Dani Alves – a qualidade que simplifica jogos!

Recebendo na direita ou em zona interior, o procedimento do lateral brasileiro é sempre o mesmo: no momento em que recebe o esférico, de cabeça levantada, perscruta “os cenários” que se lhe apresentam defronte (o posicionamento da defensiva adversária; o posicionamento dos colegas; os movimentos de desmarcação que estes possam ter iniciado) antes de servir esses mesmos movimentos, para os espaços onde “estes vão cair”, com a excelência de passe que lhe é reconhecida. Não obstante a sua idade actual, não há nenhum treinador no mundo que não quisesse ter Dani Alves na sua equipa. O brasileiro é o melhor lateral direito da história do futebol!

Os golos da Champions

Uma aposta de risco de Rui Vitória. Um par de notas sobre a estreia ao mais alto nível de Mile Svilar

Incontornável assunto colocado à discussão na ordem deste 19 de Outubro foi o ridículo golo sofrido por Mile Svilar na derrota caseira averbada pelo Benfica por 1-0 frente ao Manchester United. Assim que Bruno Varela deixou entrar (por manifesto excesso de confiança) aquela bola saída dos pés de Renato Santos na derrota dos encarnados no Estádio do Bessa, creio que seria lógica e natural a possibilidade de Rui Vitória vir a trocar de guarda-redes nos jogos seguintes, para, numa fase mais adiantada da temporada, promover, na altura certa, quando o jogador já se encontrasse totalmente adaptado à sua nova realidade e às rotinas trabalhadas na equipa, o jovem talento Mile Svilar. O ridículo golo sofrido na noite de ontem em nada beliscou aquilo que penso sobre o jovem guardião belga: Svilar tem um potencial infinito por explorar, talento no qual sobressai um estilo muito peculiar (é um guarda-redes que gosta de actuar ligeiramente mais subido no terreno; característica clássica dos guarda-redes belgas), uma boa capacidade de recuperação na baliza, felino no voo, bastante ágil e flexível, e muito rápido a sair aos pés dos adversários – como ponto fraco parece-me ter somente a saída ao cruzamento por questões meramente posicionais, como pudemos reparar no lance do golo. Svilar não me parece ser aquele tipo de guarda-redes incisivo, agressivo e decidido a sair a cruzamentos, mas, os seus 18 anos, e as 2 temporadas que passará certamente na Luz (podem vir a ser mais ou até menos consoante o grau de evolução) conferem ao treinador de guarda-redes dos encarnados Luís Esteves algum tempo para poder calmamente lapidar os pontos fracos deste diamante em bruto.

A aposta de Rui Vitória no jovem guardião belga, jogador que cumpriu ontem o seu segundo jogo no escalão sénior e o primeiro na principal prova do futebol europeu, tornando-se o mais jovem guardião a alinhar num jogo a contar para a Champions, para um jogo no qual o Benfica teria obrigatoriamente que marcar pontos para continuar a acalentar o sonho de poder discutir o acesso aos quartos-de-final foi por motivos óbvios uma aposta de risco. Mesmo sabendo que estava a submeter o miúdo a um ambiente de extrema complexidade de pressão, frente a uma das mais poderosas equipas do futebol mundial, numa competição onde cada falha é aproveitada pelo adversário e cada falha comprometedora é obviamente sentida de maneira diferente por um jovem em início de carreira, o treinador do Benfica quis obviamente aproveitar a ocasião para correr o risco, ou seja, para dar estaleca ao miúdo, consciente que o belga “saíria em ombros da Luz” se fizesse uma monumental e galvanizadora exibição (exibição que efectivamente realizou até sofrer aquele golo) e muito dificilmente seria criticado ou até gozado (pelos adeptos do clube) se cometesse uma falha grave. Os adeptos dos rivais obviamente passaram o dia a capitalizar sobre a falha, mas isso é uma questão tão antiga quanto a origem do vento e não deverá influir com a psique do jogador. Pelo que tenho visto, confiança não faltará ao jogador para dar a volta por cima nas cenas dos próximos capítulos. Quando, em 2006, nos primeiros jogos de leão ao peito, Rui Patrício falhou, os adeptos dos clubes rivais também cairam sobre o pobre keeper sportinguista. Rui Patrício teve na altura, força mental para aprender com os erros cometidos, para superar os seus próprios fracassos, para se sedimentar como titular da baliza leonina naquela temporada (na altura, o Sporting vivia uma situação muito idêntica à que vivia o Benfica; mesmo apesar das falhas esporádicas que o jovem guardião ia cometendo aqui e ali, Paulo Bento continuou a segurá-lo e a dar-lhe a sua confiança) e acima de tudo para trabalhar com confiança, tornando-se o assombro de guarda-redes que hoje efectivamente é.  Continuar a ler “Os golos da Champions”

Os golos do dia

Blaise Matuidi descomplicou a vitória num terreno consuetudinariamente difícil para qualquer selecção.

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Foi com um tiraço de ângulo diminuto, sob oposição de um carrinho realizado por um búlgaro e com o guarda-redes bem colocado ao primeiro poste a fechar o ângulo que o médio da Juve, jogador que foi adquirido no último defeso ao PSG, clube onde perdeu espaço nas escolhas de Unai Emery, tranquilizou as hostes francesas frente a um adversário que a jogar em casa gosta de complicar o jogo a qualquer selecção através da colocação de um futebol muito musculado a meio-campo. Continuar a ler “Os golos do dia”

Os golos da jornada (1ª parte)

A importância de uma boa saída na transição para o contra-ataque: o segredo da vitória do FC Porto em Vila do Conde. 

Começo este post com um par de notas sobre a vitória dos portistas em Vila do Conde.

A equipa de Sérgio Conceição teve na primeira parte algumas dificuldades para contrariar a bem montada estratégia de jogo por parte de Miguel Cardoso, estratégia que diga-se de passagem é a mais verdadeira matriz identitária desta equipa. À imagem e semelhança daquilo que fez contra o Benfica, nos primeiros 45 minutos, o treinador do Rio Ave (agente cujo “berço de treino” foi precisamente a formação do FC Porto) apostou nos habituais e bem trabalhados\apurados processos de construção da equipa (iniciados a partir de trás, dos pés do guarda-redes Cássio) para dominar a posse de bola, acima de qualquer outro aspecto, conseguir ultrapassar as duas primeiras linhas de pressão do 4x3x3 subido escalonado por Conceição para colocar os seus médios ofensivos, Tarantini e Barreto de frente para o jogo e com espaço para acelerar a construção ofensivo no meio-campo adversário, aproveitando o espaço existente entre a linha média e a linha defensiva da formação portista.  Continuar a ler “Os golos da jornada (1ª parte)”

Ainda os aspectos positivos e os aspectos negativos da exibição do Sporting frente ao Mónaco

Na sequência deste post. 

No post de ontem realcei como aspecto positivo “a assertividade dos centrais do Sporting na abordagem a Kylian Mbappé”, sem descurar porém, neste âmbito, um aspecto que considerei negativo:

“Falha no controlo da profundidade. A falta de intensidade no momento de pressão também permitiu aos monegascos colocar uma série de bolas para as entradas de Mbappé nas costas dos centrais leoninos. O timing de passe para as entradas do avançado era oportuno bem como o seu tempo de entrada para escapar à armadilha do fora-de-jogo que Mathieu tentou colocar em diversos lances. No entanto, realço novamente a rapidez com que os centrais do Sporting chegaram ao avançado, anulando-se em 3\4 lances a possibilidade de ficar isolado na cara de Rui Patrício.” 

O vídeo acima postado permite-nos uma análise mais detalhada desses momentos.  Continuar a ler “Ainda os aspectos positivos e os aspectos negativos da exibição do Sporting frente ao Mónaco”

Sporting 2-1 Mónaco: os aspectos positivos e os aspectos negativos da exibição dos leões no seu jogo de apresentação

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Aspectos positivos:  Continuar a ler “Sporting 2-1 Mónaco: os aspectos positivos e os aspectos negativos da exibição dos leões no seu jogo de apresentação”

O golo do dia

Dia de aniversário, a quanto obrigas! França e Inglaterra realizaram provavelmente um dos jogos do ano no amigável disputado esta noite no Saint Denis. Pelo que amiúde que pude ver na tv enquanto fazia de de convidado na festa de anos com que fui brindado, pareceu-me ter sido um jogo de uma qualidade técnica e física (pelo pace a que se disputou o jogo) sensacional, contrariando os aborrecidos amigáveis de final de temporada em que as pernas (e a cabeça dos artistas) estão longe do relvado e muito próximas dos exóticos destinos que irão preencher as suas vidas nas próximas semanas. Continuar a ler “O golo do dia”

A corrida de Mbappé para o título merecido de Leonardo Jardim

Kylian Mbappé bem como tantos outros, foram o corolário de uma aposta trilhada pelo português na juventude, quando os sonhos milionários incutidos pela direcção de Dmitry Rybolovlev se finaram. O português conseguiu, a pulso, alterar as novas ideias e estratégias trazidas pelos novos oligarcas para o futebol ao apostar no desenvolvimento de jovens com potencial em detrimento de estratégias que visam dotar as equipas de nomes sonantes contratados e pagos a peso de ouro.

Leonardo Jardim chega finalmente ao topo do futebol europeu. Suspeito que este título não marcará o topo da carreira do treinador português: Jardim provou-se ao longo dos anos como um treinador capaz de vingar, de atingir sucesso em todo o tipo de realidades: desde o clube mais modesto ao milionário Mónaco, o madeirense tornou-se capaz de transformar em ouro toda a matéria prima em que tocou, colocando equipas a jogar um excelente futebol com os recursos possuídos, atingindo sempre óptimos desempenhos e resultados. Creio portanto que o treinador tem todas as capacidades para finalmente dar o salto para um tubarão europeu.

A carreira português no Mónaco realçou-lhe todas as características que um grande treinador deve possuir para o ser. Todas: capacidade metodológica para trabalhar uma equipa de acordo com os seus princípios de jogo, adequação táctica personalizada a todos os adversários sem violar os princípios colectivos construídos, um excelente trabalho na optimização dos pontos fortes de todos os jogadores com quem trabalha, reconhecendo-lhes valor, um excelente trabalho no desenvolvimento de jogadores jovens e um discurso humilde assente no trabalho, sem floreados nem qualquer tipo de showoff. Neste último ponto, é correcto afirmar que ao longo destes anos nunca vimos o treinador perder, em qualquer momento, aquela postura de seriedade de quem, confiante, humilde e pacientemente trabalha para o sucesso e sabe que vai alcançá-lo mais dia menos dia, mostrando outra face diante dos jogadores. 

Este título, tem ainda mais sabor se pensarmos que o treinador português conseguiu inverter o pensamento estratégico dos dirigentes do clube. Quando chegou em 2014 à turma monegasca, adquirida na altura por um excêntrico multimilionário russo, o paradigma oferecido a Leonardo Jardim era efectivamente um paradigma de luxo. As contratações pagas a peso de ouro acabaram por surtir algum efeito a curto prazo com a conquista de uma vaga na Liga dos Campeões mas não conquistaram títulos de maior. Por outro lado, os nomes sonantes levaram o treinador português a exacerbar a sua veia pragmática e excessivamente resultadista, facto completamente antagónico à atitude que o pode içar desde o excelente trabalho desenvolvido pelo Beira-Mar, Braga e Sporting até ao principado do Mónaco. A venda dos nomes sonantes teve um efeito destruidor nos sonhos incutidos quando Jardim assinou pelo Mónaco, levando o treinador português a inverter a estratégia seguida pelo clube quando decidiu, em conjunto com o director desportivo Antonio Cordon, convencer a direcção monegasca a voltar a desenvolver a estratégia que tantos triunfos deu no passado ao clube do principado: uma aposta vincada na formação e no desenvolvimento de jovens talentos.

Este foi portanto o fruto dessa aposta, libertando o treinador português das amarras do pragmatismo para uma maior liberdade criativa. Essa liberdade criativa permitiu-lhe construir a equipa que hoje foi campeã de França, 17 anos depois de uma equipa que curiosamente também tinha um conjunto de jogadores formados ou desenvolvidos no clube como David Trezeguet, Phillipe Christanval, Julian Rodriguez, Tony Sylva (formados) ou Ludovic Giuly, Dado Prso, Fabien Barthez, Rafa Marquez, John Arne Riise e Willy Sagnol (desenvolvidos).

Análise: Juventus 2-1 Mónaco – Mais uma lição de bom futebol

Splendido! Suntuoso! Perfetto lavoro! A Juventus chega pela 2ª vez nas últimas 3 temporadas à final da Champions, carimbando a maravilhosa exibição no Stade Louis II com uma excelente primeira parte no Juventus Stadium. O Millenium de Cardiff será o palco onde os bianconeri jogarão novamente os sonhos de uma década.

A vitória da Juve nesta eliminatória, frente um Mónaco que ficou aquém das expectativas que foram naturalmente depositadas em função dos resultados que a turma de Leonardo Jardim acumulou nas anteriores eliminatórias, alicerçou-se essencialmente em factores: comportamento defensivo, rigor táctico e uma ampla capacidade de fazer a diferença no ataque através do “ataque posicional” (os jogadores aparecerem nas posições em que devem estar) nas saídas rápidas para o contra-ataque.
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Análise: Mónaco 0-2 Juventus – Um trio mortífero!

O topo do cinismo ou o topo da inteligência na gestão de um jogo? Esta é a pergunta de partida que deixo no início desta crónica para que os leitores possam reflectir sobre o que se passou no jogo desta noite no Estádio Louis II. Uns dirão que a Juventus foi uma equipa cínica que viveu no erro do adversário, aproveitando os erros adversários para criar as jogadas de perigo que a turma italiana criou na partida. Outros dirão que os piemontesi foram muito inteligentes na forma em como abordaram todos os contextos que o jogo ditou. Nenhuma das “correntes de opinião” está totalmente errada mas também não explica 100% o desfecho final da partida. Temos obrigatoriamente que juntar ao cinismo e à inteligência\eficácia táctica defensiva dos bianconeri, o receio acumulado pelo Mónaco desde o início da partida e a subtil mudança que Leonardo Jardim protagonizou à identidade de jogo da equipa.  Continuar a ler “Análise: Mónaco 0-2 Juventus – Um trio mortífero!”