A horrível abordagem defensiva realizada pela formação portuguesa frente aos Estados Unidos

  1. 2018, será um tempo de renovação em parte do sector defensivo desta selecção. Se nas laterais, Fernando Santos ou, outro treinador que possa vir a assumir a equipa para o próximo ciclo em caso de uma estrondosa hecamtombe na Rússia, cenário que não acredito de todo que vá acontecer  (como sabem eu não sou particularmente fã do estilo de jogo desta selecção; mas, mesmo apesar de não ser um fã deste estilo de jogo que considero profundamente anacrónico e antagónico à identidade do jogo português, atribuo, no pior dos cenários, francas possibilidades de conseguirmos, pelo menos, chegar aos quartos-de-final; por outro lado só atribuo favoritismo a três selecções: Alemanha, Espanha e Brasil) está bem servido (embora reconheça que foram até ao momento raras as boas exibições defensivas de Nelson Semedo), no centro da defesa, poderemos ter que vir a renovar toda a frota findo o mundial. Nem José Fonte pode vir a escapar em virtude dos seus actuais 33 anos, embora me pareça que o central do West Ham tem condições físicas para continuar a servir a selecção pelo menos por mais dois anos. Abrindo-se a porta da saída a Pepe e Bruno Alves, abre-se a porta a uma renovação total no eixo do sector defensivo.

2.Sempre fomos um país formadores de razoáveis\bons defesas centrais. De Vicente Lucas a Pepe e Bruno Alves, passando por Humberto Coelho, Rui Rodrigues, Lima Pereira, Eurico Gomes, Fernando Couto, Jorge Costa, Ricardo Carvalho ou Jorge Andrade, o longo dos últimos 50 anos foram raros os momentos em que a nossa selecção teve dificuldades em encontrar uma dupla sólida para o sector. Esse estado pode efectivamente alterar-se no final do mundial. Pese o facto de existirem neste momento alguns jogadores com um futuro prometedor, e desses mesmos jogadores já terem dado provas no nosso campeonato, nas nossas selecções jovens ou noutros campeonatos (falo designamente de jogadores como Luis Neto, Ruben Semedo, Ricardo Ferreira, Fábio Cardoso, Frederico Venâncio, André Pinto, Josue Sá, Domingos Duarte) e de ainda estarem a maturar alguns talentos nos sub-21 (entre os quais Ruben Dias, o mais promissor dos centrais portugueses) neste momento, creio que neste momento nenhum destes dá sólidas garantias se for obrigado a assumir a titularidade da selecção. Ruben Dias é, repito, na minha opinião, o mais talentoso desta geração e é, aquele em quem mais deposito fé. Eu sou um apreciador de algumas das características de Rúben Semedo, mas reconheço-lhe por outro lado, noutros aspectos as suas evidentes falhas. Continuar a ler “A horrível abordagem defensiva realizada pela formação portuguesa frente aos Estados Unidos”

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Uma 2ª parte de enorme competência carimba o bilhete de embarque para a Rússia

O golo da tranquilidade. A melhor prendinha de aniversário que Fernando Santos poderia ter recebido: um golo com cheirinho às rotinas trabalhadas por Leonardo Jardim no Mónaco. Ao 10º jogo desta fase de qualificação, os jogadores finalmente compreenderam que a colocação de sistemáticos cruzamentos para a área não é o único processo de definição possível no último terço.

Bernardo Silva mostrou mais uma vez neste lance o seu odor a inteligência na definição das suas acções: acelerar quando é preciso queimar linhas ou livrar-se da pressão adversária para progredir, contemporizar quando, em inferioridade e\ou sob pressão adversária (quer de 1 quer de 2 jogadores) é necessário esperar pelo surgimento de um apoio para dar continuidade. E Moutinho, jogador que apareceu, como já tinha referido no post anterior, muito bem em zona mais interior a apoiar as investidas realizadas pelo flanco direito, decidiu a sua acção ainda com mais inteligência, devolvendo a bola para Bernardo Silva. Pelo buraco da agulha, o jogador do City fez chegar a bola a André Silva, que, ao seu jeito, não perdeu a compostura à frente da baliza. 

selecção

Os aspectos que me saltaram à vista na primeira parte estão anotados aqui no post escrito durante o intervalo. 

2-0 encaixado. 2-0 retribuído. E William redimiu-se daquela trágica noite de Basileia com uma exibição do outro mundo.

A selecção suíça que vimos no primeiro tempo (razoável ao nível de organização defensiva; funcional na transição; capaz de adormecer o jogo nos momentos de maior euforia ofensiva adversária) desapareceu do jogo a seguir ao primeiro golo. Se por um lado, defensivamente, os suíços granjeraram à selecção portuguesa mais espaço para jogar à vontade no interior do seu bloco, aspecto raro nos processos de jogo ofensivo da selecção de Fernando Santos em toda a fase de qualificação, ofensivamente, os helvéticos não foram capazes de transitar para o meio-campo português com o à-vontade que foi concedido no primeiro tempo porque os jogadores lusos foram extremamente competentes quer quando Fernando Santos subiu as linhas de pressão logo no início da segunda parte (neste aspecto em particular, André Silva foi um verdadeiro lutador pela forma em como condicionou a saída de jogo a partir dos centrais; Moutinho teve dons de adivinho, aparecendo sempre nos espaços onde iria cair as segundas bolas; na primeira parte demonstrou clarividência na definição da jogada na qual colocou o golo no pé esquerdo de Bernardo Silva; William foi imperial no meio-campo, matando transição atrás de transição; existem 3 lances praticamente seguidos nos quais logo que a bola entrou em espaço interior em Shaqiri apareceu o médio do Sporting nas costas a negar a saída e a lançar o ataque com muita qualidade; William fez contra) quer quando as desceu, fazendo a selecção defender num bloco super compacto (nos últimos 20 minutos) que não só impossibilitou a selecção suíça de colocar a bola entre linhas (existiram duas situações nas quais Mehmedi e Seferovic conseguiram receber entre linhas à entrada da área, com algum espaço para criar; tanto um como outro pecaram imenso na definição dos lances; à excepção de um lance no qual Seferovic tenta desviar para a baliza um remate de fora da área de Shaqiri nos lances em que a bola chegou com facilidade à linha às subidas de Ricardo Rodriguez no terreno, Pepe e José Fonte conseguiram resolver com relativa facilidade os cruzamentos colocados pelo lateral do Milan na área portuguesa) como permitiu a recuperação de muitas bolas que deram azo ao lançamento de perigosos contra-ataques.

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Os golos do dia

Inicio este post com a fantástica execução de Cristiano Ronaldo num jogo em que sinceramente o potencial do adversário não deixou muito para contar. Jogo totalmente dominado pela nossa selecção no qual apenas saliento, como única alteração (positiva) de maior visibilidade em relação aos desempenhos nos jogos da Taça das Confederações, a maior mobilidade dos médios alas para terrenos interiores. Tanto João Mário (a procurar claramente o interior) como Bernardo Silva criaram, em posição interior, muitas dificuldades de marcação à linha média dos ilhéus e permitiram a maior projecção dos laterais, numa estratégia de criação de volume de jogo quase sempre alicerçada na construção através das constantes variações entre flancos e constituição de triângulos (com as descidas de Ronaldo até à meia-interior, principalmente no flanco esquerdo) de superioridade nos corredores para deixar um homem solto para cruzar. Cruzamentos. Muitos cruzamentos à procura de André Silva e de Cristiano Ronaldo. Cruzamentos em jogadas pensadas ou de primeira em velocidade, como tantas vezes colocou Cédric.

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O primeiro de muitos, esperemos

Portugal descobriu o futebol feminino há cerca de um ano. Até eu, fui apanhado na rede daqueles que não seguiam com o mínimo de atenção o percurso de evolução da modalidade em Portugal e até no mundo.

Até à entrada do meu clube, o grande Sporting Clube de Portugal (creio que esta revelação in loco já não é uma novidade para ninguém que segue atentamente este blog!) no principal escalão do futebol feminino português, de futebol feminino conhecia pouco ou até mesmo muito pouco. O pouco conhecimento que detinha resumia-se a uma passagem de olhos pelos resultados das selecções nos torneios internacionais ou nos jogos de qualificação para as grandes competições internacionais (jogos em que selecções como a Escócia, a Inglaterra ou a Espanha goleavam as nossas jogadores sem piedade),  uma passagem de olhos pelos resultados e pelas raras notícias que eram fabricadas pelos correspondentes das várias equipas existentes no distrito de Aveiro e uma ou outra notícia sobre a transferência de uma jogadora da região para o estrangeiro. Os feitos de Diana Silva quando jogou no Clube de Albergaria eram portanto “feitos” meramente de jornal. A modalidade não me suscitava interesse, se bem que por vezes, o meu habitual zapping apanhava a transmissão de um ou outro jogo da Liga dos Campeões Feminina na Eurosport. Continuar a ler “O primeiro de muitos, esperemos”

Uma questão de justiça

1 ano decorrido sobre o inigualável feito, penso que ninguém deu o devido valor ao guarda-redes do Sporting. Se Patrício não tivesse feito as espectaculares defesas que fez contra a Croácia (se não figurar um dia no apanhado das 10 melhores defesas da história dos europeus, creio que é uma tremenda injustiça), contra a Polónia…

(…)e frente à França…

o herói improvável não teria sequer entrado para fazer o golo mais improvável da história do futebol deste país.

Que laxismo!

Pesem, e de que maneira, a grande penalidade falhada por André Silva no primeiro tempo e as 4 oportunidades de golo que materializaram o primeiro grande fogacho de futebol desta selecção na Taça das Confederações (a sincronia entre o flanco direito foi óptima e Pizzi acrescenta definitivamente mais velocidade às transições), parecia estar tudo a correr dentro de uma bitola aceitável. Até ao momento em que a defesa portuguesa meteu água. Guarda-redes incluído. Como é que Carlos Vela entra ali naquela posição pelo meio dos centrais? Porque é que Rui Patrício encolheu-se por completo?

Portugal 0-0 Chile (0-3 gp) – A sorte não dura para sempre, Engenheiro

Foi correcto. Correctíssimo. O resultado final. Ao fim de dois anos, e um Europeu conquistado com base no critério “sabe-se-lá como”, ainda ninguém percebeu (dou um pacote de gomas a quem me explicar) qual é o futebol desta equipa. Por vezes assistimos ao chutão para a frente à procura do Ronaldo, noutras, na sua esmagadora maioria, assistimos a um processo básico de abertura para as alas para que os extremos cruzem à procura do Ronaldo.

Foram pelo menos 90 minutos de abordagem tinhosa ao jogo, escolhas que não fazem o mínimo sentido (André Gomes, p.e), precipitação nos momentos de recuperação de bola, falta de critério na construção ofensiva,falta de criatividade no último terço, substituições realizadas tarde e a más horas, falta de paciência na construção ofensiva, unidades a jogar longe uma das outras, dois avançados a sair fora da área (falta de presença na área), incapacidade em ganhar as 2ªas bolas, um jogador que pede licença à perna esquerda para fuzilar com a direita (sempre por cima) quando consegue aparecer bem a ganhar a 2ª bola à entrada da área, um defesa esquerdo que permitiu constantemente ao lateral contrário a colocação de cruzamentos porque, vá-se lá imaginar, cola-se aos centrais, um falso esquerdo que raramente acompanha o opositor contrário, Um central de bota e bira (britânico) sem ponta de classe. Salvou-se o William pela capacidade que teve em retirar a bola das zonas de pressão para lançar o ataque.

Este é o resumo crítico mais lato de uma eliminação em que podemos dizer sem qualquer pejo que ficou muito por fazer face a uma selecção que apresentou processos de jogo bem mais vincados que os nossos, bem mais trabalhados que os nossos, mais intensidade nos momentos de pressão (infernal, a meio-campo; daí o facto de ter salientado a exibição de William Carvalho), mais organização defensiva (muito mais) e mais perigosa no capítulo ofensivo. Continuar a ler “Portugal 0-0 Chile (0-3 gp) – A sorte não dura para sempre, Engenheiro”