Daniel Podence: sempre à procura do espaço livre. O “criador de espaços”!

P.S: Como o termo poderá eventualmente de causar alguma estranheza aqueles que utilizam outro para designar o mesmo princípio, no ínicio do vídeo quando eu falo no Princípio de Flutuação defensiva refiro-me ao termo que é conhecido, por muitos, como o Princípio da Basculação Defensiva

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Influências “Sarristas” em Jorge Simão – a contrapressão exercida no momento da perda no lance do golo alcançado contra o Sporting

P.S: No vídeo esqueci-me de fundamentar a razão pela qual achei que a decisão tomada por Coates foi péssima. No momento em que o uruguaio recebeu o esférico, poderia ter verticalizado o esférico para Gelson porque tinha linha de passe aberta para o efeito. O uruguaio não só retirava o esférico da zona de pressão “montada” pelo adversário como ao verticalizar para Gelson, na situação de 3×3 verificada a meio-campo naquele, oferecia ao extremo a possibilidade de criar desequilíbrio na defesa adversária usando para o efeito a sua velocidade.

Não é o fim, é apenas uma mudança ao nível do formato dos conteúdos.

Com muita pena minha, O Meu Caderno Desportivo, projecto que nasceu há 9 meses fruto da vontade de adquirir mais conhecimento sobre a temática desportiva, deixará de ser escrito. Confesso-vos que nas últimas semanas, a minha ideia não era essa, era a de acabar definitivamente com o blog porque infelizmente, para mal dos meus pecados, a minha vida profissional endureceu (e de que maneira!) desde o dia em que escrevi o meu último post. A escassez de tempo que possuo actualmente (para estudar; sim, porque eu continuo a estudar futebol bem como outros desportos todos os dias!) obrigou-me a procurar outro formato de comunicação para manter este espaço vivo. Por mais que tente esticar o meu tempo, não possuo neste momento a disponibilidade que dispunha até há bem pouco tempo para esmiuçar todos os assuntos que vou abordando até ao detalhe que a vossa consideração, estima e carinho merecem da minha parte.

O que é que me fez voltar atrás na minha decisão? Nos últimos dias pude ler com algum orgulho (com uma lágrima a cair ao canto do olho) uma menção muito positiva que me foi feita pelo grande Pedro Bouças, naquele que considero (e que muitos consideram) ser actualmente, o maior portal do futebol neste país: o Lateral Esquerdo. 

Ao ler essa menção, menção que me caiu nos tintins que nem um fogacho do Roberto Carlos ao primeiro meco de serviço na barreira, interroguei-me imediatamente: “Como é que tu pá, sendo adjectivado com as mais finest words de um dos maiores teóricos deste país nesta área, tens o atrevimento de o deixar mal nesta hora?” – A resposta foi automatica: temos que continuar, à medida da nossa disponibilidade. Não podendo de forma alguma perder 1 hora e meia a bater teclas, vou passar para o áudio, na espectativa de poder continuar a produzir conteúdos de qualidade em menos tempo. Peço só que me deem uns dias para fazer uns testes antes de começar a publicar.

Agradeço-vos toda a compreensão, do fundo do coração,

João Branco

Dois puros momentos de rock and roll!

Continuo ainda debruçado em alguns dos pormenores da vitória alcançada pelo City na noite de ontem frente ao Southampton. Como fiz questão de referir no post anterior, os lances de bola parada, em especial os pontapés de canto (na defesa aos livres laterais que o Southampton dispôs a mais de 30 metros da baliza, livres em que a equipa aproveita naturalmente para tentar criar situações de finalização para os seus 3 centrais, todos eles bons cabeceadores, Pep voltou a pedir à equipa para se posicionar em linha, subida, no exterior da área; executando uma estratégia cujos objectivos eram, em primeiro lugar, como não poderia deixar de ser, impedir situações de finalização e promover a recuperação da posse\iniciativa de jogo, e em segundo lugar, caso não fosse possível impedir a finalização adversária, dificultá-la ao máximo ou seja, assegurar que o adversário nunca dispusesse de situações de finalização demasiado próximas da baliza e flagrantes. Como Ederson é um guarda-redes que sabe medir muito tempo o tempo de saída a um cruzamento, o catalão confia ao brasileiro a rectaguarda da sua defesa caso o jogador que vai cobrar a falta tente bombear a bola para além do ponto até onde a defesa poderá previsivelmente descer) foram uns dos vários problemas colocados para formação orientada por Maurizio Pellegrino. Posso até afirmar, com conhecimento de causa que esta fase do jogo tem sido o verdadeiro tendão de aquiles da equipa de Manchester na presente temporada.

Continuar a ler “Dois puros momentos de rock and roll!”

Fieis à identidade construída do primeiro ao último minuto – o Manchester City de Guardiola é de outra galáxia!

Brian Clough em 1978:  “Se Deus quisesse que nós jogássemos no céu, Ele tinha colocado relva lá em cima.”

Poucas são as equipas que, ao minuto 95 de uma partida disputada contra um adversário difícil que soube contrariar defensivamente ao longo dos 90 minutos uma fatia generosa dos processos magicados pelos citizens (quando digo grande parte é mesmo grande parte; quem viu a partida terá forçosamente que atribuir os devidos créditos à exímia organização defensiva perpetrada pela formação orientada por Mauricio Pellegrino na partida disputada no City of Manchester) e que teve o condão de criar muitas dificuldades defensivas à formação da casa quer nas venenosas saídas executadas para o contra-ataque, quer no ataque aos lances de bola parada, conseguem ter disponibilidade física e psíquica para continuar a almejar a baliza adversária de acordo com os preceitos pedidos e trabalhados pelo treinador. A maior limitação intrínseca ao jogo, aquela que de facto mais pressão sob o discernimento dos jogadores (o factor tempo) quando aliada ao cansaço físico e psíquico sentido pelos jogadores e às dificuldades criadas por um comportamento defensivo eficaz por parte do adversária, cria na cabeça destes uma verdadeira mistura explosiva composta por falta de discernimento (remeto-vos para o fantástico post que foi escrito aqui pelo Pedro Bouças) descrença, e desvarios individuais.

É essa mistura explosiva que leva 99% das equipas a tentar o assalto final à baliza adversária através de um estilo mais directo e pragmático, ou seja, de um futebol em que para tentar criar uma tentativa de finalização a equipa opta por sucessivos despejos para a área ao invés da continuação de um futebol combinativo, que procure continuar a enganar o adversário (e a invadir os seus espaços, manobrando-o para o efeito) até alcançar aquele prometedor momento de finalização.

Várias acções realizadas pelos jogadores do City neste lance transpiram os princípios de jogo de Guardiola. Ao invés de bater longo na frente como ditava a necessidade, Ederson jogou curto, respeitando a identidade construída: um jogo apoiado onde é expressamente proibido bater longo na frente. Otamendi foi avançando pacientemente (provocando com bola o adversário; considera-se provocar com bola o ataque ao espaço em condução para atrair o adversário, de forma a procurar o homem livre que ao receber a bola vai provocar instabilidade no bloco adversário porque obrigará os jogadores adversários a ter que efectuar deslocamentos; se este os atrair para si, poderá libertar para outro homem livre, nos espaços em que tendencialmente estariam os defensores atraídos; isto foi precisamente o que Otamendi, Silva e DeBruyne fizeram) libertando apenas quando deixou o colega livre com espaço para criar. O espanhol rodou, fixou o adversário que lhe saiu ao caminho e libertou para a ala na tentativa de proporcionar a Raheem Sterling (o homem livre) um cruzamento para a área. A ideia do extremo sempre passou por flectir para dentro para executar um remate. Como 3 jogadores lhe saíram ao caminho, o extremo foi obrigado a procurar DeBruyne, que, num momento de inspiração de enorme brilhantismo técnico que não me passou despercebido…

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inverte novamente o sentido de jogo com uma recepção orientada que lhe faz permitir passar o esférico do pé esquerdo para o pé direito, antes de criar o espaço que Sterling vai aproveitar para finalizar com aquela técnica de remate que todo o mundo lhe reconhece.

 

Nós é que agradecemos, Imperador!

Corria o ano de 2010 quando todos acreditámos que eras imbatível, tal era a quantidade de defesas inacreditáveis que fazias jogo após jogo. Independentemente da nossa cor clubística e do facto de teres alinhado pelos rivais, nós é que nos sentimos impelidos a agradecer-te esse teu esforço, esses teus reflexos incríveis, essa tua agilidade felina, essa tua enorme presença na baliza. O teu país também será obrigado a agradecer-te. Deixa-me que te diga que, no meu entendimento, não foste o melhor “São” (os brasileiros tratam os seus “goleiros” como Santos) da história do seu futebol (pessoalmente defendo que o melhor guarda-redes da história do Brasil foi Marcos do Palmeiras; a esse, o cosmos deu-lhe o raro dom do milagre) nem tão pouco o mais carismático porque efectivamente os mais carismáticos foram Claudio Taffarel e Rogério Ceni. No entanto, creio que terás o teu pedaço na história da posição no teu país, porque, em conjunto com tantos outros (Jefferson, Cássio, Hélton, Carlos Germano, Norberto Neto, Alisson, Heurelho Gomes, Doni, Diego Alves, Victor, Taffarel, Ceni) ajudaram à superação daquilo a que eu denomino como “o estigma de Barbosa” (Moacir Barbosa era o guarda-redes da selecção que perdeu o título mundial de 1950 no Maracanã frente aos Uruguaios; o golo apontado por Alcides Ghiggia viria a transformar o pobre Barbosa numa espécie de vilão nacional até ao fim da sua vida, votando-o a um inexplicável ostracismo social) – “o estigma de Barbosa” afectou durante várias décadas o relevo que era dado pelo futebol brasileiro à posição e treino específico da posição, menosprezando-a por completo. Foram os feitos dos guarda-redes das gerações de 90 e dos anos 2000 que alteraram essa visão. A primeira internacionalização em massa do guarda-redes brasileiro alterou por completo esse paradigma. Embora esta ainda seja uma das raras posições que o Brasil não produziu um dos 3 melhores jogadores de uma posição numa determinada geração (Ederson tem todo o potencial para se tornar), o país tem vindo a trabalhar os seus talentos com muito mais qualidade.

2 curtas adendas

  1. Peço a vossa atenção para o artigo que escrevi a propósito da falta de cultura desportiva existente neste rectângulo à beira-mar plantado, na condição de autor convidado, a convite do Pedro Correia, para o seu blogue Delito de Opinião. 
  2. A partir de hoje também me poderão encontrar a aquecer junto à linha lateral no Sporting És a Nossa Fé!