Os golos da semana

Apesar de não ter escrito muito nos últimos sobre “Bola” (aquela, redondinha, que rola pelo campo e que faz mover 22 homens) o sensacional slalom do argentino não nos passou em claro. Genial jogada do argentino sobre 6 jogadores para fechar a participação na Liga, numa vitória amarga dos catalães em virtude do facto do Real de Cristiano Ronaldo ter conquistado no domingo o seu 33º título espanhol.

Continuar a ler “Os golos da semana”

Legal ou ilegal? O estranho golo de Nacho contra o Sevilla

Completamente legal. Assim que Undiano Mallenco apitou e assinalou a falta com a sinalética do seu braço em direcção à baliza da equipa infractora o livre pode ser cobrado rapidamente sem dar tempo à outra equipa de formar uma barreira. Foi o que fez o defesa do Real Madrid aproveitando uma autêntica “patice” dos sevilhanos (um início de partida completamente desastroso ao nível da organização defensiva, diga-se; no capítulo ofensivo a equipa sevilhana conseguiu nos primeiros minutos tirar a bola das zonas de pressão que o Real Madrid tipicamente exerce no miolo nos momentos de transição através de processos de jogo a um toque, de forma a criar várias situações de perigo no último terço, explorando as alas) no lance em questão. Um dos ensinamentos base do futebol de formação consiste em colocar sempre um jogador à frente do esférico para impedir a cobrança rápida do livre. Os sevilhanos esqueceram-se dos “fundamentos básicos” e sofreram um golo inesperado que abriu portas a uma goleada.

O avançado completo que é Alvaro Morata

O momento frente ao despromovido Granada não é o mais ideal para se realizar uma análise séria e rigorosa sobre o quer que seja. Estando os merengues a jogar contra uma equipa que está neste preciso momento a definhar até ao final da temporada, seria de esperar à partida uma vitória relativamente fácil destes no terreno dos andaluzes. Continuar a ler “O avançado completo que é Alvaro Morata”

A arte de defender mal os flancos – Real Madrid 2-1 Valência

Os chés até fizeram uma exibição agradável no plano ofensivo com a constante procura de criar situações de finalização para os seus avançados em profundidade ou através de um profícuo jogo de tabelas, mas, mais uma vez, a equipa valenciana confirmou a razão pela qual está a realizar uma péssima temporada tendo em conta a qualidade dos jogadores que compõem o seu plantel. Continuar a ler “A arte de defender mal os flancos – Real Madrid 2-1 Valência”

Messi gelou o Bernabéu e reabriu a luta pela Liga Espanhola

Recebeu, fintou, criou o desequilíbrio a meio-campo, deu a progressão a André Gomes (hala!), Jordi Alba assistiu e La Pulga apareceu precisamente onde gosta de finalizar para enviar a bola para o canto inferior esquerdo da baliza de Keylor Navas. Vez, outra vez, na última jogada do encontro, ao 2º minuto de compensação dado por Hernandez Hernandez, o argentino decidiu o superclássico, chegando ao seu golo 500 com a camisola blaugrana. Com um toque de classe e de clara superioridade moral perante um silencioso Bernabeu (que gélido balde de água que foi despejado naquele minuto final) o argentino foi à linha de fundo, tirou a camisola e exibiu-a ao público madrileno para que nunca se esqueçam dele. Apesar do facto do Real Madrid ainda ter um jogo em atraso para cumprir frente ao Celta de Vigo (uma das equipas em melhor forma no futebol de nuestros hermanos) com o golpe de teatro perpetrado, o argentino salvou o Barça do abismo, espantou alguns dos fantasmas que tem vindo a atormentar a equipa nas últimas semanas e devolveu a equipa à luta pelo título.

Continuar a ler “Messi gelou o Bernabéu e reabriu a luta pela Liga Espanhola”

Como não amar o futebol de Isco?

Da suada vitória do Real Madrid nas Astúrias sobressaiu obviamente a grande exibição de Isco. Francisco “Isco” Alarcón, o menino que deu nas vistas em Málaga na temporada 2011\2012 está outro jogador com Zinedine Zidane. Posso mesmo afirmar sem qualquer pejo, numa altura em que se tem falado que o jovem de 24 anos poderá sair do clube, que este ficará em Madrid porque está a ser moldado pelo treinador francês à sua imagem e semelhança. E como precisou a equipa do Real dos pezinhos de veludo do criativo espanhol para ajudar a resolver uma partida muito complicada face a uma equipa do Sporting de Gijón que conseguiu defender de forma muito compacta no último terço.

A exibição do médio vai muito mais além da linda jogada individual que realizou no lance do primeiro golo. Muito mais. A equipa precisou como do pão para a boca da capacidade de pensamento do médio ofensivo. O Isco de Málaga, aquele que só sabia fazer incursões em drible do flanco esquerdo para o meio de forma a puxar do seu arqueado remate acabou. Estamos a falar de um jogador diferente, que conhece o ritmo ideal que deve imprimir em cada jogada, que joga de cabeça levantada a ler todas as soluções que lhe são possíveis realizar no momento em que tem a bola (e que muitas vezes tem que estar focado em dois lances, no que está a disputar e no movimento dos seus colegas) e que quando não tem uma linha de passe segura que permita acrescentar à equipa progressão e\ou continuidade na acção ofensiva, parte ele próprio à aventura, porque tem, de resto, os skills necessários para o fazer no capítulo da finta. Zidane também era assim. Se havia alguém que conseguia repentinamente colocar várias mudanças da velocidade para desequilibrar adversários, esse jogador era o astro francês. Se havia jogador que partia sempre para a finta quando não existiam linhas de passe, esse jogador era Zidane. Se havia jogador que conseguia focar em diversos aspectos do jogo que se passava em seu redor, esse jogador era Zidane. Se havia jogador que acrescentava ideias quando o colectivo não as tinha… e por aí adiante! Isco está a tornar-se exactamente o mesmo jogador e é indubitavelmente uma arma muito valiosa para este tipo de jogos, ou seja, para jogos contra equipas mais recuadas e mais fechadas.

O algodão não engana. A inteligência está lá. E lateralizar não é mau quando se permite por exemplo criar uma data de situações em que o lateral (Danilo) tem todo o espaço e muito tempo para colocar um cruzamento atrasado. Tal situação permitiu por exemplo a Morata a obtenção do segundo golo dos madrilenos. Quem é que esperou pela subida do lateral para lhe criar a situação de cruzamento mais profícua de uma zona mais recuado? Isco, pois claro. A situação que acima enunciei foi uma constante no jogo ofensivo do Real Madrid.

Golos do dia

O primeiro destaque vai obviamente para a jogada do golo do internacional croata (ex-Nacional da Madeira) Duje Cop na derrota do Sporting de Gijón (fizeram das tripas coração para sacar o empate ao Real de maneira a poderem continuar a lutar pela sobrevivência no primeiro escalão) por 3-2 frente ao Real Madrid. A assistência do basco Mikel Vesga para o internacional croata é simplesmente um hino ao futebol pela criatividade, inteligência, técnica e visão de jogo demonstrada pelo médio de 24 anos. Não é todos os dias que vemos um jogador de uma equipa que está “aflita” a assistir um colega para golo com uma chapeleta deste calibre por cima da defesa de uma equipa como o Real Madrid, ainda para mais com uma colocação de bola exímia para a chamada “zona da morte” do guarda-redes, ou seja, para a zona em que este ou é muito rápido a sair dos postes para conseguir socar ou agarrar, ou ficará a ver a bola passar a meio do caminho. A colocação da bola foi portanto completamente intencional. Genialidade no seu esplendor!

Os grandes pontas-de-lança aparecem sempre no tempo correcto, nos espaços certos e nos momentos em que a equipa mais precisa de toda a sua veia goleadora! Radamel Falcao já leva 26 golos e 6 assistências na presente temporada, temporada que começa a ganhar contornos épicos comparáveis “aos tempos de glória” de El Tigre no Porto e no Atlético de Madrid. Muitos (eu, inclusive) consideraram aquando da passagem do colombiano pela Premier que El Tigre estava acabado e que o melhor para a sua carreira seria “emigrar” para os milhões da América, a liga destinada aos milionários veteranos que ainda querem dar uma perninha enquanto colocam os seus rendimentos “ao fresco”. Enganei-me redondamente. E é por isso que no momento em que está tão próximo de poder vir a conquistar os títulos mais importantes da sua carreira, Leonardo Jardim não abdica dos préstimos da pérola cafetera. A diferença entre ter um bom ponta-de-lança e não o ter é esta: em 20 minutos tudo pode mudar quando se tem em campo um rato de área que procura e fareja através da pressão o erro do adversário, um jogador quer marcar e assistir para ajudar a equipa a ultrapassar um obstáculo difícil e um jogador que só precisou de dois tiros para fazer cair o melro.

El Tigre Radamel Falcao é efectivamente um jogador especial nos nossos corações!