O dia em que o Mister acertou novamente na mouche

via Mister do Café

Ao longo dos últimos dias tenho vindo a evitar o inevitável tema da ordem do futebol português. Tenho vindo a evitar escrever sobre o mega (creio que já temos todas as provas que necessitamos para o escrever, sem correr o risco de virmos a ter que nos defender futuramente das acusações lavradas) escândalo de corrupção e tráfico de influências protagonizado pelos dirigentes e colaboradores Benfica e por alguns dos principais (e secundários) dirigentes do futebol português, não porque não tenha uma opinião formulada sobre o assunto porque tenho, não porque não tenha total conhecimento do assunto porque vou seguindo a novela a par e passo e vou dando, diariamente, junto das pessoas que me são próximas, a minha opinião sobre o assunto, mas porque, ao longo destes 4 meses, sempre tentei primar a diferença neste blog através de uma estratégia orientada para escrever (narrar, criticar, demonstrar, mostrar) sobre tudo aquilo que “se vai passando dentro das 4 linhas”, deixando todo o conteúdo que é rastilhado fora destas para quem de direito. Esta não é a minha forma de estar no desporto. Ponto.

Contudo, isso não quer dizer que não seja capaz de respeitar a forma de estar de outros bloggers quando têm, literalmente, os tomates no sítio para nos brindar com este tipo de pérolas. O Mister do Café é à semelhança de outros blogues como a leonina Tasca do Cherba (blogue no qual já vi um texto publicado) ou o Artista do Dia, blogue que também sigo diariamente, são blogues que tem prestado um evidente e louvável serviço público ao nosso país na luta contra o verdadeiro cancro (aquartelado na Luz e metastizado na Cidade do Futebol) que ameaça matar com o nosso futebol, e, como se veio a saber, nos últimos dias (depois da cena protagonizada no Hóquei em Patins) com o nosso desporto. Por outro lado, Francisco J Marques também tem prestado um digno e assinalável serviço público à Nação. Continuar a ler “O dia em que o Mister acertou novamente na mouche”

Quando a melhor e a única defesa possível, é o ataque

Se o “Benfica está forte, unido e coeso”, e “tem total abertura para facilitar acesso a toda a informação, tem as portas abertas e está tranquilo, quer que se investigue a fundo” (Luis Bernardo, Benfica TV, 16-06-2017) interrogo-me se realmente existe a necessidade de contra-atacar através da abertura de reabertura de processos do passado\novos processos na justiça desportiva e na justiça civil contra os rivais, quando uma bem preparada e executada defesa é um dos elementos basilares de um processo justo, e uma enorme garantia de transparência e idoneidade dos acusados se a acusação for dada analisada (ou até julgada) como desprovida de fundamento ou de provas que a justifiquem.

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Até da própria lei

“Não faz sentido falar em corrupção ou no que Pedro Guerra fez. Temos de estar unidos, pois só assim poderemos continuar a ganhar. O Benfica tem de estar acima de tudo” Luis Filipe Vieira, Assembleia Geral do Benfica, 09-06-2017

O clássico discurso moralizador e aglutinador do presidente do Benfica. A coisa parece estar realmente muito feia e muito grave.

Tiro ao lado?

As missas, os padres, a relação do primeiro-ministro com o poder (himself) e um intermediário sindicalista têxtil de Ronfe, ex-árbitro de baixa qualidade, observador tecnicamente inapto, que já foi do PCP mas agora está mais ligado ao Bloco. Eis a salsada marinada em massa pimentão que compõe a nova pratada de Carne de Porco à Alentejana que está a ser cozinhada no futebol português! A silly season elevada ao expoente. O conteúdo indicia uma suspeita que é amplamente generalizada e debatida mas, no fundo, a confirmar-se como uma informação verídica, não prova absolutamente nada. Temos pena. Eu sou um daqueles que crê convictamente que nos últimos anos passaram-se um conjunto de evidências claras que demonstram que não existe de todo uma actividade lícita nas conquistas do clube encarnado, mas, infelizmente, não tenho provas que sustentem tais actividades. Neste tipo de situações temos que ser racionais.

O que é que as declarações do director de comunicação do Porto provam? Nada. De boca pouco ou nada se prova neste país. O que é que os emails trocados entre Adão Mendes e Pedro Guerra provam relativamente à existência de um esquema de corrupção montado pelo Benfica? Nada. A provar-se como verídica, a licitude da prova conta. Como a prova não deverá ter sido obtida de forma lícita, Francisco Marques até pode ser vítima dos bagos de chumbo da bala que atirou contra os responsáveis do clube encarnado e contra os árbitros em questão se não conseguir justificar convenientemente a veracidade e a origem do email que leu, a veracidade das relações existentes entre agentes, as metáforas existentes no texto, o simbolismo escondido por detrás das alcunhas dadas às personagens. Se o director de comunicação do Porto não conseguir provar todos estes pontos, poderá obviamente incorrer num crime de difamação, devassa da vida privada e espionagem, morrendo imediatamente o assunto por aqui.

Desconstruir as certezas de Rui Vitória

“Acho que não. Mas lembrem-se lá de um jogo em que o Benfica ganhou por causa do árbitro. Não vejo nenhum jogo em que eu diga ‘houve um penálti, ganhámos 1-0, foi um erro’ 

Nas entrevistas concedidas nas últimas 48 horas à BTV e à SIC, o treinador do Benfica iniciou um ritual que já pode ser considerado e classificado como um clássico do clube da Luz nesta fase específica do ano: o habitual cacarejar de papo cheio. Durante a temporada, o treinador pouco fala (e quando fala escuda-se sempre num conjunto de metáforas, para não que a sua mensagem não seja entendida explicitamente) enquanto o presidente Luís Filipe Vieira utiliza, como estratégia de comunicação, um alegado silêncio mascarado por uma comunicação multi modal na qual sobressaem vários rostos, todos externos ao clube encarnado.

A afirmação em epígrafe, chocou-me por completo. Não é para menos. Sabemos de antemão que o técnico encarnado, como exemplar funcionário que é, teve obviamente que passar a tarde do dia de ontem debruçado nos mandamentos da cartilha que lhe foi escrita à medida da ocasião. A missão arrolada ao técnico na cartilha era, a meu ver, muito simples: “Rui tens que ir lá papá-los de cebolada, tratá-los como se os gajos (do Sporting e do Porto) fossem gajos mesmo muito estúpidos” – o Rui lá leu o que alguém lhe escreveu e foi ao programa dar aquela imagem de Santinho do Paoco que toda a gente lhe parece reconhecer, à falta de dois palminhos de testa para lhe topar a recorrente sonsice que o treinador do Benfica exala. O mister da t(r)eta, sujeito que neste momento é tido e achado no mesmíssimo patamar em que Jesus era tido e achado quando conquistou o seu bi (porque no reino dos encarnados, o melhor do mundo passa a pior do mundo assim que se muda para o outro lado da 2ª circular; a mesmíssima coisa poderá um dia acontecer com Rui Vitória se o técnico eventualmente assinar pelo Sporting) acabou portanto por abrir com a dita afirmação uma caixa de pandora muito perigosa, que qualquer um poderá portanto aproveitar, como se de uma caça ao tesouro se tratasse. Erros de arbitragem a favor do Benfica transformados em vitórias? Nah! Que ideia! Ou o Rui nos quis tomar como plenos estúpidos (utilizando a extremosa táctica da massificação de ideias como verdades universais que os adeptos dos outros clubes tem que engolir sem pestanejar) ou então, estamos perante um sinal claro de mitomania: Rui Vitória acredita mesmo nas mentiras e nas ficções que nos vai narrando, como se verdades se tratassem. Continuar a ler “Desconstruir as certezas de Rui Vitória”

Projectos desportivos alicerçados em pés de barro; estruturas familiares; ambições que comprometem

Nas últimas duas décadas, a história provou como cíclica a descida à 2ª Liga de equipas que nesse mesmo ano disputaram ou estiveram em vias de disputar as competições europeias, como foi o caso do Arouca na presente temporada. Quando alguns adeptos de clubes pequenos me apontam que a sua equipa deveria ter um bocado mais de ambição para poder lutar pelos lugares europeus, respondo quase sempre com recurso a um leque de perguntas: a estrutura directiva é coesa e organizada? Existe algum planeamento desportivo a médio e longo prazo, capaz de promover uma ascensão salutar dentro de moldes sustentáveis? O clube tem um nível interessante de sustentabilidade financeira e é bem gerido? O treinador e o seu staff oferecem garantias de poder vir a realizar um bom trabalho? O clube têm uma formação devidamente estruturada, com bons treinadores, com equipas competitivas e é capaz de prover a equipa sénior todos os anos? Antes de se fazerem à estrada, alguns dirigentes devem ponderar necessariamente este parâmetros para aferir se os seus clubes têm efectivamente condições para poderem lutar por objectivos deste nível. Continuar a ler “Projectos desportivos alicerçados em pés de barro; estruturas familiares; ambições que comprometem”

Fazem as declarações de Luis Filipe Vieira sentido?

«Independentemente de saber que num ou outro caso vai sempre haver contestação, há todas as condições para que o vídeo-árbitro acabe com a contestação aos árbitros. Todas as pessoas que estão ligadas ao fenómeno desportivo devem ter uma postura positiva e saber que o vídeo-árbitro vai ajudar mas que ninguém pense que não vai haver erros. Com essa postura positiva irão acabar as polémicas constantes todos os domingos, que têm prejudicado o futebol, por vezes tentando encobrir os erros dos outros em prol de atacar o árbitro» – ín Zerozero.pt

É o que dá ter que falar sem cartilha. Quando o presidente do Benfica é obrigado a falar sem recurso ao encomendado discurso, por norma sai sempre asneira.
As declarações são francamente contrasensuais. Ou então, são o sinal percursor daquilo que se passará quando o VA for introduzido. Estaremos perante uma caldeirada de aldrabice ou perante um momento de futurologia? Quero acreditar que estamos perante um daqueles discursos típicos do presidente do Benfica, apesar de termos considerado há tempos, o nosso wishful thinking em relação à coisa, aqui e aqui. Continuar a ler “Fazem as declarações de Luis Filipe Vieira sentido?”