Felizmente não perdemos 2 pontos, mas poderíamos ter perdido


ruiz

Foi bonito ver o brilho do teu sorriso pepsodente, Bryancito!

Pela primeira vez em alguns anos (5, 6; creio que a última vez que não vi o Sporting foi na fatídica temporada 12\13) não vi o jogo do Sporting em directo. Para muitos sportinguistas, tal pecado pode-se considerar como um pecado capital, um pecado tão grave como o pecado cometido por um Católico que não aproveita a sua presença em Roma para dar um pequeno salto até à Cidade do Vaticano para ver o Papa ou de um Muçulmano, que, estando na Arábia Saudita no último mês do calendário islâmico não aproveita a ocasião para cumprir um dos 5 mandamentos da sua religião: a visita aos lugares sagrados de Meca e Medina. Aos que aqui vieram à espera de encontrar as minhas habituais ilacções ou análises sobre a partida, tenho que pedir as minhas mais sinceras desculpas. O sol da tarde de ontem, foi, aproveitado para “distritalar um pouco” por Nogueira do Cravo, concelho de Oliveira do Hospital, terra à qual me desloquei para assistir ao magnífico toque de bola e dar um abraço sincero ao nosso Puskas Samuel. A conversa pós-jogo no bar do clube, com um grupo de novos amigos, retirou-me a necessária concentração que normalmente preciso para ver a coisa como deve ser, não obstante o facto de ter visto durante o dia de hoje a segunda parte da partida à hora de almoço no café. Como não gosto de executar a minha análise sem ter um profundo conhecimento de causa, remeto-vos para a interessante análise que foi realizada que foi escrita aqui pelo José Duarte do A Norte de Alvalade e para as notas muito oportunas  que foram escritas nos últimos posts publicados pelo nosso amigo e Parceiro O Artista do Dia, amigo a quem devemos muitas (mais concretamente 28 mil) das centenas de milhares de visualizações que obtivémos desde o dia 10 de Março de 2017.

No entanto, não pensem que olhei para aqueles minutos finais com um olho aberto e outro fechado. Não, não olhei. Um dos problemas basilares desta equipa (a gestão da vantagem) mantém-se e está para durar enquanto Jorge Jesus não activar um conjunto de soluções que priviligiem o controlo do adversário através da gestão da posse e do ritmo de jogo, e enquanto alguns jogadores não interiorizarem que uma partida só termina aos 90 e picos quando o árbitro der três apitadelas bem assentes. Quero com isto dizer que alcançada uma vantagem, a equipa leonina tende a descurar praticamente tudo: posicionamentos, marcações (Jonathan esta é para ti), organizações sectoriais, qualidade na saída de bola (frente ao Braga foi uma perda na saída que ditou a recuperação que os bracarenses transformaram em golo) entre outros aspectos já aqui mencionados noutras ocasiões.

O golo dos Paços de Ferreira não fez mossa na tendência do resultado mas voltou a ser um exemplo paradigmático do grau de relaxamento a que se dá esta equipa quando se apanha a gerir uma vantagem confortável. Embora a coisa não tenha descarrilado, à semelhança do que aconteceu em Turim e em Alvalade frente ao Braga (nesse jogo temos que dar algum crédito às mexidas efectuadas por Abel na sequência do golo sofrido, porque as mudanças efectuadas na estrutura da equipa baralharam por completo a formação leonina, pese embora, como tenha escrito nessa noite, o Sporting não soube pura e simplesmente fazer a gestão mais adequada da vantagem) e do que poderia ter acontecido nos minutos finais dos jogos do Pireu, da Feira e da recepção ao Estoril.

A importância das bolas paradas na actualidade do futebol

As bolas paradas tem sido consideradas amplamente, pela escolástica activa no estudo do jogo como a 5ª fase deste, embora se possam aplicar e adoptar alguns dos conceitos das fases ofensivas e defensivas em função do seu carácter peculariar. Sendo os lances de bola parada, lances decorrentes de uma acção faltosa cometida estrategicamente pelo adversário para travar uma acção desequilibradora de um adversário ou fruto de uma acção técnico-táctica individual defensiva (uma intercepção, um desarme ou um alívio para fora das 4 linhas) ou até ofensiva (não nos podemos esquecer do pontapé de baliza, mas por motivos óbvios vamos exclui-lo por ora), as bolas paradas oferecem à equipa que obtém o benefício decorrente da lei do jogo (a cobrança da falta assinalada; a introdução da bola em jogo; não nos podemos esquecer da importância que o lançamento de linha lateral veio a adquirir nos últimos anos para alguns treinadores; Pedro Sousa, 2017) uma oportunidade dourada para visar a baliza adversária ou para criar uma situação de finalização próxima desta. A consecção de uma ou de outra dependerá apenas da distância entre a bola e a baliza.

Segundo o professor Jorge Castelo, teórico que actualmente é adjunto de Félix Magath nos chineses do Shandong Luneng, “As situações de bola parada, como todos nós sabemos, são muito importantes, porque elas conduzem a situações que podem dar golo, ou que podem também, sofrer o golo, isto é, preparar armadilhas para na fase defensiva nós podermos contra atacar e podermos ter condições para fazer o nosso jogo”. Para o autor “25 a 50% das situações de finalização e de criação das situações de finalização são originadas a partir de soluções tácticas de bola parada. Porque é que o são? Por várias razões:

  • Porque um lance de bola parada pode facilmente eliminar a necessidade do controlo da bola.
  • Porque o exímio aproveitamento dos lances de bola parada podem facilmente levar à vitória uma equipa que não apresente processos de jogo especialmente bem trabalhados ou capazes de causar dano na organização defensiva adversária.
  • Porque existem especialistas na arte de atirar à baliza ou na arte do cruzamento.
  • Porque na cobrança directa para a baliza ou indirecta (para uma zona próxima) de um lance de bola parada, a distancia existente entre o jogador que vai bater e a barreira elimina a condicionante “pressão” do gesto técnico.
  • Porque é um lance onde os jogadores com maior potencial áereo e ou maior compostura na hora de finalizar avançam para uma zona mais próxima da baliza.
  • Porque é um lance onde a equipa beneficiária pode explorar os erros vulgarmente cometidos pelo adversário neste tipo de lances.
  • Porque é um lance susceptível de causar um efeito surpresa no adversário (os chamados “lances estudados” ou lances de laboratório”)

Sobre este capítulo, acreditem, existe ainda muito por explorar, não obstante as centenas de artigos científicos e ensaios publicados pelos mais variados teóricos. Uma das questões associadas que ainda gera alguma discussão entre os profissionais desta modalidade é a questão relacionada com a organização defensiva a este tipo de lances. Não vou para já entrar por esse campo para não me desviar daquilo que no fundo quero expressar e críticar.

Como já referi ali atrás, assim que se apanha a ganhar por uma vantagem igual ou superior a 2 golos, a equipa leonina tende a adoptar uma verdadeira postura de café. De cigarro na boca e chávena na mão, crêem os jogadores do Sporting que a coisa está ganha. Só que não, só que não está. O ânimo que é adquirido por um conjunto de jogadores na sequência da obtenção de um golo, é motivo mais que suficiente para que estes procurem alcançar mais, nem que seja para limpar uma má imagem deixada durante a partida. Quando o golo obtido permite a redução de uma vantagem para a diferença mínima, a 5 minutos do fim (incluíndo os descontos dados pelo árbitro), tal situação muda por completo o desequilíbrio de emoções existente até então: os jogadores da equipa que marca ganham uma nova alma, uma réstia de esperança, enquanto que do outro lado, pode instalar-se o pânico nos jogadores da equipa que sofrem.

A postura de café existente no momento da abordagem ao canto do Paços poderia ter custado 2 pontos à formação leonina. Os 4 minutos dados pelo árbitro da partida eram mais que suficientes para a equipa pacense operar uma verdadeira opereta buffa no jogo. Tudo à conta do laxismo de Coátes e Bas Dost no momento em que a bola parte:

bas dost

Se virem a repetição da câmara instalada atrás da baliza de Rui Patrício, verão este pormenor.

Bas: “Hey, Sebá, vamos comer um bife ao Todo Bom a Carnaxide e vamos ver como é que param as modas no Urban Beach?”

Coátes: “No, Usted Dostito. El urban se cerró por orden del gobierno geringonço. ¿No te acuerdas de aquel negro que te trató de palmar la cartera en la otra noche?

Bas: “Sim, sim Sebá. Ele fugiu a correr em pânico quando lhe prometi duas cabeçadas. Vamos ao Bairro Alto. Pode ser que lá encontremos o Alan Ruiz.”

sporting 10000

Enquanto Bas e Coates combinavam a saída nocturna e William, como podemos ver neste frame, estava-se a cagar literalmente pro assunto, estando certamente a pensar no restaurante que vai abrir com a Agnés, os dois jogadores do Paços entravam primeiro poste, impunes, tranquilos, serenos, puta que pariu esta merda se eu fosse treinador destes caralhos, por cada falha destas chegava ao balneário, mandava-os acorrentar a um poste e esfurancava-lhes as costas com 150 chibatadas.

Estes são, para finalizar, os lances que por vezes ajudam a decidir um título. De um jogo aparentemente controlado, a formação leonina deu 5 minutos de esperança aos jogadores do Paços. Poderíamos ter perdido dois pontos à custa de uma infantilidade. Felizmente não perdemos. A luta prossegue dentro em dias em Alvalade.

 

3 opiniões sobre “Felizmente não perdemos 2 pontos, mas poderíamos ter perdido”

  1. Porque as duas últimas postas estão interligadas por um teaser lançado na primeira, vou comentar ambas aqui.
    Em relação à (des)organização defensiva setubalense, duas coisas. A primeira é que aquele jogo/encenação/ópera bufa (riscar o que não interessa) a que se assistiu na Luz mais parecia uma pré-rampa de lançamento a uma candidatura de Couceiro à presidência do V. Setúbal, sendo a ocasião uma espécie de selar de protocolo de aliança e apoios eleitorais. Sim, leste bem: apoios eleitorais. É bom não esquecer a autêntica tentativa de interferência nas decisões eleitorais do Paços de Ferreira (olha, nem de propósito!) aqui há uns meses, apenas travada por uma massa associativa que não se deixou, felizmente, levar pela manipulação. Nada nos garante que não se vá tentar o truque outra vez, mas de modo mais discreto, aprendidas as lições anteriores.
    O que me leva à segunda coisa. Para lá das questões do controlo da arbitragem e das instâncias de Poder, parece-me que este é um dos problemas mais prementes do futebol lusitano: o controlo que os clubes da “esfera do Poder” têm sobre os ditos pequenos e as trocas de favores que daí advêm. Não sei como o V. Setúbal jogará contra o porto (haveremos de ver em dezembro). Mas que o niilismo defensivo que se verificou na Luz não ocorreu, nem de perto ou longe, em Alvalade é um facto facilmente comprovável, para quem tenha tido o cuidado de gravar ambos os jogos, de modo a fazer a devida comparação. E são estas coisas que nos deveriam fazer pensar o quão enterrado no estrume deve andar a competição.
    Quanto ao jogo do Sporting, é realmente preocupante ver o relaxamento com que a equipa fica depois de se apanhar em vantagem relativamente confortável. Quanto mais não seja, parece que ainda não se interiorizou dentro dos jogadores que nada, mas mesmo nada, é garantido para eles. Apesar da vitória, não foi por falta de tentativa que Tiago Martins não tentou empurrar o Paços para o “escândalo”. Aliás, começou logo no primeiro minuto, quando uma autêntica agressão a Acuña é punida com um salomónico amarelo a ambos. De resto, logo após o 0-2, foi uma sucessão de subtis não-marcações de faltas a meio-campo a favor do Sporting, enquanto qualquer queda mais um bocadinho aparatosa de jogadores do Paços era logo sancionada. Nestas coisas, os jogadores têm que, de uma vez por todas, meter na cabeça que manter a posse de bola em zonas longe da sua grande área o mais possível é a melhor arma contra eventuais desmandos dos abades. Nem sequer é preciso estar com a intensidade nos máximos durante a partida inteira. Acima de tudo, é preciso cabecinha, concentração e controlo emocional. Juntando tudo isto, a equipa adversária terá mais propensão não só para a falta, mas para a falta, por assim dizer, evidente. Tão evidente que até os abades terão consciência que não poderão sempre fechar os olhos, sob pena de tudo parecer demasiado óbvio, até para eles! No fundo, mais do que um problema de processos, parece haver um problema de atitude. E aí, de facto, Jorge Jesus terá que passar melhor a mensagem, porque é óbvio que ainda não está totalmente apreendida – e digo “totalmente” porque, parece-me, as coisas já estiveram pior nesse aspeto. Mas ainda falta aquele bocadinho assim.

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    1. Ricardo, como estás?

      Olha que, em virtude dos mais recentes episódios que aconteceram naquele clube, poderás ter aí um fundamento de razão.

      Não podemos ignorar que existe troca de favores entre grandes e pequenos. Há uns anos (creio que esse vídeo pode ser facilmente encontrado pelo Youtube) revelou o António Oliveira que a relação entre alguns grandes e pequenos é marcada por uma alargada troca de favores que por vezes envolve uma ou outra chantagem. Dizia o Oliveira que em troca da compra de resultados, os clubes emprestam jogadores, prometem uma ou outra transferência, ajudam a negociar melhores contratos de cedência de direitos televisivos para esses clubes e dão um empurrãozinho aos seus “parceiros” na recta final do campeonato, traficando aquela influência que ajuda a decidir quem desce e que se mantém na 1ª liga. Muitos já foram os clubes que foram prejudicados pelo facto de não se terem vendido ou deixado chantagear. O último foi a Académica. O José Eduardo Simões é sportinguista mas sempre esteve mais ligado ao Porto. Quando ele se decidiu voltar para o Sporting, o Porto tratou de lhe traçar a capa para ouvir o “fado da desgraça”.
      O Setúbal estava, no último ano e meio, a adoptar uma postura (um empate fora; uma vitória em casa) estranha se atentarmos às palavras do seu presidente. Em Março afirmou o Fernando Oliveira que o Benfica “era o seu abono de família” – embora os dados demonstrem precisamente o contrário, como fiz questão na altura de o exemplificar aqui (https://omeucadernodesportivo.wordpress.com/2017/03/19/declaracoes-muito-perigosas/) – como podes ver, entre 2007 e 2017, o Vitória recebeu 21 jogadores emprestados do Porto e do Sporting e apenas 3 do Benfica, tendo facturado 1,8 milhões em vendas para o Porto e apenas 400 mil para o Benfica – se imputarmos os empréstimos obtidos e as vendas realizadas relativas a esta temporada, o Porto continua a ser o clube que mais emprestou (13 jogadores), o Sporting o 2º com 10 e o Benfica o terceiro com 5. Em termos de vendas, o Porto continua a ser o que mais gastou no Sado com 1,8 milhões enquanto o Benfica aumentou a maquia para 500 mil com as 100 mil gaitas pagas pelo Varela. Estando o campeonato numa fase decisiva e o Benfica a passar por um período de confusão, uma derrota do Benfica no jogo da Luz implicaria o fim das aspirações ao campeonato e o fim da linha para o Rui Vitória.

      Pá, quanto às ingerências nos actos eleitorais de outros clubes. Essas ingerências já chegaram ao Sporting. Toda a gente percebeu que o Pedro Madeira Rodrigues foi o candidato deles.

      Como referi no post, só vi a segunda parte. Continuo a crer, pelas razões que explicitas e que já explicitei noutros posts, que é o próprio treinador quem tem culpas no cartório na gestão que é feita. Para mal dos nossos pecados, o Jesus é apologista da descida do bloco. Eu sou apologista da posse. Até a ganhar, uma equipa deve dar passos para a frente, para não ter correr o risco de seduzir o adversário, dando passos para trás.

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