A confirmação do meu maior receio em relação à introdução do videoárbitro

Na sequência deste post. Em boa hora pude ir aos meus arquivos resgatar um dos meus escritos sobre esta questão, para realçar que um dos maiores receios que tinha a 6 de Maio, dia em que se soube que a Federação Portuguesa iria introduzir a partir da presente temporada a nova figura do videoárbitro e a nova tecnologia ao seu dispor, residia precisamente na possibilidade dos novos agentes poderem vir a enviesar as decisões que tomam em virtude do recurso a interpretações extensivas ou restritivas (muito subjectivas; enviesadas por motivos de outra índole) da lei. No caso de Eliseu, Vasco Santos usou uma interpretação muito restritiva da lei.

Bastaram portanto 4 semanas para perceber o esquema pelo qual se vai processar ao longo da presente temporada a aplicação da tecnologia nos jogos do Benfica. Sim, o videoárbitro terá uma legislação e um guião de conduta completamente diferente para os jogos do Benfica. Sempre que o objectivo de análise for contra ou favor do Benfica (exemplo: o penalty marcado sobre Jonas) o videoárbitro deve dizer prontamente afirmar ou omitir:

  • Nos lances contra os encarnados  – “não vi”, “não me pareceu”, “não havia motivos para avisar”, “não valia a pena rever”
  • Nos lances a favor – “sim”, “há puxão\agarrão\rasteira”, “não tem intenção de jogar a bola”, “impediu” ou simplesmente tomar uma atitude passiva sempre que o árbitro principal seja pronto a marcar a infracção.
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Mas o que é isto?

Para além de ter sido pouco ético e de ter prestado um péssimo exemplo a todos aqueles que actualmente se iniciam na arbitragem, a linguagem utilizada por Jorge Sousa no episódio protagonizado pelo árbitro no jogo desta manhã entre a formação do Real Massamá e a equipa B do Sporting violou alguns dos preceitos de conduta plasmados (e devidamente sancionáveis) em vários dos regulamentos da FPF e da Liga. A começar pelo próprio regulamento da arbitragem, no seu artigo 17º.

O Regulamento Disciplinar das provas organizadas pela Liga de Clubes também é muito claro quanto Às sanções que devem ser aplicadas aos árbitros que adoptem o uso de expressões grosseiras perante qualquer outro agente do jogo.

3 a 15 jogos. Faça-se justiça nesta questão.

A atitude do árbitro da AF Porto ganha outra dimensão se atentarmos ao facto de ter sido cometida por um árbitro experiente, detentor das insígnias da FIFA e da UEFA. Não estamos a falar de um erro cometido por um maçarico qualquer que acabou de sair do curso de arbitragem. Estamos a falar de um erro de condução grosseiro cometido por um árbitro cuja experiência acumulada na condução de jogos de alto nível já lhe deveria ter fornecido as ferramentas necessárias para conseguir lidar com todas as incidências de um jogo de futebol. Com calma e alguma contenção verbal. Por outro lado, o exemplo prestado para a toda a comunidade foi péssimo. Com que imagem de Jorge Sousa ficaram todos aqueles que viram a sua conduta? Que moral tem a APAF para vir pedir respeito de toda a comunidade perante os seus associados quando são os seus associados os primeiros a faltar a esse mesmo respeito? Um árbitro deve, acima de qualquer outra atitude, pautar a sua intervenção no jogo com base numa postura correcta, educada e pedagógica, postura que Jorge Sousa não teve.

Má fé ou provocação? Não podemos ignorar os ódios de estimação sentidos por alguns árbitros contra determinados clubes. Esses ódios de estimação, provocados por clubite, por influencia de terceiros ou por pura inimizade com um agente de uma das equipas, leva alguns árbitros a assumirem verdadeiras posturas de provocação quando são nomeados para apitar em determinados campos. Quando Hugo Miguel vai a Alvalade, por exemplo, várias as situações em que o já vi dirigir-se aos jogadores do Sporting com a mesma arrogância, altivez e rispidez com que Jorge Sousa se dirigiu ao guarda-redes da equipa B do Sporting. Claro que a adopção deste tipo de comportamentos e condutas visa condicionar o rendimento dos atletas.

O futebol português precisa claramente de um upgrade digital

A manifesta insuficiência das novas tecnologias (manipuladas à la carte) à disposição da arbitragem nos jogos em casa do Benfica, leva-me a defender a necessidade urgente da criação de um novo agente fiscalizador na cabine da régie: o fiscal de linha de realização.

O fiscal de linha de realização deverá ter um protocolo de actuação bem definido no qual lhe serão atribuídas competências fiscalizadoras sobre todo o trabalho de manipulação de imagem que se pode realizar numa régie bem como à aplicação de sanções imediatas sobre qualquer infractor. Para o efeito, a federação não poderá enviar para as cabines de régie um maçarico qualquer. Muito menos serão admitidos “bons meninos”. Os candidatos terão que preencher uma série de requisitos mínimos:

  • Os candidatos não podem ser sócios ou simpatizantes do Benfica.
  • Os candidatos não podem ser familiares ou amigos de sócios ou simpatizantes do Benfica que tenham na sua posse um redpass.
  • Os candidatos não devem ser clientes habituais do Museu da Cerveja. (factor de exclusão).
  • Os candidatos não podem ser amigos de Luís Filipe Vieira, Domingos Soares de Oliveira, João Correia, Jorge Mendes, Sílvio Cervan, Paulo Gonçalves, Álvaro Batista, Nuno Cabral, Vitor Pereira, António Rola, António Figueiredo, Armando Nhaga, Rui Gomes da Silva, José Calado, Nuno Farinha, Leonor Pinhão, Vitor Serpa, José Fanha Vieira, Carlos Janela, Pedro Guerra, David Borges, Jorge Baptista, Ribeiro Cristóvão, João Gobern ou André Ventura.
  • Qualquer candidato será excluído nas fases preliminares do concurso se aos 15 anos não tiver sofrido uma intoxicação de marisco no restaurante do Barbas na Costa.
  • Os candidatos devem saber distinguir cartões amarelos de cartões vermelhos. Qualquer candidato deverá saber que os cartões vermelhos não estão na lapela apenas para enfeitar.
  •  Os candidatos devem possuir conhecimento e experiência na fiscalização de acções de instalação de softwares de edição de imagens.
  • Deverão possuir a agilidade necessária para, em curtíssimos espaços de tempo, retirar qualquer dispositivo de entrada aos realizadores e assistentes de realização.
  • Deverão estar preparados para a possibilidade poderem vir a ser alvo de atropelamento nas imediações do Estádio da Luz por qualquer ultra das claques ilegais do Benfica ao volante de um Renault 19.
  • Deverão ser pessoas capazes de pronunciar correctamente a palavra “Benfica” – não se admitindo portanto qualquer candidato que pronuncie o termo “Boifica” ou “Banfica”.

Ainda existem dúvidas?

Saúdo a Federação Portuguesa de Futebol! Para além do indispensável arrojo que foi tomado em prol da verdade desportiva no nosso futebol, os responsáveis da Federação tem feito todos os esforços para regulamentar a introdução do videoárbitro e tem manifestado todo o interesse em prestar e explicar toda a informação disponível sobre o assunto. Quem continuar a apostar numa atitude de resistência ou até mesmo de aversão verá, em breve, a sua opinião completamente descredibilizada.

Não tenhamos a mínima dúvida: sem a nova tecnologia, em condições normais, este golo teria sido validado. Teria sido validado com as consequências que todos bem conhecemos para as equipas que os sofrem. Estes são os golos que podem vir a ser decisivos para separar sucesso do fracasso, o primeiro do segundo lugar, a presença numa Liga dos Campeões de uma presença na Liga Europa, a manutenção da despromoção, a opinião positiva sobre o trabalho de determinado treinador da opinião negativa sobre o trabalho do mesmo treinador…

Vamos a isso! Marco Ferreira deverá ser o primeiro a falar

Vamos a isso!

Para que não hajam dúvidas em relação ao que vou escrever neste post, sinto a necessidade de deixar uma nota prévia: ao longo do último ano passei a respeitar Marco Ferreira. Já o respeitava enquanto árbitro porque sempre me pareceu competente e imparcial. Não tenho também qualquer pejo em afirmar que o antigo árbitro madeirense foi um dos melhores da sua geração. Não me devo também sentir acanhado para dizer que Marco Ferreira foi obviamente prejudicado (na sua descida de categoria) pelo sistema montado por Luís Filipe Vieira. Há umas semanas atrás percebemos que as notas negativas do madeirense na temporada em que desceu de categoria foram manipuladas através do modus operandi que foi aqui revelado.

No preciso momento em Marco Ferreira afirmou que o antigo presidente do CA\FPF Vítor Pereira lhe ligava nos dias anteriores aos jogos do Benfica (que o madeirense ia apitar) para lhe dar a dica de que “tudo teria que correr bem” (um autêntico crime de coacção) o meu nível de respeito pelo madeirense subiu, para descer quase imediatamente quando, no dia seguinte, decidiu dar o dito por não dito. Mesmo assim, mantive-lhe a minha admiração e consideração porque sei que Marco Ferreira é uma pessoa íntegra, recta, sincera e… (para muitas pessoas é um defeito, para outros é a linha pela quais se cosem os homens que vivem de espinha direita) de coração na boca. Nos últimos meses, o madeirense tem sido uma das vozes mais assertivas em relação à podridão que é a arbitragem no futebol português. Naturalmente. Marco conhece na perfeição todas as esquinas dos jogos de bastidores que se passaram nos últimos anos na arbitragem portuguesa.

Neste post em concreto, Marco Ferreira criticou (na mouche) o carácter mercenário de toda uma classe (uma autêntica vergonha; pessoas sem o mínimo pingo de dignidade), deixando ao mesmo tempo um apelo revelador que nada tem de enigmático: os árbitros estão mesmo protegidos sobre um manto e tem muito para contar sobre esse manto protector. Contudo, tenho obrigatoriamente que lavrar uma crítica ao madeirense.

Em relação às acusações proferidas contra Vítor Pereira, não ficámos suficientemente esclarecidos. Existiam ou não existiam pressões directas para que o madeirense beneficiasse o Benfica nos jogos em que apitava o clube da Luz? As pressões eram realizadas da forma descrita com a linguagem descrita ou iam para além da forma descrita? Antes de incitar quem quer que seja a por a boca no trombone, creio que Marco Ferreira deve à sociedade esse esclarecimento . Assim como também deve à sociedade (pela via das autoridades competentes; é um verdadeiro dever de cidadania) todos os esclarecimentos (plausíveis) que possam ser úteis à investigação que está em curso.

Situações que não podem de todo acontecer com o novo sistema de videoárbitro apesar da decisão disciplinar ter sido a correcta

No jogo desta tarde entre a Alemanha e os Camarões, uma entrada duríssima cometida pelo lateral direito da selecção Ernest Mabouka sobre o médio alemão Emre Can suscitou um pedido de revisão da jogada (num primeiro momento pelo videoárbitro nomeado pela FIFA para a partida, e nos 2 momentos subsequentes pelo árbitro em virtude do erro que veio a cometer) por parte do árbitro colombiano Wilmer Roldán.

Apesar de considerar que o árbitro da partida poderia estar melhor colocado no lance em questão para analisar e decidir sobre o critério disciplinar a aplicar sem a ajuda de terceiros, e que o fiscal-de-linha daquele lado estava em condições de ajudar o seu colega de equipa, a nova tecnologia foi introduzida precisamente para auxiliar a decisão do árbitro neste tipo de situações em que o contexto não é favorável a uma tomada de decisão assertiva e, acima de tudo, justa. Compreendo perfeitamente todas as limitações que podem eventualmente surgir no decurso de uma partida para um árbitro: para além deste ter que estar com atenção a multiplicidade de factores intrínsecos ao jogo (a visualização das acções rápidas, frenéticas, de 22 actores num cenário de oposição; o controlo permanente dos episódios que vão sendo criados pelos agentes que estão no banco de suplentes, entre outros) nem sempre o posicionamento que este adopta é o melhor para poder observar com clareza determinado lance de forma a poder ajuizá-lo correctamente, assim como, tendo em conta o mesmo objectivo (a ambicionada imparcialidade e justiça na actuação) nem sempre o cérebro humano consegue acompanhar com a mesma rapidez uma acção (real) que se desenvolve ali à frente dos nossos olhos. Quantas vezes é que ao longo das nossas vezes vimos algo bem real a acontecer à nossa frente e não conseguimos tomar, numa curta fracção de tempo, a decisão mais acertada naquele caso concreto? Centenas, se não milhares de vezes. Continuar a ler “Situações que não podem de todo acontecer com o novo sistema de videoárbitro apesar da decisão disciplinar ter sido a correcta”

Desconstruir as certezas de Rui Vitória

“Acho que não. Mas lembrem-se lá de um jogo em que o Benfica ganhou por causa do árbitro. Não vejo nenhum jogo em que eu diga ‘houve um penálti, ganhámos 1-0, foi um erro’ 

Nas entrevistas concedidas nas últimas 48 horas à BTV e à SIC, o treinador do Benfica iniciou um ritual que já pode ser considerado e classificado como um clássico do clube da Luz nesta fase específica do ano: o habitual cacarejar de papo cheio. Durante a temporada, o treinador pouco fala (e quando fala escuda-se sempre num conjunto de metáforas, para não que a sua mensagem não seja entendida explicitamente) enquanto o presidente Luís Filipe Vieira utiliza, como estratégia de comunicação, um alegado silêncio mascarado por uma comunicação multi modal na qual sobressaem vários rostos, todos externos ao clube encarnado.

A afirmação em epígrafe, chocou-me por completo. Não é para menos. Sabemos de antemão que o técnico encarnado, como exemplar funcionário que é, teve obviamente que passar a tarde do dia de ontem debruçado nos mandamentos da cartilha que lhe foi escrita à medida da ocasião. A missão arrolada ao técnico na cartilha era, a meu ver, muito simples: “Rui tens que ir lá papá-los de cebolada, tratá-los como se os gajos (do Sporting e do Porto) fossem gajos mesmo muito estúpidos” – o Rui lá leu o que alguém lhe escreveu e foi ao programa dar aquela imagem de Santinho do Paoco que toda a gente lhe parece reconhecer, à falta de dois palminhos de testa para lhe topar a recorrente sonsice que o treinador do Benfica exala. O mister da t(r)eta, sujeito que neste momento é tido e achado no mesmíssimo patamar em que Jesus era tido e achado quando conquistou o seu bi (porque no reino dos encarnados, o melhor do mundo passa a pior do mundo assim que se muda para o outro lado da 2ª circular; a mesmíssima coisa poderá um dia acontecer com Rui Vitória se o técnico eventualmente assinar pelo Sporting) acabou portanto por abrir com a dita afirmação uma caixa de pandora muito perigosa, que qualquer um poderá portanto aproveitar, como se de uma caça ao tesouro se tratasse. Erros de arbitragem a favor do Benfica transformados em vitórias? Nah! Que ideia! Ou o Rui nos quis tomar como plenos estúpidos (utilizando a extremosa táctica da massificação de ideias como verdades universais que os adeptos dos outros clubes tem que engolir sem pestanejar) ou então, estamos perante um sinal claro de mitomania: Rui Vitória acredita mesmo nas mentiras e nas ficções que nos vai narrando, como se verdades se tratassem. Continuar a ler “Desconstruir as certezas de Rui Vitória”