A asneira colossal de Kurtley Beale na asquerosa exibição dos Wallabies em Twickenham

Na ressaca do categórico triunfo alcançado no passado sábado, dia 11, no Millenium de Cardiff frente à brava selecção galesa de Warren Gatland, a visita dos Wallabies até ao monstruoso estádio de Twickenham, catedral do rugby inglês, revestia-se por vários motivos, da maior importância para os comandados de Michael Cheika. Para além da histórica e intensa rivalidade existente entre as duas selecções, do extraordinário momento de forma colectivo que havia permitido uma série de 5 vitórias e 2 empates aos Wallabies nos 7 testes anteriormente realizados e do histórico de confrontos profundamente negativo (0-4) registado nos confrontos entre as duas selecções desde que Eddie Jones assumiu em 2015 o comando técnico da selecção inglesa, cabia aos forasteiros a possibilidade de poderem exercer, na “toca do leão”, o ónus da prova, ou seja, provarem que tem capacidade para derrubar aquela que é na minha opinião, a par com a Nova Zelândia, em função da sua fantástica performance defensiva, a principal candidata ao ceptro mundial.

Continuar a ler “A asneira colossal de Kurtley Beale na asquerosa exibição dos Wallabies em Twickenham”

Anúncios

Alexandre Lacazette

Soberbo momento inteligência de Alexandre Lacazette na forma em como, no início da jogada, se esconde em posição irregular nas costas de Eric Dier, dando a entender ao internacional inglês que no imediato a decisão do lance não passará por ali (como podem reparar, Dier vai dando passos à frente para incentivar os seus colegas a subir de forma a poderem criar a armadilha do fora-de-jogo), para depois fazer o movimento de reaproximação à linha defensiva (embora me pareça que o francês está ligeiramente adiantado no momento em que sai o passe) quando a bola reentra nos pés de Bellerin para promover com a desmarcação uma situação de ruptura.

Bons apontamentos deixados pelo Portimonense de Vítor Oliveira no Estádio do Dragão

Costumo dizer em tom de brincadeira (não quero que subentendam este termo pelo seu sentido pejorativo mas sim pelo seu sentido panegírico) que Vítor Oliveira é uma das verdadeiras “mulas do futebol português” pela competência que tem demonstrado na operacionalização do seu modelo de jogo e no desenvolvimento de jogadores que  em função do estatuto alcançado junto das direcções dos clubes que orienta por força dos bons resultadospela sabedoria e conhecimento profundo sobre o jogo que ostenta e carrega para os clubes que o contratam e pela gestão exímia da sua carreira nos últimos 10 anos, retirando-se estrategicamente para a 2ª Liga, não porque não lhe tenham, na última década, chovido convites de clubes de 1ª porque efectivamente choveram como o técnico veio a confirmar há uns meses nas entrevistas que concedeu a vários órgãos de comunicação social, mas porque o técnico viu no estandardizado futebol de chutão para a frente e de batalha praticado naquele escalão, uma porta de sucesso para a afirmação do seu antagónico modelo de jogo e para a sua própria afirmação profissional depois de anos em que o seu trabalho na 1ª Liga não foi amplamente reconhecido; as primeiras subidas alcançadas em Arouca e Moreira de Cónegos tornaram-no uma referência para todos os clubes que quisessem investir para subir de divisão; a partir das primeiras subidas e da relação de confiança e fiabilidade estabelecida no universo da 2ª liga, ao treinador foi concedida a rara oportunidade de optar em cada defeso pela assumpção dos projectos “mais qualificados e mais endinheirados” e não pelas soluções de recurso que lhe foram apresentadas.

Continuar a ler “Bons apontamentos deixados pelo Portimonense de Vítor Oliveira no Estádio do Dragão”

Mike Brown – a elegância do gesto técnico de recepção no ar a um pontapé adversário.

A posição de fullback (embora a língua portuguesa disponha de uma tradução para a posição – defesa flanqueador -os portugueses prefiram utilizar com mais regularidade o termo francês “arrière”) parece a quem assiste a um jogo de rugby em função fácil e até cómoda de desempenhar por qualquer jogador em virtude da sua posição recuada no terreno de jogo e da aparente facilidade das acções que este tem de desempenhar em campo, mas não é de facto, uma posição nada fácil. Continuar a ler “Mike Brown – a elegância do gesto técnico de recepção no ar a um pontapé adversário.”

O destaque da semana

Vai para o galhardo trio de atletas da equipa de Bobsleigh da Nigéria (Adigun, Ngozi Onwumere, Akuoma Omeoga) trio que na quarta-feira atingiu o histórico apuramento para os Jogos Olímpicos de Inverno (Pyeongchang 2018 – evento que se realizará de 9 a 25 de Fevereiro com a presença garantida de, pelo menos, um atleta português no esqui alpino visto que tanto Arthur Hanse como Samuel Almeida já atingiram os mínimos olímpicos para a prova de slalom gigante mas o Comité Olímpico só permite a inscrição de um atleta masculino e feminino por país para aquela prova – embora ainda estejam 9 atletas lusos a lutar pela obtenção dos mínimos exigidos para outras provas até 26 de Janeiro) tornando-se assim as primeiras atletas da história do continente africano a atingir o apuramento para o evento.

Vale a pena conhecer a história das atletas que, não tendo condições no seu país natal para a prática da modalidade, rumaram até ao Canadá para lutar pelo seu sonho.

O pré-Gelson e o pré-Bruno, o pós-Gelson e o pós-Bruno.

bruno fernandes 4

Houve um jogo antes da entrada de Gelson (um futebol completamente amorfo, acabrunhado, sem ligação entre sectores) e um jogo ligeiramente diferente após a entrada na partida de Gelson, pesem no entanto as dificuldades sentidas até à entrada de Bruno Fernandes aos 59″, pela dupla de centrais e de médios (Battaglia e Petrovic no capítulo da saída de jogo e da primeira fase de construção, dificuldades essas que naturalmente foram agudizadas pela disposição compacta e pela agressividade demonstrada no capítulo da pressão (montada à entrada do meio-campo) pelos jogadores da formação minhota (há que dar mérito à organização defensiva exemplar demonstrada pelos comandados de Dito), pela inserção forçada de Bruno César nos flancos face à ausência de Acuña (esperemos que Ruiz venha com vontade para colmatar essa lacuna de plantel), pela falta de velocidade, de mobilidade de algumas unidades (não se desmarcando convenientemente para abrir linhas de passe), de paciência na circulação e até de inteligência por parte de Petrovic, dificuldades que por outro lado foram amenizadas com as constantes (e habituais) entradas do extremo em zonas interiores para vir buscar jogo atrás, de forma a auxiliar a ligação do jogo entre sectores, em especial a ligação e a parceria com Daniel Podence.

Jorge Jesus continua na sua onda experimental, naquela onda experimental que só traz desgraças aos clubes que vai orientando. Casar no meio-campo um médio de cariz mais defensivo (Petrovic) que sente efectivamente muitas dificuldades para discernir o que é que deve fazer com a bola em cada lance concreto (se deve passar, se deve arriscar um passe para um jogador entre linhas, se deve procurar os laterais, se deve progredir com a bola para o espaço livre que lhe é oferecido pelo adversário para atrair jogadores para libertar outros espaços para jogar nos corredores; chegou a existir ali um período em que os jogadores famalicenses ignoraram-no por completo, deixando de pressionar o sérvio, quando Dito apercebeu-se  da natureza inofensiva de Petrovic ou seja, da sua evidente incapacidade em gerar progressão à equipa através do transporte de bola) com outro, Rodrigo Battaglia, que, embora tendo registado melhorias neste aspecto desde que entrou pela Porta 10A, continua a ter muitas dificuldades no capítulo do passe e na partida de hoje decidiu, para cúmulo das dificuldades criadas pelo adversário, assumir menos o esférico no momento de construção para realizar movimentações completamente distintos que lhe são habituais (procurando entrar muitas vezes entre linhas ou até mesmo nas costas da defesa contrária), foi uma decisão de génio. Na minha opinião, Bruno Fernandes deveria ter entrado de início para resolver este jogo cedo, fazendo-o descansar quando o jogo (e o próprio adversário) estivesse totalmente dominado.

Nos primeiros 20 minutos assistimos a um Sporting com muitas dificuldades para construir. Frente a uma equipa que se organizou num bloco compacto bastante bem organizado, e bastante producente, com uma 1ª linha de pressão efectiva à entrada do meio-campo e um sistema de coberturas muito bem montado no qual todos os jogadores demonstraram o mínimo de intensidade e agressividade nas disputas, era preciso abordar esta partida de outra forma completamente diferente. O que vimos foi uma mão cheia de jogadores verdadeiramente impacientes na saída de jogo, de processos lentos, tentando despachar o jogo rapidamente para as costas da linha média famalicense, ao invés de tentar circular pacientemente e em velocidade entre flancos e\ou de ter um jogador capaz de romper coma bola pelo centro para obrigar a estrutura defensiva famalicense a dançar, ou seja, a ter que deslocar mais unidades para o miolo quando um jogador entrasse com o esférico em condução pelo meio (atraindo jogadores para abrir naturalmente espaços para jogar nas alas; o que até poderia resultar numa 2ª fase na entrada da bola no jogo interior em Podence ou em Dost) ou a ser atraída para um flanco para rapidamente se executar uma variação para o outro de forma a criar espaço para os jogadores da ala esquerda progredir.

Continuar a ler “O pré-Gelson e o pré-Bruno, o pós-Gelson e o pós-Bruno.”

Bloco de Notas da História #38 – Obrigado e até sempre Grande Regista (2ª parte)

pirlo 3

A 1ª parte deste post pode ser consultada aqui. 

Costumo dizer, em tom sério, que no futebol italiano, a vida de um calciatore goza de um estado de excepção raro no futebol europeu. O calciatore, herdeiro em certa parte do estatuto e da função outrora possuída pelos gladiadores romanos na tradição clássica do “Panis et circensis” (o entertainer das “massas”; o mantedor da paz social; a peça chave da promoção política de um espectáculo selvático, sensacionalista e enleante da atenção das massas como o mais eficaz método de controlo social e de manutenção do status quo do próprio agente político) possui, à semelhante dos felinos, 7 vidas para ir gastando ao longo da sua carreira. A experiência que adquiri ao longo de 22\23 anos de observação ao interessantíssimo fenómeno (complexo até à medula) que é o futebol italiano, fez-me chegar a uma conclusão que me parece ser do mais amplo interesse para compreender a cultura futebolística daquele país: um calciatore jamais sucumbe ou é ostracizado em função de uma má experiência num dos maiores clubes daquele campeonato, facto que não acontece noutros países. Em Portugal, quando um jogador é dispensado por um clube grande muito dificilmente voltará a jogar por esse ou por outro dos grandes do nosso país, embora, tenham havido várias excepções históricas a esta regra. Quando um jogador cai da 1ª para a 2ª liga, o estigma criado (a descida de divisão) torna-o menos apetecível. Ninguém pretende pagar para ter a desgraça à sua porta. Quando um jogador que fez 2 ou 3 ou até 5\6 anos na 1ª liga cai para uma 2ª divisão B, muito dificilmente regressa aos campeonatos profissionais, a não ser que, porventura, apareça um conhecido a dar a mão. No futebol, não existem almoços grátis. Nem mesmo para aqueles que são empurrados pelos empresários das divisões amadoras para as divisões profissionais. Na hora de assinar, o empresário aparecerá para reclamar o seu verdinho, estropiando o produto, independentemente do esforço que o seu “servo” fez para subir. No futebol italiano a coisa é ligeiramente diferente. O jogador que hoje não serve para uma Juventus, poderá daqui a 2 anos servir para um Milan se fizer um bom percurso no Genoa. O que não singra num Inter, poderá dentro em breve constituir-se como a peça chave para a conquista da Roma, se mostrar em Sassuolo que tem capacidades para preencher os parâmetros de jogo definidos pelo treinador da Roma. Tal cultura de rotatividade, cultura que oferece ao jogador a possibilidade de, anualmente, acumular, nos mais variados aspectos do jogo, experiências com treinadores que pensam e vêem o jogo de forma divergente, que possuem diferentes ideias de jogo, diferentes princípios, diferentes processos, diferentes perspectivas em relação às dinâmicas individuais e colectivas, diferentes metodologias de trabalho, diferentes objectivos pessoais até, contudo, quase sempre dentro dos moldes gerais em que foi construída a identidade do futebol daquele país, torna o jogador italiano um jogador riquíssimo nas várias dimensões do jogo, com especial enfoque para as dimensões táctica e psico-cognitiva. Riquíssimo porque, tacticamente, já experimentou um pouco de tudo e já foi experimentado\rotinado em várias posições do campo. O futebol italiano é um futebol que contempla uma certa atitude experimental de aprendizagem por tentativa\erro. Riquíssimo porque o jogador conhece amplamente o jogar de vários treinadores e as valências de todos os adversários, adversários que poderão ter sido nas épocas anteriores, colegas de equipa.

O treinador italiano raramente ensina o quer que seja ao nível de técnica individual ou raramente trabalha o físico do jogador. O jogador é responsável pelo cultivo do seu físico, devendo apresentar-se no início da cada temporada com o aporte físico e fisiológico necessário para começar a trabalhar intensivamente as ideias de jogo do seu treinador. O jogador é responsável pela sua alimentação e pela indispensável frugalidade dos seus hábitos de vida, embora, nesse campo, os italianos estejam 20 anos à frente do resto do mundo, podendo-se até mesmo dizer que os profissionais que trabalham nos laboratórios dos clubes (fisiologistas, especialistas em medicina desportiva, fisioterapeutas, nutricionistas, biólogos) conseguem prever, com algum rigor, através da análise detalhada a uma série de factores intrínsecos iunerentes ao organismo do atleta  (flexibilidade, histórico de lesões, características antropométricas, densidade óssea, composição corpórea e condicionamento cardiovascular) a duração da carreira de um atleta, os factores de risco causadores de lesões, o tempo exacto da carga suportável por cada atleta, entre outras coisas giríssimas que tenho aprendido nos últimos meses. Continuar a ler “Bloco de Notas da História #38 – Obrigado e até sempre Grande Regista (2ª parte)”