Mathieu, Piccini, Bruno e Bruno César ultrapassaram o labirinto grego!

Bruno César 3

Já se sabe que o homem na Champions é fera! Bruno César transcende-se por completo nos jogos grandes. A voracidade com que o brasileiro atacou o homem a que coube o azar de receber o ressalto do seu remate foi, na minha opinião, a melhor acção individual praticada no tapete de Alvalade. A reacção à perda do esférico é cada vez mais importante nos dias que correm. Como pudemos constatar no lance do 2º golo, obra do brasileiro, uma boa reacção à perda não só mata por completo uma eventual transição que possa criar problemas defensivos à equipa, como garante, conforme a posição do terreno em que a recuperação é efectuada, um precioso matchpoint, que devidamente aproveitado, pode ajudar a decidir um jogo. A reacção de Bruno decidiu uma partida oferecendo à equipa 45 minutos para descansar com bola.

O bem organizado bloco baixo defensivo dos gregos não foi a tormenta criada por Dédalo para encurralar o minotauro mas foi quase. Não fosse aquele passe longo de Jeremy Mathieu a descobrir Cristiano Piccini bem projectado na ala direita, acção que foi deveras rara no lateral italiano até aquele preciso momento do jogo, em virtude das necessidades ditadas pelo adversário nas suas rápidas saídas em contra-ataque pelos corredores, necessidades que obrigaram Jorge Jesus mais uma vez a pedir muita contenção nas subidas aos laterais, para não serem apanhados em falso no lançamento do contra-ataque adversário, em especial nos momentos em que o adversário recuperava a bola, e a história do jogo poderia ser um verdadeiro cabo do Bojador para a formação leonina.

Na primeira meia hora eu compreendi a necessidade sentida pelo técnico do Sporting, mas por outro lado também deduzi que Jesus queria o melhor de dois mundos: a estabilidade defensiva da equipa e a criação de lances de perigo através da exploração do jogo interior. O problema é que que o adversário teve o mérito de congestionar o corredor central com a colocação de muitas unidades e de ser ali, naquela zona do terreno, extraordinariamente pressionante às investidas leoninas, não obstante a presença dos extremos, a sua mobilidade (tentando baralhar as marcações) e a sua procura pela posse do esférico. O único lance de perigo dos gregos, surgido precisamente numa transição em contra-ataque montada pelos corredores, surge de uma falha na abordagem ao adversário de Fábio Coentrão.

Embora as imagens não mostrem a jogada completa e o momento ao qual queria dar enfase, este lance surge na sequência de uma recuperação de bola efectuada pelos gregos no seu meio-campo seguida de um rápido lançamento para Felipe Pardo. Coentrão adiantou-se para tentar roubar a bola ao colombiano sendo surpreendido com um toque do colombiano para a sua rectaguarda, toque que permitiu a Diogo Figueiras, mais rápido que Bruno César, aquela enorme avenida para correr.

Fora este lance, foram 40 minutos de boa organização defensiva do Olympiacos e nada mais. A ideias de jogo do treinador grego pass única e exclusivamente, à falta de um homem na área (embora Kostas Fortunis tenha em um ou dois momentos ajudado a ligar o jogo entre o centro e as alas) por explorar, em acções de contra-ataque, as poderosas e eficazes acções 1×1 de Felipe Pardo e uma ou outra situação de overlaping que pudesse ser criada nos corredores. Foram no fundo essas as situações que motivaram Jorge Jesus a pedir aos laterais para se conterem nas subidas. Imaginem o que é que poderia ter acontecido em meia dúzia de lances se Piccini e Coentrão se tivessem aventurado no terreno.

Até aos 40″ o bem montado bloco recuado montado em 4x1x4x1 pelo novo treinador da formação grega, Takis Lemonis, organização defensiva totalmente antagónica aquela que vimos na primeira jornada com o anterior técnico dos gregos, o albanês Besnik Hasi, teve o condão de dificultar a penetração leonina. Estando os espaços centrais completamente congestionados e preenchidos por 3 médios de cobertura (Romao, Gillet e Tachsidis; este último tinha a missão de vigiar as entradas de jogadores entre linhas) com o auxílio directo de Fortunis, a estratégia de jogo teria obrigatoriamente que passar pela retirada do esférico das zonas de pressão adversária, circulando rapidamente para as alas de forma a chamar os laterais ao jogo para obrigar a equipa grega a esticar a toda a largura do terreno, dificultando-lhes as acções de cobertura e obrigando-os a ter se deslocar para as alas para abrir mais espaços para jogar no corredor central. Caso os laterais continuassem descidos, só haveriam três ou quatro situações capazes de cumprir os propósitos do jogo: uma ou outra combinação que se pudesse fazer pelo meio, um lance de bola parada (André Pinto e Dost foram profundamente infelizes logo aos 2″ na finalização aquele sublime lance de laboratório) ou um remate de meia distância. Até ao primeiro golo, o Sporting só conseguiu penetrar no interior do bloco adversário uma vez naquela combinação realizada por Bruno e Battaglia na qual Bruno colocou o argentino em zona de finalização. Pelo meio há aquela fantástica acção de Dost na sequência de um lançamento lateral na esquerda, acção que deverá certamente ter agradado a Jesus porque é efectivamente isso que Jesus pede ao seu ponta-de-lança naquela situação específica.

O jogo pedia portanto menos rendinhas de bilros a meio, e mais circulação directa, dos centrais para os flancos, devendo os laterais subir mais no terreno (preferencialmente por fora, bem abertos juntos às laterais) para magicar mais combinações com os alas, ancorados por dentro, pelo interior do terreno.

Quando os laterais sobem no terreno, o futebol do Sporting ganha outra dimensão.

Com aquele passe longo para Piccini, Mathieu abriu a arca de pandora, fazendo jus às qualidades de organizador que lhe reconhecemos. O francês viu a subida no italiano no terreno, numa fase em que Gelson tinha regressado a terrenos exteriores, meteu aquele esbelto pé esquerdo a funcionar, e o italiano, criou o desequilíbrio quando passou por 2 opositores para servir a desmarcação de Gelson, calando todos aqueles (eu inclusive) que duvidaram do seu potencial ofensivo. Com aquela espantosa rotação, o extremo serviu a entrada de Bas Dost. Mais uma vez, à killer, vindo de gazão pela rectaguarda do central, antecipou-se e enfiou a bolinha lá dentro.

Se Piccini, Gelson e Dost fizeram o meu dia, Bruno César completou o dia do meu gato. A euforia foi tanta que o pobre Cocas, decidiu no momento do golo do brasileiro, passar a sua pata por cima do comando da televisão, desligando-a por momentos. Ambos corremos pela casa: eu de felicidade e o Senhor Cocas com algum receio, não fosse o dono fazer-lhe aquilo que faz regularmente com as setas ao esgaçado poster do plantel do Benfica 2004\2005.

O recital de Bruno, de Bruno César, de Battaglia e dos laterais – um cheirinho a bom futebol

Com os 2 golos, os gregos amoleceram por completo e viram-se impotentes para ir lá à frente criar lances de perigo, não obstante as modificações realizadas pelo seu treinador. A desintensificação da pressão efectuada no corredor central e a maior pendente ofensiva demonstrada pelos laterais, aparecendo mais vezes inseridos nos processos ofensivos, pontuadas com alguns movimentos divergentes de Bruno Fernandes para as alas, em especial para a direita para esticar o jogo quando a bola saia pela direita por Piccini ofereceram-nos jogadas de alguma beleza que certamente terão empolgado muitos sportinguistas. Este é o futebol que Jesus quer certamente praticar com esta equipa. Um futebol combinativo, enleante, bem trabalhado (no qual até Dost é de vez em quando chamado pelos médios para ceder apoios frontais que, por força dos arrastamentos promovidos pelo holandês abrem linhas de passe para a colocação da bola em profundidade nas costas da defesa para a corrida dos homens dos corredores, como veio acontecer num lance na 2ª parte).

Não posso de forma alguma terminar este post com três curtíssimas notas:

  • A primeira está relacionada com o exímio posicionamento de Battaglia nos momentos de transiçãoSs defensiva. O argentino é um verdadeiro olho de falcão desta equipa, o homem que tudo adivinha, que tudo sabe da intenção adversária. O homem que sabe quando é que tem de sair para pressionar, quando e para onde é que tem de correr para ganhar aquela segunda bola. O homem que sabe quando é que tem que cair para uma ala para impedir que aquele lançamento longo chegue ao destinatário. O homem que sabe que linhas tem de fechar, que movimento tem de seguir, que zona é que precisa da sua preciosa ajuda, do seu precioso músculo. Batta foi sem dúvida alguma a melhor aquisição desta época. Eu gosto muito de o ter por Alvalade e já referi noutra ocasião em tom de brincadeira que se Azeredo Lopes tivesse Batta a vigiar o paiol de tancos, muito dificilmente lhe roubavam o armamento.
  • As ganas de Bruno. Bruno foi o jogador que mais correu em campo num total de 12 km. Bruno construiu, Bruno veio atrás quando a equipa precisava do seu esforço de construção, Bruno avançou quando sentiu que a equipa precisava da sua presença mais próximo da área. Bruno serviu em zona interior, Bruno combinou, Bruno conduziu, Bruno estendeu para a ala, Bruno pensou sempre em dar profundidade à ala quando viu os laterais a subir que nem galgos, Bruno cruzou, Bruno colocou a bola na cabecinha de Dost e está no lance do golo de Bruno César e na 2ª parte mereceu o golo. Bruno é no fundo os valores que consubstanciam o Sporting. Obrigado Bruno!
  • Sinal negativo mais uma vez para o mestre da Alta Definição: com o resultado mais que controlado, Jesus tardou imenso a mexer na partida para dar descanso aos homens que tem sentido limitações físicas. Esperemos que os minutos a mais que deu a Mathieu, a William e a Coentrão não lhe tragam dissabores em Paços de Ferreira.

Um breve olhar sobre o plantel do Sporting. Deverá Jesus atacar em força o mercado de inverno?

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Nas últimas semanas, tenho lido por aí, tanto nas redes sociais, como na blogosfera e na imprensa especializada diferentes perspectivas sobre o plantel do Sporting, sobre as exibições e a evolução trilhada por alguns jogadores nas diversas dimensões do jogo, tomando sempre como ponto de partida para a discussão o modelo de jogo e as ideias de Jorge Jesus, bem como algumas opiniões em relação às necessidades ou carências mais urgentes que são ditadas pelas exibições, pela evolução dos jogadores (em especial, pelo grau de assimilação destes aos princípios e ideias do teinador) e pelas lesões que recentemente abalaram algumas das peças-chave deste plantel, muito por culpa de dois factores que devem ser imputados a Jorge Jesus: a gestão do plantel e a exigência do seu modelo de jogo.

Demolhados alguns dos argumentos lidos por aí e devidamente contrapostos com a minha análise do “estado das coisas” defendi no início da época e continuo a defender que o Sporting terá forçosamente que procurar, interna ou externamente, quatro reforços, fulcrais, para consolidar o leque de opções à disposição do seu treinador em quatro posições do terreno: para a posição de central, para a esquerda da defesa,  para as alas e para a posição de ponta-de-lança. Continuar a ler “Um breve olhar sobre o plantel do Sporting. Deverá Jesus atacar em força o mercado de inverno?”

O pré-Gelson e o pré-Bruno, o pós-Gelson e o pós-Bruno.

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Houve um jogo antes da entrada de Gelson (um futebol completamente amorfo, acabrunhado, sem ligação entre sectores) e um jogo ligeiramente diferente após a entrada na partida de Gelson, pesem no entanto as dificuldades sentidas até à entrada de Bruno Fernandes aos 59″, pela dupla de centrais e de médios (Battaglia e Petrovic no capítulo da saída de jogo e da primeira fase de construção, dificuldades essas que naturalmente foram agudizadas pela disposição compacta e pela agressividade demonstrada no capítulo da pressão (montada à entrada do meio-campo) pelos jogadores da formação minhota (há que dar mérito à organização defensiva exemplar demonstrada pelos comandados de Dito), pela inserção forçada de Bruno César nos flancos face à ausência de Acuña (esperemos que Ruiz venha com vontade para colmatar essa lacuna de plantel), pela falta de velocidade, de mobilidade de algumas unidades (não se desmarcando convenientemente para abrir linhas de passe), de paciência na circulação e até de inteligência por parte de Petrovic, dificuldades que por outro lado foram amenizadas com as constantes (e habituais) entradas do extremo em zonas interiores para vir buscar jogo atrás, de forma a auxiliar a ligação do jogo entre sectores, em especial a ligação e a parceria com Daniel Podence.

Jorge Jesus continua na sua onda experimental, naquela onda experimental que só traz desgraças aos clubes que vai orientando. Casar no meio-campo um médio de cariz mais defensivo (Petrovic) que sente efectivamente muitas dificuldades para discernir o que é que deve fazer com a bola em cada lance concreto (se deve passar, se deve arriscar um passe para um jogador entre linhas, se deve procurar os laterais, se deve progredir com a bola para o espaço livre que lhe é oferecido pelo adversário para atrair jogadores para libertar outros espaços para jogar nos corredores; chegou a existir ali um período em que os jogadores famalicenses ignoraram-no por completo, deixando de pressionar o sérvio, quando Dito apercebeu-se  da natureza inofensiva de Petrovic ou seja, da sua evidente incapacidade em gerar progressão à equipa através do transporte de bola) com outro, Rodrigo Battaglia, que, embora tendo registado melhorias neste aspecto desde que entrou pela Porta 10A, continua a ter muitas dificuldades no capítulo do passe e na partida de hoje decidiu, para cúmulo das dificuldades criadas pelo adversário, assumir menos o esférico no momento de construção para realizar movimentações completamente distintos que lhe são habituais (procurando entrar muitas vezes entre linhas ou até mesmo nas costas da defesa contrária), foi uma decisão de génio. Na minha opinião, Bruno Fernandes deveria ter entrado de início para resolver este jogo cedo, fazendo-o descansar quando o jogo (e o próprio adversário) estivesse totalmente dominado.

Nos primeiros 20 minutos assistimos a um Sporting com muitas dificuldades para construir. Frente a uma equipa que se organizou num bloco compacto bastante bem organizado, e bastante producente, com uma 1ª linha de pressão efectiva à entrada do meio-campo e um sistema de coberturas muito bem montado no qual todos os jogadores demonstraram o mínimo de intensidade e agressividade nas disputas, era preciso abordar esta partida de outra forma completamente diferente. O que vimos foi uma mão cheia de jogadores verdadeiramente impacientes na saída de jogo, de processos lentos, tentando despachar o jogo rapidamente para as costas da linha média famalicense, ao invés de tentar circular pacientemente e em velocidade entre flancos e\ou de ter um jogador capaz de romper coma bola pelo centro para obrigar a estrutura defensiva famalicense a dançar, ou seja, a ter que deslocar mais unidades para o miolo quando um jogador entrasse com o esférico em condução pelo meio (atraindo jogadores para abrir naturalmente espaços para jogar nas alas; o que até poderia resultar numa 2ª fase na entrada da bola no jogo interior em Podence ou em Dost) ou a ser atraída para um flanco para rapidamente se executar uma variação para o outro de forma a criar espaço para os jogadores da ala esquerda progredir.

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Rio Ave vs Sporting – Um conjunto de situações que ajudam a compreender a partida

Nota prévia: Perdõem-me a utilização de caps lock nas palavras com acentos circunflexos. Tais erros devem-se aos caprichos estranhos do meu teclado nesta harmoniosa noite de sábado.

1- A verticalidade dos processos de jogo do Rio Ave de Miguel Cardoso. 

Logo no minuto inaugural, o Rio Ave “mostrou ao que vinha”, aplicando um dos processos de jogo que compoem o modelo de jogo (a identidade colectiva da equipa) que está a ser idealizada, trabalhada e operacionalizada pelo seu treinador desde o primeiro dia desta temporada. Como já referi noutras ocasiões, a palavra Fidelidade (À identidade que está a ser construída) é a palavra de ordem no seio do grupo de trabalho vilacondense. Cardoso (vale a pena ler esta apresentação do próprio no slideshare e convido-vos se tiverem tempo a ler as outras que o próprio disponibilizou sobre outros temas) é, como também já pude referir neste espaço, um treinador que trabalha a equipa de forma a que esta possa jogar À Imagem do modelo de jogo por si idealizado.

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Miguel Cardoso, slides 12 e 13, “A Construção de uma Dinâmica” – Curso de treinadores UEFA B – Braga 2010

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O lance inicia-se com a tradicional disposição dos vilacondenses no terreno de jogo neste capítulo. Pelé recua até aos centrais para ali poder exercer o seu magistério sobre trÊs situações muito específicas: o trinco auxilia a saída de jogo (jogando o esférico preferencialmente para o meio-campo, onde Tarantini sai da marcação para vir receber o jogo, aproveitando a distÂncia de 20 metros existente entre a linha ofensiva e a linha defensiva leonina), permite a projecção dos dois laterais no terreno e confere estabilidade defensiva À equipa caso exista uma perda de bola.

Tarantini destaca-se de William para receber e logo que recebe procura rodar para tentar perceber o posicionamento das referÊncias criativas da equipa. Ao perceber a desmarcação de Barreto pelo meio de Mathieu e de Coentrão, o experiente médio apercebe-se que tem a possibilidade de matar as duas linhas do Sporting de uma só cajadada, isolando o colega.

barreto

Eis a verticalidade pretendida por Cardoso. Em poucos toques\acções a equipa consegue transformar uma saída de jogo num lance de perigo.

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Juventus 2-1 Sporting – A deusa Fortuna voltou a trocar-nos as sortes

pjanic

Madrid e Lisboa, 1994. Milão e Lisboa, 1991 e 2001 (AC Milan) e 2002 (naquele empate sensaboroso obtido contra o Inter para a pré-eliminatória da Liga dos Campeões). Lisboa 2001, naquela partida de inglória euforia realizada frente ao Real Madrid. Lisboa, 2005, frente ao CSKA. Lisboa, 2008, frente ao Rangers. Lisboa e Bilbao, 2012. Madrid e Lisboa, 2016. Lisboa e Turim, 2017. O que é que tem faltado ao nosso Sporting para ser feliz nas competições europeias? O que é que devemos começar a trabalhar incansavelmente já a partir de amanhã ou que novenas deveremos todos, sem excepção, começar a rezar ininterruptamente para que o nosso Sporting seja feliz nos minutos finais das partidas que disputa contra os tubarões europeus? Que mal fizemos nós ao mundo para merecer tamanha falta de sorte?

Em Turim, voltámos a não ser fomos felizes e a verdade é que no futebol não existem vitórias morais. Existe sim o contentamento de termos visto o nosso Sporting a ombrear mano-a-mano contra o campeão e contra o vice-campeão europeu, mas esse contentamento per se não chega, não nos vale de nada, não nos traz benefícios. Dá-nos um certo conforto moral e aumenta as nossas expectativas em relação ao nosso principal objectivo doméstico (hoje acredito ainda mais que é possível quebrar em Maio de 2018 a longa travessia do deserto a que temos vindo a ser submetidos nos últimos 15 anos) mas, de facto não marcámos os pontos que deveríamos ter marcado nestas duas jornadas. O esforço e a entrega dos nossos jogadores nestes dois desafios não foram suficientemente recompensados, ficando portanto no ar aquele sentimento de injustiça, sentimento que no seio dos jogadores deverá ser esquecido o mais rapidamente possível porque a exibição compensou o resultado negativo averbado. Este resultado tem que dar ânimo a todo o grupo de trabalho. Com um bocadinho mais de esforço, creio que é possível corrigir este resultado em Alvalade.  Continuar a ler “Juventus 2-1 Sporting – A deusa Fortuna voltou a trocar-nos as sortes”

Sporting – Findo o segundo ciclo, o que é que se perspectiva?

Por Miguel Condessa*

sporting 101

Findo o segundo ciclo, o que se viu, o que se perspectiva…

Depois de 2 jogos, em casa, de enorme grau de dificuldade, creio que a maioria dos adeptos conscientes ainda não terá percebido bem se temos realmente uma equipa para ganhar títulos este ano ou não. Todos nós, sportinguistas, temos essa esperança mas uns acharão que ainda nos falta algo e outros já pensam que estão reunidas todas as condições – ainda por cima com o VAR! – para ser este ano o nosso ano!

Eu, confesso, inicialmente pensei que sim, contrariando até a minha ideia inicial que nunca seremos campeões com o Jesus, mas agora penso que ainda nos faltam algumas coisas… Tivemos já dois grandes ciclos de jogos – entre o início da temporada e os jogos da selecção. No primeiro ciclo, em Agosto, fizemos 6 jogos – Aves (f), Setúbal (c), Steaua (c), Guimarães (f), Steaua (f) e Estoril (c) – com 5 vitórias e 1 empate. Neste segundo ciclo, em Setembro, em 7 jogos – Feirense (f), Olympiacos (f), Tondela (c), Marítimo (c), Moreirense (f), Barcelona (c) e Porto (c) – conseguimos 3 vitórias, 3 empates e 1 derrota, sendo que nos últimos 4 jogos não vencemos nenhum!

É da minha opinião que temos um bom plantel, o melhor das 5 épocas do Bruno de Carvalho, com algumas lacunas, que nos dá uma boa base para trabalhar daqui para a frente. Este ano as aquisições foram bastante assertivas – a excepção será o Matheus Oliveira que não tem, nunca teve, e acho que dificilmente terá, andamento para jogar num clube como o Sporting – e tivessem sido assim nos dois anos anteriores de certeza que não tínhamos as limitações que temos e seriamos muito mais fortes. Continuar a ler “Sporting – Findo o segundo ciclo, o que é que se perspectiva?”

A melhor exibição colectiva e táctica da temporada não resultou em mais porque houve falta de qualidade na definição e um ligeirinho complexo de inferioridade nos momentos-chave

barcelona

Um turbilhão de emoções. Quem viu no estádio deverá ter decerto sentido que o Sporting poderia ter retirado muito mais daquela segunda-parte. Não foi um verdadeiro “encostar do adversário” às cordas porque os catalães também defenderam bem (chegando a ter 8 unidades no interior ou nas imediações da área) e conseguiram a espaços, nos momentos de maior pressão adversária com muita classe, melhor, com a classe que estratifica jogadores como Jordi Alba, Andrés Iniesta, Sérgio Busquets e Lionel Messi como jogadores de 1ª linha mundial, ter mecanismos (os tais que faltaram ao Sporting para ser criterioso na saída para o contragolpe) para levar a bola para o meio-campo adversário, cumprindo a mais ortodoxa das estratégias de gestão da vantagem. Aquelas que nos faltaram cumprir por exemplos nos jogos contra o Feirense, Estoril e Olympiacos.

No entanto, o Sporting no 2º tempo fez o que 99% das equipas europeias não conseguiram fazer nos últimos 15 anos contra este Barça: encostar a equipa catalã ao seu último reduto, aplicar uma pressão altíssima e de certa forma asfixiante que não deixava os catalães sair “à lagardère” em construção (a defesa subida até perto da linha de meio-campo comportava os riscos e consequências depreendidas na primeira parte quando o Barça começou a explorar a profundidade devido à falta de alternativas concedida pela excelente organização defensiva do adversário) e roubar muitas bolas passíveis de se constituírem como contra-ataques bastante promissores.Nesses contra-ataques faltou-nos critério (bloco a subir rapidamente, falta de linhas de passe para dar continuidade às arrancadas de Bruno e Gelson; é certo que a cada recuperações caiam logo uma data de jogadores sobre o portador, a começar por Sergio Busquets, estacando imediatamente a transição com um desarme ou com uma falta cirúrgica; passes certeiros), faltou um certo apoio dos laterais às investidas nas alas e alguma qualidade no momento da definição das jogadas.

A melhor exibição colectiva e táctica da temporada (quase perfeita no primeiro tempo; arrojada e suicida no 2, mas que ao mesmo tempo nos encheu de tanto orgulho; cumprindo à risca o plano de jogo que já vinha desde há algumas semanas a antever) poderia ter sido selada com um tiro de glória se Bas Dost (a atravessar uma clara crise de confiança) tivesse optado por atacar aquela apetitosa bola com a fé que o caracteriza, ao invés da infrutífera decisão tomada com a assistência para o lado para a entrada o remate de Bruno Fernandes. Estivemos tão próximos de um resultado positivo susceptível de nos abrir a porta do sonho num verdadeiro mar de espinhos. Contudo, fiquei ciente de

  • se no domingo fizermos uma exibição deste quilate de pureza contra o Porto (creio que não é preciso alterar nada no onze titular e no plano de jogo; a melhor forma de respondermos à estratégia que Conceição apresentará em Alvalade será baixar linhas e dar-lhes toda a iniciativa no nosso meio-campo; temos suficiente estabilidade, segurança e organização defensiva para enfrentar qualquer equipa ) venceremos;
  • se formos um bocado mais organizados e menos temerários ofensivamente poderemos bater a Juventus.
  • A terceiro e não menos importante: este estádio atingido frente ao Barcelona ainda não é na minha opinião o nível de evolução máxima que esta equipa pode vir a atingir no decurso desta temporada.

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Tudo errado! – Uma dúzia de pensamentos soltos e factos sobre o empate do Sporting em Moreira de Cónegos

jorge jesus 3.jpg

Estava profundamente enganado. Quando há algumas semanas atrás escrevi neste preciso espaço a ideia de que Jorge Jesus estaria, na presente temporada, mais consciente e mais criterioso na gestão que faz do seu plantel, escolhendo com prudência e mestria as soluções ideais para cada “tipo de adversário” estava profundamente enganado: os erros básicos de percepção e análise dos pontos fortes e fracos do adversário e a incapacidade evidente que o treinador do Sporting possui para “pensar um jogo de cada vez”, leva-o a cometer erros desnecessários (dados os objectivos traçados para a temporada e ao contexto do grupo de Champions no qual está inserido) que custam pontos e que custam, acima de tudo, títulos ao clube. Sempre que Jesus inventa, o Sporting perde pontos. Sempre que a equipa vem de um jogo contra um grande europeu, a equipa perde pontos. Só um treinador com uma enorme (inabalável) fé na(s) (falta de) qualidades de um jogador cuja prática (ou falta dela), perdoem-me a expressão, mete, a cada dia que passa, os adeptos leoninos à beira de um ataque de nervos, leva o treinador leonino a prescindir (num jogo em que era mais que “certo e sabido” que o adversário iria tentar complicar ao máximo a circulação leonina com uma boa prestação defensiva, com um enorme espírito de combate e com processos de jogo essencialmente formatados para a saída em contra-ataque) de um jogador de combate, colocando no seu lugar um jogador que não acrescenta nada a esta equipa. Nada. Volto a repetir. Nada.  Continuar a ler “Tudo errado! – Uma dúzia de pensamentos soltos e factos sobre o empate do Sporting em Moreira de Cónegos”

Uma entrada de leão, uma saída de gatinho – cansaço, má gestão da vantagem, nervosismo e a apoteose final – por mim, isto não deve ser sempre assim

Quando Luís Godinho apitou para o final da partida, o estado de apoteose registado no Estádio José de Alvalade mostrou indicadores muito precisos: o primeiro, foi o alívio da tensão e do nervosismo latente que a equipa leonina fez ascender desde o terreno de jogo até às bancadas nos últimos 10 minutos. Pode-se até mesmo dizer que o primeiro golo e o golo anulado aos canarinhos no último minuto deve ter feito reviver, em alguns corações, os fantasmas de épocas anteriores, desde o golo que nos ceifou a possibilidade de conquistar o campeonato em 2004\2005 aos mais recentes dissabores frente ao Guimarães e Belenenses. O segundo foi claro e conciso: a luta travada pelo presidente do Sporting nos últimos anos está a dar (pelo menos para nós; para os outros nem tanto; parece até que as entidades não estão a nomear videoárbitros para as suas partidas) os seus respectivos frutos. Em condições normais, sem videoárbitro, o Sporting perderia naquele lance 2 pontos que poderiam ser, como pudemos ver nos campeonatos de 2007\2008 (aquele golo com a mão de Ronny em Alvalade) e no malogrado campeonato da temporada 2015\2016 essenciais para a conquista do título.

O cansaço sentido pelos jogadores a partir da meia-hora pode explicar o baixar de forma (e de guarda) da equipa leonina, mas não pode explicar tudo o que passou durante uma parte significativa (45\50 minutos) da partida. Não posso de forma alguma menosprezar ou ignorar a onda de cansaço que se poderá ter abatido no seio da equipa, porque, uma equipa que é obrigada a realizar 6 jogos em 21 dias, 2 dos quais debaixo de uma pressão imensa, e de duas viagens desgastantes, tem que estar naturalmente cansada. No entanto, a gestão dos jogos contra equipas que demonstram capacidade de reacção à adversidade (como é o caso do Estoril de Pedro Emanuel) não pode iniciar-se, com um resultado de 2-0, a partir dos 15 minutos de jogo.

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Por mim, deveria ser sempre isto!

Entrada fortíssima, a mandar no jogo e a retirar proveito de todos os processos de jogo executados, quer nos lançamentos promovidos em profundidade para os homens dos corredores, quer na aposta ao jogo interior, com Alan Ruiz a posicionar-se sempre muito bem entre as duas linhas atrasadas do adversário, quer nas combinações que são feitas na esquerda entre Coentrão e Marcos Acuña. 

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