Vamos a isso! Marco Ferreira deverá ser o primeiro a falar

Vamos a isso!

Para que não hajam dúvidas em relação ao que vou escrever neste post, sinto a necessidade de deixar uma nota prévia: ao longo do último ano passei a respeitar Marco Ferreira. Já o respeitava enquanto árbitro porque sempre me pareceu competente e imparcial. Não tenho também qualquer pejo em afirmar que o antigo árbitro madeirense foi um dos melhores da sua geração. Não me devo também sentir acanhado para dizer que Marco Ferreira foi obviamente prejudicado (na sua descida de categoria) pelo sistema montado por Luís Filipe Vieira. Há umas semanas atrás percebemos que as notas negativas do madeirense na temporada em que desceu de categoria foram manipuladas através do modus operandi que foi aqui revelado.

No preciso momento em Marco Ferreira afirmou que o antigo presidente do CA\FPF Vítor Pereira lhe ligava nos dias anteriores aos jogos do Benfica (que o madeirense ia apitar) para lhe dar a dica de que “tudo teria que correr bem” (um autêntico crime de coacção) o meu nível de respeito pelo madeirense subiu, para descer quase imediatamente quando, no dia seguinte, decidiu dar o dito por não dito. Mesmo assim, mantive-lhe a minha admiração e consideração porque sei que Marco Ferreira é uma pessoa íntegra, recta, sincera e… (para muitas pessoas é um defeito, para outros é a linha pela quais se cosem os homens que vivem de espinha direita) de coração na boca. Nos últimos meses, o madeirense tem sido uma das vozes mais assertivas em relação à podridão que é a arbitragem no futebol português. Naturalmente. Marco conhece na perfeição todas as esquinas dos jogos de bastidores que se passaram nos últimos anos na arbitragem portuguesa.

Neste post em concreto, Marco Ferreira criticou (na mouche) o carácter mercenário de toda uma classe (uma autêntica vergonha; pessoas sem o mínimo pingo de dignidade), deixando ao mesmo tempo um apelo revelador que nada tem de enigmático: os árbitros estão mesmo protegidos sobre um manto e tem muito para contar sobre esse manto protector. Contudo, tenho obrigatoriamente que lavrar uma crítica ao madeirense.

Em relação às acusações proferidas contra Vítor Pereira, não ficámos suficientemente esclarecidos. Existiam ou não existiam pressões directas para que o madeirense beneficiasse o Benfica nos jogos em que apitava o clube da Luz? As pressões eram realizadas da forma descrita com a linguagem descrita ou iam para além da forma descrita? Antes de incitar quem quer que seja a por a boca no trombone, creio que Marco Ferreira deve à sociedade esse esclarecimento . Assim como também deve à sociedade (pela via das autoridades competentes; é um verdadeiro dever de cidadania) todos os esclarecimentos (plausíveis) que possam ser úteis à investigação que está em curso.

Situações que não podem de todo acontecer com o novo sistema de videoárbitro apesar da decisão disciplinar ter sido a correcta

No jogo desta tarde entre a Alemanha e os Camarões, uma entrada duríssima cometida pelo lateral direito da selecção Ernest Mabouka sobre o médio alemão Emre Can suscitou um pedido de revisão da jogada (num primeiro momento pelo videoárbitro nomeado pela FIFA para a partida, e nos 2 momentos subsequentes pelo árbitro em virtude do erro que veio a cometer) por parte do árbitro colombiano Wilmer Roldán.

Apesar de considerar que o árbitro da partida poderia estar melhor colocado no lance em questão para analisar e decidir sobre o critério disciplinar a aplicar sem a ajuda de terceiros, e que o fiscal-de-linha daquele lado estava em condições de ajudar o seu colega de equipa, a nova tecnologia foi introduzida precisamente para auxiliar a decisão do árbitro neste tipo de situações em que o contexto não é favorável a uma tomada de decisão assertiva e, acima de tudo, justa. Compreendo perfeitamente todas as limitações que podem eventualmente surgir no decurso de uma partida para um árbitro: para além deste ter que estar com atenção a multiplicidade de factores intrínsecos ao jogo (a visualização das acções rápidas, frenéticas, de 22 actores num cenário de oposição; o controlo permanente dos episódios que vão sendo criados pelos agentes que estão no banco de suplentes, entre outros) nem sempre o posicionamento que este adopta é o melhor para poder observar com clareza determinado lance de forma a poder ajuizá-lo correctamente, assim como, tendo em conta o mesmo objectivo (a ambicionada imparcialidade e justiça na actuação) nem sempre o cérebro humano consegue acompanhar com a mesma rapidez uma acção (real) que se desenvolve ali à frente dos nossos olhos. Quantas vezes é que ao longo das nossas vezes vimos algo bem real a acontecer à nossa frente e não conseguimos tomar, numa curta fracção de tempo, a decisão mais acertada naquele caso concreto? Centenas, se não milhares de vezes. Continuar a ler “Situações que não podem de todo acontecer com o novo sistema de videoárbitro apesar da decisão disciplinar ter sido a correcta”

Desconstruir as certezas de Rui Vitória

“Acho que não. Mas lembrem-se lá de um jogo em que o Benfica ganhou por causa do árbitro. Não vejo nenhum jogo em que eu diga ‘houve um penálti, ganhámos 1-0, foi um erro’ 

Nas entrevistas concedidas nas últimas 48 horas à BTV e à SIC, o treinador do Benfica iniciou um ritual que já pode ser considerado e classificado como um clássico do clube da Luz nesta fase específica do ano: o habitual cacarejar de papo cheio. Durante a temporada, o treinador pouco fala (e quando fala escuda-se sempre num conjunto de metáforas, para não que a sua mensagem não seja entendida explicitamente) enquanto o presidente Luís Filipe Vieira utiliza, como estratégia de comunicação, um alegado silêncio mascarado por uma comunicação multi modal na qual sobressaem vários rostos, todos externos ao clube encarnado.

A afirmação em epígrafe, chocou-me por completo. Não é para menos. Sabemos de antemão que o técnico encarnado, como exemplar funcionário que é, teve obviamente que passar a tarde do dia de ontem debruçado nos mandamentos da cartilha que lhe foi escrita à medida da ocasião. A missão arrolada ao técnico na cartilha era, a meu ver, muito simples: “Rui tens que ir lá papá-los de cebolada, tratá-los como se os gajos (do Sporting e do Porto) fossem gajos mesmo muito estúpidos” – o Rui lá leu o que alguém lhe escreveu e foi ao programa dar aquela imagem de Santinho do Paoco que toda a gente lhe parece reconhecer, à falta de dois palminhos de testa para lhe topar a recorrente sonsice que o treinador do Benfica exala. O mister da t(r)eta, sujeito que neste momento é tido e achado no mesmíssimo patamar em que Jesus era tido e achado quando conquistou o seu bi (porque no reino dos encarnados, o melhor do mundo passa a pior do mundo assim que se muda para o outro lado da 2ª circular; a mesmíssima coisa poderá um dia acontecer com Rui Vitória se o técnico eventualmente assinar pelo Sporting) acabou portanto por abrir com a dita afirmação uma caixa de pandora muito perigosa, que qualquer um poderá portanto aproveitar, como se de uma caça ao tesouro se tratasse. Erros de arbitragem a favor do Benfica transformados em vitórias? Nah! Que ideia! Ou o Rui nos quis tomar como plenos estúpidos (utilizando a extremosa táctica da massificação de ideias como verdades universais que os adeptos dos outros clubes tem que engolir sem pestanejar) ou então, estamos perante um sinal claro de mitomania: Rui Vitória acredita mesmo nas mentiras e nas ficções que nos vai narrando, como se verdades se tratassem. Continuar a ler “Desconstruir as certezas de Rui Vitória”

O videoárbitro que salvou Emílio Peixe

Questões de volumetria na utilização dos braços (em remates à queima roupa) que puderam salvar o emprego (e o salário chorudo auferido sem fazer ponta, a bom da verdade; aquele golo do Irão exemplifica mais uma vez o que tentei explicar aqui em relação à falta de trabalho deste seleccionador) de um treinador em apuros. Se passou a fase-de-grupos, está safo. Pode continuar a aldrabar à vontade. Os críticos à utilização do VA ainda continuam por aí? Teremos que voltar a explicar os benefícios da sua utilização ou estamos finalmente convencidos, dado o facto desta decisão ter sido justamente a nosso favor? Ou só serão capazes de criticar quando as decisões forem desfavoráveis aos seus clubes? Quem sabe se amanhã poderemos ter a resposta (por acção ou por omissão) a estas perguntas!

Uma questão pertinente sobre a introdução do Videoárbitro que continua sem ser explicada

Na decisão de validação ou invalidação de um golo num determinado lance, o VA está autorizado a poder recuar as imagens até quantas jogadas?

Fazem as declarações de Luis Filipe Vieira sentido?

«Independentemente de saber que num ou outro caso vai sempre haver contestação, há todas as condições para que o vídeo-árbitro acabe com a contestação aos árbitros. Todas as pessoas que estão ligadas ao fenómeno desportivo devem ter uma postura positiva e saber que o vídeo-árbitro vai ajudar mas que ninguém pense que não vai haver erros. Com essa postura positiva irão acabar as polémicas constantes todos os domingos, que têm prejudicado o futebol, por vezes tentando encobrir os erros dos outros em prol de atacar o árbitro» – ín Zerozero.pt

É o que dá ter que falar sem cartilha. Quando o presidente do Benfica é obrigado a falar sem recurso ao encomendado discurso, por norma sai sempre asneira.
As declarações são francamente contrasensuais. Ou então, são o sinal percursor daquilo que se passará quando o VA for introduzido. Estaremos perante uma caldeirada de aldrabice ou perante um momento de futurologia? Quero acreditar que estamos perante um daqueles discursos típicos do presidente do Benfica, apesar de termos considerado há tempos, o nosso wishful thinking em relação à coisa, aqui e aqui. Continuar a ler “Fazem as declarações de Luis Filipe Vieira sentido?”

Uma aliança estratégica

Não sejamos cegos nem queiramos absorver qualquer tipo de informação sem lhe passar uma de mão de primário de racionalidade: toda a gente se apercebeu que a “reunião” realizada ontem pelos responsáveis de comunicação de Sporting e FC Porto visou essencialmente o estabelecimento “às claras” de contactos prévios entre os dois clubes no sentido de alinhavarem estratégias para o futuro no que concerne à destruição da influência que o Benfica tem sobre os decisores dos órgãos que compõem a Federação Portuguesa de Futebol. Continuar a ler “Uma aliança estratégica”