Portugal 0-0 Chile (0-3 gp) – A sorte não dura para sempre, Engenheiro

Foi correcto. Correctíssimo. O resultado final. Ao fim de dois anos, e um Europeu conquistado com base no critério “sabe-se-lá como”, ainda ninguém percebeu (dou um pacote de gomas a quem me explicar) qual é o futebol desta equipa. Por vezes assistimos ao chutão para a frente à procura do Ronaldo, noutras, na sua esmagadora maioria, assistimos a um processo básico de abertura para as alas para que os extremos cruzem à procura do Ronaldo.

Foram pelo menos 90 minutos de abordagem tinhosa ao jogo, escolhas que não fazem o mínimo sentido (André Gomes, p.e), precipitação nos momentos de recuperação de bola, falta de critério na construção ofensiva,falta de criatividade no último terço, substituições realizadas tarde e a más horas, falta de paciência na construção ofensiva, unidades a jogar longe uma das outras, dois avançados a sair fora da área (falta de presença na área), incapacidade em ganhar as 2ªas bolas, um jogador que pede licença à perna esquerda para fuzilar com a direita (sempre por cima) quando consegue aparecer bem a ganhar a 2ª bola à entrada da área, um defesa esquerdo que permitiu constantemente ao lateral contrário a colocação de cruzamentos porque, vá-se lá imaginar, cola-se aos centrais, um falso esquerdo que raramente acompanha o opositor contrário, Um central de bota e bira (britânico) sem ponta de classe. Salvou-se o William pela capacidade que teve em retirar a bola das zonas de pressão para lançar o ataque.

Este é o resumo crítico mais lato de uma eliminação em que podemos dizer sem qualquer pejo que ficou muito por fazer face a uma selecção que apresentou processos de jogo bem mais vincados que os nossos, bem mais trabalhados que os nossos, mais intensidade nos momentos de pressão (infernal, a meio-campo; daí o facto de ter salientado a exibição de William Carvalho), mais organização defensiva (muito mais) e mais perigosa no capítulo ofensivo. Continuar a ler “Portugal 0-0 Chile (0-3 gp) – A sorte não dura para sempre, Engenheiro”

Portugal 4-0 Nova Zelândia – Passeata em São Petersburgo

15 minutos finais de aceitável futebol permitiram à selecção confirmar o apuramento na primeira posição do grupo num jogo em que os restantes 75 não foram verdadeiramente aceitáveis face ao adversário que defrontámos em São Petersburgo. Perante um adversário tão inofensivo que só construiu 2 situações de golo em 2 lances oferecidos pelos centrais e pelo guarda-redes português, e tão débil do ponto de vista defensivo, o jogo contra os neozelandeses deveria ter sido facilmente solucionado no primeiro tempo com uma goleada se não tivessem existido alguns dos erros a que este elenco nos tem habituado. Continuar a ler “Portugal 4-0 Nova Zelândia – Passeata em São Petersburgo”

As evidentes diferenças

Fernando Santos acertou finalmente agulhas com a fórmula que nos poderá “dar qualquer coisita” nesta Taça das Confederações. Não foi tão bonito vermos um jogo em que a nossa selecção conseguiu finalmente praticar (a espaços) um futebol estético, pensado e criterioso a partir de trás ao invés do longo chutão para a frente praticado contra os mexicanos? Não foi tão vistoso vermos uma equipa capaz de manietar (a espaços) o adversário através da circulação de jogo, com dois jogadores no meio-campo (Adrien e William) que jogam de olhos fechados? Bernardo Silva dá ou não dá outra criatividade a esta equipa e outra velocidade nas situações de contragolpe? Pode-se dizer que com Bernardo Silva, Cedric parecia outro jogador completamente diferente. André Silva é um não é um jogador que garante, através da sua presença na área, outro sentido ao jogo, libertando Cristiano Ronaldo para as funções em que este é efectivo? Aquela parte de final de sofrimento era escusada se atendermos ao número de oportunidades que tivemos no início da 2ª parte para matar o jogo!
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Hoje Escreves Tu #17

Por Sérgio Barata Custódio

“O futebol já foi mais técnico”, é uma frase que ficou na história do humor, mas que hoje em dia bem que poderia ser substituída pela frase, “o futebol já foi mais lógico”. Ou melhor, nem é o futebol, mas sim o que sobre ele se vaticina. A sociedade em geral sofre do mesmo mal. Isto a propósito da transferência de hoje do Bernardo Silva, um excelente jogador que não foi aproveitado por Jorge Jesus.

Acho que é legítimo assacar-se responsabilidades ao agora treinador do Sporting. O que não é de todo coerente e lógico, é passar os últimos dois anos a fazer crer que este não teve grande méritos nos títulos ganhos, e que os mesmos foram sobretudo obra da “estrutura”, mas depois ao mesmo tempo ilibar a estrutura dos erros e colocá-los quase exclusivamente na mesma pessoa. Mais que não seja, a brilhante estrutura demorou demasiado tempo a perceber que afinal de contas pagava a peso de ouro alguém que fazia um trabalho que poderia ser remunerado por 10 vezes menos, com resultados igualmente satisfatórios.

As coisas nunca são exactamente assim tão lineares, mas da mesma forma que não se pode por cá apedrejar uma mulher caso se seja muçulmano (ainda), também não é com a grandeza, com os títulos, ou com a consecutividade dos mesmos, que se pode dizer tudo e o seu contrário, como se nada fosse, como se qualquer palermice fosse lei.

O miúdo que tinha que nascer 9 vezes para Jesus lhe dar uma oportunidade na equipa principal do Benfica

… acaba de render 60 milhões aos cofres do Mónaco. Não há como não adorar o seu adocicado pé esquerdo, a vertigem que coloca no jogo com as suas acelerações no drible, a inteligência com que pensa todas as suas acções e a sua capacidade de finalização. Continuar a ler “O miúdo que tinha que nascer 9 vezes para Jesus lhe dar uma oportunidade na equipa principal do Benfica”

Análise: Juventus 2-1 Mónaco – Mais uma lição de bom futebol

Splendido! Suntuoso! Perfetto lavoro! A Juventus chega pela 2ª vez nas últimas 3 temporadas à final da Champions, carimbando a maravilhosa exibição no Stade Louis II com uma excelente primeira parte no Juventus Stadium. O Millenium de Cardiff será o palco onde os bianconeri jogarão novamente os sonhos de uma década.

A vitória da Juve nesta eliminatória, frente um Mónaco que ficou aquém das expectativas que foram naturalmente depositadas em função dos resultados que a turma de Leonardo Jardim acumulou nas anteriores eliminatórias, alicerçou-se essencialmente em factores: comportamento defensivo, rigor táctico e uma ampla capacidade de fazer a diferença no ataque através do “ataque posicional” (os jogadores aparecerem nas posições em que devem estar) nas saídas rápidas para o contra-ataque.
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Análise: Mónaco 0-2 Juventus – Um trio mortífero!

O topo do cinismo ou o topo da inteligência na gestão de um jogo? Esta é a pergunta de partida que deixo no início desta crónica para que os leitores possam reflectir sobre o que se passou no jogo desta noite no Estádio Louis II. Uns dirão que a Juventus foi uma equipa cínica que viveu no erro do adversário, aproveitando os erros adversários para criar as jogadas de perigo que a turma italiana criou na partida. Outros dirão que os piemontesi foram muito inteligentes na forma em como abordaram todos os contextos que o jogo ditou. Nenhuma das “correntes de opinião” está totalmente errada mas também não explica 100% o desfecho final da partida. Temos obrigatoriamente que juntar ao cinismo e à inteligência\eficácia táctica defensiva dos bianconeri, o receio acumulado pelo Mónaco desde o início da partida e a subtil mudança que Leonardo Jardim protagonizou à identidade de jogo da equipa.  Continuar a ler “Análise: Mónaco 0-2 Juventus – Um trio mortífero!”