Dois puros momentos de rock and roll!

Continuo ainda debruçado em alguns dos pormenores da vitória alcançada pelo City na noite de ontem frente ao Southampton. Como fiz questão de referir no post anterior, os lances de bola parada, em especial os pontapés de canto (na defesa aos livres laterais que o Southampton dispôs a mais de 30 metros da baliza, livres em que a equipa aproveita naturalmente para tentar criar situações de finalização para os seus 3 centrais, todos eles bons cabeceadores, Pep voltou a pedir à equipa para se posicionar em linha, subida, no exterior da área; executando uma estratégia cujos objectivos eram, em primeiro lugar, como não poderia deixar de ser, impedir situações de finalização e promover a recuperação da posse\iniciativa de jogo, e em segundo lugar, caso não fosse possível impedir a finalização adversária, dificultá-la ao máximo ou seja, assegurar que o adversário nunca dispusesse de situações de finalização demasiado próximas da baliza e flagrantes. Como Ederson é um guarda-redes que sabe medir muito tempo o tempo de saída a um cruzamento, o catalão confia ao brasileiro a rectaguarda da sua defesa caso o jogador que vai cobrar a falta tente bombear a bola para além do ponto até onde a defesa poderá previsivelmente descer) foram uns dos vários problemas colocados para formação orientada por Maurizio Pellegrino. Posso até afirmar, com conhecimento de causa que esta fase do jogo tem sido o verdadeiro tendão de aquiles da equipa de Manchester na presente temporada.

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Verticalidade, velocidade, mobilidade e o apoio frontal certeiro de Gabriel Jesus para abrir o espaço que permitiu a DeBruyne abrir o marcador e limitou a acção de Christensen

É isto que Guardiola gosta de ver. Verticalidade no início da construção, velocidade, mobilidade ( o arrastamento promovido por Gabriel na cedência do apoio frontal permite a criação de um espaço que vai ser aproveitado por DeBruyne para a entrar no espaço vazio que existe ali à entrada da área, limitando posteriormente a intervenção do central no momento em que de Bruyne se prepara para armar o remate; Christensen chega atrasado ao lance, não lhe sendo portanto possível limitar a acção de remate do belga) e pragmatismo.

Que assistência fantástica de Gabriel Jesus

 

A técnica, a combatividade, a raça, o portento atlético e o altruísmo de um avançado incrível que faz do seu índice de trabalho a sua maior arma. Gabriel Jesus é aquele avançado que quer sempre ir mais longe, que quer sempre saltar mais alto, que pretende chegar sempre mais rápido que o defesa, não sendo aquele avançado que pede a uma equipa para se moldar em redor das suas características, mas sim um avançado que se molda em função do que a equipa pretende que ele seja em cada momento do jogo. O brasileiro consegue realizar essa missão com uma enorme graciosidade, sem um exacerbado vedetismo e sem ruído à sua volta.

Neste lance é incrível a forma em como o avançado nunca perdeu, em nenhum momento, a noção do que deveria fazer com a bola e o posicionamento de Phillippe Coutinho, tomando no cabeceamento uma fantástica decisão que proporcionou (para além de uma bela dor de cabeça) um golo ao seu companheiro de selecção.

Notas soltas sobre a goleada do City ao Real Madrid

Manchester City

  • Pressão alta eficaz no meio-campo adversário. Regra de ouro da filosofia de jogo de Guardiola. Pressionar para recuperar. Pressionar e recuperar para conter, controlar, dominar ou até asfixiar o adversário.
  • Processos de jogo ofensivos altamente verticalizados. Assim que a equipa recupera a bola, o jogador que recupera procura passar a bola imediatamente para o acelerador de jogo que estiver em campo (neste jogo foi Kevin DeBruyne) para que este possa acelerar rapidamente o jogo ou criar progressão através do passe. Assim que o belga recebia, os avançados procuram imediatamente desmarcar-se para o espaço vazio.
  • Outro dos processos de jogo verticalizados consiste na colocação de bolas nas antecipações aos centrais dos avançados. Tanto Gabriel Jesus como Aguero descem para vir buscar jogo. Quando um desce para vir buscar o jogo entre a linha média e a linha defensiva, o outro inicia automaticamente a desmarcação para a área. Se o avançado não ceder imediatamente a desmarcação, ambos os jogadores dispõem de uma útil ferramenta: o seu remate de meia distância. A recepção longe dos centrais permite-lhes a preparação do remate sem muita pressão.
  • Excelente dinâmica nas bolas paradas para libertar o (os) jogador(es)-alvo. Os jogadores-alvo deste City nas bolas paradas são por norma os centrais.
  • Facilidade na retirada da bola de zonas de pressão. Veja-se por exemplo, o lance exibido ao minuto 9:15 do vídeo. A bola não só é retirada com facilidade da zona de pressão por Kyle Walker, Sterling e DeBruyne como até culminará (através do passe do belga e da desmarcação do extremo pelo meio de dois adversários) numa situação de muito perigo para a baliza de Navas.
  • Dois avançados muito dinâmicos, muito laboriosos e muito empreendedores, com carta branca para atirar de qualquer distância, lado ou feitio.

Real Madrid

  • A ausência da principal referência de ataque, Cristiano Ronaldo, torna a equipa menos objectiva e mais errática. Benzema é naturalmente mais individualista do que costuma ser com o português em campo
  • Falta de intensidade na pressão.
  • Indefinição das zonas de pressão (já era um dos defeitos da equipa na temporada passada) de cada jogador a meio-campo. Nos momentos defensivos, os jogadores não assumem o mesmo posicionamento do princípio ao fim do jogo nem fazem uma ocupação inteligente e direccionada de todos os espaços necessários para pressionar e roubar a bola ao adversário.
  • Algum espaço entre a linha média e a linha defensiva para o adversário colocar a bola (os movimentos de antecipação do City foram frutos desse espaço).
  • Linha defensiva algo errática ao longo da partida.

Análise: Manchester City 0-0 Manchester United

Ao 3º encontro, o empate! Mourinho jogou para o empate e a equipa deu-lhe o empate. Depois de 2 jogos em que cada um dos treinadores pode sorrir, ao 3º, veio um empate que deixa tudo na mesma no que respeita à luta directa pelos lugares de qualificação directa e indirecta para a Champions League. O empate foi o resultado que mais castigou a única equipa que quis vencer a partida, o Manchester City de Pep Guardiola.

Com baixas de vulto registadas em ambas as equipas (Zlatan, Rojo e Pogba no lado do United; John Stones, David Silva e Nolito na equipa de Guardiola) ambas as equipas apresentaram-se com os melhores onzes disponíveis para atacar ester derby. Para colmatar a ausência do avançado sueco, José Mourinho decidiu fazer ascender ao onze titular para a esquerda do ataque Anthony Martial, movendo Marcus Rashford para a frente de ataque. Foram precisamente estas as duas unidades que conseguiram trabalhar os raros lances que a equipa dispôs no último terço do City. Com um começo de jogo muito agitado, tanto Martial como Rashford deram muita água pela barba aos seus marcadores directos (Pablo Zabaleta e Nicolás Otamendi) nos lances em que conseguiram isoladamente (muito isoladamente em contra-ataque) criar desequilíbrios através do seu fortíssimo drible e da sua velocidade. Em alguns dos lances, os dois homens mais adiantados do United obrigaram os seus marcadores directos a ter que cometer algumas faltas para os travar bem como Vincent Kompany a ter que fazer dobras aos seus companheiros para travar as suas incursões. Fora isso, o United criou apenas 2 ocasiões de perigo no jogo, uma delas flagrante quando Ander Herrera não conseguiu bater Cláudio Bravo com um cabeceamento ao 2º poste no final da primeira parte. Estas linhas resumem o parco comportamento ofensivo do United em toda a partida, numa partida em que os médios e avançados serviram essencialmente para defender e “perder bolas atrás de bolas na transição”.

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