Os golos do dia

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Hoje começo com as imagens de um golo (o primeiro do Sevilla ao Liverpool no jogo da passada quarta-feira) que apesar de ter surgido de um interessante e encadeado momento de construção dos andaluzes no último terço adversário, é acima de tudo uma lição de como “não defender numa competição de exigência máxima como a Champions” Continuar a ler “Os golos do dia”

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O bailado de Son Heung-Min

 

O arrebatador drible do extremo sul-coreano sobre o central Sokratis Papastathopoulos numa sublime bicicleta na qual o jogador, passando a bola do pé direito para o pé esquerdo trocou por completo as voltas ao central grego e arranjou espaço para disparar aquele indefensável míssil que Roman Burki só pode ver passar. A vantagem de ser um jogador ambidestro.

Conceição e a “mudança do chip” para as competições europeias

sérgio conceição

“Se alguém é culpado desta derrota sou eu. A abordagem estratégica a este jogo não foi boa.»

Conceição deu a cara pela derrota mas não revelou, por motivos óbvios, aquilo que toda a gente pode ver à vista desarmada no jogo desta noite: uma equipa de meio-campo partido, no qual Danilo foi demasiado exposto a situações de inferioridade numérica em função das subidas de Oliver no terreno e do expresso apoio que é dado pelo médio ofensivo espanhol ao sector mais avançado, facto que o tornou o trinco incapaz para apagar todos os fogos na saída para o contra-ataque do adversário.  Continuar a ler “Conceição e a “mudança do chip” para as competições europeias”

Encaixar que nem uma luva no modelo de um treinador

Contratado ao Torino no último dia de mercado, Davide Zappacosta tem actualmente menos de uma semana de trabalho com Antonio Conte, em virtude das sua presença nos trabalhos da selecção italiana no início do presente mês de Setembro. No curtíssimo período de uma semana de trabalho com o seu novo treinador e com um conjunto de jogadores que já absorveram grande parte das ideias do modelo do seu treinador, executando-as com um relativo grau de facilidade, sou obrigado a qualificar como admirável (face ao desempenho do jogador no jogo da noite de ontem) o conhecimento detido e assimilado pelo jogador em relação aos processos de jogo da equipa e às dinâmicas e movimentações que são pedidas pelo treinador para aquela posição.

Poucos são, por vários motivos (de índole física, táctica ou cognitiva), os jogadores que se conseguem entrosar tão bem numa equipa num curtíssimo período de dias. Raros são, pelos mesmos motivos os que, contratados nos últimos dias de mercado ou até a meio da pré-temporada conseguem encaixar tão bem (a curto prazo) no modelo de jogo dos seus treinadores. É certo e sabido que o grau de assimilação de um jogador ao modelo, aos princípios do modelo do seu treinador e aos processos de jogo realizados pela equipa estão intimamente ligados às suas funções cognitivas, em particular, à sua capacidade de atenção (assistir a um jogo e perceber os processos daquela equipa; assistir a uma palestra do treinador e perceber o que é que o treinador pretende do seu desempenho; manter o foco da sua observação sob cenários hostis) memorização (memorizar os imputs que são recolhidos) linguagem (compreender a linguagem que é utilizada), percepção e posteriormente de execução.

Ao observar a sua primeira partida como titular, fiquei com a impressão que Zappacosta “já trabalha com Conte há vários anos” quando de facto trabalha há vários dias, tal foi o grau de entrosamento do jogador na mecânica ofensiva da equipa. Vejamos:

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Os golos da Champions

Contra todas as opiniões que tenho ouvido sobre o valor do jogador nos últimos anos, depois de ter feito sensacionais temporadas no Everton no qual foi “um pau para toda a obra de 80 metros de comprimento” para David Moyes, eu compreendo as declarações de Mourinho quando afirmou que o belga Marouane Fellaini é um jogador com uma importância superior na equipa (e nos seus processos; quer nos ofensivos, quer nos defensivos) aquela que tanto a imprensa como os adeptos lhe tem atribuído.

Contra o jogador belga incorrem as justas críticas que lhe apontam os defeitos do seu jogo: o belga é lento a pensar e a executar (critério que faz toda a diferença no frenético pace do futebol inglês) erra muitos passes fáceis, não toma as melhores decisões, é muito perdulário e perdeu ao longo dos anos aquela que era a sua principal característica ofensiva: o remate de meia distância. No entanto, creio que José Mourinho fez um belíssimo trabalho de remodelação do jogador ao seu pragmático modelo de jogo. O belga é hoje um jogador híbrido (um médio que entra muito bem em zona de finalização) que cumpre as funções que lhe são requeridas pelo treinador português quer no plano ofensivo, quer no plano ofensivo.  Continuar a ler “Os golos da Champions”

Mais uma vez a gestão da vantagem

olympiacos

Rodrigo Battaglia não foi o melhor em campo por um triz. O argentino fez uma partida maravilhosa, bem ao nível daquilo a que nos tem vindo a habituar neste início de temporada. Com um raio de acção e intervenção enorme a toda a largura do terreno, o argentino voltou a cair em cima dos adversários directos que nem um galgo no corredor central (acções que lhe valeram várias recuperações). No entanto, ao nível individual, a exibição que me encheu o olho foi a de William Carvalho. William foi titânico nos duelos corpo-a-corpo no meio-campo, lançando o ataque com a clarividência que lhe é reconhecida. Na 2ª parte, o médio foi o único jogador que compreendeu que o Sporting tinha de subir linhas para afastar o jogo da sua baliza e dominar o adversário pela posse, preferencialmente pausada e dentro do meio-campo adversário. Numa equipa de “aceleras”, William é o único jogador que sabe medir o pulso ao jogo, colocando o “critério rítmico” que a equipa tem de colocar para gerir as suas vantagens através da posse no meio-campo adversário. 

Estádio Giorgios Karaiskakis, Pireu, coração da capital helénica. Com uma estratégia de jogo extremamente bem planeada (fruto de uma boa observação à disposição do adversário e aos erros já identificados no post anterior ao nível das suas fases defensivas) e bem executada pelos onze que Jorge Jesus colocou em campo, os primeiros 45 minutos da partida foram “olímpicos” para a formação do Sporting. Os 3 golos alcançados até souberam a pouco se considerarmos que o Sporting dispôs de 7 oportunidades de golo, 2 das quais negadas pelos ferros da baliza de Kapinos.

A 2ª parte foi, porém, à semelhança do que acontecido noutros rosários (Estoril em Alvalade; Santa Maria da Feira), um imenso e penoso calvário de erros que me leva a interrogar se Jorge Jesus não tem o crematório de velas do Santuário de Fátima por sua conta, acrescidas de uma dúzia de missas encomendadas ao padre local na Igreja da Charneca da Caparica para o Sporting em troca de uma certa protecção divina à equipa nos últimos minutos.

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Estamos no Olimpo

Só me apetece escrever: é histórico. Foram os melhores 45 minutos da história do Sporting na Champions League. Jesus (e os jogadores) exploraram ao pormenor todos os erros em cascata do adversário. O comportamento defensivo que o Olympiacos adoptou nestes primeiros 45 minutos lembra-me o comportamento defensivo errático do Sporting na temporada passada. Alguns dos comportamentos (falta de pressão quando a equipa perde posse\tempo e espaço para lançar em profundidade para as costas da defesa) foram os “tendões de Aquiles” que nos fizeram perder bastantes pontos na temporada transacta:

  1. O enorme espaçamento entre linhas que o adversário oferece. Este Olympiacos é uma equipa que se estende de área a área, deixando muito espaços para lançar entre a linha média e a linha defensiva.
  2. A pressão alta errática (individual; sempre que um jogador é suplantado, a equipa não tem mecanismos para o compensar) que é feita no meio-campo com vários jogadores a correr desalmadamente para tentar roubar a bola sem que outro por trás feche as linhas de passe ao portador de forma a obrigá-lo a errar.
  3. O enorme espaçamento entre linhas e a pressão errática que é feita, leva a que a defesa grega se sinta algo confusa. Não existindo pressão, Bruno Fernandes, William ou até mesmo Battaglia tem tempo e espaço para lançar Doumbia ou Gelson (mais próximo de Doumbia, funcionando quase como um 2º avançado)  em profundidade nas costas da defesa grega. Isso faz com que o quarteto defensivo grego, em particular os centrais, se sintam algo confusos no controlo à profundidade. Se não existe pressão à sua frente para limitar o lançamento adversário, não conseguem sair no timing ideal para colocar os avançados do Sporting em fora-de-jogo porque nunca sabem quando é que vai sair o passe.

Por outro lado, o Sporting tem vindo a demonstrar grande competência defensiva. Tanto William como Battaglia tem revelado uma enorme competência na forma em como na primeira fase de construção grega caem em cima dos médios interiores do Olympiacos (não os deixando virar de frente para o jogo; ou até desautorizando a construção, conseguindo portanto recuperações importantíssimas para lançar ataques rápidos) como numa segunda fase caem rapidamente nas alas ou no corredor central para evitar situações de sobreposição\superioridade numérica (são nítidos os triângulos que são formados nas alas entre os laterais, extremos e interiores; ), triangulações ou a possibilidade de Marin realizar o último passe para as desmarcações de Djurdjevic para as costas dos centrais.

Jonathan Silva tem sido o elo mais fraco da defensiva leonina. O argentino não cai em cima de Mehdi Carcela para impedir que este possa receber e criar nas suas costas.

Outro dos erros que o Sporting não deve cometer reside na subida das linhas quando, a construir a partir de trás, o Olympiacos tenta chamar a pressão. Sempre que o Sporting sobe as suas linhas para pressionar mais alto, os gregos conseguem fazer chegar a bola com mais facilidade (quase sempre de frente para o jogo) aos seus construtores Odidja e Marko Marin.