No primeiro dia dos Campeonatos do Mundo, a Sunweb fez história

A propósito das vitórias de etapa, da conquista do Prémio da Montanha e do 10º lugar alcançado por Warren Barguil na geral individual na edição deste ano do Tour, das vitórias em etapas alcançadas por Michael Matthews (o vencedor do Prémio da Regularidade no Tour), do 4º lugar alcançado na geral individual da Vuelta por Wilco Kelderman e das vitórias de Tom Dumoulin na geral individual do Giro e no Binckbanck Tour, já pude realçar em vários posts o maravilhoso ano de estreia que está a ter a nova aposta desta empresa alemã ligada ao sector do turismo. Se em condições absolutamente normais, sem vitórias de excepção (considero como vitórias de excepção as vitórias nas principais voltas do calendário internacional, as provas de 3 semanas) dizem os especialistas da área que a aposta de uma empresa do ciclismo poderá gerar um retorno 3 a 4 vezes superior ao montante investido inicialmente, nem quero imaginar qual será o grau do retorno (quer em termos financeiros, quer ao nível mediático) que a empresa está actualmente a ter em função da espantosa época que as suas equipas (quer a masculina, quer a feminina) estão a realizar na presente temporada.  Continuar a ler “No primeiro dia dos Campeonatos do Mundo, a Sunweb fez história”

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Vroom, vroom! Deixem a mota passar – A grande imagem da última etapa do Binckbank Tour

Com licença, com licença – deixem o maior passar! A aceleração de Peter Sagan no Muur KapelMuur, icónico santuário que serve de amuleto para todos aqueles que pretendam ali atacam com o objectivo de vencer a Ronde Van Vlaanderen. Foi precisamente ali, naquele duríssimo (8,2% de inclinação média) sector de empedrado de 1100 metros que Philippe Gilbert projectou o ataque que viria a derrear toda a concorrência na última edição da Volta à Flandres.

Peter Sagan não venceu nem a etapa nem a geral (pese embora o facto de ter sido o ciclista que mais animou a prova, conjuntamente com a sua sombra Greg Van Avermaet) mas deixou apontamentos de sonho. Se não tivesse furado na 6ª etapa, o eslovaco poderia ter vencido a geral no muro de Geraardsbergen.

Como referi aqui, no post relativo à 6ª etapa, foi Tom Dumoulin quem aproveitou o “azar valão” do bicampeão do mundo de estrada. Na última etapa, o holandês só teve que realizar uma corrida à medida das suas necessidades, ou seja, no controlo total às movimentações de Tim Wellens. Quando Wellens tentou “sair a jogar” com Sagan no final do Kapel Muur, o holandês foi obrigado a assumir o esforço de perseguição. O belga da Lotto ainda conseguiu recuperar 2 dos 8 segundos que possuía de desvantagem em relação ao holandês da Sunweb num dos 3 sprints bonificados fixados pela organização no quilómetro dourado, mas não conseguiu ter a força necessária para tentar recuperar os restantes 6 na exigente rampa final de Geraardsbergen.

Binckbank Tour – Etapa 6 – Tim Wellens atinge o estado de graça nas ardenas

Nos metros finais, o belga da Lotto-Soudal puxou e o holandês nem se importou muito de perder a etapa (e os inerentes segundos de bonificação reservados para o primeiro a cruzar a linha de meta) porque tinha a plena consciência que acabara de dar um passo importante para a vitória na geral. Este é o mais breve resumo da parte menos importante de uma corrida (nas ardenas; na região de Bastogne; em certos, a corrida cruzou-se com alguns dos trilhos da mítica clássica disputada durante a primavera) que espremeu um apetecível e saboroso sumo de clássica da primavera em pleno verão.

Dois grandes obstáculos marcavam os últimos 35 km de corrida na fantástica região da Valónia. Se o conhecido Côte de Saint-Roch (800 metros a uma pendente média de 12%), muro eternizado na mítica clássica integrante dos 5 monumentos que tem o seu término no icónico bairro de Ans, seria o ponto de partida para a discussão pela etapa, o Cote Boins des Moines acabou por fazer toda a diferença. Nos Boins des Moines, Oliver Naesen (AG2R) entrou na frente com alguma vantagem sobre um reduzido grupo de ciclistas, Peter Sagan arriscou tudo para poder vencer a prova, Tim Wellens foi inteligente na forma em como soube responder a Sagan mas Tom Dumoulin acabou por fazer toda a diferença em virtude do azar ocorrido ao eslovaco da Bora.

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Binckbank Tour – 5ª etapa – Lars Boom vence uma corrida com uma multiplicidade de equações em jogo

Nota prévia: Em primeiro lugar, cumpre-me saudar e elogiar o desenho escolhido pela organização da prova para a etapa corrida à volta da cidade de Sittard. O traçado desenhado para a etapa bem como aquele quilómetro dourado (3 sprints intermédios bonificados colocados no reduzido espaço de um quilómetro) que foi “inventado” pela organização a seguir à passagem dos ciclistas pela subida ao Schatzberg (800 metros com uma pendente média de 5%) era prometedor, à partida, de espectacularidade. Nesse quilómetro dourado, se um ciclista conseguisse passar na frente dos 3 sprints bonificados, conquistaria a preciosa vantagem de 18 segundos. A colocação dos 3 sprints intermédios à saída da ascensão para a última dificuldade do dia não foram colocados à toa pela organização. Se a corrida decorresse de acordo com os moldes previstos pela organização, os ciclistas com interesse à geral sentir-se-iam aliciados a atacar na subida final para ir buscar os segundos de bonificação.

A 5ª etapa da Binckbank Tour (antigo ENECO Tour) foi uma tirada de 1000 contornos estratégicos. Nos 163,7 km de corrida, os ciclistas teriam de enfrentar um complexo conjunto de 20 colinas até chegarem à recta da meta no Autódromo da Cidade de Sittard. À primeira vista, o traçado oferecia muitas oportunidades para puncheurs e afigurava-se como algo penoso para alguns roladores, pese embora o facto de terem chegado alguns no grupo que desde cedo tomou a dianteira da corrida. Continuar a ler “Binckbank Tour – 5ª etapa – Lars Boom vence uma corrida com uma multiplicidade de equações em jogo”

Binckbank Tour – Etapa 2 – Stefan Kung vence o crono de Voorburg

No 2º dia da prova, a organização decidiu conceder palco aos grandes roladores presentes no evento. Num pequeno crono de 9 km disputado sob chuva, adversidade que naturalmente obrigou os alguns ciclistas a executar as viragens com alguma cautela, a distância em si, era suficiente longa para afastar da discussão da etapa alguns sprinters que possuem valências na especialidade do prólogo como é o caso de Marcel Kittel.

Stefan Kung confirmou novamente as suas credenciais enquanto contra-relogista. O ciclista suíço da BMC tem vindo ao longo dos últimos meses a emergir como um dos maiores talentos nesta especialidade particular do ciclismo. A realizar uma temporada quase perfeita, o maduro ciclista de 23 anos, atleta que faz lembrar os primeiros anos da carreira de Fabian Cancellara (à semelhança de Cancellara, Kung também é um bom finalizador de etapas; não me causará espanto a possibilidade futura de vir a tornar-se um bom puncheur), obteve na Holanda a sua 5ª vitória da temporada, depois de já ter vencido uma etapa na Volta à Romândia e de se ter sagrado recentemente campeão suíço de contra-relógio. Ao derrotar dois dos grandes nomes do contra-relógio mundial (Maciej Bodnar, Tom Dumoulin, Jos Van Emden, Alex Downsett, Mathias Brandle), o suíço pode arrebatar a liderança da prova. O anterior líder da prova, Peter Sagan, portou-se muito bem ao atingir um bom tempo que o classificou na 18ª posição a 25 segundos de Kung.

Os grandes vencedores do dia acabaram por ser Tom Dumoulin (3º a 5 segundos), o seu compatriota Lars Boom (Lotto-Jumbo-NL; 5º a 10 segundos) e o belga Tim Wellens da Lotto-Soudal (9º a 17 segundos). Com magníficos tempos, os 3 ciclistas afiguraram-se como os principais favoritos à vitória na geral individual da prova, se atentarmos à exigência das etapas que se seguem na prova. Ao longo dos próximos dias teremos algumas etapas de colinas. Bastará por exemplo ver o traçado da 5ª etapa, tirada que será corrida na inclinada região de Sittard.

sittard

Michal Kwiat “Supersonic” Kowski vence a explosiva Clássica de San Sebastian

Explosiva. Táctica. Demasiado táctica. Incisiva. A edição deste ano da mítica Clássica de San Sebastian voltou a oferecer-nos ciclismo no seu seu estado puro: explosivo, emotivo, pensado ao pormenor e ofensivo. Na chegada a San Sebastian, o polaco Michal Kwiatkowski, ciclista que se tornou campeão do mundo em 2014 em solo espanhol (mais concretamente na lindíssima região de Ponferrada) juntou a vitória na clássica mais emblemática que é disputada aqui no país vizinho ao seu extenso currículo neste departamento de provas. A Sky mereceu mereceu por inteiro a vitória conquistada ao sprint pelo all-arounder polaco. Com uma abordagem extremamente ofensiva (e causadora de imenso desgaste nos rivais) nos últimos 30 km, a formação britânica foi aquela que mais esforços realizou para poder festejar a vitória no final dos inclinados e expressivos 230 km de corrida. Num final disputado ao sprint em grupo reduzido, Kwiat fez prevalecer a sua superioridade ao nível da finalização de etapas para bater a gigante concorrência que se formou nos últimos 10 km da prova. Continuar a ler “Michal Kwiat “Supersonic” Kowski vence a explosiva Clássica de San Sebastian”

Volta à Suiça – Etapas 1 e 2

A 81ª edição da Volta à Suiça arrancou no passado sábado. A sobreposição de provas (as primeiras duas etapas da prova helvética sobrepuseram-se ao momento de todas as decisões no Criterium Dauphiné)  levou-me a demonstrar alguma preferência pela cobertura da parte final da prova francesa para depois me dedicar em exclusivo até ao próximo domingo na cobertura da outra grande prova de preparação para o Tour.

A Volta à Suíça é desde há muitos anos uma das principais antecâmaras de preparação para a Grande Boucle pelo carácter exigente do seu traçado (2 contra-relógios e 4 etapas de média e alta montanha) em conjunto com o Criterium Dauphiné e com a Route Du Sud. Estabelecida como o último balão de ensaio para todos aqueles precisam de melhorar a sua condição antes da prova francesa, a prova helvética reserva a todos os participantes um grau de dificuldade alto na montanha. Com um historial de vencedores muito rico (o nosso Rui Costa já venceu a geral individual da prova em 3 ocasiões nos anos 2012, 2013 e 2014) vários foram os nomes sonantes da história do ciclismo que já ergueram a camisola amarela no final dos 9 dias de corrida de prova. Entre os vencedores absolutos da prova helvética podemos encontrar nomes históricos do ciclismo como de Gino Bartali, Eddy Merckx, Roger de Vlaeminck, Giuseppe Saronni, Sean Kelly, Pavel Tonkov, Stefano Garzelli, Alex Zulle, Alexandre Vinokourov, Jan Ullrich, Roman Kreuziger, Fabian Cancellara, Frank Schleck, Levi Leipheimer ou Rui Costa. Continuar a ler “Volta à Suiça – Etapas 1 e 2”