As imagens da vitória do CDUL em Itália

Já noticiada aqui durante o dia de ontem. Durante o dia de hoje nas redes sociais, a vitória obtida pelos campeões nacionais no terreno da poderosa equipa do Viadana por 14-19, equipa que actualmente ocupa o 2º lugar da tabela do seu campeonato (uma das principais ligas profissionais do velho continente europeu) tem sido qualificada por muitos entusiastas ou pessoas ligadas à modalidade, como a vitória mais importante do rugby português nos últimos 7\8 anos. No post escrito ontem já tinha qualificado a vitória dos universitários como uma excelente notícia (muito galvanizadora) para a fase menos positiva pela qual tem estado a passar o nosso rugby nos últimos anos. São estas vitórias (juntando talvez a esta vitória o fenomenal percurso trilhado da selecção nacional de sub-20 durante a campanha de 2017 – campeã europeia de sub-20, vice-campeã mundial do Trophy do campeonato do mundo do escalão e a vitória obtida pela selecção de séniores no Rugby Europe C – vitória que a meu ver não deve ser tão desvalorizada quanto foi em virtude da derrota sofrida contra os belgas em Bruxelas no playoff de apuramento para o Grupo B porque uma derrota contra uma selecção de um país cujo rugby está a ser palco para um forte investimento na modalidade, de forma a aproximá-la do poderio das principais selecções do Grupo B – Roménia e Geórgia – não mancha a campanha de ressurreição coroada com 7 vitórias consecutivas que foi trilhada desde que a dupla Martim Aguiar\João Pedro Varela assumiu os destinos desta selecção) que nos fazem acreditar que, com trabalho e união, podemos paulatinamente recuperar do coma profundo no qual estivemos durante a última década, para finalmente começar a percorrer um caminho de sucesso. Sinto-me impelido a dizer que esta vitória provou que o jogador português não deve sentir qualquer complexo de inferioridade quando vai jogar à casa das formações de nações evoluídas. Quando o português entra em campo com o objectivo de deixar a sua pele no relvado, em nada se deve considerar inferior ao seu adversário.

O rugby português precisa deste tipo de vitórias, precisa cada vez mais deste misto de empenho, concentração, criatividade, força, segurança e espírito de união e precisa de gente capaz de se entregar ao trabalho. Podia aqui aproveitar a deixa para fantasiar e verbalizar sobre as fantásticas exibições individuais que pude ver nos 2 resumos (um mais curto – o que postei no início do post – e outro mais longo, apanhado num canal de televisão premium daquele país) mas prefiro atribuir os louros desta vitória ao enorme esforço colectivo da formação lisboeta – porque o rugby nacional necessita cada vez mais de agentes que prefiram a união à cisão, que prefiram o trabalho aos abjectos golpes palacianos que nada acrescentam ao rugby português, que prefiram uma atitude inclusiva a uma perigosa atitude elitista, e que se deixem de lutas tribais para se sentarem à mesa para pensar e operacionalizar uma coerente estratégia de crescimento e desenvolvimento que possa vir a beneficiar todos os clubes e não um conjunto deles (bem sei que para alguns galifões que por aí andam, é muito difícil vislumbrar o rugby português para além das fronteiras da Tapada da Ajuda, das Olaias, do Estádio Universitário de Lisboa ou de Monsanto), que possa apoiar a criação sustentada de novos clubes (em especial, nas zonas mais periféricas do país) e que possa aumentar a visibilidade e a exposição mediática desta modalidade no nosso país. O rugby português será, na minha opinião, tão ou mais forte, quando a união entre todos os agentes, proporcionar um aumento significativo do número de praticantes (aumento que se traduzirá obviamente no aumento da visibilidade e da exposição mediática da modalidade em todo o país) e o aumento da profundidade de escolhas ao dispor de cada seleccionador regional e de cada seleccionador nacional.

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Liga dos Campeões de Andebol – Sporting 29-33 Montpellier – Tivesse sido a atitude outra…

Terminou há minutos no Pavilhão João Rocha a partida referente à 5ª jornada do Grupo (última ronda da primeira volta) do Grupo C de qualificação entre Sporting e os vice-campeões franceses do Montpellier, formação que reforçou em Alvalade a sua invicta liderança do grupo.

Face ao altíssimo desempenho defensivo e ofensivo que a formação comandada por Hugo Canela conseguiu realizar nos últimos 15 minutos da partida, em contraste com o péssimo (em alguns períodos foi medíocre) desempenho nos restantes 45 minutos (em especial nos primeiros 15) posso afirmar sem qualquer pejo que a formação leonina, poderia ter sacado outro resultado (um resultado mais positivo para as suas aspirações; aspirações que ficaram hoje completamente comprometidas – para passar aos oitavos-de-final, os leões necessitarão de vencer todos os jogos que lhe restam, tarefa que não será propriamente fácil se considerarmos que ainda terá de jogar nos terrenos hóstis do Medvedi e do Montpellier e ainda dependerá de uma muito peculiar conjugação de resultados) se tivesse adoptado uma atitude mais positiva, mais ousada, mais agressiva e menos receosa nos minutos iniciais. Não posso porém deixar de referir que do outro lado da quadra estava uma das equipas mais poderosas do actual panorama do andebol europeu. Repleta de internacionais (vários internacionais franceses; e não falo de internacionais de circunstância; Valentin Porte e Michael Guigou são dois jogadores históricos da selecção francesa) esta equipa do Montpellier, formação que no ano passado conseguiu rumar até aos quartos-de-final da prova, não tem dado hipóteses à 2 e 3ª divisão do andebol europeu que têm encontrado nesta fase de grupos. Sabendo que qualquer deslize neste grupo é fatal (em função dos diminutos lugares passíveis de apuramento para as fases seguintes da prova), os franceses não facilitaram. Se por um lado poderia considerar  como natural (nada atípico) um comportamento mais receoso por parte da equipa do Sporting (porque na verdade, a formação leonina é na sua quase total globalidade, uma equipa com pouca experiência nestas andanças – excepção feita a jogadores como Carlos Ruesga, Ivan Nikcevic e Tiago Rocha) por outro lado creio que o jogo desta tarde também se poderia ter constituído como o palco perfeito para a equipa do Sporting empolgar-se para uma boa exibição, “soltando as amarras” de um pequeno complexo de inferioridade que teima em desaparecer do andebol português. Exemplo disso tem sido por exemplos as exibições descomplexadas da equipa do Besiktas, a formação que em teoria é a mais fraca do grupo. Os turcos tem sido completamente descomplexados no seu jogo, facto que lhes tem valido exibições e vitórias muito interessantes na prova nas últimas edições desta.

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Atlético 1-1 Barcelona – Um mero e breve conjunto de apontamentos

Entrada prometedora dos catalães na partida.

O guião, vulgo, plano de jogo, de entrega total,, ditado por Diego Pablo Simeone aos seus jogadores já é ou pelo menos já deveria ser sobejamente conhecidos por todos aqueles que tem estado minimamente atentos ao percurso da formação colchonera desde o momento em que argentino assumiu o seu comando técnico. No que concerne às suas ideias de jogo, às dinâmicas e aos processos que compõem o seu modelo de jogo, o treinador argentino raramente altera o quer que seja em função do potencial do adversário que vai defrontar. A equipa mantém-se fiel às matrizes da histórica identidade construída pelo técnico argentino nas últimas 4 temporadas, alterando apenas o nível de intensidade e de agressividade com que a equipa pressiona o adversário logo nos primeiros minutos (porque efectivamente estes jogos dão “muito mais ganas” aos jogadores) – ainda há duas semanas, na partida disputada contra o Leganés a formação colchonera entrou à sua imagem e semelhança – a pressionar alto a saída adversária para condicionar a sua construção (obrigando a equipa adversária a reciclar o jogo para os espaços para os quais o Atleti quer que ela saia – para os corredores – para efectuar a rápida recuperação), nunca permitindo que a equipa adversária consiga estar confortável no jogo (leia-se: em posse durante longos períodos de tempo, no seu meio-campo), recuando as suas linhas quando a equipa sente que a pressão alta não está a surtir o devido efeito (não está a permitir a recuperação de bolas) e\ou que a disposição num bloco baixo extremamente bem organizado do ponto de vista de cobertura posicional e apoios (sectores bem preenchidos – sempre com superioridade nas zonas onde está a bola) é a disposição no terreno mais profícua para fechar a sua baliza, encurtar os espaços para a equipa adversária circular (negando-lhe sempre a possibilidade de entrar no jogo interior; linhas muito próximas) e capitalizar cada recuperação nas saídas para o contra-ataque, aproveitando claro está, neste capítulo, o maior adiantamento do adversário no terreno. Continuar a ler “Atlético 1-1 Barcelona – Um mero e breve conjunto de apontamentos”

Atlético vs Barça (1ª parte)

A jogada do único golo da partida. Transição simples e tão bem elaborada. Abertura para o flanco esquerdo onde Felipe Luis aparece bem projectado no terreno. O brasileiro apercebe-se que Ferreira-Carrasco, mais pelo interior tem espaço para receber porque Semedo lhe concedeu esse mesmo espaço. O brasileiro devolve para o interior.

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O belga foi extremamente inteligente na sua acção. Em vez de receber, deixa passar a bola para tirar Semedo em definitivo do lance. Como podemos ver, Saúl também já ganhou a frente ao seu opositor, existindo espaço entre Rakitic e os defesas.

yannick 2

Yannick só precisa de colocar portanto a bola naquele espaço vazio que vai ser aproveitado por Saúl para executar aquele belíssimo remate em arco que beijou as redes da baliza de Ter Stegen.

O Barça tem efectivamente tido mais bola, mais iniciativa ofensiva e mais posse territorial no meio-campo adversário, frente a uma equipa que como se tem visto é capaz de pressionar muito bem em terrenos adiantados (já tendo conquistado várias bolas em erros de Jordi Alba, Piqué e Umtiti na saída de jogo) como de baixar rapidamente as suas linhas até aos seus últimos 30 metros, juntando linhas, sempre que pressente que a execução de um sistema pressão alta no meio-campo adversário não trará conquistas e prejudicará o equilíbrio defensivo pretendido pelo seu treinador Os últimos 30 metros do Barça tem sido o busílis da paciente mas conservadora exibição ofensiva dos culé – pouco criativa (variações de flanco a flanco – esteréis, porque Simeone consegue ter igualdade numérica na esquerda e superioridade 4×2 ou 4×3 na direita, mesmo nos lances em que Suarez tenta cair mais perto da esquerda para facilitar a missão de Inieste e Alba) pouco móvel (à excepção dos últimos 5 minutos do primeiro tempo, fase da partida na qual os centrais subiram até ao meio-campo adversário para permitir um certo adiantamento a Rakitic – só vi mobilidade em Messi e na dupla Semedo\André Gomes – ora entrando um por dentro, ora um por fora) incapaz de de circular rapidamente e de acelerar as transições para o contragolpe nos raros momentos em que a equipa madrilena perde a bola a meio-campo.

 

A suprema inteligência de Heung-Min Son e Christian Eriksen

Só os grandes médios, aqueles que fazem efectivamente a diferença num jogo de futebol, são capazes de ter um grau de compreensão tão elevado sobre o que fazer num lance em específico. No lance do primeiro golo do Tottenham frente ao Bornemouth, equipa cuja organização defensiva apresentada em Wembley em bloco baixo 5x3x2 (boa cobertura e rigor posicional, ou seja, a equipa nunca se desmanchou, nunca cedeu à tentação de pressionar alto; a verdade é que a circulação paciente executada pelos centrais do Tottenham à entrada do meio-campo adversário convidava os forasteiros a pressionar mais alto para abrir espaços para jogar entre linhas; linhas muito próximas para fechar o jogo entre linhas; 3 homens no corredor central com a missão de fechar as linhas de passe para o surgimento de Eriksen, Dele Alli, Kane ou Min entre linhas; pressão dos alas quando o esférico era circulado para as pontas; tentativa de ter sempre superioridade na zona para onde o esférico era circulado) dificultou e de que maneira a entrada dos spurs no último terço.

son 2

Aos 47″, aproveitando um momento de relaxamento da formação adversária após o regresso das cabines, Son entrou bem entre linhas pela interior directa para receber o passe frontal de Davinson Sanchez.

son

Com um “giro” na recepção, o coreano atraiu dois defensores (obrigando um dos centrais a sair da cabeça de área para pressionar), arranjando o espaço (assinalado a azul) para Eriksen penetrar no último terço pelo corredor central. A simbiose entre os dois jogadores é perfeita. O coreano cria o espaço. O dinamarquês apercebe-se que tem que entrar nesse espaço para receber.

O dinamarquês é feliz no ressalto, finalizando a jogada com o garbo técnico que lhe é amplamente reconhecido.

A frase do dia

tom dumoulin 6

“With doping, I don’t know how you’d feel about a victory if you doped. I couldn’t imagine that you’d have the same amazing feeling that I had at the Giro or the Worlds. I can’t see me doing that. Also when you look back at your career after, and if you doped, then all these people that started cycling because of you, they’d be so disappointed. It would be heart-breaking. And in the present, everyone relies on riding clean. There are more than 100 people on the team and it would be fucked up. That’s a responsibility.” 

Tom Dumoulin em entrevista ao Podcast Semanal da Cycling News. Vale a pena ouvir aqui. Na entrevista, o campeão do mundo de contra-relógio também aborda o próximo Tour, acusando a imprensa de ter vindo a promover nos últimos meses, na sua perspectiva, uma narrativa muito linear em relação ao que vai acontecer na próxima edição do Tour. Descartando a possibilidade de vir a trilhar uma luta a 2 contra Froome na prova francesa (prova que irá regressar ao que tudo indica na sua edição de 2018 a dois pontos míticos: ao Alpe D´Huez e ao velódromo de Roubaix – não se conhecendo porém se os ciclistas irão correr a totalidade do traçado da mítica clássica da primavera ou apenas partes desse mesmo traçado) o ciclista da Sunweb optou por um discurso muito humilde que lhe assenta muito bem e que tem sido de resto a chave de sucesso para surpreender todos aqueles que há 5 anos não acreditavam na possibilidade deste vir a desenvolver competências para a alta montanha. O ano de 2017 provou que Dumoulin tem condições para vencer a Volta a França. O holandês perdeu peso (os seus 71 kg permitem-lhe a morfologia ideal para abordar a alta montanha) sem ter perdido as suas qualidades no departamento do contra-relógio, trabalhou muito bem quer na pré-temporada quer nos estágios em altitude que realizou na preparação para o Giro e desenvolveu estratégias de corrida muito interessantes na prova italiana, prova onde recorde-se, com uma postura muito cautelosa e muito ciente dos seus limites energéticos, nunca optou por ir ao choque nos ataques de Nibali, Pinot e Quintana, mas também nunca lhes deu espaço para cavar grandes diferenças na montanha. 

Volta à Turquia – Sam Bennett conquista a sua 3ª vitória de etapa

Os últimos quilómetros da curta tirada de 128 km que ligou Fethiye a Marmaris foram deveras interessantes de seguir. Constando no perfil geral da prova como a última oportunidade que esta oferecia para os sprinters que se apresentaram na prova turca antes das 3 etapas de média montanha que se seguirão, à partida, não era 100% líquida a possibilidade desta vir a ser disputada na sua ponta final em sprint massivo ou até com a presença de sprinters na frente. Os dois obstáculos montanhosos não categorizados (na minha humilde opinião, a não categorização daquelas subidas por parte da organização foi um verdadeiro crime que tirou alguma espectacularidade à prova – a primeira merecia talvez uma 3ª categoria e a última uma 2ª – dada a sua extensão de aproximadamente 4 km e a sua pendente média de 6,5%) desenhados pela organização nos últimos 30 km poderiam efectivamente vir a retirar de combate os vários sprinters em prova da discussão se a corrida fosse atacada pelos corredores que irão lutar pela vitória na geral individual nas montanhas nos próximos dias. Nos últimos 10 km, fiquei com a impressão de que o cenário final acima conjecturado poderia concretizar-se quando vi Darwin Atapuma e Diego Ulissi ao ataque e David Arroyo a rondar a frente do pelotão. Continuar a ler “Volta à Turquia – Sam Bennett conquista a sua 3ª vitória de etapa”