Um título inteiramente justo

Alex Merlim. Sempre Alex Merlim. Sempre que a equipa precisou de um desequilibrador, o italo-brasileiro esteve sempre lá!

14º título. O Sporting conquistou hoje pela 14ª vez o Campeonato Nacional de Futsal. A vitória no 4º jogo em Braga colocou justiça à melhor temporada da história da modalidade em Alvalade. Os comandados de Nuno Dias conquistaram apenas 2 dos 5 títulos que poderiam ter sido conquistados na presente temporada, mas para trás, deixaram um inigualável rasto de bom futsal. Se fizermos apenas uma excepção ao jogo da final da Uefa Futsal Cup (de longe o pior jogo do Sporting na presente temporada) fico com a sensação que a equipa tinha todas as condições para conquistar todos os títulos internos.

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A passo e meio do título

A um passo e meio do título. Porquê “a um passo e meio” quando só falta de facto dar um passo em frente na terça-feira?

Em primeiro lugar porque este Sporting de Braga tem uma excelente equipa e é uma equipa muito forte no seu reduto, como de resto pudemos ver no jogo 2.
Em segundo lugar, porque a equipa do Sporting de Braga é uma equipa, (como pudemos ver hoje nos 2 lances que Marinho desperdiçou a boca da baliza quando os comandados de Paulo Tavares já jogavam no 5 para 4) que tem capacidade (e espírito de combate) para recuperar de resultados desnivelados em duas ou três jogadas. No jogo desta noite, se Marinho consegue finalizar aquelas duas preciosas bolas que dispôs junto à baliza leonina, a vantagem de 4 que os leões demoraram 20 minutos e 10 segundos a construir, poderia ter sido amenizada para metade em apenas 30 segundos.
Em terceiro e último lugar, porque esta equipa do Sporting parece ser, em determinados momentos do jogo, uma equipa que sofre uma espécie de “apagões temporários” . No jogo 2 também o pudemos comprovar em duas situações: no início da partida quando entrou a dormir (0-2) e nos minutos finais, altura em que Marcão e companhia entregaram o ouro ao bandido literalmente por tuta e meia. Continuar a ler “A passo e meio do título”

Quem nunca treinou, nunca passou por isto

Naquela semana que passámos a treinar dois ou três aspectos não consolidados pela equipa até ao mais ínfimo pormenor para que a equipa no geral ou determinados jogadores não cometessem o mesmo erro cometido nas últimas 2 semanas no jogo seguinte. Naquela semana em que fomos dotados de suficiente paciência para demonstrar ao(aos) atletas aquilo que queremos. À milésima tentativa fracassada no exercício, voltamos a demonstrar paciência quando pegamos carinhosamente o atleta pelo braço para lhe dizer pela milésima primeira vez “é ali, aquilo. Ali. Daquela forma. Vai tu consegues, pá!” – No teste nº2346 o atleta lá consegue realizar o que pretendemos. Soltam-se os fogos. “É agora que isto vai para a frente” – vamos para casa satisfeitos: conseguimos ganhar, com muito esforço, um ponto importante. Afinal de contas, os treinos acabavam mas nós ficávamos mais 15 minutos no relvado a matutar no que é que falhou, no que é que ficou por dizer, no que é que poderá ter ficado por treinar, naquele output que não saiu no tempo correcto, naquele output que nos dá a certeza que o atleta finalmente reteve toda a aprendizagem e aplicou-a correctamente, naquela característica que foi ou precisa de ser trabalhada em determinado atleta, naquele progresso espontâneo que nos surpreendeu sem estarmos a contar. Debaixo do chuveiro, o nosso cérebro continua a girar a mil à hora. A analisar todos os frames de hora e meio de trabalho. No carro, lembramo-nos daquele pormenor que falhou. Paramos na berma da estrada para o anotar de forma a corrigi-lo o mais rapidamente possível na próxima sessão. Vamos para casa. A nossa namorada faz-nos o jantar mas nós ainda estamos com a cabeça a mil. Acabamos por não lhe ligar patavina. Só pensamos na nossa próxima sessão de treino para continuarmos a trabalhar as nossas ideias.

Chegamos ao dia do jogo. Não dormimos bem durante a noite. Na véspera do jogo rezamos literalmente para que nada falhe. Temos a sensação que trabalhámos bem mas tudo é absolutamente falível se entretanto surgir uma nova condicionante que não previmos. Galvanizamos a malta. Pedimos concentração, atenção, rigor, qualidade. Repetimos até à exaustão o que pensamos sobre o adversário. Os seus pontos fortes. Os seus pontos fracos. Os seus processos. As suas jogadas mais comuns. A forma em como o podemos surpreender. Finalizamos com o habitual grito – “vamos ganhar isto, porra. Isto tem que ser tudo nosso” – entretanto vou moralizando tudo e todos. Peço qualidade. Peço esforço – “Hoje vais vestir o fato macaco e vais fazer o melhor jogo da tua vida. Veste o faco macaco e trabalha” – O jogo começa. Sofremos nos primeiros minutos. Nos primeiros 10 minutos não sai uma de jeito. Apesar de ter treinado numa modalidade que não nos concede o direito a interromper a partida para falar com os atletas (rugby), eles vão passando junto a mim na lateral – “ó João, não dá! Os gajos são mais fortes” – “O x não defende” – o “Y não fez bem o cruzamento” – “Pedi-lhe a dobra mas não saiu” – “Aquele ganancioso não me ouve” – “Entramos em maul?” – Eles sabem que devem entrar em maul mas continuam a perguntar repetidamente, semana após semana, se o devem fazer. O medo de errar toma conta do seu discernimento.

Exasperamos. Chegamos a um estado de loucura tal que invariavelmente terminamos o assunto com o mais minimalista dos prestáveis conselhos que podemos dar para tentar inverter uma situação negativa: “Querem jogar caralho?” – “Vão lá para dentro e joguem” – quando nos sai este grito de revolta, temos por norma o dom de irritar e de, ao mesmo tempo, aliviar toda a pressão que pende sobre aquelas cabeças. Comigo, tem resultado. Quando opto por este tipo de discurso, eles rendem 4 ou 5 vezes mais do que tinham rendido até ali.

O golo do dia

Mais perto da final do campeonato. A equipa de futsal do Sporting foi a Sandim, concelho de Gaia, bater esta interessante equipa do Módicus por 5-2 no 1º jogo das meias-finais do campeonato. Perante uma equipa que revelou algum facilitismo defensivo, principalmente na abordagem ao jogo colocado em profundidade para as costas dos defesas e pouca intensidade na pressão quando perdia o esférico, os leões construíram uma vantagem interessante face ao vistoso futsal ofensivo que é praticado pela formação orientada por Emídio Rodrigues. Se tivessem sido ligeiramente mais eficazes ao nível da finalização, estou certo que a formação do concelho de Gaia poderia ter vendido muito mais cara a derrota averbada. As combinações entre o fixo e os alas foram efectivamente muito bem trabalhadas. Prova disso foi a existência de várias ocasiões de golo na cara de Marcão.

Neste jogo, o meu destaque vai para o 4º golo do Sporting. A assistência de João Matos para Dieguinho é fenomenal. A impulsão realizada pelo fixo internacional português para salvar aquela bola e ainda assistir o companheiro é de uma capacidade atlética enorme, sublime quando atentarmos que ao mesmo tempo em que tenta não deixar sair a bola pela lateral, o jogador está completamente focado na leitura rápida da situação.

Breve nota sobre a vitória do Braga AAUM frente ao Benfica

créditos do vídeo: Zona Técnica 

6 belas acções técnicas na vitória (através da marca de penalidades) para a formação bracarense, equipa que tem vindo a merecer desde há alguns anos a esta parte a presença na final do Campeonato Nacional de Futsal.