Harry Kane em ponto rebuçado

32 golos em 37 jogos. 24 dos 32 obtidos na Premier League, facto que poderá valer ao avançado do Tottenham a renovação do título de melhor marcador da prova.

Frente ao incipiente Leicester (os Foxes fizeram um jogo francamente negativo no capítulo defensivo, em especial, no capítulo posicional e na baixa intensidade registada nos momentos de pressão e abordagem ao portador) o avançado inglês aproveitou para mostrar o seu lado Killer. Sem descurar algumas características do seu “completo” arsenal quando é chamado a jogar fora da área – constante dinâmica na cedência de apoios quer no corredor central quer nos corredores laterais, a capacidade de drible que possui sempre que vai aos corredores receber a bola para tentar flectir para o centro para preparar o seu poderoso remate de meia distância – o avançado demonstrou ontem que só tem olhos para a baliza, marcando 2 (dos 4) exactamente iguais nos minutos finais.

Slimani, mais uma vez!

Não, tudo o que foi feito com a evolução deste jogador não pertence à “mão dourada” de Marco Silva. Não, os indices físicos deste jogador, a sua mobilidade, a sua capacidade em vir atrás participar mais nos processos colectivos da equipa não foram obra e graça de Marco Silva. Não, não foi Marco Silva que colocou 30 milhões nos cofres de Alvalade. O “Slimani” de Marco Silva estava longe de ser o Islam Slimani da actualidade. Muito longe! Por mais que só queiram apontar as virtudes ao técnico português (naturalmente percebemos a razão que leva a imprensa portuguesa a levar Marco Silva nas palminhas; se fosse vendido em vez de despedido da forma bruta como foi por Bruno de Carvalho, estou certo que não teria metade do hype que tem na actualidade) e eu até sou justo o suficiente para lhe apontar 2 grandes trabalhos no Estoril e no Hull (porque no Olympiacos, face às evidências do destruído campeonato grego, até o Paulo Bento vai ser campeão apesar de ter sido despedido). Já na sua passagem pelo Sporting, pesada a conquista da Taça de Portugal e o bonito futebol que a equipa praticou a espaços, a época foi muito irregular. Quando uma temporada é marcada pela irregularidade, não se pode dizer que um treinador tenha feito um bom trabalho.

O clássico “à Slimani”

Eu creio que ninguém em Leicester se apercebeu da qualidade do ponta-de-lança que compraram por 30 milhões de euros. Eu não desgosto da rapidez e da matreirice do Ahmed Musa, da potência e pragmatismo de Andrej Kramaric nem tão pouco da profundidade que Jamie Vardy dá ao jogo mas com um homem de área deste género difícil, com jogadores tão bons a cruzar como Riyad Mahrez, Marc Albrighton, Christian Fuchs difícil é não apostar num modelo de jogo pragmático de colocação de bolas para o forte jogo aéreo do argelino. Não resisto a finalizar este post com um trocadilho: não é preciso ser um Shakespeare para perceber que quando o argelino é bem servido, não falha!