Um outro olhar sobre a vitória de Tom Dumoulin no Giro

A vitória do chefe-de-fila da formação alemã no Giro de Itália levou os seus responsáveis de comunicação a publicar no seu canal de youtube um conjunto de vídeos que nos permitiram um olhar sobre os bastidores da equipa. Em alguns dos vídeos que passo a publicar podemos apreciar o treino de preparação realizado pelo ciclista holandês para os dois contra-relógios da prova italiana, o trabalho realizado pelo staff no final de cada etapa, e o trabalho diário do director desportivo da equipa, o antigo ciclista australiano Luke Roberts.  Continuar a ler “Um outro olhar sobre a vitória de Tom Dumoulin no Giro”

Obrigado!

Vi o título conquistado há 16 anos. Vi o título conquistado hoje. Estou em lágrimas. Se olhar para trás, este intervalo foi duro, muito duro. Qualquer seca de títulos é difícil de ultrapassar neste clube. Mas uma é coisa é certa: as adversidades fortalecem-nos ainda mais como adeptos deste maravilhoso Sporting Clube de Portugal. No próximo ano, na Champions League, podem contar comigo no novo Pavilhão João Rocha. Obrigado bravos leões!

Ambições completamente surreais para a realidade do clube

O arraial foi montado no Calhabé. Com toda a pujança e irreverência coimbrã, um presidente à procura da sua sobrevivência política foi buscar um treinador (Ivo Vieira) com um currículo bastante engraçado nas últimas 3 temporadas. Uma passagem bastante razoável pelo seu clube do coração, o Marítimo, e uma subida à 1ª Liga pelo Desportivo das Aves na temporada que agora tem o seu fim, fizeram pular os corações de todos os adeptos da Briosa: “é para subir, vamos subir, porque nós temos de estar na 1ª liga” – não sei qual foi o projecto vendido ao treinador que, segundo as palavras do presidente, foi, em virtude do feito alcançado, foi o “mais cobiçado do defeso” (vide a notícia na edição de hoje do Diário de Coimbra) – mas sei que para já, existem uma série de condicionantes internas que devem ser observadas por quem tem o dever de papar a informação que nos é dada, para que não se gerem ambições e expectativas completamente surreais para a realidade da Académica. As mesmas que foram depositadas no ano passado aquando da contratação de Costinha.
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Desconstruir as certezas de Rui Vitória

“Acho que não. Mas lembrem-se lá de um jogo em que o Benfica ganhou por causa do árbitro. Não vejo nenhum jogo em que eu diga ‘houve um penálti, ganhámos 1-0, foi um erro’ 

Nas entrevistas concedidas nas últimas 48 horas à BTV e à SIC, o treinador do Benfica iniciou um ritual que já pode ser considerado e classificado como um clássico do clube da Luz nesta fase específica do ano: o habitual cacarejar de papo cheio. Durante a temporada, o treinador pouco fala (e quando fala escuda-se sempre num conjunto de metáforas, para não que a sua mensagem não seja entendida explicitamente) enquanto o presidente Luís Filipe Vieira utiliza, como estratégia de comunicação, um alegado silêncio mascarado por uma comunicação multi modal na qual sobressaem vários rostos, todos externos ao clube encarnado.

A afirmação em epígrafe, chocou-me por completo. Não é para menos. Sabemos de antemão que o técnico encarnado, como exemplar funcionário que é, teve obviamente que passar a tarde do dia de ontem debruçado nos mandamentos da cartilha que lhe foi escrita à medida da ocasião. A missão arrolada ao técnico na cartilha era, a meu ver, muito simples: “Rui tens que ir lá papá-los de cebolada, tratá-los como se os gajos (do Sporting e do Porto) fossem gajos mesmo muito estúpidos” – o Rui lá leu o que alguém lhe escreveu e foi ao programa dar aquela imagem de Santinho do Paoco que toda a gente lhe parece reconhecer, à falta de dois palminhos de testa para lhe topar a recorrente sonsice que o treinador do Benfica exala. O mister da t(r)eta, sujeito que neste momento é tido e achado no mesmíssimo patamar em que Jesus era tido e achado quando conquistou o seu bi (porque no reino dos encarnados, o melhor do mundo passa a pior do mundo assim que se muda para o outro lado da 2ª circular; a mesmíssima coisa poderá um dia acontecer com Rui Vitória se o técnico eventualmente assinar pelo Sporting) acabou portanto por abrir com a dita afirmação uma caixa de pandora muito perigosa, que qualquer um poderá portanto aproveitar, como se de uma caça ao tesouro se tratasse. Erros de arbitragem a favor do Benfica transformados em vitórias? Nah! Que ideia! Ou o Rui nos quis tomar como plenos estúpidos (utilizando a extremosa táctica da massificação de ideias como verdades universais que os adeptos dos outros clubes tem que engolir sem pestanejar) ou então, estamos perante um sinal claro de mitomania: Rui Vitória acredita mesmo nas mentiras e nas ficções que nos vai narrando, como se verdades se tratassem. Continuar a ler “Desconstruir as certezas de Rui Vitória”

Os grandes destaques da 14ª jornada do Super Rugby

Uma vitória relativamente fácil no terreno dos Melbourne Rebels por 19-41 permitiu à formação de Scott Robertson manter a primeira posição da fase regular do Super Rugby. A formação de Christchurch voltou a dar-nos um enorme espectáculo de rugby, devendo salientar o fabuloso trabalho dos seus 2ªas linhas em vários ensaios. No primeiro, ensaio da autoria do ponta fijiano Manasa Mataele, pudemos assistir, no desenrolar da jogada, a um verdadeiro “momento de rolo compressor” na incursão do 2ª linha All-Black, mandando dois Rebels ao tapete com o seu fortíssimo handoff. Continuar a ler “Os grandes destaques da 14ª jornada do Super Rugby”

Balanço do Giro de Itália – as grandes surpresas e as decepções da 100ª edição da prova italiana (2ª parte)

Nota Prévia: Este post é a 2ª parte do trabalho iniciado durante o dia de ontem no primeiro dos 3 posts dedicados ao Balanço da 100ª edição do Giro de Itália. 

Lukas Postlberger – Bora – Surpresa – Até à primeira etapa da prova, o austríaco Lukas Postlberger era para muitos um perfeito desconhecido. O ciclista só se tinha revelado ao grande público uma ou duas vezes ao longo da sua jovem carreira, quando venceu uma etapa no Tour de L´Avenir (A Volta à França dos jovens) e quando venceu uma das etapas da Volta à Austria. Sendo utilizado naquela primeira etapa como o principal lançador do sprinter que a Bora convocou para o Giro (o irlandês) Sam Bennett, o corredor de 25 anos aproveitou a fase de lançamento do primeiro sprint da prova para realizar um mortífero ataque que deu à Bora o seu principal objectivo para a prova: uma vitória de etapa e o direito a envergar a camisola rosa por um dia. Continuar a ler “Balanço do Giro de Itália – as grandes surpresas e as decepções da 100ª edição da prova italiana (2ª parte)”

Está por aí a prova em como certos treinadores não são nada sem as ditas “estruturas”

Conhecemos por aí um treinador, agente que até tem sido vagamente apontado como possível treinador de 2 grandes para a próxima temporada, que acabou de descer à 3ª divisão alemã com um plantel que tinha nomes como Sebastian Boenisch (internacional alemão em 14 ocasiões), Abdoulaye Ba (até há pouco tempo era o central de um clube de Liga dos Campeões),  Filip Stojkovic (internacional sérvio), Karim Matmour (habituée na selecção argelina nos últimos anos), Victor Andrade, Amilton (uma das grandes revelações da Liga 2015\2016) e o veteraníssima Ivica Olic, que, apesar dos seus extensos 37 anos, foi um dos melhores avançados dos últimos 15 anos do futebol alemão. O plantel continha também jogadores muito tarimbados ao nível de presenças no principal escalão do futebol alemão.

Esse treinador, bicampeão nacional, em parte à conta de alguma sorte face ao medonho futebol praticado pela equipa durante essas duas temporadas, e até, em virtude das suas limitações como treinador, não conseguiu, desde o momento em que saiu desse clube, ganhar títulos em 3 dos 4 clubes por onde passou, vencendo “simbolicamente” um campeonato nacional num clube que é o hegemon de um determinado país, tendo vencido 19 das últimas 21 edições desse mesmo campeonato. Nesse triunfo, no Olympiacos, esse treinador só teve literalmente que confirmar o excelente trabalho realizado por outro na metade mais dura da temporada, a 1ª, ou seja, aquela em que uma equipa tem que ser trabalhada com afinco ao nível de processos.

Posto isto, ainda existem por aí alguns dummies que vendem este treinador como um Bom Treinador quando provavelmente nem mediano Treinador é. Foi um treinador que venceu porque estava inserido em “estruturas” vencedoras. Aquele tipo de estruturas que levaram muitos a dizer, há uns anos a esta parte, que a existência de uma estrutura é mais que garante para a conquista de títulos. A partir daí, esse treinador somou bola. Até quando lhe deram literalmente um Ferrari para as mãos no Fenerbahce.

C´est le monde du foot, Waldemar!

“Não entendo isto, não entendo. Ele está a abandonar-me. Organizámos tudo à volta dele para a próxima temporada” Waldemar Kita, presidente do Nantes, quando inquirido sobre o facto de Sérgio Conceição estar a forçar a saída do clubes francês para poder assinar pelo FC Porto.

O mundo do futebol é assim Waldemar. Quando determinados agentes tem a sua cotação em baixa e vêem as portas dos clubes a fechar-se de par em par, são capazes, de literalmente, humilhar-se para terem uma oportunidade. Assim que conseguem reerguer-se, os mesmos que outrora se venderam por uma uva mijona para poderem ter uma oportunidade, sentem-se demasiado confortáveis para poderem passar por cima de todas as pessoas que apostaram neles quando estavam na mó de baixo. No futebol moderno, uma grossa parte dos agentes estão-se a marimbar para os símbolos, para o futuro dos clubes, para as expectativas ou para os esforços financeiros realizados pelos dirigentes. O que interessa no fundo é o dinheiro, em primeiro lugar, e a glória, em segundo lugar. Se eventualmente conseguir forçar a saída para assinar pelo Porto, Sérgio Conceição irá marimbar-se para o futuro do clube. Quer lá ele saber se vais descer de divisão ou se o teu clube vai à falência. Um dia, quando ele voltar a ser despedido, ainda utilizará o ano que passou no vosso clube como cartão de visita para o trabalho dele. Sê portanto bem vindo à era do mercenarismo.

Alonso e o carro de mão (ou carro na mão?)

A 21 voltas do fim quando era 7º e ainda estava na luta pela vitória das 500 milhas de Indianapolis, numa corrida (de Indy Car) que foi ganha por Takuma Sato. Oops, esperem lá: o Takuma Sato não foi o piloto mais perigoso da história da Fórmula 1?