Mathieu, Piccini, Bruno e Bruno César ultrapassaram o labirinto grego!

Bruno César 3

Já se sabe que o homem na Champions é fera! Bruno César transcende-se por completo nos jogos grandes. A voracidade com que o brasileiro atacou o homem a que coube o azar de receber o ressalto do seu remate foi, na minha opinião, a melhor acção individual praticada no tapete de Alvalade. A reacção à perda do esférico é cada vez mais importante nos dias que correm. Como pudemos constatar no lance do 2º golo, obra do brasileiro, uma boa reacção à perda não só mata por completo uma eventual transição que possa criar problemas defensivos à equipa, como garante, conforme a posição do terreno em que a recuperação é efectuada, um precioso matchpoint, que devidamente aproveitado, pode ajudar a decidir um jogo. A reacção de Bruno decidiu uma partida oferecendo à equipa 45 minutos para descansar com bola.

O bem organizado bloco baixo defensivo dos gregos não foi a tormenta criada por Dédalo para encurralar o minotauro mas foi quase. Não fosse aquele passe longo de Jeremy Mathieu a descobrir Cristiano Piccini bem projectado na ala direita, acção que foi deveras rara no lateral italiano até aquele preciso momento do jogo, em virtude das necessidades ditadas pelo adversário nas suas rápidas saídas em contra-ataque pelos corredores, necessidades que obrigaram Jorge Jesus mais uma vez a pedir muita contenção nas subidas aos laterais, para não serem apanhados em falso no lançamento do contra-ataque adversário, em especial nos momentos em que o adversário recuperava a bola, e a história do jogo poderia ser um verdadeiro cabo do Bojador para a formação leonina.

Na primeira meia hora eu compreendi a necessidade sentida pelo técnico do Sporting, mas por outro lado também deduzi que Jesus queria o melhor de dois mundos: a estabilidade defensiva da equipa e a criação de lances de perigo através da exploração do jogo interior. O problema é que que o adversário teve o mérito de congestionar o corredor central com a colocação de muitas unidades e de ser ali, naquela zona do terreno, extraordinariamente pressionante às investidas leoninas, não obstante a presença dos extremos, a sua mobilidade (tentando baralhar as marcações) e a sua procura pela posse do esférico. O único lance de perigo dos gregos, surgido precisamente numa transição em contra-ataque montada pelos corredores, surge de uma falha na abordagem ao adversário de Fábio Coentrão.

Embora as imagens não mostrem a jogada completa e o momento ao qual queria dar enfase, este lance surge na sequência de uma recuperação de bola efectuada pelos gregos no seu meio-campo seguida de um rápido lançamento para Felipe Pardo. Coentrão adiantou-se para tentar roubar a bola ao colombiano sendo surpreendido com um toque do colombiano para a sua rectaguarda, toque que permitiu a Diogo Figueiras, mais rápido que Bruno César, aquela enorme avenida para correr.

Fora este lance, foram 40 minutos de boa organização defensiva do Olympiacos e nada mais. A ideias de jogo do treinador grego pass única e exclusivamente, à falta de um homem na área (embora Kostas Fortunis tenha em um ou dois momentos ajudado a ligar o jogo entre o centro e as alas) por explorar, em acções de contra-ataque, as poderosas e eficazes acções 1×1 de Felipe Pardo e uma ou outra situação de overlaping que pudesse ser criada nos corredores. Foram no fundo essas as situações que motivaram Jorge Jesus a pedir aos laterais para se conterem nas subidas. Imaginem o que é que poderia ter acontecido em meia dúzia de lances se Piccini e Coentrão se tivessem aventurado no terreno.

Até aos 40″ o bem montado bloco recuado montado em 4x1x4x1 pelo novo treinador da formação grega, Takis Lemonis, organização defensiva totalmente antagónica aquela que vimos na primeira jornada com o anterior técnico dos gregos, o albanês Besnik Hasi, teve o condão de dificultar a penetração leonina. Estando os espaços centrais completamente congestionados e preenchidos por 3 médios de cobertura (Romao, Gillet e Tachsidis; este último tinha a missão de vigiar as entradas de jogadores entre linhas) com o auxílio directo de Fortunis, a estratégia de jogo teria obrigatoriamente que passar pela retirada do esférico das zonas de pressão adversária, circulando rapidamente para as alas de forma a chamar os laterais ao jogo para obrigar a equipa grega a esticar a toda a largura do terreno, dificultando-lhes as acções de cobertura e obrigando-os a ter se deslocar para as alas para abrir mais espaços para jogar no corredor central. Caso os laterais continuassem descidos, só haveriam três ou quatro situações capazes de cumprir os propósitos do jogo: uma ou outra combinação que se pudesse fazer pelo meio, um lance de bola parada (André Pinto e Dost foram profundamente infelizes logo aos 2″ na finalização aquele sublime lance de laboratório) ou um remate de meia distância. Até ao primeiro golo, o Sporting só conseguiu penetrar no interior do bloco adversário uma vez naquela combinação realizada por Bruno e Battaglia na qual Bruno colocou o argentino em zona de finalização. Pelo meio há aquela fantástica acção de Dost na sequência de um lançamento lateral na esquerda, acção que deverá certamente ter agradado a Jesus porque é efectivamente isso que Jesus pede ao seu ponta-de-lança naquela situação específica.

O jogo pedia portanto menos rendinhas de bilros a meio, e mais circulação directa, dos centrais para os flancos, devendo os laterais subir mais no terreno (preferencialmente por fora, bem abertos juntos às laterais) para magicar mais combinações com os alas, ancorados por dentro, pelo interior do terreno.

Quando os laterais sobem no terreno, o futebol do Sporting ganha outra dimensão.

Com aquele passe longo para Piccini, Mathieu abriu a arca de pandora, fazendo jus às qualidades de organizador que lhe reconhecemos. O francês viu a subida no italiano no terreno, numa fase em que Gelson tinha regressado a terrenos exteriores, meteu aquele esbelto pé esquerdo a funcionar, e o italiano, criou o desequilíbrio quando passou por 2 opositores para servir a desmarcação de Gelson, calando todos aqueles (eu inclusive) que duvidaram do seu potencial ofensivo. Com aquela espantosa rotação, o extremo serviu a entrada de Bas Dost. Mais uma vez, à killer, vindo de gazão pela rectaguarda do central, antecipou-se e enfiou a bolinha lá dentro.

Se Piccini, Gelson e Dost fizeram o meu dia, Bruno César completou o dia do meu gato. A euforia foi tanta que o pobre Cocas, decidiu no momento do golo do brasileiro, passar a sua pata por cima do comando da televisão, desligando-a por momentos. Ambos corremos pela casa: eu de felicidade e o Senhor Cocas com algum receio, não fosse o dono fazer-lhe aquilo que faz regularmente com as setas ao esgaçado poster do plantel do Benfica 2004\2005.

O recital de Bruno, de Bruno César, de Battaglia e dos laterais – um cheirinho a bom futebol

Com os 2 golos, os gregos amoleceram por completo e viram-se impotentes para ir lá à frente criar lances de perigo, não obstante as modificações realizadas pelo seu treinador. A desintensificação da pressão efectuada no corredor central e a maior pendente ofensiva demonstrada pelos laterais, aparecendo mais vezes inseridos nos processos ofensivos, pontuadas com alguns movimentos divergentes de Bruno Fernandes para as alas, em especial para a direita para esticar o jogo quando a bola saia pela direita por Piccini ofereceram-nos jogadas de alguma beleza que certamente terão empolgado muitos sportinguistas. Este é o futebol que Jesus quer certamente praticar com esta equipa. Um futebol combinativo, enleante, bem trabalhado (no qual até Dost é de vez em quando chamado pelos médios para ceder apoios frontais que, por força dos arrastamentos promovidos pelo holandês abrem linhas de passe para a colocação da bola em profundidade nas costas da defesa para a corrida dos homens dos corredores, como veio acontecer num lance na 2ª parte).

Não posso de forma alguma terminar este post com três curtíssimas notas:

  • A primeira está relacionada com o exímio posicionamento de Battaglia nos momentos de transiçãoSs defensiva. O argentino é um verdadeiro olho de falcão desta equipa, o homem que tudo adivinha, que tudo sabe da intenção adversária. O homem que sabe quando é que tem de sair para pressionar, quando e para onde é que tem de correr para ganhar aquela segunda bola. O homem que sabe quando é que tem que cair para uma ala para impedir que aquele lançamento longo chegue ao destinatário. O homem que sabe que linhas tem de fechar, que movimento tem de seguir, que zona é que precisa da sua preciosa ajuda, do seu precioso músculo. Batta foi sem dúvida alguma a melhor aquisição desta época. Eu gosto muito de o ter por Alvalade e já referi noutra ocasião em tom de brincadeira que se Azeredo Lopes tivesse Batta a vigiar o paiol de tancos, muito dificilmente lhe roubavam o armamento.
  • As ganas de Bruno. Bruno foi o jogador que mais correu em campo num total de 12 km. Bruno construiu, Bruno veio atrás quando a equipa precisava do seu esforço de construção, Bruno avançou quando sentiu que a equipa precisava da sua presença mais próximo da área. Bruno serviu em zona interior, Bruno combinou, Bruno conduziu, Bruno estendeu para a ala, Bruno pensou sempre em dar profundidade à ala quando viu os laterais a subir que nem galgos, Bruno cruzou, Bruno colocou a bola na cabecinha de Dost e está no lance do golo de Bruno César e na 2ª parte mereceu o golo. Bruno é no fundo os valores que consubstanciam o Sporting. Obrigado Bruno!
  • Sinal negativo mais uma vez para o mestre da Alta Definição: com o resultado mais que controlado, Jesus tardou imenso a mexer na partida para dar descanso aos homens que tem sentido limitações físicas. Esperemos que os minutos a mais que deu a Mathieu, a William e a Coentrão não lhe tragam dissabores em Paços de Ferreira.
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Não batemos em Mourinho pelo desporto da coisa

Mais uma vez ficaram à vista as debilidades defensivas deste Manchester United. Uma cagada em 5 actos:

basileia

  1. Irracionalidade na distribuição de unidades no terreno, deixando o flanco direito em inferioridade numérica, sem que no meio haja qualquer jogador que possa obstruir eventuais linhas de passe para os jogadores que se encontram momentaneamente fora do centro de jogo onde se está a disputar a bola. Se o jogador que tem a posse neste momento quisesse receber, virar-se e abrir o jogo para o flanco, poderia fazê-lo sem grande problema, criando uma extraordinária plataforma de ataque em virtude da superioridade numérica existente e do distanciamento (espaço existente) entre o lateral e central.
  2. 3 jogadores no centro da bola não evitam a entrada da bola entre linhas no jogador que se solta da marcação.

basileia 2

3. Deficiente ataque à bola do jogador que está a fazer a acção de contenção, não tendo qualquer iniciativa de combate para parar a acção do portador. Deixa rodar para servir a situação de superioridade numérica que se mantém no flanco.

4. Assinalado a azul. Como podemos ver, no ângulo inferior direito, aquele que viria a ser o autor do golo, Michael Lang, movimenta-se no sentido de oferecer apoio ao portador dado o posicionamento interior de Daley Blind, posicionamento que lhe abre totalmente o flanco. O jogador que deve acompanhar a sua subida, Anthony Martial marimba-se completamente para a situação, não acompanhando a subida. Já no jogo do fim-de-semana contra o Newcastle, Martial descurou por completo o acompanhamento às subidas do lateral DeAndre Yedlin.

Dá-se a abertura para o flanco e a natural acção de sobreposição resultante da situação de superioridade existente. Sai o cruzamento para a área.

manchester united 7

5. Marcos Rojo perde a frente do lance para Dimitri Oberlin.

Já dizia o ditado

“À primeira todos caem, à segunda cai quem quer, à terceira só cai” – por sorte, não houve direito a terceira, mas se tivesse havido, quem sabe não é?

Padrões de comportamento em futebol

A identificação de padrões de comportamento é o principal objectivo da análise táctica, é o mantra que norteia todo o processo de observação, interpretação e análise, contextualização e transmissão das informações sobre o “jogar” de determinada equipa. As equipas tem modelos de jogo elaborados pelos seus treinadores e construídos nas sessões de treino. Padrões de comportamento são acções que se repetem porque são treinadas exaustivamente pelos treinadores nessas sessões de treino. Faço uma pausa à narrativa para mostrar um exemplo muito concreto de uma sessão de treino comandada pelo Deus Arrigo num treino da selecção italiana em 1992:

Um processo de jogo ofensivo passível de se constituir como um padrão do jogar daquela equipa. Sacchi era um treinador que defendia a construção de uma identidade e a ideia de que a equipa deveria em qualquer circunstância ditada pelo adversário manter-se fiel à sua identidade ou seja, aos processos construídos. Sacchi era portanto um treinador que não dava muito espaço para a inovação.

Qualquer análise ao jogar de uma equipa deve portanto decifrar as orientações transmitidas pelo treinador aos seus jogadores. Essas orientações são no fundo os princípios (dinâmicas individuais e colectivas; acções tomadas por um jogador em determinado momento sob determinado contexto) que o treinador visa trabalhar nos seus jogadores para que o futebol da equipa tenha uma sequência lógica e possa contrariar a acção adversária, quer no plano defensivo, quer no plano ofensivo. A execução sistemática desses princípios em competição, revela comportamentos susceptíveis de exibir traços que permitem ao observador identificar padrões de jogo. A observação de uma sequência de jogos clarifica ainda mais estes padrões, evidenciando portanto um conjunto de informações que auxilia o observador a trabalhar a equipa de forma a contrariar esses mesmos padrões.

Nem todo o futebol é, porém, padronizado. O Mestre Júlio Garganta escreveu há uns anos, uma frase que me ficou retida no pensamento a propósito desse assunto: “O comportamento dos jogadores e das equipas, embora repousando sobre uma organização sustentada numa isonomia de princípios (os mesmos princípios valem para todos), movem-se entre dois pólos: o vínculo, ou seja, o estabelecido, as regras; e a possibilidade, a inovação”</em

O mestre abre portanto a porta para a autonomização dos jogadores em relação aos princípios trabalhados pelo treinador. Essa autonomização pode ser tomada de forma espontânea pelos jogadores ou incentiva pelo treinador. Ernesto Valverde é por exemplo um treinador que pede sistematicamente aos jogadores que expressem toda a sua criatividade, privilegiando a inovação em relação aos processos trabalhados. No entanto, Valverde não pode, de forma alguma fazer tábua rasa aos processos de jogo trabalhados anteriormente por Guardiola ou Tito Vilanova (ou até pelos treinadores de formação da formação culé visto que o jogar de Guardiola foi adoptado como a filosofia da formação do clube) porque como sabemos, o grau de assimilação dos jogadores a esses mesmos processos é, em virtude da repetição, enorme. No entanto, tenho denotado ao longo desta época que os jogadores culés tem revelado algum espírito de abertura para a realização de processos inovadores, introduzidos pelo treinador ou espontâneos.

O treinador do Dortmund Peter Bosz é um treinador que incute aos jogadores a necessidade de “pensar fora da caixa” quando os processos trabalhados (padronizados) não conseguem contrariar a acção defensiva adversária, aplicando-se portanto o conceito de “inovação” preconizado pelo Mestre Júlio Garganta. Existem regras e existe um trabalho que está estabelecido. Mas se esse trabalho não é suficiente para desmontar a organização defensiva adversária, os jogadores devem inovar, surpreendendo o adversário.

A equipa alemã é uma equipa que pratica, na saída de jogo, a clássica saída verticalizada. A ideia na saída de jogo passa pela verticalização do jogo dos centrais para os médios pelo corredor interior, procurando estes assim que recebem, lançar, com um passe a rasgar, em profundidade, as desmarcações dos extremos para as costas da defesa ou as desmarcações de Aubemeyang para as costas da defensiva adversária. Este é um dos processos padrão. Outro é este, um processo muito idêntico pese embora as assinaláveis diferenças registadas nas dinâmicas individuais requeridas a Andriy Yarmolenko:

Yarmolenko entra no corredor central e tenta servir em profundidade.

Como a formação inglesa conseguiu muito bem, pressionar a saída (nunca deixando os centrais procurar o jogo interior) e condicionar a acção dos interiores quando eram solicitados com passes verticais, para activar o jogo interior, a equipa alemã teve que recorrer a outro tipo de processos, inovando. Com uma saída em U, ou seja, uma saída lateral-central-central-lateral, a equipa pretendeu, circular para as alas numa primeira fase para atrair jogadores para aquela zona de forma a realizar uma rápida variação do centro de jogo visto que a maior concentração de adversários no corredor ou na zona interior daquele flanco, libertava mais espaço para jogar no corredor central e no outro flanco. Assim sendo, os centrais Schmelzer procurava Guerreiro e Guerreiro procurava imediatamente servir Kagawa ou Weigl em zona interior. Com espaço livre para progredir, Weigl procurava atacar o espaço (atraindo os defensores) antes de libertar para Gotze, que, poderia optar por progredir mais em condução ou tentar servir as desmarcações de Aubemeyang, Toljen (inserido na jogada abaixo linkada entre os defensores da formação inglesa) ou abrir para o flanco para Yarmolenko.

Aqui: minuto 10:15 até ao minuto 10:43 – este processo foi executado 2 ou 3 vezes durante o primeiro tempo. Assim que Aubemeyang marcou, a equipa deixou de o realizar. O dito processo não é portanto um processo padronizado mas sim um acto de inovação motivado pelas dificuldades criadas pelo adversário.

No lance do golo, a equipa decidiu voltar aos processos trabalhados. Weigl desceu no terreno para vir “pegar jogo” aos centrais, procurou servir o apoio frontal oferecido entre linhas por Kagawa

kagawa

O que é que o japonês poderia fazer nesta situação concreta? Como Raphael Guerreiro não se encontrava, no momento da recepção, a postos de explorar a profundidade caso o japonês decidisse rodar para o lançar em profundidade, o japonês recebeu o esférico, entendeu as intenções do companheiro, temporizou para aguardar pela chegada ao português (que já estava em flexão para o centro) e cruzou com ele, numa espécie de intercessão…

raphael guerreiro

(…) que ofereceu ao jogador português espaço para romper pelo interior e linha de passe para Yarmolenko. Como podemos ver neste frame, assim que o português entra no espaço livre, Yarmolenko, jogador que podemos ver junto aos centrais no primeiro frame, sai da marcação para oferecer uma linha de passe, e Pierre Emerick Aubemeyang dispara em velocidade para as costas dos centrais porque já sabe que a decisão do seu colega de equipa irá contemplar o seu movimento.

Quando vemos os jogadores a praticar “comportamentos em cadeia”, ou seja, comportamentos que são adoptados por determinado jogador em função do sucesso da acção de um companheiro, compreendemos que estamos perante um processo trabalho nas sessões de treino.

 

Arpad Sterbik: o gorila do Vardar

A doutrina “andebolística” diverge. Se uns acham que o melhor guarda-redes da história foi o sueco Mats Olsson, outros acreditam que o melhor guarda-redes da história da modalidade é o ágil francês Thierry Omeyer, jogador que ainda espalha magia (os melhores jumping backs de sempre seguramente) por esses pavilhões ao serviço do poderoso PSG. Ainda existe quem tenha apreciado a solidez do espanhol David Barrufet, a elasticidade do sueco Mattias Anderson, a frieza e simplicidade de movimentos do alemão Henning Fritz, a loucura e excentricidade do croata Vlado Sola, ou a inegável classe e estilo do dinamarquês Niklas Landin Jakobsen. Posso afiançar que não desgosto em particular de nenhum, mas tenho dificuldades para estratificar uma lista concreta de preferências. A todos estes monstros da baliza tenho porém que juntar o “King Kong” Arpad Sterbik, veterano guardião sérvio, de origem húngara, naturalizado espanhol em 2008 que actualmente actua nos macedónios do Vardar de Skopje.

Sterbik é monstruoso em todos os sentidos. Os seus imponentes e certos 2 metros de altura e sua envergadura impõem respeito a qualquer jogador que tente visar aquele mínusculo e preenchido target de 2 metros de altura por 3 metros de largura. Uma das virtudes do veterano guarda-redes de 38 anos assenta precisamente na forma em como utiliza todo aquele caparro para preencher a baliza no momento do remate, movendo-se rapidamente no sentido do posicionamento em que é realizado o remate pelo rematador, para o intimidar e lhe fechar opções de remate: com os braços no ar, o keeper impede a saída de remate para os ângulos superiores. Com os movimentos de perna, para os inferiores, embora também consiga fazer chegar a perna ao nível do ombro para defender remates a meia altura. Por vezes, em remates realizados na ponta, o sérvio até dá o primeiro poste de barato ao rematador de tão controlado que o tem (o primeiro poste), podendo a qualquer momento mudar a sua trajectória para defender o remate com os braços ou com um arquear de pernas. A remates de primeira linha, a suavidade dos seus deslocamentos é ímpar em todo o mundo. Se adivinhar o lado para o qual o rematador vai exercer o remate, a Sterbik basta-lhe um passito para a esquerda ou para a direita para estar em condições de defender o remate, com os braços\mãos, com o corpo e com o pé.

Um breve olhar sobre o plantel do Sporting. Deverá Jesus atacar em força o mercado de inverno?

battaglia 3

Nas últimas semanas, tenho lido por aí, tanto nas redes sociais, como na blogosfera e na imprensa especializada diferentes perspectivas sobre o plantel do Sporting, sobre as exibições e a evolução trilhada por alguns jogadores nas diversas dimensões do jogo, tomando sempre como ponto de partida para a discussão o modelo de jogo e as ideias de Jorge Jesus, bem como algumas opiniões em relação às necessidades ou carências mais urgentes que são ditadas pelas exibições, pela evolução dos jogadores (em especial, pelo grau de assimilação destes aos princípios e ideias do teinador) e pelas lesões que recentemente abalaram algumas das peças-chave deste plantel, muito por culpa de dois factores que devem ser imputados a Jorge Jesus: a gestão do plantel e a exigência do seu modelo de jogo.

Demolhados alguns dos argumentos lidos por aí e devidamente contrapostos com a minha análise do “estado das coisas” defendi no início da época e continuo a defender que o Sporting terá forçosamente que procurar, interna ou externamente, quatro reforços, fulcrais, para consolidar o leque de opções à disposição do seu treinador em quatro posições do terreno: para a posição de central, para a esquerda da defesa,  para as alas e para a posição de ponta-de-lança. Continuar a ler “Um breve olhar sobre o plantel do Sporting. Deverá Jesus atacar em força o mercado de inverno?”

O momento da semana – Nuno Sousa Guedes

No esclarecedor triunfo (45-12) alcançado pela selecção portuguesa frente à sua congénere Checa no desafio disputado na tarde de sábado no Campo de Honra do Estádio Nacional do Jamor, em jogo a contar em simultâneo para a primeira jornada do Europe Rugby Trophy (3º escalão) da temporada 2017\2018 e para a ronda de qualificação Europeia para o Mundial 2019. Quanto a esta última, com esta vitória, ficamos agora à espera do desfecho classificativo da presente edição do Rugby Europe Championship para conhecermos o adversário que iremos defrontar em playoff durante o próximo mês de Abril, sabendo de antemão que não poderemos defrontar a Geórgia porque os “Lelos” de Milton Haig já se encontram apurados para a prova.

Numa partida em que vários foram os jogadores que estiveram em bom plano (eu gostei particularmente das exibições do estreante José Rodrigues, médio de abertura nascido na África do Sul que actualmente representa a Agronomia, da voracidade demonstrada pelo meu amigo Sebastião Villax em todas as acções que praticou – quer no ataque ao breakdown quer nas penetrações realizadas  da exibição muito sólida do 8 Vasco Fragoso Mendes e dos bons ataques à linha do 2º centro José Lima) o momento do jogo pertenceu ao defesa flanqueador do GD Direito Nuno Sousa Guedes, com esta esplendorosa, confiante e técnica arrancada sobre a defensiva checa, arrancada na qual o jogador dos “advogados” tirou 2 adversários do caminho com 2 sidesteps perfeitos, antes de servir o apoio oferecido pelo “ponta” (centro de raiz adaptado a ponta pelo seleccionador Martim Aguiar) do CDUL Tomás Appleton