Uma questão de justiça

1 ano decorrido sobre o inigualável feito, penso que ninguém deu o devido valor ao guarda-redes do Sporting. Se Patrício não tivesse feito as espectaculares defesas que fez contra a Croácia (se não figurar um dia no apanhado das 10 melhores defesas da história dos europeus, creio que é uma tremenda injustiça), contra a Polónia…

(…)e frente à França…

o herói improvável não teria sequer entrado para fazer o golo mais improvável da história do futebol deste país.

Que laxismo!

Pesem, e de que maneira, a grande penalidade falhada por André Silva no primeiro tempo e as 4 oportunidades de golo que materializaram o primeiro grande fogacho de futebol desta selecção na Taça das Confederações (a sincronia entre o flanco direito foi óptima e Pizzi acrescenta definitivamente mais velocidade às transições), parecia estar tudo a correr dentro de uma bitola aceitável. Até ao momento em que a defesa portuguesa meteu água. Guarda-redes incluído. Como é que Carlos Vela entra ali naquela posição pelo meio dos centrais? Porque é que Rui Patrício encolheu-se por completo?

Portugal 0-0 Chile (0-3 gp) – A sorte não dura para sempre, Engenheiro

Foi correcto. Correctíssimo. O resultado final. Ao fim de dois anos, e um Europeu conquistado com base no critério “sabe-se-lá como”, ainda ninguém percebeu (dou um pacote de gomas a quem me explicar) qual é o futebol desta equipa. Por vezes assistimos ao chutão para a frente à procura do Ronaldo, noutras, na sua esmagadora maioria, assistimos a um processo básico de abertura para as alas para que os extremos cruzem à procura do Ronaldo.

Foram pelo menos 90 minutos de abordagem tinhosa ao jogo, escolhas que não fazem o mínimo sentido (André Gomes, p.e), precipitação nos momentos de recuperação de bola, falta de critério na construção ofensiva,falta de criatividade no último terço, substituições realizadas tarde e a más horas, falta de paciência na construção ofensiva, unidades a jogar longe uma das outras, dois avançados a sair fora da área (falta de presença na área), incapacidade em ganhar as 2ªas bolas, um jogador que pede licença à perna esquerda para fuzilar com a direita (sempre por cima) quando consegue aparecer bem a ganhar a 2ª bola à entrada da área, um defesa esquerdo que permitiu constantemente ao lateral contrário a colocação de cruzamentos porque, vá-se lá imaginar, cola-se aos centrais, um falso esquerdo que raramente acompanha o opositor contrário, Um central de bota e bira (britânico) sem ponta de classe. Salvou-se o William pela capacidade que teve em retirar a bola das zonas de pressão para lançar o ataque.

Este é o resumo crítico mais lato de uma eliminação em que podemos dizer sem qualquer pejo que ficou muito por fazer face a uma selecção que apresentou processos de jogo bem mais vincados que os nossos, bem mais trabalhados que os nossos, mais intensidade nos momentos de pressão (infernal, a meio-campo; daí o facto de ter salientado a exibição de William Carvalho), mais organização defensiva (muito mais) e mais perigosa no capítulo ofensivo. Continuar a ler “Portugal 0-0 Chile (0-3 gp) – A sorte não dura para sempre, Engenheiro”

Portugal 4-0 Nova Zelândia – Passeata em São Petersburgo

15 minutos finais de aceitável futebol permitiram à selecção confirmar o apuramento na primeira posição do grupo num jogo em que os restantes 75 não foram verdadeiramente aceitáveis face ao adversário que defrontámos em São Petersburgo. Perante um adversário tão inofensivo que só construiu 2 situações de golo em 2 lances oferecidos pelos centrais e pelo guarda-redes português, e tão débil do ponto de vista defensivo, o jogo contra os neozelandeses deveria ter sido facilmente solucionado no primeiro tempo com uma goleada se não tivessem existido alguns dos erros a que este elenco nos tem habituado. Continuar a ler “Portugal 4-0 Nova Zelândia – Passeata em São Petersburgo”

Tardou mas não falhou


Na primeira vez que Eliseu subiu no flanco (até ao lance do 2º golo o lateral limitou-se a passar bolas para as acções de Quaresma, vendo de longe as suas acções e obrigando por vezes Ronaldo a baixar para tentar a tabela quando uma mera entrada externa poderia ser mais benéfica, porque criaria a situação de desequilíbrio com a presença de Ronaldo em zona de finalização) surge o lance mais bonito construído por Portugal na prova.

Contudo, continuo apreensivo com uma situação que tem vindo a repetir-se ao longo dos jogos nesta Taça das Confederações. Quando os jogadores portugueses recuperam a bola a meio-campo (em especial Danilo, Moutinho e os centrais) continua a existir pouca clarividência no momento da decisão “do que fazer com a bola”. É nessas situações em que me parece evidente um certo desnorte ao nível de inteligência porque por um lado o portador não assenta o jogo, ou seja, faz uma ligeira contemporização para que apareça (o mais imediatamente possível) um jogador a pedir a bola, para facilitar a situação de transição e, por outro lado, poucos são aqueles que são ávidos a desmarcar-se para vir pegar no jogo. Ronaldo  tem sido a excepção à regra (inépcia total) na frente de ataque portuguesa, numa primeira parte em que voltaram a existir aqueles inexplicáveis chutões para a frente que nada acrescentam ao jogo português (autênticas devoluções de bola) ou a resma habitual de passes falhados neste tipo de situações

A má exibição de Renato Sanches frente aos sérvios explicada

Como não somos de intrigas nem de meias verdades, nem gostamos de ser tratados como estúpidos quando lemos coisas do género “o Renato foi o melhor em campo na 2ª parte do jogo contra os sérvios” decidimos fazer um post para rebater essa mesma afirmação. Vejamos:

1ª Situação – Minutos 0:31 a 0:35 do vídeo

O jogador sente que vai entrar um sérvio nas suas costas para receber o passe. É rápido a ler o jogo e a antecipar-se para recuperar a posse do esférico. Recupera a bola e promove uma excelente aceleração. Até aqui nada de novo “no jogo do jogador”. Pensávamos nós porém que o jogador tinha evoluído no capítulo do passe no Bayern… Continuar a ler “A má exibição de Renato Sanches frente aos sérvios explicada”

Análise – Campeonato da Europa de sub-21 – Portugal 1-3 Espanha – Milagres? Não há Sr. Rui Jorge

No sábado, contra os sérvios, relatei aqui um jogo no qual foi feito tudo para dar errado e tudo acabou estranhamente por dar certo. Da entrada que nos foi servida por Rui Jorge, comi só pela metade porque naquele momento tive o bom senso de guardar o meu estômago para as provas do prato principal frente aos espanhóis. No jogo frente à selecção espanhola queria perceber se a estreia dos sub-21 portugueses frente aos sérvios tinha sido um mero e normal momento de nervosismo inerente a estes momentos ou um sintoma avançado de um grupo extremamente desequilibrado e mal trabalhado.

Frente aos espanhóis fiquei com a sensação que o actual elenco que o seleccionador levou à Polónia é um elenco que reparte entre si um bocado de tudo: de desequilíbrio, de falta de qualidade e de falta de trabalho. A repetição de processos de jogo é exasperante, a falta de intensidade do meio-campo é exasperante. A incapacidade de Rúben Neves em organizar devidamente o jogo é gritante. A falta de uma referência de área é exasperante. Aquele lateral esquerdo que fomos importar à Real Sociedad é das coisas mais fracas que vi a jogar numa selecção portuguesa. Os maus cruzamentos do Cancelo levam-nos à loucura (ainda para mais quando não existia uma referência de área) e na melhor parte do pano, aquela fífia cavalar do Rúben Semedo estragou uma boa exibição do central na abordagem a 90% dos lances em que foi chamado a intervir. Para vencer por 3-1, os espanhóis nem tiveram que forçar o andamento. Tiveram apenas que ser mais competentes e eficazes nos momentos chave da partida.

No meio disto tudo acabaram por se salvar as exibições de Bruma, de Daniel Podence, de João Carvalho (a espaços) e de João Cancelo. Daniel Podence foi de longe o elemento mais desequilibrador frente à turma espanhola mas, na cabeça do seleccionador, as 3 ou 4 situações de golo que criou não foram suficientes. Outros jogadores com Rúben Neves ou Renato Sanches continuam a receber carta branca para se arrastar em campo. Quando assim é, não podem existir milagres Sr. Rui Jorge.  Continuar a ler “Análise – Campeonato da Europa de sub-21 – Portugal 1-3 Espanha – Milagres? Não há Sr. Rui Jorge”