futebol para criticar os ímpetos de paixão de um treinador consagrado sobre um jogador cuja informação disponível é neste momento diminuta. O técnico espanhol trabalha diariamente com o jogador. Reconheçamos portanto ao treinador esse conhecimento de causa que não possuímos. Continuar a ler “Talento ou fogo de vista?”