Tour de France – Etapa 5 – Aru aviou por completo as meninas bonitas!

O bombástico ataque realizado pelo italiano a 2,2 km do alto da Planche des Belles Filles merece mais do que um ousado título pornográfico para este post. A pornografia exibida na monumental cadência com que o italiano atacou a meta, merecia ser exibida na primeira página do Brazzers.com, ainda para mais se atendermos ao contexto de extrema dificuldade (para lançar um ataque) que a máquina de guerra da Sky colocou nos 5,8 km finais da árdua subida para o local de chegada da 5ª etapa. O italiano foi simplesmente sensacional! Fábio Aru subiu na bolsa de apostas. Se no final do Criterium Dauphiné afirmei de viva voz aqui neste blog que tanto o italiano como o seu colega Jakob Fuglsang (vencedor da geral individual do Criterium) seriam as principais ameaças com que Porte e Froome teriam que lidar no Tour devido ao excepcional momento de forma apresentado, no final da etapa de hoje acredito piamente que o italiano poderá conseguir vencer este Tour com as diferenças que será passível de realizar na alta montanha da prova.

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Tour de France – Etapas 1 e 2 – Geraint Thomas vence o crono de abertura com alguma surpresa; Marcel Kittel arrecada a vitória na chegada a Liège

A 104ª edição do Tour de França arrancou oficialmente para a estrada durante a tarde de ontem em Dusseldorf. Naquela cidade alemã, os 180 ciclistas em prova puderam cumprir, numa complicada secção de luta contra o relógio, os primeiros 14 dos 3540 km designados para a prova pela Amaury Sports Organization (ASO). Perante condições atmosféricas muito difíceis que obrigaram os ciclistas à adopção de posturas de corrida muito cautelosas, especialmente nas múltiplas viragens que o perfil de etapa oferecia, o galês Geraint Thomas (Sky) venceu com alguma surpresa (quando toda a gente previa a mais que provável vitória do campeão do mundo Tony Martin) o primeiro contra-relógio dos dois previstos para as 21 etapas, no dia que ficou marcado pela aparatosa queda que retirou Alejandre Valverde de combate. O espanhol acabou por sofrer uma queda muito aparatosa numa viragem. A prova ficou assim sem um dos seus principais agitadores.

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Volta à Suíça – Etapa 7 – Simon Spilak: o imprevisível ciclista dos 1000 momentos de forma

O dia em que a imprevisibilidade do ciclismo de Simon Spilak veio ao de cima. Ainda anteontem, o chefe-de-fila da Katusha, vencedor da edição de 2015 da Volta à Suíça sofria a bom sofrer para conseguir resistir no grupo dos favoritos na subida para La Punt. As dificuldades sentidas pelo ciclista eslovaco numa etapa em que até acabou por ser muito feliz, se tomarmos em conta que não perdeu tempo de maior para todos os adversários directos na luta pela geral, contrastaram com o vigor com que ganhou a etapa de ontem num dia em que Katusha detonou toda a concorrência na subida que finalizou a etapa.

O manhoso Spilak, ciclista cuja qualidade na montanha é indiscutível, voltou a apresentar-se numa das suas 1000 formas. A sua imprevisibilidade é provavelmente uma das suas maiores qualidades e ao mesmo tempo um dos seus maiores defeitos. Ao longo de anos nunca percebemos bem do que é que o ciclista eslovaco é capaz. Sabemos que é um dos melhores corredores de 1 semana do panorama velocipédico actual pelo número de conquistas e feitos que já alcançou neste departamento peculiar de competições (duas vitórias, uma na Volta à Romândia e outra na Voltas à Suíça; vários top5 na Volta à Eslovénia, nos 3 dias de Panne, no Paris-Nice, na Volta à Andaluzia, na Volta à Romândia e na Volta ao País Basco).  Continuar a ler “Volta à Suíça – Etapa 7 – Simon Spilak: o imprevisível ciclista dos 1000 momentos de forma”

Volta à Suíça – Etapa 6 – Pozzo confirma o seu actual momento de forma na intempérie de La Punt

Com um fantástico ataque nos km´s finais da extensa e exigente subida para a estância de ski de La Punt, o italiano da AG2R pode obter a diferença que lhe permitiu conquistar a vitória na 6ª etapa da prova suíça e chegar à liderança da prova. Numa etapa de montanha que voltou a ser marcada por vários ataques e contra-ataques dos contenders, Rui Costa conseguiu realizar uma extraordinária corrida que lhe permitiu coleccionar mais um 2º lugar na presente temporada. Não obstante o facto de ter falhado novamente a vitória de etapa, o português pode angariar alguns segundos preciosos em relação aos rivais que lhe permitiram reentrar na luta pela vitória final.

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Volta à Suíça – Etapa 3

A etapa de 159,3 km entre Menzigen e Berna, a capital da Federação Suíça, prometia espectáculo. Num traçado muito idêntico à etapa que Peter Sagan conquistou na capital suíça na edição de 2016 do Tour, o esloveno era apontado como o principal favorito à conquista da 3ª etapa da Volta à Suíça. Num desenho que voltou a ser de dificuldade média alta em virtude das 3 categorias de montanha que os ciclistas tiveram de enfrentar até aos 15 km finais, e de um final extremamente apimentado (os 5 km finais foram parcialmente corridos em paralelo no centro histórico de Berna; os últimos 1500 metros foram corridos num pequeno muro de 6,5% de pendente; pelo meio existiram as perigosas viragens que os ciclistas tiveram que efectuar para chegar ao destino final), o campeão do mundo de estrada em título liderava uma bolsa de apostas que tinha outros nomes como Enrico Gasparotto (Bahrain-Mérida), Domenico Pozzovivo (AG2R), o nosso Rui Costa (voltou a estar em destaque na parte final), John Degenkolb e Michael Matthews (Sunweb). A vitória na etapa viria a sorrir ao australiano da Sunweb ao sprint depois de Pozzovivo ter mexido com a corrida na aproximação à linha de chegada.

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Criterium Dauphiné – Etapa 2 – Arnaud Demare conquista o seu 7º triunfo da temporada

Na chegada a Arlanc, a Française des Jeux mostrou que tem a máquina bem oleada para o Tour. Numa etapa corrida num traçado muito exigente do ponto de vista técnico, o sprinter francês de 25 anos foi mais forte que toda a concorrência num dos sprints mais competitivos da temporada, relegando Alexander Kristoff da Katusha para a 2ª posição e Nacer Bouhanni da Cofidis para a 3ª. Para a sua vitória muito contribuíram os esforços realizados pela sua equipa no estabelecimento na frente do pelotão do seu “comboio” e o lançamento promovido a 500 metros da meta por um companheiro de equipa. Numa etapa que todas as equipas dos sprinters (à excepção da Quickstep, um pouco em virtude da queda sofrida por Peter Vakoc na cauda do pelotão nos quilómetros finais) lutaram arduamente para conceder aos seus targets as melhores condições possíveis de abordagem ao sprint final, o francês acabou por dar uma clara demonstração de força: Demare está bem, acabou por conseguir superar o registo de vitórias obtido no ano passado (6) e promete que os seus objectivos não ficarão decerto por aqui: o francês quer desafiar Peter Sagan e Marcel Kittel no Tour!

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Balanço do Giro de Itália – as grandes surpresas e as decepções da 100ª edição da prova italiana (1ª parte)

Quando o holandês Tom Dumoulin chegou à Sardenha para iniciar a sua prestação na 100ª edição do Giro de Itália, não estaria decerto convicto que poderia lutar pela vitória na geral individual. Na verdade, poucos foram aqueles previam nas suas mais optimistas previsões, a possibilidade do ciclista holandês poder vir intrometer-se na luta particular que se iria decerto travar nas estradas italianas entre Nairo Quintana, Vincenzo Nibali, Mikel Landa e Thibault Pinot. Tal cenário estava reservado, na melhor das hipóteses, a ciclistas como Ilnur Zakarin, Tejay Van Garderen ou Steve Kruijswijk. O holandês da Lotto-Jumbo era, dentro deste lote de possíveis outsiders, aquele que reunia mais consenso entre os especialistas na modalidade em virtude dos resultados obtidos pelo ciclista nas últimas edições da prova. O 7º lugar alcançado na geral em 2015 e o brilhante 4º lugar arrancado na edição do ano passado, prova em que esteve efectivamente muito próximo da conquista de um feito épico, não fosse a queda sofrida na recta final da mesma, colocavam imensa pressão (pressão à qual este não soube responder a preceito no decurso da prova) sobre os ombros do trepador holandês. Kruisjwijk viria a desistir na 20ª etapa numa fase da prova em que ainda lutava por uma posição nos 10 primeiros da prova. Na montanha, o ciclista da Lotto-Jumbo realizou exibições muito aquém das suas capacidades.

Tom Dumoulin, por sua vez, já tinha provado ser capaz de poder lutar por um lugar no top 10 de uma prova de 3 semanas. Com um excelente desempenho na edição de 2015 da Vuelta, prova em que andou durante várias etapas com a camisola vermelha, fechando a geral na 6ª posição, o holandês pode calar todos os críticos que consideravam que este jamais passaria de um excelente rolador com alguma propensão para o ataque em etapas de média montanha. Muitos consideraram portanto que o holandês dificilmente poderia assumir-se como um contender à geral individual porque teria muitas dificuldades para brilhar na alta montanha face à enorme concorrência dos trepadores puros como NairoMan, Thibault Pinot ou o Tiburon de Messina Vincenzo Nibali.

As baixas expectativas depositadas por vários analistas acabaram por funcionar muito bem a favor das pretensões que foram geradas pelo ciclista no decurso da prova. A partir do momento em que este conseguiu passar as duas primeiras grandes dificuldades montanhosas da prova (Monte Etna e Blockhaus) sem ceder tempo perante os principais favoritos, o holandês começou a ser mais respeitado dentro do pelotão. Quintana, Nibali e Pinot chegaram inclusive, na última tirada da prova, a unir esforços para tentar cavar uma diferença aceitável que lhes permitisse não terem que lidar com a ameaça que o holandês representava no contra-relógio final. Afinal de contas, o traçado desenhado pela organização para a 2ª metade da prova jogava parcialmente a seu favor. Com um contra-relógio longo (de altíssimo grau de dificuldade técnica) e outro de média distância a finalizar a prova, o holandês só precisava de não perder tempo na montanha.

Feita esta pequena introdução ao tema, e, relembrando a cobertura quase “exaustiva” (faltaram as duas etapas finais da prova, por manifesta falta de tempo) da prova ao longo das 3 semanas, este post visa essencialmente fazer um balanço global sobre a mesma, utilizando para tal uma estrutura crítica dividida em 3 partes assente no rendimento daqueles que consideramos terem sido as principais surpresas e as principais decepções da prova italiana. Continuar a ler “Balanço do Giro de Itália – as grandes surpresas e as decepções da 100ª edição da prova italiana (1ª parte)”