Os golos da Champions

Contra todas as opiniões que tenho ouvido sobre o valor do jogador nos últimos anos, depois de ter feito sensacionais temporadas no Everton no qual foi “um pau para toda a obra de 80 metros de comprimento” para David Moyes, eu compreendo as declarações de Mourinho quando afirmou que o belga Marouane Fellaini é um jogador com uma importância superior na equipa (e nos seus processos; quer nos ofensivos, quer nos defensivos) aquela que tanto a imprensa como os adeptos lhe tem atribuído.

Contra o jogador belga incorrem as justas críticas que lhe apontam os defeitos do seu jogo: o belga é lento a pensar e a executar (critério que faz toda a diferença no frenético pace do futebol inglês) erra muitos passes fáceis, não toma as melhores decisões, é muito perdulário e perdeu ao longo dos anos aquela que era a sua principal característica ofensiva: o remate de meia distância. No entanto, creio que José Mourinho fez um belíssimo trabalho de remodelação do jogador ao seu pragmático modelo de jogo. O belga é hoje um jogador híbrido (um médio que entra muito bem em zona de finalização) que cumpre as funções que lhe são requeridas pelo treinador português quer no plano ofensivo, quer no plano ofensivo.  Continuar a ler “Os golos da Champions”

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O golo do dia

Na primeira parte do jogo inaugural da Bundesliga na nova temporada, o Bayern venceu por 3-1. O futebol dos bávaros não foi o melhor, e até viveu, na 1ª parte, das facilidades concedidas pela estratégia de jogo montada pelo treinador dos farmacêuticos Heiko Herrlich. Nos primeiros 45 minutos, creio que a equipa de Leverkusen cometeu um erro estratégico que deu imenso conforto ao Bayern na partida ao pressionar (pouco e mal) à entrada do seu meio-campo. O plano de jogo idealizado por Herrlich permitiu a uma equipa que já por si gosta de sair a jogar com toda a segurança (a verdade é que tem imensos jogadores para o fazer; começando pelos seus centrais; no entanto, em cada transição, Vidal ou Rudy baixavam até aos centrais para receber a bola e iniciar o momento de construção) o domínio das acções a meio-campo. Aplicando a habitual circulação de bola de pé para pé (aliada à extrema mobilidade de todo o sector ofensivo) no corredor central à procura do espaço livre para entrar dentro do bloco adversário de maneira a poder flanquear o jogo para a projecção dos laterais (por vezes com o auxílio em terrenos interiores de Franck Ribèry e Thomas Muller) a formação bávara manietou o meio-campo da formação de Leverkusen. Não foram muitas as situações de perigo criadas pela formação de Ancelotti na primeira meia hora, mas, a progressão no terreno concedeu as oportunidades que os bávaros precisaram para construir a vantagem de 2-0. Em dois lances de bola parada aqui retratados ao segundo. Continuar a ler “O golo do dia”

Arturo Vidal!

Se este lance acontecesse há 5 anos atrás, o médio chileno “stickava” de primeira contra os adversários que tinha à sua frente. No Bayern, Arturo Vidal ganhou claramente a “inteligência germânica” que faltava ao seu jogo. Em vez de executar um remate de primeira que não lhe iria garantir proveitos, no curtíssimo espaço de tempo que teve para pensar, levantou a cabeça, leu todo o frame que se encontrava diante de si e tomou a opção mais correcta. Nem todos os jogadores são capazes de fazer. Arrisco-me até a dizer que poucos são capazes de fazer isto na grande área da irracionalidade. 

Que estreia! Comprar bem, com critério, no mercado interno

10 minutos de jogo. The Hoffenheim Connection. Sempre que pesca no mercado interno, o Bayern compra bem.

Verticalidade, Pragmatismo e Finesse na Finalização

Como construir um golo em 8 toques. A verdadeira essência do futebol alemão resume-se a isto: cada falha do adversário é capitalizada com frieza e eficácia.

O golo do dia

O trabalho em drible de Franck Ribèry sobre o defesa para a linha de fundo foi mais uma amostra daquele movimento patenteado a que o francês nos habituou na última década. Aos 34 anos, o veterano jogador gaulês aparece com um enorme fulgor físico nesta pré-temporada.  A acção técnica de cruzamento foi deslumbrante.

Bom ataque à bola de James ao primeiro poste. Com o seu movimento de antecipação, o colombiano (jogador que ao longo da pré-temporada tem ganho outra dimensão neste Bayern; aparece mais vezes em zona de finalização) bloqueou a acção de Gary Cahill (poderia ter saído para interceptar o cruzamento) e criou a oportunidade para Muller finalizar a jogada.

 

 

 

O golo do dia

Mbaye Niang! Eu sou deveras suspeito para escrever o quer que seja sobre o poderoso extremo do Milan porque sou um enorme admirador das suas características. Não poderei dizer o mesmo da sua forma de jogar, das más decisões que toma em infindáveis lances por jogo, do seu carácter perdulário, do seu horrível profissionalismo (consta em Itália que o francês é muito dado aos “assuntos da noite”), da sua atitude e do grau de empenho que coloca em campo (por vezes nenhum), mas tenho plena consciência que Vincenzo Montella é o treinador certo para “lhe deitar a mão” em tempo útil de maneira a extrair-lhe (correctamente) todo o potencial que tem para oferecer ao futebol do Milan.

O portento atlético e o altíssimo grau de habilidade técnica que o francês possui torna-o um jogador fantástico para qualquer equipa que queira baixar o seu bloco defensivo e sair em velocidade para o contragolpe com poucas unidades. Se conseguirem colocar 10 bolas no extremo na intersecção entre a linha de meio-campo e a linha lateral, com ou sem espaço (sem espaço, o jogador faz questão de adiantar a bola para “papar” o defesa na corrida sem lhe dar hipótese sequer de fazer a cirúrgica falta sem bola) estou certo que o francês cria desequilíbrios capitais em 9 desses 10 lances. Contudo, sempre que se aproxima da área sem qualquer oposição, o francês parece que se deslumbra por completo. Urge melhorar portanto a qualidade das decisões que toma no terreno.

Montella parece estar disposto a sacar o melhor do panzer. No jogo de ontem frente ao Bayern já se denotaram melhorias no seu comportamento defensivo (no passado, em determinados momentos do jogo, o francês desligava-se por completo dos momentos defensivos da equipa) bem como melhorias na sua tomada de decisão. Veja-se este frame

Assim que sai da sequência de dribles, causando o enorme desequilíbrio que “atarantou” por completo a defesa bávara, o francês abre o jogo correctamente para a desmarcação de Cutrone.

 Em vez de entrar no raio de acção de Hummels e esperar a devolução do avançado, Niang espera que a defesa do Bayern se restabeleça (e fique presa na movimentação do colega que vem de trás) para voltar a receber.

Com os 4 jogadores concentrados num curto espaço de terreno…

(…) o francês só teve que esperar pela subida de Giacomo Bonaventura para lhe garantir a oportunidade para entrar na área e assistir o corte de Patrick Cutrone para as costas da defesa.