Um breve olhar sobre o plantel do Sporting. Deverá Jesus atacar em força o mercado de inverno?


battaglia 3

Nas últimas semanas, tenho lido por aí, tanto nas redes sociais, como na blogosfera e na imprensa especializada diferentes perspectivas sobre o plantel do Sporting, sobre as exibições e a evolução trilhada por alguns jogadores nas diversas dimensões do jogo, tomando sempre como ponto de partida para a discussão o modelo de jogo e as ideias de Jorge Jesus, bem como algumas opiniões em relação às necessidades ou carências mais urgentes que são ditadas pelas exibições, pela evolução dos jogadores (em especial, pelo grau de assimilação destes aos princípios e ideias do teinador) e pelas lesões que recentemente abalaram algumas das peças-chave deste plantel, muito por culpa de dois factores que devem ser imputados a Jorge Jesus: a gestão do plantel e a exigência do seu modelo de jogo.

Demolhados alguns dos argumentos lidos por aí e devidamente contrapostos com a minha análise do “estado das coisas” defendi no início da época e continuo a defender que o Sporting terá forçosamente que procurar, interna ou externamente, quatro reforços, fulcrais, para consolidar o leque de opções à disposição do seu treinador em quatro posições do terreno: para a posição de central, para a esquerda da defesa,  para as alas e para a posição de ponta-de-lança.

jeremy mathieu

Comecemos pelas carências no eixo da defesa. A chegada de Ernesto Valverde ao comando técnico Barcelona, ofereceu ao emblema leonino uma autêntica janela de oportunidade de ouro para reforçar o seu eixo defensivo. Sem espaço nas opções de Valverde no clube condal, o veterano internacional francês foi um verdadeiro brinde oferecido ao Sporting. Pese embora a onda de desconfiança alimentada no momento da sua aquisição em função do negativo historial clínico registado nas últimas temporadas, onda de desconfiança que foi habilmente alimentada e extrapolada por alguns dos jornalistas e opinadores da imprensa especializada, toscos interpretes que trataram logo de fazer transparecer uma tonta narrativa recheada de senso comum que dava a entender aos leitores das suas publicações que a dispensa do jogador se teria dado por motivos de ordem física (alguns chegaram mesmo a tomar o central como um verdadeiro incapaz que vinha para Portugal “viver à sombra” de uma ilusão criada nos responsáveis leoninos), o que é certo é que o francês melhorou em muito a performance defensiva da equipa em relação à temporada passada, encaixando que nem uma luva nas ideias do treinador para aquela posição. Por outro lado, não posso de forma alguma ignorar, o extraordinário enfase atribuído no início da temporada por Jorge Jesus em relação aos comportamentos defensivos da equipa. Para além do trabalho sectorial e intersectorial realizado pelo treinador do Sporting nos seus primeiros ciclos de treino, lavra que foi bem visível em algumas partidas, em especial nas partidas realizadas contra o Barça e contra a Juve, duelos nos quais a formação leonina se exibiu ao mais altíssimo nível, Jorge Jesus decidiu alterar substancialmente as dinâmicas executadas pelos seus laterais. Também não posso de maneira alguma negar que a alteração substancial dessas mesmas dinâmicas se deveram em parte ao processo de reabilitação de Fábio Coentrão. Como Coentrão se encontra, como afirmou recentemente Jorge Jesus, a 60% das suas capacidades, seria de esperar uma abordagem mais conservadora do treinador do Sporting em relação ao seu jogador. Jesus, por defeito, gosta de actuar com os seus laterais subidos no terreno e com a defesa subida. Contudo, para o efeito, Jesus também sabe que para o fazer, precisa de exercitar todo um conjunto de compensações na sua rectaguarda para precaver eventuais momentos nos quais, face a situações de recuperação do adversário, este não procure explorar o adiantamento dos seus laterais no terreno. Um dos grandes problemas defensivos do Sporting na época passada residiu aí. Tanto Schelotto como Zeegelaar eram laterais que gostavam de pisar o último terço adversário, mas, por outro lado, eram laterais que não desciam rapidamente no terreno, em situações de perda, para se reposicionar rapidamente. Tal défice, aliado a uma certa inépcia verificada na reacção à perda por parte dos médios, ditou um cenário catastrófico para os centrais, visto que Rúben Semedo e Sebastian Coátes eram sistematicamente obrigados a ter que cair para as alas para efectivar a compensação aos laterais, facto que redundou em verdadeiros cenários de desgraça em algumas partidas. As partidas disputadas em Vila do Conde frente ao Rio Ave, no FC Porto ou em Chaves (quer no jogo para o campeonato quer no jogo para a Taça) foram aquelas em que o adversário mais explorou esta falha no modelo de jogo do treinador.

Voltando a Mathieu. O francês veio acrescentar muita qualidade em vários aspectos distintos do jogo. Se por um lado o internacional gaulês veio assegurar estabilidade e segurança ao processo defensivo em virtude do seu exímio posicionamento no terreno, da indispensável leitura que realiza às acções adversárias, tentando sempre antecipar-se às acções para anular investidas e proceder à recuperação da posse, da abordagem incisiva a acções 1×1 e aos lances aérios, das suas acções de controlo à profundidade (coordenando de forma fantástica o sector defensivo), acções nas quais, o jogador possui, em caso de falha na abordagem, velocidade para ir ao encalce do portador de forma a desarmá-lo (na memória de alguns adeptos ainda estarão por exemplo aqueles fantásticos desarmes realizados em Alvalade sobre Suárez e Messi nos lances em que os seus dois antigos colegas de equipa conseguiram fugir à sua marcação para se isolar), por outro lado, o contributo do francês veio incrementar a saída de jogo e o ataque às bolas paradas ofensivas. A todos estes atributos, acresce a gracinha realizada pelo francês frente ao Tondela. Na magistral cobrança daquele livre directo a 35 metros, o francês ajudou a desbloquear um jogo que, como pudemos observar, não foi fácil em função do positivo comportamento defensivo demonstrado pela formação de Pepa.

A mais recente lesão sofrida pelo atleta, suscitou obviamente preocupações entre as hostes leoninas. Como André Pinto também estado a contas com problemas físicos e Tobias Figueiredo não tem oferecido garantias sólidas, urge na minha opinião contratar mais um central.

Tobias não tem a mínima qualidade para alinhar pelo Sporting. Desde que o jogador subiu à equipa principal pela mão de Marco Silva, denoto que o miúdo é esforçado e tenta dar tudo o que tem, mas o esforço por si só não chega. Para além de apresentar evidentes lacunas no capítulo da abordagem ao 1×1 adversário e de ser um central que não mede, por completo, o tempo de entrada aos lances, défice de conduta que lhe rende várias sanções disciplinares (diminuindo-lhe a acção para o resto do jogo) Tobias é um verdadeiro perigo a sair a jogar com o esférico controlado (sendo por vezes um jogador que complica imenso) e é um jogador muito limitado quando é obrigado a decidir sobre pressão. Tantos foram, nestes últimos 2 anos, os calafrios que sentimos nas situações em que o jogador, apertado, colocou em risco a sua baliza, com aqueles amalucados atrasos para Patrício e várias até foram as perdas de bola em zonas comprometedoras.

Embora existindo uma solução muito válida na equipa B, o turco Merih Demiral, jogador que num futuro próximo tem qualidade para ser o patrão da defesa do adversária, a actual conjuntura de resultados e os objectivos traçados aconselham ao regresso ou aquisição de um jogador mais tarimbado. A opção poderá porém incidir no regresso do empréstimo (ao Chaves) de Domingos Duarte, um central certinho que para além da experiência acumulada de época e meia na Liga ao serviço do Belenenses e do Chaves, tem uma margem de progressão enorme.

jonathan silva

A lesão de Jonathan Silva veio abrir uma necessidade adicional. O argentino foi ontem operado na CUF descobertas a uma lesão nos ligamentos que o afastará dos relvados por um período expectável entre 10 a 12 semanas. Eu confesso que não sou fã das características do argentino, embora reconheça que com Marco Silva o jogador tinha muito mais liberdade para subir no terreno do que aquela que tem com Jorge Jesus. No entanto, há certos parâmetros no futebol do argentino que me desagradam profundamente. Um desses parâmetros é a marcação, quer ao 2º poste quer em lance corrido. Ao 2º poste, o argentino é um verdadeiro desastre, como pudemos corroborar nos golos sofridos frente ao Olympiacos e Juventus. Tal défice deve-se sobretudo a um problema grave de compreensão que muito dificilmente será alterado num jogador de 23 anos: para Jonathan a referência é sempre o opositor directo quando deveria ser a bola e, a posição da linha defensiva. Em lance corrido, se repararem, Jonathan nunca cai em cima do adversário. Como não cai em cima do adversário, quando chega para disputar a bola, chega sempre atrasado. Os atrasos levam-no a cometer muitas faltas, algumas delas completamente desnecessárias.

A lesão de Jonathan obrigará Fábio Coentrão a ter que assumir integralmente o lado esquerdo da defesa durante os próximos 3 meses. Em caso de lesão de Coentrão, Jesus poderá ser obrigado a promover uma adaptação de um central ou até do clássico blockbuster Bruno César. Na esquerda do quarteto defensivo, Bruno César é, como sabemos um verdadeiro convite à penetração adversária. Pelo sim, pelo não, eu avançaria pelas mesmas razões descritas no ponto anterior, para a contratação de um 3º defesa esquerdo tarimbado. O jovem Abdu Conté  é visto pela estrutura leonina como um jogador de futuro, e a verdade é que as exibições do jovem de 19 anos na Youth League tem deslumbrado o nosso universo, mas, o miúdo ainda é muito verdinho para ser lançado às feras.

As alas: o sector onde existe mais carência.

bryan ruiz

Em boa-hora pode o presidente resolver o diferendo mantido nos últimos meses com Bryancito. Segundo as imagens que tem sido captadas do costa-riquenho nos últimos treinos, denoto que Bryan não cabe em si de felicidade com a oportunidade que lhe foi granjeada. Esperemos que o centro americano venha com vontade de ajudar a equipa, visto que é um jogador que conhece com exactidão aquilo que Jesus pede para a esquerda do seu ataque: um jogador capaz de entrar e receber entre linhas, movimentos que obrigam numa primeira fase o adversário a ter que dispor mais unidades no centro, libertando espaço para circular para a ala, para depois entrar na quina da área através de um movimento divergente, aproveitando o espaço existente entre lateral e central para romper (oferecendo toda a fantasia que dispõe naquele maravilhoso pé esquerdo) até à área e um jogador capaz de criar boas situações de overlaping com os laterais, aproveitando a sua extraordinária capacidade de cruzamento.

No entanto, a reintegração de Bryan Ruiz no plantel não chega. Se em relação ao lado esquerdo estamos conversados, se o costa-riquenho vier com vontade, em relação ao lado direito, Gelson precisa de concorrência (porque efectivamente a falta de concorrência tende a acomodar o jogador, diminuindo-lhe claramente o rendimento e precisa de um jogador capaz de o fazer descansar para lhe poupar o físico. O regresso de Matheus Pereira é equacionável, se Jorge Jesus começar a utilizar Marcos Acuña na direita, aproveitando a sua maior propensão do argentino para flectir em drible para terrenos interiores (fomentando portanto o jogo interior) e o efeito inverso que está dá à bola quando cruza na direita.

gelson dala

Face às sucessivas lesões de Doumbia e até de Dost, Jesus dispõe internamente de duas soluções muito válidas. Gelson Dalá e Rafael Leão são o futuro. Enquanto o angolano é um verdadeiro compêndio de fantasia e frieza (na finalização) que tem que ser lapidado em alguns pontos (as tarefas defensivas; a tomada de decisão; Gelson vem com o defeito clássico dos jogadores africanos: é demasiado exuberante nas suas acções e é pouco propenso a participar em tarefas defensivas; dito por outras palavras: gosta muito pouco de pressionar a saída de jogo adversária), o segundo parece-me prontinho a encaixar no sistema, até mesmo para os jogos em que Jesus recua o bloco e tenta explorar a profundidade na saída para o contra-ataque. Jesus gosta dos dois. Felizmente.

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3 opiniões sobre “Um breve olhar sobre o plantel do Sporting. Deverá Jesus atacar em força o mercado de inverno?”

  1. Discordo!

    O Jesus gastou até agora cerca de 100M€, em 2 épocas inteiras e na preparação da actual. Não tem um plantel melhor pela sua incompetência a escolher jogadores nas 2 primeiras épocas. Para que houvesse todo este dinheiro já se estão a consumir receitas futuras, o que para mim é errado!
    O clube tem limites. Não há dinheiro para o que pedes aqui – 4 jogadores!

    Para mim o plantel é bom e precisa de ser melhor gerido. Esse tem sido o problema.
    Há uma 2 grandes lacunas no plantel: um médio para substituir a saída do Adrien e um extremo rápido e talentoso para o lado esquerdo. Tudo o resto o plantel do Sporting tem, com maior ou menor qualidade!

    Há 4 jogadores que nada fazem no plantel: Tobias (não tem qualidade para jogar no Sporting), Petrovic (temos o Palhinha que tem mais futuro, consome menos dinheiro e é superior), Matheus Oliveira (o único erro das contratações deste ano, porque não tem intensidade, nem velocidade, para o futebol que se quer no Sporting) e o Alan Ruiz (que tem os problemas do Matheus, consome mais do dobro em ordenado e custou 8M€).
    Saindo o Tobias, sobe ao plantel o Demiral. Treina com a A, joga na B sempre que não for utilizado na A. Os restantes defesas servem perfeitamente para todos os objectivos que temos.
    Os outros 3, por mim, são para vender (libertam-se 4M€ em ordenados). Acredito que se pode conseguir qualquer coisa entre os 15M€ e os 20M€ com alguma mestria. Nem que se tenha de recorrer ao Jorge Mendes e dar-lhe 10%. Com o dinheiro arrecadado é ir buscar o box-to-box que falta ao plantel. Com o que sobrar traz-se o extremo canhoto rápido que falta.

    E não mexe mais!

    Ganhe ou não, Jesus é para sair no fim da época!

    É bom que comessem a pensar em alguém com mais perfil para pegar num clube que tem uma das melhores formações do mundo.

    SL

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  2. Miguel,

    Dos 4 jogadores que peço, 3 podem ser soluções internas. O clube só não dispõe para já de um lateral esquerdo, mas cheira-me que vai precisar de um e rapidamente, logo no primeiro dia do mercado.
    Este plantel é bom mas apresenta fragilidades, como pudeste ver nas últimas semanas, se 4 ou 5 jogadores essenciais se lesionarem. Não discordo porém da má gestão que é feita pelo treinador nem o despesismo que realizou na contratação de vários jogadores que pura e simplesmente não encaixaram. Vender jogadores desvalorizados não é assim tão fácil. Se encontrares quem te dê 15 ou 20 milhões por Matheus Oliveira, Petrovic e Alan Ruiz avisa o pessoal da SAD porque estou certo que eles venderão os jogadores em causa num piscar de olhos. Se conseguires vender os 3 por 3 milhões será uma proeza e tanto. O mais certo é que saiam todos por empréstimo.

    O mito da formação. Eu continuo a defender que o Sporting deve assentar a sua sustentabilidade na formação mas a formação per se não chega para se alcançarem títulos. Fazendo bem as contas. Quantos jogadores é que o Jesus já lançou na equipa A desde que chegou ao Sporting? 8 – Iuri, Gelson, Matheus, Podence, Geraldes, Palhinha, Jovane, Rafael Leão, fora aqueles que tem trabalhado com o plantel principal na pré-temporada e regularmente durante o ano. Acredito que destes 8, o Jesus poderá fazer facilmente 100 a 150 milhões de euros.

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