Uma peça jornalística perfeita

Em poucas linhas, António Henriques do DN resumiu (e criticou, positivamente) as grandes pechas do mandato (que agora termina) de Luís Cassiano Neves à frente da FPR. O Rugby Português caiu na rua da amargura.

Esperemos que os críticos e arautos da desgraça que grassam a potes pelas redes sociais e pelos blogs sejam agora capazes de pegar na bandeira e arrepiar caminho. Não. Desenganem-se. Esses serão os primeiros a rejeitar por completo o poder. Também serão, naturalmente, os primeiros a criticar todos aqueles que tenham a coragem necessária para assumir o barco. O rugby português está cheio de barristas. Pior que isso: o rugby português está cheio de pequenas invejas (a minha direcção da federação foi melhor que a tua é a tipologia mais utilizada no “medir de pilinhas” sem fim que é o rugby português), de pequenos ódios, de muita hipocrisia e acima de tudo, de muita gente de merda sem qualquer carácter.

Quando uma determinada empreitada está a vingar, pretendentes aos louros não faltam. Quando essa empreitada está prestes a colapsar, os pretendentes serão os primeiros a fugir. Grande parte daqueles que placaram no osso Cassiano Neves, mostrar-se-ão indisponíveis para se chegar à frente. É o normal. Mandar umas penadas à frente do computador é demasiado fácil. As teorias exibidas em longas (catedráticas) análises até parecem, à primeira vista, encaixar-se (como perfeitas) para a resolução dos problemas actuais. Errado. A realidade das instituições acaba sempre por surpreender aqueles que pensam que estão bem preparados para assumir os seus destinos. Quando os problemas começam a bater à porta e as soluções estão cheias de pequenas bifurcações repletas de danos colaterais (se tomar determinada decisão, sei que vou beneficiar x aspecto, prejudicando aspecto y) as pessoas apercebem-se do quão difícil é por vezes o poder. Não existem fórmulas perfeitas. Precisa-se gente de trabalho. Eu estou disponível para trabalhar. Sempre estive. No momento mais crítico da minha vida, o rugby deixou-me a mim e à minha namorada à beira do colapso financeiro. Um dia irei contar-vos essa história.

Para os corajosos que vieram a assumir o poder, será importante, na minha humilde opinião tratar urgentemente de uma série de questões:

  1. Fontes de financiamento para a modalidade – A modalidade está em crescimento em todo o mundo, parecendo apenas estar em contra-ciclo em Portugal. Para se ter dinheiro, é preciso, acima de tudo, que a modalidade seja mais divulgada. Só uma correcta divulgação da modalidade poderá conduzir à possibilidade de termos mais fontes de financiamento. E a melhor forma de a divulgar reside no Desenvolvimento. Na captação de mais praticantes e na criação de mais clubes. Para se captar mais atletas, em todo o país, a federação necessita de apostar num programa de desporto escolar que permita captar a atenção de uma nova geração, preferencialmente, em vários pontos do país onde o rugby tem menos expressão. Para o efeito, existe uma solução muito válida: a federação deve alocar todos os recursos técnicos disponíveis no intuito de passar a pente fino todas as escolas do país e não algumas, ou seja, aquelas que estão mais próximas dos clubes. Para o efeito, existem por aí centenas de professores de educação física que devem ser cativados a tentar inserir a prática do rugby nas escolas onde leccionam. Numa segunda fase, as zonas que demonstrarem interesse na constituição de clubes devem ser fortemente apoiadas (visto que não existem possibilidades financeiras para mais, a FPR deve ser incansável no apoio à criação de projectos minimamente sustentáveis, na formação de quadros técnicos e na formação de quadros directivos para os novos clubes). O aumento do número de atletas irá claramente aumentar o número de pessoas envolvidas na modalidade. O aumento do número de pessoas envolvidas na modalidade, irá granjear-se outra dimensão em termos de visibilidade e irá render vários louros (na vertente desportiva) no futuro se ao aumento do número de pessoas envolvidas se acrescentar uma qualitativa formação de novos quadros técnicos. O aumento de visibilidade traz mais apoios. Ninguém quer apostar numa modalidade em que o campeonato nacional não é transmitido na televisão. Ninguém quer apostar numa modalidade que não é vista nem tida nem achada por uma esmagadora falange da sociedade.portuguesa.
  2. Controlo máximo das despesas – Uma federação falida não pode levar uma comitiva tão grande aos locais onde a selecção se desloca. Uma federação falida não se pode dar ao luxo de gastar o que gasta em custos com pessoal.
  3. A arbitragem deve fazer um sacrifício em prol da modalidade. Se 100% dos atletas portugueses\pais pagam para jogar\para os filhos jogar, porque é os árbitros não podem ser chamados a contribuir para a modalidade que amam sem qualquer interesse monetário subjacente? Os custos com a arbitragem devem ser reduzidos ao mínimo, ou seja, ao custo de deslocação (o mais baixo possível, nomeando para os jogos, torneios, convívios os árbitros da região; como de resto é feito; pagando-lhes apenas as despesas que sejam consideradas como essenciais para que estes não percam dinheiro com a actividade) até ao momento em que as contas da federação permitam o regresso ao regime normal.
  4. A Federação Portuguesa de Rugby deverá encetar todos os esforços necessários para aproximar novamente o Rugby Português da IRB, da Rugby Europe, e das principais entidades que gerem as grandes competições europeias.
  5. A “aproximação ao estrangeiro” deverá sempre ser executada no intuito de atingir determinados objectivos: a recuperação do financiamento que se perdeu nos últimos anos em virtude da perda do estatuto de país “Performance 1” (para o efeito, deve-se apresentar um plano estratégico que vise pensar, estabilizar e executar um plano competitivo a longo prazo desde os escalões de formação até aos seniores; alterar o plano estratégico vigente no que concerne ao Alto Rendimento), a colocação de mais jogadores promissores em clubes de topo das principais ligas europeias e a aproximação aos países que nos poderão servir como modelo a seguir para os primeiros anos (Espanha e Alemanha).
  6. O Browns como casa-mãe das selecções nacionais. Existe neste país melhor infraestrutura para o Alto Rendimento que o Training Camp de Vilamoura?
  7. A reconciliação da FPR com todos os atletas luso-descendentes que foram discriminados pela anterior direcção. Os jogadores de ascendência portuguesa que jogam nas principais divisões dos seus países tem que ser vistos como mais-valias para o rugby português. Tratando-se de atletas com muita qualidade nas várias vertentes de jogo e de agentes que ao longo de anos estiveram em contacto com metodologias de treino mais avançadas que aquelas que são postas em prática em 90% dos clubes portugueses, os “luso” são jogadores que podem transportar para Portugal qualidade e conhecimento. Apesar de terem passado pela pouca vergonha pela qual passaram com Cassiano Neves, estou certo que grande parte voltará a jogar pela selecção se o novo elenco da FPR os convidar. Não devemos porém substituir os esforços que temos vindo a realizar na formação pela convocatória sistemática destes jogadores para as selecções. Para o efeito, deve sempre prevalecer um sistema de escolhas assente na meritocracia.

Tour de France – Etapa 18 – Muito Barguil para tão pouca corrida

Se não fosse o ataque do francês da Sunweb (à procura de vencer a 2ª etapa na presente edição; arrastando consigo Alberto Contador) nos últimos quilómetros para a mítica subida de Izoard, estou certo que teria adormecido. A etapa de hoje foi seguramente uma das etapas de montanha mais secantes que vi em toda a minha vida, pelo menos no que diz respeito ao Tour. Nem as etapas que eram vencidas por Lance Armstrong eram tão secantes. Naquelas edições da prova, poucos poderiam ser aqueles que faziam frente à maior fraude da história do desporto, mas, por outro lado, aquelas etapas raramente terminavam sem ataques.

Os condimentos para a confecção de uma etapa explosiva de ataque e contra-ataque estavam prontos nos containers. As diferenças registadas na geral entre Froome e os seus dois perseguidores mais directos prometiam, no mínimo, espectacularidade. Ou deviam, pelo menos, prometer. Os 27 segundos de diferença da dupla que segue na 2ª posição, deveriam funcionar para Romain Bardet e Rigoberto Uran como uma bela oportunidade para “descarregar” tudo o que tinham para dar. Uma verdadeira descarga de consciência, um verdadeiro “Tour ou nada”- se ganhassem tempo a Froome, seria óptimo. Ainda gostaríamos de tentar compreender se Bardet ou Uran seriam capazes de agarrar com unhas e dentes a amarela no contra-relógio de Marselha. Tal cenário poderia constituir-se como um profundo e completo estudo de caso sobre a supremacia do estado mental sobre os handicaps aerodinâmicos e posicionais que os dois ciclistas possuem naquele departamento. Mas Não. Bardet ainda ameaçou pretender fazer alguma coisa da etapa quando colocou a sua equipa na frente do grupo principal no Col du Vars. O ataque realizado no Izoard foi tímido e Froome foi pronto a dar a sua contra-resposta: quem o desafiar seriamente não só recebe o devido troco como terá que lidar com as consequências de um eventual ataque. O pequeno ataque de Landa bem como a resposta de Froome à movimentação de Bardet foi a confirmação pela qual há muito aguardávamos: para o ano há mais! Froome irá subir pela 4ª vez com a amarela vestida nos Champs Elysées. Continuar a ler “Tour de France – Etapa 18 – Muito Barguil para tão pouca corrida”

Que lindo!

Que bem joga o Porto de Sérgio Conceição! Dinâmica, mobilidade na procura de vir receber o passe do colega e dar rapidamente para o apoio mais próximo (primeiro Aboubakar\ depois Otávio), inversão do sentido de jogo, apoio para dar continuidade à jogada, criação de um engodo no interior com a entrada de dois jogadores no bloco adversário, de forma a criar novos problemas à defesa (veja-se a saída do lateral direito da sua posição para pressionar Otávio; o arrastamento abre o espaço que permite a situação de sobreposição e por conseguinte a oportunidade para a assistência) e o corte de Otávio pelas costas da defesa como nada se passasse, inserindo-se sem qualquer oposição em zona de finalização. Tudo ao primeiro toque. Fantástico! Fiquei encantado com esta jogada!

A humildade de Xavi

tactical room

Em entrevista à fabulosa Tactical Room de Martí Perarnau. Recomendo a sua assinatura. São provavelmente os 35 euros anuais mais bem gastos das vossas vidas, se realmente amam o mundo do desporto. A revista The Tactical Room é uma revista online com 150 páginas dedicadas a vários desportos. Para além de uma série de entrevistas a atletas, dirigentes ou agentes ligados ao mundo do desporto, e da cobertura de diversas provas desportivas, a revista oferece uma série de artigos especializados\técnicos sobre futebol.

“”Es mi última temporada como futbolista. Ahora mismo yo no podría ser entrenador, no puedo engañar a nadie. Me falta muchísimo por aprender para poder ser entrenador. Conozco la metodología, pero he de aprender a usarla (…) Mi idea como entrenador pasa por parámetros de ser protagonista, tener el balón, recuperarlo pronto y si puedo tener el 90% de la posesión, mejor que el 89%. Yo sufro si no tengo la pelota y como entrenador me ocurrirá igual”

Como? Pode repetir? Um dos melhores médios da história do futebol, um jogador que sabia literalmente tudo sobre futebol, um atleta que trabalhou numa das maiores casas de alto rendimento desportivo do mundo com vários dos melhores treinadores da história da modalidade, um jogador que comandou equipas que venceram tudo o que havia para vencer na modalidade, não só acredita que não está pronto para ser treinador como defende que ainda lhe falta muito para poder vir a ser treinador! Humildade. A isto chamo, simplesmente, Humildade.

E o zé da esquina, aquele que passou a treinar os sub-12 do Arrifana depois de lhe serem reconhecidas (no café; a propósito de uns bitaites mandados pró ar) capacidades para distinguir um 4-4-2 de um 4-3-3 pode ser treinador?

Tour de France – Etapa 17 – A estratégia perfeita de Primoz Roglic; Aru despede-se da luta pela geral

Col D´Ornon, Col de la Croix de Fer, Col du Telegraph, e finalmente o Col Du Galibier – escrevi aqui, no post de antevisão da prova, a propósito desta etapa:

“A etapa que não termina em alto (com muita pena nossa) começa no simpático Col D´Ornon. Passados alguns km, os ciclistas terão que enfrentar a Croix de Fer, subida com a distância de 24 km (a mais longa da prova) a uma percentagem média de inclinação de 5,2%. Da Croix de Fer, os ciclistas sairão para o Telegraph, passagem obrigatória de qualquer Tour. Alberto Contador volta à sua subida fetiche.”

Não seria portanto de espantar que o espanhol viesse a atacar a etapa, indiferentemente dos objectivos pelos quais estivesse a lutar à partida para a mesma. A corrida até lhe foi correndo de feição até certo ponto. O que o espanhol não previu foi o engodo montado pelo esloveno Primoz Roglic. O esloveno da Lotto-Jumbo-NL, corredor que é na minha opinião uma das grandes revelações da temporada (apesar de não estar a realizar uma prova minimamente aceitável para as suas potencialidades de trepador) “gastou” Contador até dizer chega durante o início da subida para o Galibier para depois deixar o espanhol e os restantes companheiros de fuga pregados ao selim quando lançou o bem medido ataque que lhe permitir chegar isolado à linha de meta, no dia em que lá atrás, no grupo dos favoritos, Fábio Aru despediu-se da luta pela geral.

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Franck Kessiê – o novo meio-campo do Milan

De todas as contratações que o AC Milan tem vindo a realizar para o seu
“novo” meio-campo (Kessiê, Biglia, Andrea Conti, Haçan Calhanoglu) a do poderoso médio costa-marfinense parece-me ser a única que faz sentido. Não tenho nada a apontar ao rigor posicional e ao trabalho de sapa que o experiente médio argentino executa em campo nem ao prodígio técnico do turco, jogador que tem qualidade de passe fabuloso e um inegável talento na cobrança de bolas paradas. Simplesmente não creio que ambos venham trazer mais à equipa do que aquilo que ofereciam o “tractor” Juraj Kucka ou o completo Andrea Bertolacci. Continuar a ler “Franck Kessiê – o novo meio-campo do Milan”

O golo do dia

A “joga” de Alex Iwobi frente ao Bayern de Munique no jogo amigável disputado pelas duas equipas em Xangai. Continuar a ler “O golo do dia”