O momento da semana – Nuno Sousa Guedes

No esclarecedor triunfo (45-12) alcançado pela selecção portuguesa frente à sua congénere Checa no desafio disputado na tarde de sábado no Campo de Honra do Estádio Nacional do Jamor, em jogo a contar em simultâneo para a primeira jornada do Europe Rugby Trophy (3º escalão) da temporada 2017\2018 e para a ronda de qualificação Europeia para o Mundial 2019. Quanto a esta última, com esta vitória, ficamos agora à espera do desfecho classificativo da presente edição do Rugby Europe Championship para conhecermos o adversário que iremos defrontar em playoff durante o próximo mês de Abril, sabendo de antemão que não poderemos defrontar a Geórgia porque os “Lelos” de Milton Haig já se encontram apurados para a prova.

Numa partida em que vários foram os jogadores que estiveram em bom plano (eu gostei particularmente das exibições do estreante José Rodrigues, médio de abertura nascido na África do Sul que actualmente representa a Agronomia, da voracidade demonstrada pelo meu amigo Sebastião Villax em todas as acções que praticou – quer no ataque ao breakdown quer nas penetrações realizadas  da exibição muito sólida do 8 Vasco Fragoso Mendes e dos bons ataques à linha do 2º centro José Lima) o momento do jogo pertenceu ao defesa flanqueador do GD Direito Nuno Sousa Guedes, com esta esplendorosa, confiante e técnica arrancada sobre a defensiva checa, arrancada na qual o jogador dos “advogados” tirou 2 adversários do caminho com 2 sidesteps perfeitos, antes de servir o apoio oferecido pelo “ponta” (centro de raiz adaptado a ponta pelo seleccionador Martim Aguiar) do CDUL Tomás Appleton

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Os golos da jornada (1ª parte)

Face à muralha de jogadores que o adversário colocou na área, Wijnaldum foi obrigado a sacar dos galões para encontrar espaço para disparar aquela bomba. No entanto, no início da jogada, com aquele pequenino toque de excelência técnica, o holandês teve o mérito de desmontar por completo a linha média adversária, abrindo espaço para a saída para o contra-ataque.

Depois de um arranque algo irregular na Premier, arranque no qual, pesem os interessantes e bem trabalhados pormenores demonstrados pela equipa no capítulo da organização da pressão (“a menina dos olhos de Jurgen Klopp”) e da transição para o contra-ataque (pormenores que permitiam à equipa passar rapidamente de uma mentalidade defensiva para uma mentalidade ofensiva, procurando servir, com pragmatismo em profundidade, em cada recuperação, as velozes investidas dos seus homens da frente, em especial as de Sadio Mane e Mohammed Salah) acabou por sobressair (pela negativa) a fragilidade defensiva do quarteto defensivo orientado pelo técnico alemão, o Liverpool vai começando a “despertar” para uma fase de maior regularidade quer em termos de resultados, quer em termos exibicionais, embora os 12 pontos de diferença para o City e a mais que evidente diferença de qualidade entre os planteis e o futebol das duas equipas, não permitam aos reds dizer que estão em condições de atacar o quer que seja pelo menos na presente temporada. Para reforçar esta ideia, sirvo-me da miserável exibição realizada por Dejan Lovren frente ao Tottenham, exibição no qual o croata e o seu colega de sector, o camaronês Joel Matip demonstraram possuir muitas dificuldades no controlo à profundidade adversária.  Continuar a ler “Os golos da jornada (1ª parte)”

Ler bem o posicionamento da defesa adversária para “pensar fora da caixa” – o médio de abertura da selecção irlandesa Joey Carbery

O seleccionador irlandês Joe Schmidt tem aproveitado a janela de testes de Outono para promover a introdução gradual de alguns jogadores jovens que se tem destacado nos últimos meses no rugby daquele país, com o objectivo expresso de ganhar profundidade no seu lote de escolhas para a próxima edição do Torneio das 6 Nações e para o Mundial de 2019. Frente à prometedora e aguerrida selecção das Fiji, selecção que foi a Dublin, ao Aviva Stadium vender bem cara a derrota (23-20) uma semana depois de ter feito uma razoável exibição em Itália (19-10), a honra de substituir o intocável Johnny Sexton, jogador que é na minha opinião, o melhor médio de abertura do rugby mundial, coube ao médio de abertura do Leinster Joey Carbery.

Apesar de ter tremido imenso no capítulo dos pontapés aos postes (Carbery falhou 2 conversões na primeira parte), o jovem de 22 anos, jogador que ao longo da sua semana foi muito elogiado pelos seus companheiros, em especial pelo novo capitão irlandês, o flanqueador Rhys Ruddock (para ler as declarações proferidas pelo asa na conferência de imprensa que antecedeu a partida, desça a página até ao seu início), conseguiu, à 2ª selecção pela formação do Trevo, alcançar os propósitos de Schmidt, mostrando ser uma opção muito consistente para a posição caso aconteça um infortúnio a Sexton. Com uma extraordinária leitura de jogo, em especial, do posicionamento da defesa adversária, Carbery magicou, em dois lances (a jogada do primeiro é de uma leitura de jogo e de uma tomada de decisão fenomenal) dois ensaios para os irlandeses.

Versão 3.2 ou pós-32 de Barba Valero

barba valero

Na Fiorentina de Vincenzo Montella e Paulo Sousa havia, sobretudo, entre todos os craques que os dois técnicos orientaram nos planteis dos últimos 5 anos de vida do clube, um que se destacava dos demais pelo seu fino recorte técnico, pela sua exímia visão (estratégica) de jogo e tomada de decisão (sempre fora da caixa, procurando endossar o esférico para aquela solução que 90% dos médios não vêem ou não consegue ler em fracções de segundo; indispensável para qualquer treinador que almeje ter as suas fases ofensivas bem estruturadas, bem organizadas e repletas de momentos de criatividade e inovação), pela excelência do aveludado toque na bola e seu gesto técnico: Borja Valero.

Como uma vez afirmou Césare Prandelli em entrevista ao TuttoMercato “não fosse o facto de ser espanhol e de já ter actuado pela selecção espanhola, seria titular de caras em qualquer selecção do mundo. Até mesmo na Italiana. Se eu pudesse, convocava-o” – na altura desta afirmação, Prandelli era o seleccionador que iria conduzir a Squadra Azzurra até ao Euro 2012. Pese embora o facto de ter Pirlo no seu auge, Prandelli saberia como enquadrar outro thinker no seu meio-campo. Borja teve a infelicidade de nascer no dia errado, do mês errado, do ano errado, no país errado. Xavi, Xabi Alonso, David Silva, Cesc Fabrègas e Andrés Iniesta nunca lhe deram grandes oportunidades na Roja.  Continuar a ler “Versão 3.2 ou pós-32 de Barba Valero”

Aquele momento em que Mauro Icardi rebenta com os centrais da Atalanta

Esta espécie de contra-movimento é de Ponta-de-lança com P grande e de Killer com K. Que valente dummy pregado no central da Atalanta.

A organização defensiva e a entrega ao jogo do Atlético de Madrid (parte 2)

Este post surge na sequência do post anterior, para explicar as razões pelas quais defendo que a organização defensiva do Atlético de Madrid de Simeone deveria ser objecto de estudo nas universidades pelo seu carácter extraordinário e fascinante. Como cheguei hoje a um número de visualizações jamais equacionado no momento em que criei este blogue, decidi brindar-vos com um pouco de conhecimento sobre a modalidade que tanto amamos.

Antes de passar aos habituais exemplos práticos, retirados da partida realizada na noite de ontem frente ao Real, permitam-me que vos escreva umas linhas sobre princípios tácticos de um jogo de futebol, mais concretamente sobre princípios defensivos.

Os objectivos gerais da acção sem bola, vulgo acção defensiva são:

  • Impedir ao máximo a progressão (invasão) do adversário no terreno (nos seus espaços defensivos)
  • Reduzir ao máximo o “espaço jogo do adversário”.
  • Recuperar a posse de bola, preferencialmente em terrenos adiantados para poder concretizar imediatamente uma acção de contragolpe que possa apanhar a equipa adversária descompensada.
  • Proteger a baliza.
  • Anular ao máximo as situações de finalização do adversário.

Para a realizar destes objectivos, a equipa deverá cumprir certos princípios de jogo. Entre os quais:

  • O princípio de contenção 
  1. – A equipa deve diminuir o espaço e o tempo de acção ofensiva do portador da bola. (limitação de espaço e tempo para pensar e executar)
  2. A equipa deve orientar a progressão do portador da bola para uma zona onde possa ser mais fácil roubar-lhe a posse, desarmando-o, fechando-lhe linhas de passe, obrigando-o portanto a cometer erros. (Restrição da acção de passe)
  3. A equipa ou os jogadores de determinada zona devem organizar-se de forma a parar ou atrasar o ataque ou contra-ataque adversário, propiciando em simultÂneo mais tempo para se organizar adequadamente no terreno de forma a complicar a acção ofensiva adversária e facilitar a intervenção.
  4. Os jogadores devem evitar a possibilidade do adversário colocar um drible que permita progressão no terreno e seja um elemento criador de uma situação de desequilíbrio, vulgo, inferioridade ou incapacidade de intervenção.
  5. Impedir a finalização.
  • O princípio da cobertura defensiva.
  1. Determinado jogador deve servir de novo obstáculo ao portador da bola, caso este passe pelo jogador de contenção.
  2. Determinado jogador deve transmitir confiança e segurança ao jogador de contenção para que ele tenha iniciativa de combate Às acções ofensivas do portador da bola.
  • O princípio do equilíbrio defensivo
  1. A equipa deve assegurar estabilidade defensiva nas várias zonas em que a bola está a ser disputada.
  2. Determinados jogadores devem apoiar os companheiros que executam as acções de contenção e cobertura defensiva.
  3. Cobrir linhas de passe.
  4. Marcar potenciais jogadores que possam receber o esférico.
  5. Fazer recuperação defensiva sobre o portador da bola.
  6. Recuperar ou afastar a bola da zona onde ela se encontra.
  • O princípio da Concentração
  1. Aumentar a protecção À sua baliza.
  2. Condicionar o jogo ofensivo adversário para zonas de menor risco do terreno.
  3. Propiciar o aumento da intensidade e agressividade da pressão no centro de jogo onde se disputa a bola.
  • O princípio da Unidade defensiva
  1. A equipa deve defender unida em bloco.
  2. A equipa deve garantir estabilidade espacial e sincronia de movimentos entre linhas, tanto longitudinalmente como transversalmente, tentando ao máximo fechar os espaços para o adversário jogar.
  3. A equipa deve diminuir a amplitude defensiva da equipa adversária, em termos de largura e profundidade.
  4. A equipa deve assegurar linhas orientadoras básicas que influenciem os comportamentos técnicos e tácticos dos jogadores que se posicionem fora do centro de jogo onde se está a disputar a bola.
  5. A equipa deve racionalizar ou equilibrar ou reequilibrar constantemente a repartição de unidades (forças) na organização, consoante as situações momentÂneas de jogo, de forma a reduzir o espaço de jogo do adversário.
  6. A equipa deve obstruir linhas de passe para jogadores que se encontrem fora do centro de jogo, para evitar que o portador possa almejar a progressão, através do passe para esses mesmos jogadores.
  7. A equipa deve propiciar a obtenção de superioridade numérica no centro de jogo.

Continuar a ler “A organização defensiva e a entrega ao jogo do Atlético de Madrid (parte 2)”

A organização defensiva e a entrega ao jogo do Atlético de Madrid

O desempenho defensivo do Atlético nos primeiros 45 minutos da partida que está a ser disputada no Wanda Metropolitano reforçam a ideia que há muito está presente no meu pensamento: a rápida transição defensiva (saltando os jogadores rapidamente de um sistema de pressão alta organizada quando a pressão alta não surte os devidos efeitos planeados, efeitos que passam sempre pela recuperação da posse bola em sectores adiantados do terreno para dar azo a perigosas acções de contragolpe para um bloco baixo bem organizado) a organização defensiva solidária (bloco baixo compacto, com linhas bem articuladas quer ao nível de longitude, quer ao nível transversal; fechando os seus dois médios o acesso ao jogo interior; obrigando-o a ter que circular para as faixas, faixas bem povoadas com 3 jogadores onde o adversário só conseguiu penetrar no último terço adversário por 4 ocasiões, sempre pelo mesmo flanco; 3 vezes por força das acções individuais de Marcelo e de Isco e uma através de uma tabela realizada entre Kroos e Ronaldo pela interior esquerda; excelente comportamento individual ao nível da defesa das suas respectivas zonas e de coberturas em caso de desequilíbrio) e a agressiva (para não lhe chamar viril) entrega ao jogo deste Atlético de Simeone deveria ser, pelo seu carácter extraordinário, fantástico, e pelo fascínio que em mim exerce, objecto de estudo em todas as universidades.