Binckbank Tour – Etapas 3 e 4 –

O suspense na chegada a Ardooie. Os derradeiros 15 km da 3ª etapa foram de verdadeira adrenalina. A cada viragem, o perigo espreitou e o nervosismo instalou-se no pelotão. A mistura explosiva fabricada pelas acentuadas viragens, pelo estreitamento da via em alguns sectores da parte final, pelo terrível s colocado a 1,5 km da metade e pelos pequenos aguaceiros que se fizeram sentir na parte final, levaram as equipas a puxar a adoptar aquela postura irracional que normalmente nunca dá bons resultados. A queda de 4 corredores no referido s (sem consequências de maior para a integridade física dos atletas em causa) foi um mal menor. Assim que vi a primeira passagem pela meta pensei que a coisa poderia redundar numa queda colectiva de proporções dramáticas. Este tipo de chegadas trazem espectacularidade à prova, porque obrigam as equipas a lutar, metro a metro, pela dianteira do pelotão, mas por outro lado, contém uma alta percentagem de risco. Continuar a ler “Binckbank Tour – Etapas 3 e 4 –”

Binckbank Tour – Etapa 1 – O Cavalinho voltou a andar no ar

Não conheço nem conheci outro ciclista que celebre de forma tão efusiva as suas vitórias como Peter Sagan. Todos aqueles que por sorte (aquela sorte que não temos cá em Portugal visto que a nossa única prova de World Tour é a Volta ao Algarve) tem a sorte de conseguir um lugar ali perto da linha de chegada em etapas que venham a ser conquistadas por Peter Sagan, tem direito no final de etapa ao show acrobático do Cavalinho que é oferecido, literalmente de roda no ar, pelo bicampeão do mundo de estrada. Continuar a ler “Binckbank Tour – Etapa 1 – O Cavalinho voltou a andar no ar”

Tour de France – 10ª etapa – Marcel Kittel nas alturas

E paz na terra entre os sprinters! Viva Deutschland! Permitam-me o indispensável momento musical de fiesta mexicana, promovido pelo grande Marcel Kittel da música alemã.

O sprinter germânico da Quickstep é o verdadeiro penetra das festas encomendadas por outros. Trocando por miúdos: o pessoal da Lotto de André Greipel e da Katusha de Alexander Kristoff tenta, como tem efectivamente tentado nas últimas etapas, encomendar uma festa para os seus afilhados. Aceleram bem nos últimos 30 km para varrer os ciclistas em fuga que rodam na frente. Preparam na perfeição os seus comboios para atacar os lançamentos nos quilómetros finais. Brigam pelos rebuçados que caem das pinãtas, ou como quem diz, andam ali quilómetros a lutar pela dianteira do pelotão para poderem ter o prazer de posicionar e lançar bem os seus sprinters. De um momento para o outro, sem o ninguém chamar, à boleia daquele que tiver com mais energia (Fábio Sabatini, Matteo Trentin) para o tentar posicionar (dentro dos 10 primeiros; nunca nas primeiras 5 posições) aparece o penetra Marcel Kittel. Num ápice, o Kaiser da Turíngia, não só consegue entrar na festa como rouba todos os presentes aos aniversariantes. Danke Schon und aufwiedersehen! Morgen mehr!

Continuar a ler “Tour de France – 10ª etapa – Marcel Kittel nas alturas”

Tour de France – 6ª etapa – Marcel Kittel bisa na chegada a Troyes

Imagens do último km\sprint final

A prova nos 20 km finais (o vídeo foi interrompido quando faltavam 3 km para a meta).

Em Troyes, o alemão Marcel Kittel voltou a soltar um dos seus sonoros “Ja” – Prima! Wunderbar! Natürlich Kittel! No primeiro sprint da prova sem a presença de Peter Sagan e Mark Cavendish, o ciclista germânico da equipa belga Quickstep levou a melhor sobre os seus rivais na luta pela camisola verde. Vindo de trás, do nada, o alemão realizou uma ponta final fortíssima. Arnaud Demate (FDJ), Andre Greipel (Lotto-Soudal) e Alexander Kristoff (Katusha) tiveram que se contentar, respectivamente, com as posições entre o 2º e o 4º lugar!

Continuar a ler “Tour de France – 6ª etapa – Marcel Kittel bisa na chegada a Troyes”

Tour de France – Etapa 5 – Aru aviou por completo as meninas bonitas!

O bombástico ataque realizado pelo italiano a 2,2 km do alto da Planche des Belles Filles merece mais do que um ousado título pornográfico para este post. A pornografia exibida na monumental cadência com que o italiano atacou a meta, merecia ser exibida na primeira página do Brazzers.com, ainda para mais se atendermos ao contexto de extrema dificuldade (para lançar um ataque) que a máquina de guerra da Sky colocou nos 5,8 km finais da árdua subida para o local de chegada da 5ª etapa. O italiano foi simplesmente sensacional! Fábio Aru subiu na bolsa de apostas. Se no final do Criterium Dauphiné afirmei de viva voz aqui neste blog que tanto o italiano como o seu colega Jakob Fuglsang (vencedor da geral individual do Criterium) seriam as principais ameaças com que Porte e Froome teriam que lidar no Tour devido ao excepcional momento de forma apresentado, no final da etapa de hoje acredito piamente que o italiano poderá conseguir vencer este Tour com as diferenças que será passível de realizar na alta montanha da prova.

Continuar a ler “Tour de France – Etapa 5 – Aru aviou por completo as meninas bonitas!”

Balanço do Giro de Itália – as grandes surpresas e as decepções da 100ª edição da prova italiana (2ª parte)

Nota Prévia: Este post é a 2ª parte do trabalho iniciado durante o dia de ontem no primeiro dos 3 posts dedicados ao Balanço da 100ª edição do Giro de Itália. 

Lukas Postlberger – Bora – Surpresa – Até à primeira etapa da prova, o austríaco Lukas Postlberger era para muitos um perfeito desconhecido. O ciclista só se tinha revelado ao grande público uma ou duas vezes ao longo da sua jovem carreira, quando venceu uma etapa no Tour de L´Avenir (A Volta à França dos jovens) e quando venceu uma das etapas da Volta à Austria. Sendo utilizado naquela primeira etapa como o principal lançador do sprinter que a Bora convocou para o Giro (o irlandês) Sam Bennett, o corredor de 25 anos aproveitou a fase de lançamento do primeiro sprint da prova para realizar um mortífero ataque que deu à Bora o seu principal objectivo para a prova: uma vitória de etapa e o direito a envergar a camisola rosa por um dia. Continuar a ler “Balanço do Giro de Itália – as grandes surpresas e as decepções da 100ª edição da prova italiana (2ª parte)”

Giro de Itália – Etapa 13 – Poker de Gaviria

Já cheira a goleada. Fernando Gaviria 4-1 Andre Greipel. O alemão da Lotto-Soudal já não sabe o que fazer para ser mais rápido que o colombiano da Quickstep. Tendo efectivamente mudado de estratégia nesta etapa, na abordagem ao sprint final, o alemão tentou-se colocar na roda do lançador do colombiano, o argentino Mauro Richeze, dando ali, a meu ver, um sinal claro de impotência para travar a onda de vitórias do ciclista sul-americano. Vindo bem de trás, o colombiano voltou a superiorizar-se a toda a concorrência, batendo em cima da linha de meta o irlandês Sam Bennett (a Bora voltou a promover um excelente trabalho na parte final da tirada) e o belga Jasper Stuyven, enquanto o alemão ficou novamente a dormir na forma. Esta poderá ter sido a última etapa discutida ao sprint da prova. Continuar a ler “Giro de Itália – Etapa 13 – Poker de Gaviria”

Giro de Itália – Etapa 12 – Hat-trick de Fernando Gaviria

Fernando Gaviria 3-1 Andre Greipel. O colombiano voltou a molestar o alemão com uma valente chicotada no final da etapa 12, tirada maioritariamente corrida em terreno plano que ligou Forlì a Reggio Emilia. Ao contrário do sprinter alemão (até agora um dos maiores derrotados deste Giro), o colombiano da Quickstep soube-se posicionar melhor na abordagem ao sprint final, batendo Jakub Marezcko da Selle Italia e o irlandês Sam Bennett da Bora. Num dia em que a Lotto até deu uma ajuda para anular a fuga do dia, o alemão voltou a baquar no posicionamento, falhando por completo os esforços do companheiro que se adiantou ao pelotão na curva que antecedeu a recta da meta para o lançar com eficácia. Ficando muito atrasado nos últimos metros, o alemão falhou por completo o sprint
Continuar a ler “Giro de Itália – Etapa 12 – Hat-trick de Fernando Gaviria”

Giro de Itália – Etapa 7 – Caleb Ewan vence num momento de espectacularidade ímpar

Tardou mas finalmente concretizou-se: no dia em que Caleb Ewan pegou finalmente ao serviço, honrando o enorme trabalho que tem sido feito ao longo desta semana de prova pela Orica, pudemos finalmente assistir a um momento de espectacularidade ímpar promovido pelos melhores sprinters em prova na discussão da longa etapa (224 km) que terminou em Alberobello. Nos metros finais, devidamente lançado pelo seu companheiro Luka Mezgec, o australiano contornou (pelas costas) os esforços montados pela Bora para oferecer a Sam Bennett a oportunidade de vencer a etapa, acabando por ser mais forte que o irlandês e que Fernando Gavíria nos metros finais.

Por outro lado, André Greipel é nos dias que correm um homem muito triste. A vitória obtida pelo alemão na 2ª etapa da prova não esconde a frustração de ter perdido 3 etapas ao sprint para os outros sprinters num início da prova que parecia talhado para o seu enorme potencial.  Continuar a ler “Giro de Itália – Etapa 7 – Caleb Ewan vence num momento de espectacularidade ímpar”

Giro de Itália – Etapa 3 – Fernando Gaviria vence numa manobra táctica genial da Quickstep

Quando muitos apontavam que a 3ª etapa da prova (etapa que antecede o primeiro dia de descanso da prova antes da primeira abordagem à alta montanha na chegada de segunda-feira ao Monte Etna) seria uma etapa muito tranquila na qual se previa uma chegada em sprint massivo, as condições atmosféricas na chegada a Cagliari foram fulcrais para que uma equipa mexesse completamente com a corrida.

No meio da turbulência proporcionada pelas mudanças de vento a cada mudança de direcção nos últimos 15 km finais, a Quickstep de Fernando Gaviria e Bob Jungels viu uma janela de oportunidade instalada no semi-caos em que se tornou o pelotão na aproximação à chegada para “matar” dois coelhos de uma só cajadada com uma mortífera mudança de velocidade quando o vento era contrário ao pelotão, levando o seu sprinter à vitória (a 1ª do explosivo colombiano em grandes provas; confirma portanto a sua ascensão à elite dos sprinters) e oferecendo ao seu chefe-de-fila Bob Jungels (um dos que mais trabalhou para que Gaviria pudesse vencer a etapa, até porque a situação de corrida tornou-se bastante favorável para o campeão luxemburguês ganhar alguns segundos à mais directa concorrência para a geral individual) alguns segundos que lhe darão mais conforto na abordagem à etapa de segunda-feira, a primeira em que se poderão realizar diferenças significativas na geral individual. Até lá, é a Quickstep quem terá o prazer de conservar a maglia rosa na sua posse visto que o colombiano ascendeu com a vitória ao topo da geral individual Continuar a ler “Giro de Itália – Etapa 3 – Fernando Gaviria vence numa manobra táctica genial da Quickstep”