Os golos da Champions

Contra todas as opiniões que tenho ouvido sobre o valor do jogador nos últimos anos, depois de ter feito sensacionais temporadas no Everton no qual foi “um pau para toda a obra de 80 metros de comprimento” para David Moyes, eu compreendo as declarações de Mourinho quando afirmou que o belga Marouane Fellaini é um jogador com uma importância superior na equipa (e nos seus processos; quer nos ofensivos, quer nos defensivos) aquela que tanto a imprensa como os adeptos lhe tem atribuído.

Contra o jogador belga incorrem as justas críticas que lhe apontam os defeitos do seu jogo: o belga é lento a pensar e a executar (critério que faz toda a diferença no frenético pace do futebol inglês) erra muitos passes fáceis, não toma as melhores decisões, é muito perdulário e perdeu ao longo dos anos aquela que era a sua principal característica ofensiva: o remate de meia distância. No entanto, creio que José Mourinho fez um belíssimo trabalho de remodelação do jogador ao seu pragmático modelo de jogo. O belga é hoje um jogador híbrido (um médio que entra muito bem em zona de finalização) que cumpre as funções que lhe são requeridas pelo treinador português quer no plano ofensivo, quer no plano ofensivo.  Continuar a ler “Os golos da Champions”

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A hipocrisia de Javier Tebas

javier tebas

Fonte: Mais Futebol. 

A toque de caixa de Josep Maria Bartomeu, dirigente que poderá ter comprometido no caso Neymar a sua sobrevivência na presidência do Barcelona em virtude do vexame popular a que foi exposto no último mês, Javier Tebas, presidente da Liga Espanhola de Futebol continua, a abrir fogo sobre o PSG e sobre o Manchester City. A base argumentativa que é utilizada junto da UEFA pelo principal dirigente de La Liga no que concerne à base que sustenta as sistemáticas violações de ambos os clubes às regras do fairplay financeiro da UEFA é válida (os dois clubes fazem efectivamente concorrência desleal a grande parte dos clubes de europeu visto que são suportados informalmente nos bastidores pelos fundos soberanos dos Emirados Árabes Unidos e Qatar) é muito válida mas soa a alguma hipocrisia se atentarmos ao histórico dos clubes espanhóis na última década e a um caso particular ocorrido no presente verão no futebol espanhol. Continuar a ler “A hipocrisia de Javier Tebas”

O perigoso precedente aberto pelo “caso Neymar”

Não querendo de maneira alguma questionar a infinita qualidade do jogador (Ousmane Dembelé já é neste momento um dos maiores criativos do futebol mundial) bem como o seu potencial futuro (o extremo é na minha opinião um grande candidato ao Prémio de Melhor Jogador do Mundo quando Cristiano Ronaldo e Lionel Messi pendurarem as suas chuteiras), mas sim o valor pago pela sua contratação, creio que este foi o perigoso precedente aberto pelo PSG na contratação de Neymar. Os parisienses colocaram muito dinheiro nas mãos de um só clube. A colocação de 222 milhões nas mãos dos catalães, levará muitos clubes a perspectivar a maximização dos ganhos dos jogadores que interessam ao Barça. Assim sendo, um jogador cujo valor de mercado rondava os 60 milhões no máximo, acaba por sair pelo obsceno valor de 105 milhões mais 45 milhões em variáveis se o jogador alcançar as metas estipuladas no contrato. Gerou-se portanto um incontrolável efeito bola de neve no qual o “mesmo dinheiro” andará descontroladamente à solta por todo o mundo, sem que as máquinas burocráticas fiscais do estado possam reclamar o seu quinhão. Continuar a ler “O perigoso precedente aberto pelo “caso Neymar””

O golo do dia

O golo de Adrien Rabiot na goleada por 6-2 do Toulouse ao PSG.

Desde que se estreou pela formação principal do clube parisiense, nunca consegui compreender com exactidão o potencial do médio de 22 anos formado a “meias” por vários clubes, do Créteil ao Paris Saint Germain, passando pelo Manchester City, clube onde atleta permaneceu durante 6 meses durante o ano de 2008, altura em que apenas tinha 13 anos. As características tão díspares apresentadas pelo jogador (que o tornam ao mesmo tempo, um médio tão completo; daí advém o facto do PSG não só nunca se ter livre dele mesmo quando não fazia parte das escolhas de Ancelotti, Blanc ou Emery e de lhe ter renovado o contrato até 2019 quando Arsenal e Tottenham se preparavam para o atacar) nunca me deram a segura percepção em relação à posição em que o jogador poderia render mais. Continuar a ler “O golo do dia”

Até onde irá a imoralidade no futebol?

No final de cada mês o ciclo repete-se. O termo calão utilizado ao ver o recibo de vencimento é o mesmo. Os sonhos são cada vez mais limitados porque a corda está esticada até ao limite. A cada dia 27, um mar de dúvidas. Para muitos, o mar de dúvidas começa imediatamente a 10 ou a 15 de cada mês. Há 5\6 ou mais anos que o ciclo repete-se incessantemente, sem tréguas, sem um pouco de paz, sem existir sequer um pingo de esperança no futuro. Enquanto o “fiel depositante” da coisa pública tem de sobreviver com a mísera esmola que é paga pela sua força de trabalho e pela mais-valia que cria para outra(s) entidade(s), sem que por outro lado, possa ver qualquer melhoria significativa nos bens e serviços (pagos, segundo a lógica de contribuinte-utilizador-pagador) “oferecidos” (em teoria) pelo Estado, pela porta ao lado passam, totalmente incólumes, meia dúzia de pastas repletas de dinheiro relativas à transferência de um jogador de futebol.

Que raio de justiça social é esta? O mesmo aparelho burocrático centralizado e estupidificado que nos limpa mensalmente 400 euros à guise de um tal de “contrato social” que não assinámos e com qual, actualmente não concordamos (como foi o caso do valor que me foi subtraído no mês de Julho), que nos obriga a pagar taxas e taxinhas, selos e selinhos, impostos e impostozinhos (até sobre a água que eu bebo; o bem mais precioso da vida humana), que nos obriga a pagar um imposto quando queremos doar um bem a outra pessoa porque não nos faz falta, que nos cobra juros por cada dia de atraso no pagamento (quando o estado se atrasa num pagamento, da boca dos políticos ou dos mais altos responsáveis do aparelho coercivo de impostos só ouvimos desculpas) que é capaz de abocanhar sem piedade todas os presentes oferecidos no dia do nosso casamento, que nos obriga a pagar um imposto por cada cova na terra que abrimos para nos despedirmos dos nossos entes queridos, ignora por completo a ostentação do luxo. Sim, porque contratar um jogador de futebol por 222 milhões de euros deve ser considerado um acto luxuoso imoral se considerarmos as graves carências básicas pelas quais passam milhões de seres humanos!

O PSG ou qualquer outro clube deveria ser obrigado a pagar de imposto adicional sobre o valor desta obscenidade pornográfica, a taxa aplicável ao escalão mais alto do imposto sobre rendimentos de uma pessoa singular daquele país. Só assim poderá a “ditar sociedade” impor a justiça social que se pretende atingir.

A vitória dos processos simples

A vitória do Nice sobre o PSG, vitória que garante praticamente a conquista do título (merecida) para o Mónaco de Leonardo Jardim, é um dos destaques do fim-de-semana. Esta vitória traz no entanto algum sentimento de injustiça para a equipa da riviera francesa: se a equipa não tivesse deslizado recentemente com os empates somados frente a Toulouse, Nantes (apesar do Nantes estar a realizar uma razoável campanha com Sérgio Conceição na presente temporada) e Caen, poderia estar neste momento a lutar pelo título com as “mesmas armas” do Mónaco, premiando de certa forma o enorme trabalho do seu treinador Lucien Favre na construção de uma equipa (de processos simples, de recuperação e lançamento do contra-ataque) que tinha tudo para dar “errado” – aliás, que tinha tudo para dar errado pela quantidade de jogadores inadptados (para não dizer “perdidos para o futebol”) noutras paragens do futebol europeu.

Dante, Ricardo Pereira, Younés Belhanda, Mario Balotelli e Valentin Eysseric são os exemplos mais crassos de jogadores que foram “recauchutados” para o futebol pelo técnico suiço de 59 anos, constituindo uma equipa de processos simples que cumpre os básicos do futebol: defende bem (é a 2ª melhor defesa do campeonato com os mesmos golos sofridos que o Mónaco, 29), tem uma capacidade de pressão admirável a meio-campo (Belhanda é um dos responsáveis pela capacidade de pressão e recuperação da bola a meio-campo) e consegue criar sempre perigo no lançamento do contra-ataque com poucas unidades porque a equipa está formatada para um conjunto de processos que lhe permite contra-atacar de forma eficaz com poucas unidades: assim que a bola é recuperada, os médios tendem a servir as entradas dos homens dos corredores (Dalbert e Ricardo), ficando a expensas destes a criação de desequilíbrios no drible e\ou o serviço dos homens da frente, sem que a equipa perca contudo uma noção muito objectiva do jogo que é rematar. É portanto uma equipa constituída por jogadores que não tem medo de rematar, de rematar muito, mesmo que a percentagem de sucesso seja diminuta face ao número de remates. Claro que nesta mecânica haverão jogos em que a taxa de sucesso é alta. O jogo de ontem foi um dos exemplos.