6 perguntas a Sebastião Villax

Créditos: Rugby Photos by Luis Cabelo – agradecemos ao autor a sua gentileza para com a comunidade do Rugby na disponibilização destas imagens.

Na recta final de mais uma edição da nossa Divisão de Honra de Rugby, fomos ao encontro de Sebastião Villax, o 3ª linha do CDUL. Nas vésperas de mais uma final importante para a carreira do nosso “Lobo”, em 6 perguntas, abordámos vários assuntos, desde o percurso trilhado pelos universitários na presente temporada face às expectativas depositadas pelos seus jogadores na fase inicial desta, até ao actual momento que vive a nossa Selecção.

Do discurso do jogador temos que salientar, obviamente, a sua humildade perante os feitos alcançados quer individual quer colectivamente e seu optimismo em relação ao futuro. O mesmo frisou que o ambiente que se vive actualmente na selecção é de exigência máxima. Quando são os jogadores que colocam diariamente a si mesmos a exigência de serem melhores e de superarem os feitos alcançados pelos seus antecessores, podemos esperar bons resultados!

MCD: Quais eram as verdadeiras expectativas depositadas pelo plantel no início da temporada?

SV: A equipa do ano passado não mudou assim tanto. Continuámos com a mesma estrutura de equipa. Mesmo não tendo um início de época perfeito (pré-época sem o treinador ainda em Portugal) os objectivos mantiveram-se sempre ambiciosos; a final do Campeonato foi sempre a nossa visão.

Quais foram as maiores dificuldades que enfrentaram durante a temporada? As derrotas frente à ascendente geração da AAC e a derrota em Monsanto (9-10) na 14ª jornada deram-vos ainda mais força ou fizeram-vos crer que este ano poderiam não atingir a final da prova, até porque a Agronomia e o GDD fizeram um percurso quase exímio na sua fase regular?

Foi obviamente uma época atribulada. Mas a verdade é que todos esses episódios contribuíram para um grande empenho individual dos jogadores que se revelou muito importante para o colectivo. Podemos ter um olhar objectivo sobre a forma como estávamos a trabalhar e como devíamos progredir daí em diante. O percurso foi duro, mas o objectivo final nunca se dissipou das nossas mentes.

Vencer em Monsanto foi para muitos uma proeza épica. Eu acreditei porque creio, na minha humilde opinião, que o CDUL tem o melhor pack avançado do rugby nacional. A vitória sobre o Direito foi, como se diz na gíria, “um alívio sobre uma espinha que estava atravessada na vossa garanta” desde 2013?

Vencer uma grande equipa, ainda para mais um grande rival, é sempre gratificante. Fizemos o nosso trabalho de casa, e a custo de muito trabalho vencemos a meia final. Ficar com “espinhas” em nada ajuda pois os adversários evoluem duma maneira ou de outra de ano para ano, por isso de nada serve focarmos-nos no passado, pois esse, não vence jogos!

Falemos sobre os dias que antecedem uma final. Como é que um jogador se prepara mentalmente para um jogo tão importante como o que se vai disputar no próximo sábado?

Da mesma maneira como se tem de preparar para todos os outros jogos: concentrando e mantendo as boas rotinas. Não vou esconder que possa haver uma pressão diferente, mas é um tipo de pressão que gosto de pensar que todos os jogadores gostariam de ter. Estar numa final, estar a competir com os melhores, querer ser o melhor. Tento abraçar ao máximo essa pressão!

A meio desta breve entrevista houve uma pausa para fazer um PEQUENO interlúdio sobre aquela portentosa exibição do 3ª linha em Bucareste na sua primeira selecção com a camisola dos Lobos. Nesse jogo, Sebastião Villax exibiu-se a um nível altíssimo com 28 placagens realizadas em 33 tentativas.

Pressão… O elemento determinante que define em muitos casos o sucesso do erro. A tua estreia na selecção foi curiosamente debaixo de um grau de pressão enorme, na Roménia. Nesse jogo que marcou a tua primeira selecção, fizeste uma exibição fantástica com 20 e tal (corrige-me o numero exacto) placagens. A tua experiência internacional ajudou-te a lidar melhor com a pressão dos grandes momentos?

Acho que em grandes momentos tenho a sorte do entusiasmo perante o desafio se sobrepor em grande escala à pressão do peso do mesmo. Acredito que nós devemos focar nas pequenas coisas, executar bem aquilo que sabemos fazer bem, e aproveitar ao máximo cada oportunidade por mais insignificante que possa parecer. Tento ao máximo reger-me por estes princípios não só nos grandes momentos, mas em todos.

Vem aí um importante desafio contra a Bélgica no dia 20. Poderemos ter uma oportunidade para dar novamente o salto para o patamar em que o rugby português precisa de estar. Apesar de termos neste momento que pensar jogo a jogo, acreditas que é possível a qualificação para o próximo mundial?

Apesar de ser obviamente um objectivo ambicioso, penso que o ambiente que se vive na Selecção é de puro dinamismo focado na melhoria. Queremos ser melhores , queremos deixar de viver dos grandes Lobos do passado fazendo lhes a grande homenagem de sermos a nova referência. Temos ainda jogadores dessa altura que penso que querem ao máximo deixar a camisola em melhor estado do que a encontraram, e tentamos ao máximo seguir esse exemplo. Temos de ser duros e realistas connosco próprios, mas também não aceitar nada a baixo do melhor. Só assim somos dignos de ambicionar tal objectivo .

U18 Open Championship: França 47-0 Portugal

Créditos da imagem: Rugby Europe

Nas meias-finais do Open Championship de sub-18, a nossa selecção caiu contra a selecção da casa, a actual campeã europeia, por 47-0. Já se sabia à priori que os nossos meninos teriam poucas possibilidades de ganhar o jogo contra a selecção da casa e seguir para a final da prova. A realidade equidistante do nosso rugby face ao poderio do rugby daquele país (metodológica, técnica, tecnológica) e o intervalo de qualidade entre os jogadoreses franceses e os jogadores portugueses levam-me a defender que são estes os jogos que os jovens jogadores lusitanos precisam de realizar pelo menos uma vez por ano para poderem evoluir e diminuir assim as assimetrias existentes no rugby europeu. São este tipo de jogos (e de competições) que dão estaleca aos jogadores portugueses e que preparam o nosso futuro. Só podemos ganhar pontos de experiência quando os nossos atletas jogam contra estilos de jogo mais evoluídos, disputados a uma velocidade de execução superior, contra atletas que são muito evoluídos no plano físico, no plano técnico, no plano posicional\táctico e no plano estratégico e quando jogamos partidas que requerem um altíssimo espírito de superação das dificuldades que são causadas pelo adversário.

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Dentro de meia hora


A selecção nacional de rugby do escalão de sub-18 tem um duro teste contra a sua congénere francesa, num jogo a contar para o Torneio Europeu Aberto do escalão. Depois de terem vencido os Estados Unidos por 26-5 nos quartos-de-final, este será para muitos dos atletas o seu primeiro grande teste internacional de exigência máxima. A França é a actual campeã europeia em título. Veremos como se comporta o XXIII orientado pelo génio Rui Carvoeira, o Homem da Formação em Portugal.

O jogo pode ser visto em directo aqui, no site da Rugby Europe. 

Portugal tem desportistas de primeira e desportistas de segunda?

Se não tem, assim o parece.

Vou fazer uma pequena comparação que serve de fiel da balança para o que irei escrever no último parágrafo deste texto:

  1. Os 23 jogadores que se sagraram campeões europeus de futebol no ano passado receberam das mãos do excelentíssimo Sr. Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa a condecoração com o grau de Comendadores da Ordem de Mérito. Tudo certo. Atletas de modalidades ditas amadoras como Fernando Pimenta, Patrícia Mamona, Sara Moreira, Jéssica Augusto, Ana Dulce Félix, Marisa Barros, Tsanko Arnaudov e Vanessa Fernandes foram também condecorados com a mesma ordem honorífica na sequência das vitórias obtidas em europeus e mundiais. Tudo correcto.3. Os atletas olímpicos e paralímpicos Telma Monteiro, Luís Gonçalves, Manuel Mendes, António Marques, Cristina Gonçalves, Fernando Ferreira, Abílio Valente e José Macedo também foram condecorados pelo chefe de estado com a mesma distinção civil em virtude das medalhas conquistadas nos jogos do Rio. Mais do que condecorados, estes heróis precisam de ser apoiados e profissionalizados para poderem continuar a focar-se exclusivamente no seu mister.

    4. A selecção nacional de Hóquei em Patins também foi condecorada por Marcelo com a mesma ordem honorífica em virtude da sua vitória no Europeu da modalidade.

    Os jogadores, treinadores e dirigentes da Selecção Nacional de sub-20 de Rugby, selecção que na semana passada venceu o Campeonato Europeu do escalão recebeu apenas um voto de saudação no Parlamento por iniciativa de um partido político. Vá-se-lá saber porquê, a boa nova ainda não chegou a Belém! Estamos a falar de meninos que não só não são atletas profissionais ou remunerados e que, ainda por cima, pagam para poderem praticar a modalidade que mais amam! Estamos a falar de uma competição contra selecções que pertencem a países que tem o dobro ou o triplo das condições (infraestruturais, técnicas, tecnológicas) que as que actualmente possui o rugby português. Estamos acima de tudo a falar de uma vitória conquistada na raça pelos nossos miúdos!

    Pior emenda que o soneto foi a tomada de posição pública da Federação Portuguesa de Rugby na sua página oficial no facebook. Está tudo numa boa na casinhota pobre e desorganizada da Rua Julieta Ferrão. Os nossos atletas foram os únicos neste país cujo esforço não foi agraciado com uma ordem de mérito mas está tudo bem, uma saudação do Parlamento a favor chega e é para os dirigentes da FPR motivo de gáudio. Chega uma ova! É por causa destas que o Rugby é uma modalidade pequenina no país. Gabam-se com pouco quando foram tratados pelo poder político como uma modalidade de quinta categoria. Quando são os próprios dirigentes da federação a regozijar-se com as pequenas migalhas que lhes são dadas a custo e não reclamam, está tudo dito sobre a ambição da estirpe que tutela o rugby português.

Campeões!

Já está! Foi sofrido mas é nosso! O dia 1 de Abril de 2017 acabou por entrar para a História do Rugby Português! Neste preciso dia, a nossa selecção sénior carimbou a 7ª vitória consecutiva na Ucrânia (7-31), conquistando o Grand Slam (a conquista da competição só com vitórias; iremos jogar no próximo dia 20 de Maio em Bruxelas a subida ao grupo B contra a Bélgica) na prova e os nossos bravos lobinhos acabaram de se sagrar campeões europeus no escalão de sub-20 em Bucareste ao derrotar a Espanha por 12-7 num jogo dramático em que tivemos que voltar a sofrer muito (um pouco por culpa da atitude passiva na 2ª parte) para sorrir no final dos 80 minutos. Para a História ficará o ensaio de Gonçalo Santos (créditos para o Francisco Isaac do Fairplay por me ter ajudado a descortinar o autor do ensaio) na ponta esquerda, numa jogada construída em 15 pacientes fases.

Entrámos muito bem na partida com a obtenção de um ensaio. Pode-se dizer que nos primeiros 55 minutos de jogo controlamos a partida no âmbito territorial e de posse e dispusemos de várias oportunidades nos 22 espanhois para elevar a contagem. No entanto, a falta de paciência na construção ofensiva e algumas falhas no capítulo da transmissão de bola (dificultadas em parte por uma selecção espanhola que soube fazer uma boa cobertura dos espaços a toda a largura; o que nos valeu em parte foi o desacerto ofensivo dos espanhóis no mesmo capítulo falhando muitos passes e cometendo vários erros na recepção) ditaram-nos uma 2ª parte de sofrimento em que os espanhóis, com o empate à vista de um ensaio mais a respectiva conversão, começaram a acreditar que era possível e conseguiram, numa das raras incursões aos nossos 22, sacaram o ensaio que viria a empatar a partida.

Quando o jogo parecia encaminhar-se para uma reviravolta no marcador, eis que uma jogada de paciência acaba por resolver a questão. Não querendo mencionar prestações individuais no seio de um colectivo que se provou forte ao longo do torneio, foi a arrancada de Manuel Picão da Académica que permitiu por completo a criação da situação de desequilíbrio que permitiria posteriormente a assistência do “certinho” Jorge Abecassis (não esteve certeiro em 2 dos 3 pontapés que realizou aos postes) assistir a entrada de Gonçalo Santos para um ensaio (77″) que garantiu a vitória de Portugal na competição.

A vitória na prova por outro lado garantirá à equipa comandada por Luís Pissarra (a quem aproveito para dar os meus sinceros parabéns) a entrada no Mundial do escalão, prova que se irá disputar no próximo mês de Junho na Geórgia. A selecção portuguesa terá neste momento que esperar pelo sorteio que se irá realizar para perceber em que grupo é que vai ser inserida.

Passaporte para a final!

Créditos: Fairplay (Francisco Isaac)

A obra prima de Manuel Cardoso Pinto! Um ensaio brilhante capaz de catapultar qualquer exibição individual ou colectiva! O jovem fullback da Agronomia, primo do histórico abertura da selecção de 2007 Duarte Cardoso Pinto, jamais se esquecerá deste momento! Perdoem-me a linguagem mas a este nível é “preciso ter os tomates no sítio” para se atacar aquela bola naquela situação (pressionado por vários jogadores romenos) e conseguir transformar aquela bola num ensaio de campo a campo.

Maravilhoso! Os nossos sub-20 atingiram hoje a final do Campeonato Europeu depois de baterem a selecção anfitriã do torneio, a Roménia, por 21-16 num jogo em que a atitude defensiva roçou a perfeição durante toda a partida. Nos últimos 20 minutos, quando os romenos carregaram forte e feio nos 22 metros portugueses com o seu habitual jogo de avançados, foi inacreditável a forma em como os bravos lusitanos conseguiram travar dezenas de iniciativas, algumas delas até a 1\2 metros de área de validação.

No domingo os nossos meninos jogarão a final. Em disputa estará não só a vitória no torneio como o apuramento directo para o Mundial. Para apimentar a coisa, iremos jogar o nosso tudo ou nada contra a selecção espanhola num clássico que promete!

Vamos a eles

selecção portuguesa de rugby 20
Mais logo pelas 15 horas, em Bucareste, os nossos sub-20 tentarão o apuramento para a final do Campeonato Europeu, prova que se está a disputar na capital romena. Depois de ter batido a selecção holandesa nos quartos por 42-5, os “lobinhos” de Luís Pissarra tentarão o acesso chegar à tão final que permitirá lutar pela vitória no troféu e pela qualificação para o Mundial do escalão em caso de vitória nessa mesma final.

O jogo pode ser visto em directo aqui no site da Rugby Europe.